Mito, Rito e         Religio


         necessrio deixar bem claro, nesta tentativa de
conceituar o mito , que o mesmo no tem aqui a         conotao usual
de fbula, lenda, inveno,        fico, mas a acepo que lhe
atribuam e ainda         atribuem as sociedades arcaicas, as
impropriamente         denominadas culturas primitivas, onde mito  o
relato de         um acontecimento ocorrido no tempo primordial,
mediante a       interveno de entes sobrenaturais. Em outros termos,
mito,  o relato de uma histria verdadeira, ocorrida         nos tempos
dos princpios, quando com a interferncia         de entes
sobrenaturais, uma realidade passou a existir,        seja uma realidade
total, o cosmo, ou to-somente um         fragmento, um monte, uma
pedra, uma ilha, uma espcie         animal ou vegetal, um comportamento
humano. Mito ,         pois, a narrativa de uma criao: conta-nos de
que modo        algo, que no era, comeou a ser.


De outro lado, o mito  sempre uma         representao coletiva,
transmitida atravs de vrias         geraes e que relata uma
explicao do mundo. Mito       , por conseguinte, a parole , a palavra
"revelada", o dito. E, desse modo, se o mito         pode se exprimir ao
nvel da linguagem, "ele ,         antes de tudo, uma palavra que
circunscreve e fixa um         acontecimento". "O mito  sentido e
vivido         antes de ser inteligido e formulado. Mito  a palavra, a
imagem, o gesto, que circunscreve o acontecimento no         corao do
homem, emotivo como uma criana, antes de        fixar-se como
narrativa".


O         mito expressa o mundo e a realidade humana, mas cuja
essncia  efetivamente uma representao coletiva,         que chegou
at ns atravs de vrias geraes. E,         na medida em que pretende
explicar o mundo e o homem,        isto , a complexidade do real, o
mito no pode ser         lgico: ao revs,  ilgico e irracional.
Abre-se         como uma janela a todos os ventos; presta-se a todas as
interpretaes. Decifrar o mito , pois, decifrar-se.  E, como afirma
Roland Barthes, o mito no pode,         conseqentemente, "ser um
objeto, um conceito ou         uma idia: ele  um modo de significao,
uma        forma". Assim, no se h de definir o mito         "pelo
objeto de sua mensagem, mas pelo modo como a         profere".


 bem verdade que a sociedade industrial         usa o mito como
expresso de fantasia, de mentiras, da         mitomania, mas no 
este o sentido que hodiernamente        se lhe atribui.


O         mesmo Roland Barthes, alis, procurou reduzir, embora
significativamente, o conceito de mito, apresentando-o         como
qualquer forma substituvel de uma verdade. Uma         verdade que
esconde outra verdade. Talvez fosse mais   exato defini-lo como uma
verdade profunda de nossa mente.          que poucos se do ao trabalho
de verificar a verdade         que existe no mito, buscando apenas a
iluso que o mesmo         contm. Muitos vem no mito to-somente os
significantes, isto , a parte concreta do signo.          mister ir
alm das aparncias e buscar-lhe os         significados, quer dizer, a
parte abstrata, o sentido       profundo.


Talvez         se pudesse definir mito, dentro do conceito de Carl
Gustav Jung, como a conscientizao de arqutipos do
inconsciente coletivo, quer dizer, um elo entre o         consciente e o
inconsciente coletivo, bem como as formas         atravs das quais o
inconsciente se manifesta.


Compreende-se por inconsciente coletivo         a herana das vivncias
das geraes anteriores.         Desse modo, o inconsciente coletivo
expressaria a         identidade de todos os homens, seja qual for a
poca e o         lugar onde tenham vivido.


Arqutipo ,         do grego "arkhtypos" ,         etimologicamente,
significa modelo primitivo, idias         inatas. Como contedo do
inconsciente coletivo foi         empregado pela primeira vez por Yung.
No mito, esses         contedos remontam a uma tradio, cuja idade 
impossvel determinar. Pertencem a um mundo do passado,
primitivo, cujas exigncias espirituais so semelhantes         s que
se observam entre culturas primitivas ainda         existentes.
Normalmente, ou didaticamente, se distinguem dois tipos de imagens:



a)  imagens         (includos os sonhos) de carter pessoal, que
remontam a experincias pessoais esquecidas ou reprimidas, que
podem ser explicadas pela anamnese individual;


b)  imagens         (includos os sonhos) de carter impessoal, que no
podem ser incorporados  histria individual.         Correspondem a
certos elementos coletivos: so         hereditrias.


A         palavra textual de Jung ilustra melhor o que exps:
"Os contedos do inconsciente pessoal so         aquisies da
existncia individual, ao passo que os         contedos do inconsciente
coletivo so arqutipos que existem sempre a         priori .


Embora         se tenha que admitir a importncia da tradio e da
disperso por migraes, casos h e muito numerosos         em que essas
imagens pressupem uma camada psquica         coletiva:  o
inconsciente coletivo. Mas, como este no          verbal, quer dizer,
no podendo o inconsciente se manifestar de forma conceitual, verbal,
ele o faz         atravs de smbolos . Atente-se para a etimologia
de smbolo , do grego "smbolon" ,         do verbo " symbllein ",
"lanar         com", arremessar ao mesmo tempo,         "com-jogar". De
incio, smbolo era um sinal         de reconhecimento: um objeto
dividido em duas partes,        cujo ajuste e confronto permitiam aos
portadores de cada         uma das partes se reconhecerem. O smbolo ,
pois, a         expresso de um conceito de eqivalncia. Assim, para
se atingir o mito, que se expressa por smbolos,          preciso fazer
uma eqivalncia , uma         "con-jugao", uma "re-unio",
porque, se o signo  sempre menor do que o conceito que
representa, o smbolo representa sempre mais do que seu
significado evidente e imediato.


Em         sntese, os mitos so a linguagem imagstica dos
princpios. "Traduzem" a origem de uma         instituio, de um
hbito, a lgica de uma gesta, a         economia de um encontro.



Na         expresso de Goethe, os mitos so as relaes
permanentes da vida.


Se         mito , pois, uma representao coletiva, transmitida atravs
de vrias geraes e que relata uma         explicao do mundo, ento o
que  mitologia ?


Se mitologema          a soma dos elementos antigos transmitidos pela
tradio e  mitema  as unidades constitutivas         desses elementos,
mitologia   o         "movimento" desse material: algo de estvel e
mutvel simultaneamente, sujeito, portanto, a         transformaes. Do
ponto de vista etimolgico,     mitologia  o estufo dos mitos,
concebidos como         histria verdadeira.


Quanto          religio , do latim " religione ",         a palavra
possivelmente se prende ao verbo " religare ",         ao de ligar.



Religio         pode, assim, ser definida como o conjunto das atitudes
e   atos pelos quais o homem se prende , se liga         ao divino ou
manifesta sua dependncia em relao a         seres invisveis tidos
como sobrenaturais. Tomando-se o         vocbulo num sentido mais
estrito, pode-se dizer que a         religio para os antigos  a
reatualizao e a    ritualizao do mito. O rito possui, "o poder de
suscitar ou, ao menos, de reafirmar o mito".


Atravs         do rito, o homem se incorpora ao mito, beneficiando-se
de   todas as foras e energias que jorraram nas origens. A         ao
ritual realiza no imediato uma transcendncia         vivida. O rito
toma, nesse caso, "o sentido de uma         ao essencial e primordial
atravs da referncia que         se estabelece do profano ao sagrado".
Em resumo: o         rito  a praxis do mito.  o mito em ao. O mito
rememora, o rito comemora.


Rememorando         os mitos, reatualizando-os, renovando-os por meio de
certos rituais, o homem torna-se apto a repetir o que os         deuses
e os heris fizeram "nas origens",         porque conhecer os mitos 
aprender o segredo da origem         das coisas. "E o rito pelo qual se
exprime (o mito) reatualiza aquilo que  ritualizado: re-criao,
queda, redeno". E conhecer a origem das coisas -         de um objeto,
de um nome, de um animal ou planta - "eqivale a adquirir sobre as
mesmas um poder         mgico, graas ao qual  possvel domin-las,
multiplic-las ou reproduz-las  vontade". Esse retorno s origens, por
meio do rito,  de suma         importncia, porque "voltar s origens 
readquirir as foras que jorraram nessas mesmas         origens". No 
em vo que na Idade Mdia muitos         cronistas comeavam suas
histrias com a origem do         mundo. A finalidade era recuperar o
tempo forte, o tempo      primordial e as bnos que jorraram illo
tempore .


Alm         do mais, o rito, reiterando o mito, aponta o caminho,
oferece um modelo exemplar, colocando o homem na
contemporaneidade do sagrado.  o que nos diz, com sua
autoridade, Mircea Eliade: "Um objeto ou um ato no        se tornam
reais, a no ser na medida em que repetem um arqutipo. Assim a
realidade se adquire exclusivamente         pela repetio ou
participao; tudo que no possui         um modelo exemplar  vazio de
sentido, isto , carece        de realidade".


O         rito, que  o aspecto litrgico do mito, transforma a
palavra em verbo , sem o que ela  apenas l enda ,         "legenda", o
que deve ser lido e no mais         proferido.


         idia de reiterao prende-se a idia de tempo .         O
mundo transcendente dos deuses e heris          religiosamente
acessvel e reatualizvel, exatamente         porque o homem das
culturas primitivas no aceita a         irreversibilidade do tempo: o
rito abole o tempo profano, cronolgico,  linear e, por isso mesmo,
irreversvel         (pode-se "comemorar" uma data histrica, mas
no faz-la voltar no tempo), o tempo mtico,         ritualizado, 
circular, voltando sempre sobre si mesmo.          precisamente essa
reversibilidade que liberta o homem         do peso do tempo morto,
dando-lhe a segurana de que ele          capaz de abolir o passado, de
recomear sua vida e recriar seu mundo. O profano  tempo da vida; o
sagrado,         o "tempo" da eternidade.


A         "conscincia mtica", embora rejeitada no         mundo
moderno, ainda est viva e atuante nas         civilizaes denominadas
primitivas: "O mito,       quando estudado ao vivo, no  uma explicao
destinada a satisfazer a uma curiosidade cientfica, mas         uma
narrativa que faz reviver uma realidade primeva, que         satisfaz as
profundas necessidades religiosas, aspiraes morais, a presses e a
imperativos de ordem         social e mesmo a exigncias prticas. Nas
civilizaes primitivas, o mito desempenha uma funo     indispensvel:
ele exprime, exalta e codifica a crena;         salvaguarda e impe os
princpios morais; garante a         eficcia do ritual e oferece regras
prticas para a         orientao do homem. O mito  um ingrediente
vital da       civilizao humana; longe de ser uma fabulao v,
ele , ao contrrio, uma realidade viva,  qual se         recorre
incessantemente; no , absolutamente, uma         teoria abstrata ou
uma fantasia artstica, mas uma verdadeira codificao da religio
primitiva e da         sabedoria prtica".
zzz
As Origens

Ria                 ou Cibele
Ops
Trtaro
Hemera
Nix
Montes,                 Montanhas
Pontos



Ria ou         Cibele


Saturno,         se bem que pai dos trs principais deuses, Jpiter ,
Netuno e Pluto, no teve entre os         poetas o ttulo de Pai dos
Deuses, talvez devido          crueldade que exerceu sobre os filhos,
enquanto que     Ria, sua esposa, era chamada a Me dos Deuses, a
Grande Me, e era venerada com esse nome.


Os         diferentes nomes com que  designada a me de Jpiter
exprimiam sem dvida atribuies diversas da mesma         pessoa.
Realmente essa deusa, sob qualquer dos seus         muitos nomes, 
sempre a Terra, me comum de todos os        seres. Ria ou Cibele, que
nas cerimnias dos cultos e         crenas religiosas dos povos, parece
ter sido o mais         honrado. Eis o que se contava de Cibele:



Filha do Cu e da Terra, por conseguinte a         prpria Terra,
Cibele, mulher de Saturno, era chamada a Boa         Deusa , a Me dos
Deuses , por ser me de         Jpiter, de Juno, de Netuno, de Pluto e
da maior parte        dos deuses de primeira ordem. Logo depois de
nascer, sua         me exp-la em uma floresta, e os animais ferozes
tomaram conta dela e alimentaram-na. Enamorou-se de Atis,         jovem
e formoso frgio, a quem confiou o cuidado do seu         culto, sob a
condio de que ele no violaria o seu         voto de castidade. Atis
esqueceu o juramento desposando a         ninfa Sangarida, e Cibele
puniu-o matando a rival. Atis         ficou profundamente magoado; num
acesso de delrio e         desgraado se mutilou; e ia enforcar-se,
quando Cibele,   com uma compaixo tardia, mudou-o em pinheiro.


O         culto de Cibele tornou-se clebre em Frgia, de onde
foi levado a Creta. Foi introduzido em Roma na poca da         segunda
guerra pnica. O simulacro da Boa Deusa, uma         grande pedra muito
tempo conservada em Pessino, foi       colocada no templo da Vitria, no
monte Palatino. Foi um         dos penhores da estabilidade do imprio,
e se instituiu         uma festa, com combates simulados, em honra de
Cibele. Os         seus mistrios, to dissolutos como os de Baco, eram
celebrados com um confuso rudo de obos e cmbalos;         os
sacrificadores davam uivos.


Sacrificavam-lhe         uma porca, pela sua fertilidade, um touro ou
uma cabra, e         os padres, durante esses sacrifcios, sentados,
batiam         palmas no cho. O buxo e o pinheiro eram-lhe
consagrados; o primeiro por ser a madeira de que se         faziam as
flautas, instrumentos empregados nas festas, e         o segundo por
causa do desgraado Atis a quem Cibele         tanto amara. Os seus
sacerdotes eram os Cabiros, os         Coribantes, os Curetes, os
Dctilos do monte Ida, os         Galos, os Semviros e os Telquinos,
quase todos  geralmente eunucos, em memria de Atis.


Representava-se         Cibele com os traos e o garbo de uma mulher
robusta,       com uma coroa de carvalho, rvore que havia alimentado
os primeiros homens. As torres sobre a sua cabea         representam as
cidades que esto sob a sua proteo, e         a chave que est em sua
mo indica os tesouros que o        seio da terra esconde no inverno e
oferece no estio.          conduzida num carro tirado por lees. O
carro  o         smbolo da Terra que se balana e rola no espao; os
lees demonstram que nada, por mais feroz, deixar de         ser domado
pela ternura maternal, ou por outra, - que         no h solo rebelde 
indstria fecunda. As suas         vestes so matizadas, geralmente
verdes, aluso aos         ornatos da natureza. O tambor que est a seu
lado  o        globo terrestre; os cmbalos, os gestos violentos dos
seus sacerdotes indicam a atividade dos lavradores e o         rudo dos
instrumentos da agricultura.


Alguns         poetas supuseram que Cibele era a filha de Meon e
Dindimo, rei e rainha da Frgia. Seu pai, tendo         percebido que
ela amava Atis, fez que este morresse com         suas mulheres, e
atirou os seus corpos em um montouro.        Cibele ficou inconsolvel.


Ops


Ops,         o mesmo que Cibele e Ria ou a Terra,  representada
como uma venervel matrona que estende a mo direita         oferecendo
socorro, e que com a esquerda d po ao         pobre. Era tambm
considerada com a deusa das riquezas.        O seu nome quer dizer
socorro, auxlio, assistncia.


No         h que admirar de ver-se a Terra, tantas vezes personificada
sob denominaes diferentes. Fonte         inesgotvel de riquezas, me
fecunda de todos os bens,         ela se oferecia  adorao dos povos
sob vrios   aspectos, conforme o clima e a regio; da, as
mltiplas lendas e os seus inumerveis smbolos.

Trtaro


De         etimologia desconhecida, at o momento,  o local mais
profundo das entranhas da terra, localizado muito abaixo         do
prprio Hades. A distncia que separa o Hades do         Trtaro  a
mesma que existe entre Gia, a Terra, e         rano, o Cu. Um pouco
mais tarde, quando o Hades foi dividido em trs compartimentos, Campos
Elsios ,         local onde ficavam por algum tempo os que pouco tinham
o purgar, rebo , residncia tambm temporria         dos que muito
tinham a sofrer, o Trtaro  se         tornou o local de suplcio
permanente dos grandes criminosos, mortais e imortais. Quando Zeus
probe os         Imortais de se imiscurem nas batalhas entre aqueus e
troianos, e ameaa lanar os recalcitrantes nas        profundezas do
Trtaro, observa-se que este  perfeito         sinnimo de Hades, aonde
iam ter, para todo o sempre,         sem prmio nem castigo, todas as
almas. A diviso do         Hades em compartimentos  ps-homrica.



Em         Hesodo a idia de permanncia eterna na outra vida
j parece tambm existir, pelo menos para alguns deuses         e
mortais: l foram lanados os Tits e as almas dos         homens da
Idade de Bronze. Os Ciclopes tiveram mais        sorte: duas vezes
lanados no Trtaro, duas vezes de         l foram libertados, o que
demonstra que para algumas         divindades o Trtaro podia funcionar
apenas como priso         temporria, ao menos at Hesodo. Seja como
for,  no   Trtaro que as diferentes geraes divinas lanam
sucessivamente seus inimigos, como os Ciclopes e depois         os
Tits.

Hemera


Hemera,         (Hemra), cuja base  o ino-europeu,
"claridade". Hemera  a personificao do         Dia, concebido como
divindade feminina, formando com        ter um par, enquanto rebo e
Nix formam o outro.

Nix


Nix,          a personificao e a deusa da noite, cuja raiz  o
indo-europeu - "escurido". Habita o extremo         Oeste, alm do pas
de Atlas. Enquanto rebo        personifica as trevas subterrneas,
inferiores, Nix         personifica as trevas superiores, de cima.



Percorre         o cu, coberta por um manto sombrio, sobre um carro
puxado por quatro cavalos negros e sempre acompanhada das
Queres.  Noite s se podem imolar ovelhas negras. Nix         simboliza
o tempo das gestaes, das germinaes e         das conspiraes, que
vo surgir  luz do dia em manifestaes de vida.  muito rica em todas
as         potencialidades de existncia, mas entrar na noite 
regressar ao indeterminado, onde se misturam pesadelos,    ncubos,
scubos e monstros. Smbolo do inconsciente,          no sono da noite
que aquele se libera.

Montes.         Montanhas


No         grego hesidico ( rea ), do verbo ( resthai ),
"elevar-se", personificados como filhos de         Gia, so em Hesodo
a "agradvel habitao         das Ninfas". Por sua altura  e por ser um
centro, a montanha tem um simbolismo preciso. Na medida       em que ela
 alta, vertical, aproximando-se do cu,          smbolo de
transcendncia; enquanto centro de hierofanias         (manifestaes do
sagrado) e de teofanias         (manifestaes dos deuses), participa do
simbolismo da manifestao. Como ponto de encontro entre o cu e a
terra,  a residncia dos deuses e o termo da ascenso         humana.
Expresso da estabilidade e da imutabilidade, a         montanha,
segundo os sumrios,  a massa primordial         no diferenciada, o
Ovo do mundo. Residncia dos         deuses, escalar a montanha sagrada
 caminhar em         direo ao Cu, como meio de se entrar em contato
com         o divino, e uma espcie de retorno ao Princpio.


Todas         as culturas tm sua montanha sagrada. Moiss recebeu as
Tbuas da Lei no Monte Sinai; Garizim foi e continua a         ser um
cume sagrado nas montanhas de Efraim; o         sacrifcio de Isaac foi
sobre a montanha; Elias obtm o         milagre da chuva nos pncaros do
monte Carmelo; uma das         mais belas pregaes de Cristo foi o
Sermo da         Montanha; a transfigurao de Jesus foi sobre uma alta
montanha  e sua ascenso, sobre o monte das         Oliveiras...



Os         exemplos poderiam multiplicar-se. Acrescentemos, apenas,
que o monte Olimpo  era a morada dos deuses gregos;         Dioniso foi
criado no monte Nisa e Zeus  o foi no Monte Ida. Montesalvat do Graal
est situado no meio das ilhas inacessveis.

Na realidade, Deus est sempre mais perto quando se
escala a montanha.

Pontos


Em         grego ( Pntos ), talvez da raiz * pent ,         ao de
caminhar, o snscrito tem, caminho, e o latim pons ,         ponte,
passarela. Pontos  , pois, a marcha ,         o  caminho , "os caminhos
do mar".         Personificado, passou a figurar como representao
masculina do mar. No possuindo um mito prprio,         aparece apenas
nas genealogias teognicas e         cosmognicas. O mar simboliza a
dinmica da vida. Tudo         sai do mar e a ele retorna, tornando-se o
mesmo, o lugar de nascimentos, transformaes e renascimentos. guas
em movimento, o mar simboliza um estado transitrio         entre as
possveis realidades ainda informais e as        realidades formais, uma
situao de ambivalncia, que          a da incerteza, da dvida e da
indeciso, que se         pode concluir bem ou mal. Da ser o mar
simultaneamente         a imagem da vida e da morte. Cretenses, gregos e
romanos        sacrificavam ao mar cavalos e touros, ambos smbolos de
fecundidade. Smbolo tambm de hostilidade ao divino, o         mar
acabou por ser vencido e dominado por um deus.         Segundo as
cosmogonias babilnicas, Tiamat  (O         Mar), aps contribuir para
dar nascimento aos deuses,         foi por um deles vencido. Jav, tinha
domnio total         sobre o mar e seus monstros, como diz J 7,12:


"Acaso sou eu o mar             ou baleia, para me teres encerrado como
num         crcere?"


Criao         de Deus (GN 1,9-10), o mar tem que lhe estar
sujeito (Jr 31,35). Cristo         d ordens aos ventos e ao mar, e as
tempestades se       transformam em bonana (Mt 8, 24-27).


Joo (Ap 21,1) canta o mundo novo, em que         o mar no mais
existir.
zzz
Apolo

Nascimento de Apolo e         Diana
Latona e a Serpente         Pito
Os Camponeses         Carianos
O Tipo de Apolo
Delfos, Centro do         Mundo
A Disputa do Trip
O Orculo de Delfos

Nascimento         de Apolo e Diana


Apolo         e Diana so filhos de Jpiter e de Latona,
personificao da Noite, divindade poderosa cuja unio         com
Jpiter produziu o Universo. Segundo a tradio,         Latona v-se,
em seguida, relegada ao segundo lugar e         quase no aparece na
mitologia a no ser como vtima         de Juno. A Terra , por
instigao de Juno, quis impedi-la         de achar lugar onde pudesse
dar  luz os filhos que         trazia no seio. Entretanto, Netuno,
vendo que a infeliz        deusa no encontrava abrigo onde quer que
fosse,         comoveu-se e fez sair do mar a ilha de Delos. Sendo essa
ilha, a princpio, flutuante, no pertencia  Terra,         que assim
no pde nela exercer a sua funesta ao.


Delos,         diz o hino homrico, rejubilou-se com o nascimento do
deus que atira os seus dardos para longe. Durante nove         dias e
nove noites, foi Latona dilacerada pelas cruis         dores do parto.
Todas as deusas, as mais ilustres,         renem-se-lhe em torno.
Dionia, Ra , Tmis que persegue os culpados, a         gemedora
Anfitrite, todas, exceto Juno dos braos de         alabastro, que ficou
no palcio do formidando Jpiter . Entretanto, somente Ilitia, deusa dos
partos,  que ignorava a nova; achava-se sentada no topo         do
Olimpo, numa nuvem de ouro, retida pelos conselhos de        Juno, que
sofria um cime furioso, porque Latona dos         cabelos formosos iria
certamente dar  luz um filho         poderoso e perfeito.


Ento,         a fim de levarem Ilitia, as demais deusas enviaram de
Delos a ligeira ris, prometendo-lhe um colar de fios de         ouro,
com nove cbitos de comprimento. Recomendam-lhe         sobretudo que a
advirta,  revelia de Juno, de medo que         esta a detenha com as
suas palavras. ris, rpida como    os ventos, mal recebe a ordem, parte
e cruza o espao         num instante.


Chegada          manso dos deuses no topo do Olimpo, ris persuadiu
Ilitia, e ambas voam como tmidas pombas. Quando a deusa         que
preside aos partos chegou a Delos, Latona         experimentava as mais
vivas dores. Prestes a dar  luz,         abraava uma palmeira e os
joelhos apertavam a relva mole. Em breve nasce o deus; todas as deusas
do um         grito religioso. Imediatamente, divino Febo, elas te
lavam castamente, purificam-te em lmpida gua e te        envolvem num
vu branco, tecido delicado, que elas         cingem com um cinto de
ouro. Latona no aleitou Apolo de         gldio resplendente. Tmis,
com as suas imortais mos,         oferece-lhe o nctar e a divina
ambrsia. Latona        alegrou-se enormemente por ter gerado o valoroso
filho         que empunha um temvel arco.


Apolo         e Diana nasceram, pois, em Delos, e  por isso que Apolo
se chama, freqentemente, o deus de Delos.

Latona         e a Serpente Pito


Entretanto         Juno, no conseguindo perdoar  rival ter sido amada
por Jpiter, instigou contra ela um monstruoso drago,         filho da
Terra, chamado Delfneo ou Pito, que fora         incumbido da guarda
dos orculos da Terra, perto da         fonte de Castalia. Obedecendo s
sugestes de Juno,         Pito perseguia sem cessar a infeliz deusa,
que escapava         da sua presena apertando entre os braos os
filhos.         Num vaso antigo, vemo-lo sob a forma de uma longa
serpente que ergue a cabea, desenrolando o corpo, e         persegue
Latona. A deusa teme, enquanto os filhos, que         no percebem o
perigo, estendem os bracinhos para o         monstro.

Os         Camponeses Carianos


Quando         Latona, perseguida pela implacvel Juno, fugia com os
dois filhos ao colo, chegou  Caria. Num dia de intenso         calor,
deteve-se aniquilada pela sede e pelo cansao s         margens de um
tanque do qual no ousava aproximar-se.        Mas alguns camponeses
ocupados em arrancar canios         impediram-na de beber, expulsando-a
brutalmente. A         infeliz Latona rogou-lhes, em nome dos filhinhos,
que lhe         permitissem sorver umas gotas de gua, mas eles a
ameaaram se no afastasse quanto antes, e turvaram as         guas com
os ps e as mos, a fim de que a lama         revolvida aparecesse 
tona. A clera de que Latona se         sentiu possuda fez com que se
esquecesse da sede, e       lembrando-se de que era deusa: "Pois bem,
disse-lhes, erguendo as mos ao cu, ficareis para         sempre neste
tanque". O efeito seguiu de perto a         ameaa, e aqueles desalmados
se viram transformados em         rs. Desde ento, no cessam de coaxar
com voz rouca e         de chafurdar na lama. Alguns lobos, mais humanos
que os         camponeses, conduziram-na s margens do Xanto, e Latona
pde fazer as suas ablues nesse rio, que foi consagrado a Apolo.
Rubens, no museu de Munich e Albane         no Louvre possuem quadros em
que vemos Latona e os filhos         na presena dos camponeses de
Caria, que a repelem e se         transformam em rs. Na fonte de
Latona, em Versalhes,    Balthazar Marsy representou a deusa, com os
dois meninos,         implorando a vingana do cu contra os insultos
dos         camponeses. C e l, rs, lagartos, tartarugas,
camponeses e camponesas cuja metamorfose se inicia, lanam contra Latona
jatos de gua que se cruzam em         todos os sentidos.

O         Tipo de Apolo


Esplendente          o epteto que se d a Apolo, considerado deus
solar.    Apolo atira ao longe as suas setas, porque o sol dardeja
ao longe os seus raios.  o deus profeta, porque o sol         ilumina
na sua frente e v, por conseguinte, o que vai         suceder;  o
condutor das Musas e o deus da    inspirao, porque o sol preside s
harmonias da         natureza;  o deus da medicina, porque o sol cura
os         doentes com o seu benfico calor.


Apolo,         o Sol, o mais belo dos poderes celestes, o vencedor das
trevas e das foras malficas, tem sido representado         pela arte
sob vrios aspectos. Nos tempos primitivos, um         pilar cnico,
colocado nas grandes estradas, bastava        para lembrar o poder
tutelar do deus. Quando nele se         pendem as armas,  o deus
vingador que premia e castiga;         quando nele se pendura uma
ctara, torna-se o deus cujos         harmoniosos acordes devolvem a
calma  alma agitada.


O         Apolo de Amicleu, reproduzido em medalhas, pode dar uma
idia do que eram, na poca arcaica, as primeiras         imagens do
deus, sensivelmente afastadas do tipo que a         arte adotou mais
tarde. Em bronzes de data menos antiga,         mas ainda anteriores 
grande poca. Apolo est representado com formas mais vigorosas do que
elegantes,         e os anis achatados da sua cabeleira o aproximam um
pouco das figuras de Mercrio .


No         tipo que tem dominado, Apolo usa cabelos longussimos,
separados por uma risca no meio da cabea e afastados de         cada
lado da testa. s vezes, eles se prendem atrs, na         nuca, mas,
outras, flutuam. Vrios bustos e moedas nos         mostram tais
diferentes aspectos.


Apolo          sempre representado jovem e emberbe, porque o sol no
envelhece. Algumas das suas esttuas o mostram at com         os
caracteres da adolescncia, por exemplo o Apollino         de Florena.
No Apolo Saurctone, o jovem deus est         acompanhado de um
lagarto, que ele sem dvida acaba de         excitar com a flecha para o
arrancar ao torpor e         obrig-lo a caminhar. Apolo, sem carter, 
considerado o sol nascente, ou o sol da primavera, porque         a
presena do lagarto coincide com os seus primeiros         raios.



O         grifo  um animal fantstico, que vemos freqentemente
perto da imagem do deus ou atrelado ao seu carro. Tem a         cabea e
as asas de guia, com corpo, patas e cauda de         leo. Os grifos
tm por misso guardar os tesouros que         as entranhas da terra
ocultam, e  para obter o ouro de         que so detentores, que os
Arimaspes lutam         constantemente contra eles. Os combates
constituem o tema         de grandssimo nmero de representaes,
principalmente em terracotas ou em vasos. Os Arimaspes         so
guerreiros fabulosos, que usam vestes anlogas s         das amazonas.


Delfos,         Centro do Mundo


O         sol v antes dos homens porque produz a luz com os seus raios;
 por isso que prev o futuro e pode revel-lo         aos homens. Esse
carter proftico  um dos atributos         essenciais de Apolo; d os
seus orculos no templo de         Delfos, situado no centro do mundo.
Ningum duvida de tal fato, porque tendo Jpiter soltado duas pombas nas
duas extremidades da terra, elas voltaram a encontrar-se
justamente no ponto em que est o altar de Apolo. Assim,         em
vrios vasos, vemos Apolo sentado no omphalos         (o umbigo da
terra), de onde d os orculos.


Delfos         chama-se tambm s vezes Pito, do nome da serpente Pito,
que ali foi morta por Apolo.


Apolo,         provido de temveis setas, quis experiment-las ferindo o
perseguidor da sua me. Mal o monstro se sente         atingido,  presa
das mais vivas dores e, respirando com         esforo, rola sobre a
areia, assobia espantosamente,        torce-se em todas as direes,
atira-se ao meio da         floresta e morre exalando o hlito
empestado.


Apolo         contentssimo com o triunfo, exclama: "Que o teu
corpo seco apodrea nesta terra frtil; no sers mais o flagelo dos
mortais que se nutrem dos frutos da         terra fecunda, e eles viro
imolar-me aqui magnficas         hecatombes; nem Tifeu, nem a odiosa
Quimera podero         arrancar-te  morte; a terra e o sol no seu
curso celeste faro apodrecer aqui o teu cadver."         (Hino
homrico).


Aquecidos         pelos raios do sol, o monstro comea a apodrecer. Foi
assim que aquela regio tomou o nome de Pito: os         habitantes
deram ao deus o nome de Ptio, porque em tais         lugares o sol, os
seus raios devoradores, decomps o         terrvel monstro.


Segundo         as narraes dos poetas, o fato deve ter-se verificado
quando Apolo era ainda adolescente, mas o crescimento dos         deuses
no est submetido s mesmas leis que o dos         homens, e quando os
escultores representam a vitria de         Apolo, mostram o deus com as
feies de um jovem que         j atingiu a plenitude da fora.  o que
se nos depara         numa das maiores obras-primas da escultura antiga,
o         Apolo do Belvedere. Essa esttua, de mrmore de Luni,
foi descoberta no fim do sculo quinze, perto de Capo         d'Anzo,
outrora Antium, e, adquirida pelo papa Jlio II,         ento cardeal
em vsperas de ser eleito para o         pontificado, mandou ele a
colocassem nos jardins do   Belvedere.


Todas         as frmulas da admirao foram esgotadas diante do
Apolo do Belvedere, e a esttua, desde que se tornou         conhecida,
no deixou de provocar o entusiasmo dos         artistas.

A         Disputa do Trip


Apolo,         aps matar a serpente Pito, envolveu o trip com a
pele do monstro que, antes dele, possua o orculo. Uma         medalha
de Crotona nos mostra o trip entre Apolo e a         serpente: o deus
dispara a seta contra o inimigo. Foi por         ocasio dessa vitria
que Apolo institui os jogos    ptios.


Uma         vivssima disputa, freqentemente representada nos
baixos-relevos da poca arcaica, verificou-se entre         Apolo e
Hrcules em torno do famoso trip. Hrcules  consulta Ptia em
circunstncia na qual         esta se recusara a responder. O heri,
enfurecido,         apoderou-se do trip, que Apolo resolveu
imediatamente        reconquistar. Foi to viva a luta entre os dois
combatentes que Jpiter se         viu obrigado a intervir mediante o
raio.


O         trip de Apolo foi freqentemente representado na arte antiga,
e restam-nos monumentos em que vemos at que         ponto se unia o bom
gosto  riqueza na escultura         ornamental dos antigos.

O         Orculo de Delfos


O         orculo de Apolo, em Delfos, era o mais famoso da
Grcia. Foi o acaso que levou ao descobrimento do lugar         em que
deveria erguer-se o santurio. Umas cabras         errantes nos rochedos
do Parnaso, aproximando-se de um    buraco do qual saam exalaes
malignas, foram tomadas         de convulses. Acorrendo  notcia
daquele prodgio,         os habitantes da vizinhana quiseram respirar
as mesmas         exalaes e experimentar os mesmos efeitos, uma
espcie de loucura misto de contores e brados, e         seguida de
dom de profecia. Tendo-se alguns frenticos         atirado ao abismo de
onde proviam os vapores profticos,         colocou-se sobre o buraco
uma mquina chamada trip,        por trs ps sobre os quais pousava, e
escolheu-se uma         mulher para a ele subir e poder, sem risco,
receber a         embriagadora exalao.


Na         origem, a resposta do deus, tal qual a davam os
sacerdotes, era sempre formulada em versos; mas tendo         tido um
filsofo a idia de perguntar porque o deus da         poesia se
exprimia em maus versos, a ironia foi repetida        por todos, e o
deus passou a falar somente em prosa, o         que lhe aumentou o
prestgio.


A         crena de que o futuro pudesse ser predito de maneira
certa pelos orculos, desenvolveu singularmente na         antigidade a
idia da fatalidade, que em nenhuma parte         transparece to
nitidamente como na lenda de dipo; os         seus esforos no
conseguem livr-lo  sentena que         lhe foi anunciada pelo
orculo, e tudo quanto ele faz         para evitar o destino s lhe
acelera os inclementes         decretos.
zzz

Marte

Tipo e                 Atributos de Marte
Marte na                 Terra dos Gigantes
Vnus e                 Marte
Marte Ferido                 por Diomedes
Filomela e Progne
Os Sacerdotes                 Slios
Belona
A Discrdia
Etoclo e                 Polinice
Anfiaraus
Arquemoro
Combate dos Dois Irmos
Funerais de                 Etoclo e de Polinice



Tipo e         Atributos de Marte


Marte (Ares), deus         sanginrio e detestado pelos imortais, nunca
teve       grande importncia entre as populaes helnicas. Em
numerosas localidades, parece at haver sido         inteiramente
desconhecido, e se o seu culto conservou na         Lacnia importncia
maior que alhures, deve-se          rudeza dos habitantes de tal pas.
Foi somente entre os         romanos que Marte adquiriu importncia
verdadeira e         permanente; o tipo de Palas conformava-se muito
mais ao      gnio grego. Com efeito, Palas          a inteligncia
guerreira, ao passo que Marte nada         mais  do que a
personificao da carnificina. vido         de matar, pouco lhe importa
saber de que lado est a         justia e cuida apenas de tornar mais
furiosa a luta.


O deus da guerra e da         violncia aparece-nos sempre em atitude de
repouso. Tem,         por vezes, numa das mos a Vitria, como Jpiter
ou Minerva . Vemo-lo com tal aspecto         numa famosa esttua da
Villa Albani. Uma linda pedra         gravada mostra Marte segurando com
uma das mos a         Vitria e com a outra a oliveira, smbolo da paz
proporcionada pela vitria.


A maioria das vezes         usa um capacete e empunha uma lana ou
gldio. Aparece,        assim, em vrias medalhas, mas as esttuas que o
representam isoladamente no so demasiadamente comuns         entre os
gregos. Entretanto, a bela esttua do Louvre,         conhecida pelo
nome de Aquiles Borghese passa hoje por   ser um Marte. Explica-se o elo
que usa num dos ps pelo         hbito de certos povos, e notadamente
os lacedemnios,         de agrilhoarem o deus da guerra.


Parece ter sido o         escultor Alcameno de Atenas quem fixou o tipo
de Marte,        tal qual surge habitualmente nos monumentos artsticos.
Os atributos habituais do deus so o lobo, o escudo e a         lana
com alguns trofus. Uma medalha cunhada na poca         de Seotmio
Severo nos mostra Marte com uma lana, um         escudo e uma escada
para o ataque. Sob tal aspecto, Marte recebe o epteto de Teichosipletes
(que sacode as         muralhas). Em geral, porm, no tem real
importncia         na arte a no ser pela sua ligao com Vnus .



Num clebre quadro da         galeria de Florena, Rubens representou
Marte, que        Vnus e Cupido  se esforam         inutilmente por
reter, e que, de gldio empunhado, segue       a Discrdia precedida do
Temor e do Espanto. As Artes         chorosas, a Msica, a Arquitetura e
a Pintura, so         pisadas pelo feroz deus: o comrcio est
destrudo e         os campos prestes a ser incendiados. Noutro quadro
do        mesmo pintor, vemos, ao contrrio, Marte repelido por
Minerva, enquanto a Terra oferece o seio fecundo do qual         o leite
jorra ao lado de um grupo de crianas que         acorrem a ver uma
cornucpia que lhes oferece P , o deus da agricultura.

Marte         na Guerra dos Gigantes


Claudiano descreveu o         papel de Marte na guerra dos Gigantes. "O
deus      impele os seus furiosos corcis contra a horda
formidvel e, imprimindo ao gldio um movimento         irresistvel, o
monstruoso Peloro  atingido no ponto        em que, por um estranho
acoplamento, duas serpentes se         lhe unem ao corpo que elas
sustentam. Marte vendo-o         tombar, faz passar as rodas do carro
sobre o inimigo         vencido, e o sangue que jorra desse corpo enorme
avermelha as montanhas vizinhas.


"Entretanto,         Peloro tinha um irmo, o gigante Mimas, que,
ocupado em      lutar noutra regio, viu Peloro cair. Mimas pensa
exclusivamente na vingana e, curvando-se para o mar,         quer dele
arrancar a ilha de Lemnos para atir-la contra         o deus. Marte
evita o choque e com um golpe de lana        fura a cabea de Mimas,
cujo crebro se esparrama          direita e  esquerda.


Marte foi menos feliz         com outros Gigantes. Fora aprisionado por
Oto e Efialtes        que o haviam mantido agrilhoado durante treze
meses. O         escultor Flaxman nos mostra o deus da guerra em posio
humilhante. Oto e Efialtes tinham tentado escalar o cu
colocando o monte Ossa sobre o Olimpo e o Plion sobre o         Ossa.
Diana, para evitar-lhes a perseguio, viu-se         obrigada a
transformar-se em cora, e estando a fugir         precipitadamente, os
dois irmos Gigantes, que vinham um         em cada direo, atiraram
contra ela, ao mesmo tempo,        os seus dardos, e dessa maneira
mataram um ao outro. (Apolodoro).

Vnus         e Marte


A aliana entre a         guerra e o amor, entre a fora e a beleza, 
uma idia        inteiramente conforme ao esprito grego. Apesar de
brutalssimo, no pde Marte resistir a Vnus que o         subjuga e
domina com um sinal: da unio de Marte e         Vnus nasceu Harmonia.
Vrios monumentos antigos,    notadamente o famoso grupo do museu de
Florena e o do         museu Capitolino, reproduzem essa ligao que
tambm         se v em pedras gravadas.


Os romanos gostavam de         fazer-se representar com suas mulheres, e
usando os         atributos de Marte e Vnus; era uma aluso  coragem
do homem e  beleza da mulher. Alis, os romanos         consideravam
Marte e Vnus autores da sua raa, e         durante a poca imperial,
dava-se freqentemente aos     deuses a feio dos imperadores. Assim 
que temos no         Louvre um grupo, cuja personagem masculina parece
ser         Adriano ou Marco Aurlio, e que representa Marte ao lado
de Vnus. Mas a imperatriz est vestida. Vrios arquelogos pensam que a
Vnus de Milo estava ao lado         da esttua de Marte. A arte dos
ltimos sculos ligou         igualmente as duas divindades e, num
encantador quadro do         Louvre, le Poussin  nos mostra o deus da
guerra,         esquecido dos seus atributos e do seu papel, sorrindo
para a deusa, enquanto os cupidos brincam tranqilamente   com as armas,
no meio de risonha paisagem.

Marte         Ferido por Diomedes


Marte, na guerra de         Tria acirrado inimigo dos gregos, foi
ferido por       Diomedes e deu um grito semelhante ao clamor de dez mil
combatentes numa furiosa batalha. Subiu ao Olimpo para         dar vazo
s suas queixas contra o heri grego e         sobretudo contra Minerva
que         dirigira o golpe. "Tens por tua filha, diz a
Jpiter, uma indigna fraqueza, porque tu sozinho foste         quem
gerou to funesta divindade. Ei-la agora que excita         contra os
deuses o insensato furor de Diomedes. Ousado!        Em primeiro lugar
feriu Vnus na mo, depois atirou-se         a mim, e se os meus ps
velozes no me houvessem         subtrado  sua clera, l teria ficado
eu estendido         sem fora aos golpes do ferro."


Jpiter acolhe mal as         queixas de Marte: "Divindade inconstante,
exclama,        cessa de importunar-me com os teus lamentos! De todos os
habitantes do Olimpo, tu s o que eu mais odeio, pois         s amas a
discrdia, a guerra, a carnificina. Tens, sem         dvida, o
intratvel carter de tua me Juno, que as         minhas ordens
soberanas mal conseguem domar. Os males que suportas hoje so o fruto
dos seus conselhos. Mas no         quero que sofras por mais tempo,
visto que sou teu         pai." O rei dos deuses manda, ento, que se
cure o      filho e um blsamo salutar lhe acalma as dores, porque
os deuses no podem morrer.


Um interessante quadro         da mocidade de Davi, que obteve o segundo
prmio em         1771, mostra Diomedes no momento em que acaba de
lanar contra Marte o dardo dirigido por Minerva. Marte, ferido,
est cado. O quadrinho  valioso, porque nos d a         conhecer Davi
numa poca em que o jovem artista no         pensava absolutamente na
reforma que, posteriormente, introduziu na pintura, e em que todo o seu
talento estava         impregnado do estilo dominante ento na escola
francesa.

Filomela         e Progne


O carter feroz das         lendas concernentes a Marte mais ainda se
exagera, quando        elas se aplicam a seus filhos. Tivera ele de uma
ninfa um         filho chamado Tereu, rei da Trcia, que desposou
Progne,         filha do rei de Atenas Pandio. Tinha este outra filha
chamada Filomela. Progne exprimiu ao marido o desejo de         rever a
irm da qual se achava separada havia cinco         anos. Tereu foi,
ento, a Atenas procurar Filomela, mas         no caminho abusou dela,
e, aps lhe arrancar a lngua         para obrig-la ao silncio,
encerrou-a numa torre.        Disse, em seguida, a Progne que sua irm
morrera; mas         Filomela, do fundo da masmorra, descobriu um modo
de         mandar  irm, num pedao de tela, a narrao das
suas aventuras.


Progne, com o auxlio         das festas de Baco , conseguiu
libertar Filomela, e ocultou-a num canto do palcio.  Juntas, meditam
clamorosa vingana. Tereu tinha um filho         muito moo, chamado
tis; chamam-no, matam-no, e         cozem-lhe os membros que, de noite,
Progne oferece ao         marido. Tereu pergunta porque o filho no est
 mesa,   mas s quando termina o repasto  que Filomela, saindo
subitamente do esconderijo, lhe anuncia que comeu a carne         do
prprio filho e, ao mesmo tempo, para que ele no         duvide do que
lhe afirma, lhe atira ao rosto a cabea do         infeliz rapaz. Tereu,
no se contendo, quer levantar-se         para estrangular as duas
irms, mas os deuses, desejosos         de pr cobro a to horrvel
famlia, metamorfoseiam         Progne em andorinha ,         Filomela
em rouxinol ,         tis em pintassilgo         e Tereu em  pomba . A
brbara histria ministrou a Rubens tema para um quadro         que est
na Espanha; vemos Progne e Filomela mostrando a         Tereu a cabea
do filho, cuja carne ele acaba de comer.

Os         Sacerdotes Slios


O culto de Marte tinha         grande importncia em Roma. Era exercido
pelos       sacerdotes slios, institudos por Numa para guardarem
os ancilos. Os ancilos tinham sido feitos em Roma sobre o         modelo
de um escudo cado do cu, durante uma peste que         dizimava a
cidade, e eram considerados o palcio romano.         Durante certas
festas os sacerdotes slios percorriam a cidade levando a passeio os
ancilos cuja forma nos foi         conservada num denrio de prata
cunhado sob Augusto. O         barrete que est no meio  o pex do
flmine.

Belona


A companheira habitual         de Marte  Belona (Enio), personificao
da chacina.        Tinha ela por misso especial conduzir o carro do
deus         da guerra e excitar-lhe os cavalos com a ponta de uma
lana. As figuras antigas de Belona so extremamente         raras.
Plnio narra que Apeles pintara um quadro        representando Belona,
de mos atadas atrs das costas e         presa ao carro triunfante de
Alexandre: o quadro fora         levado para Roma como trofu.

A         Discrdia


Nos poetas, Belona          escoltada pelo Espanto, pela Fuga e pela
Discrdia,        divindades s quais a arte no destinou tipo
particular. Contudo, tem a Discrdia grande importncia         na
mitologia, pois foi ela que causou a runa de Tria,         atirando a
maa de ouro entre as deusas. Homero faz da        Discrdia o retrato
seguinte: "Deusa que, fraca no         nascimento, cresce e em breve
oculta a cabea no cu,         enquanto os ps lhe permanecem na Terra;
 ela que,         atravessando a multido dos guerreiros, derrama em
todos     os coraes o dio fatal, precursor da carnificina.
Faz retumbar a voz, d gritos alucinantes, terrveis, e         lana no
corao de todos os guerreiros impressionante         coragem. Apraz-se
em ouvir os gemidos do soldado que     morre e, quando todos os deuses
se retiram do combate,          a nica que permanece no campo de
batalha para dar, como         pasto aos olhos, o espetculo dos mortos
e dos         moribundos."

Etoclo         e Polinice


A Discrdia preside         s disputas que dividem os povos e as
famlias. A       Fbula de Etoclo e Polinice nos mostra a sua ao.
Os dois filhos de dipo  haviam         expulsado o pai, que cobriu de
maldies e lhes predisse que se matariam um ao outro. Os dois irmos,
temendo que a maldio paterna fosse ratificada pelos         deuses, se
continuassem a viver juntos, decidiram, de         comum acordo, que
Polinice seria o primeiro em se exilar voluntariamente da ptria, que
deixaria o cetro a         Etoclo, e voltaria depois, para que cada um
pudesse         reinar, alternadamente, um ano. Mas Etoclo, uma vez no
trono, recusou-se a descer e proibiu ao irmo o regresso         
ptria. Polinice, ento, tratou de procurar aliados         para a
defesa dos seus direitos.

Anfiaraus


Adrasto, rei de Argos,         acolheu Polinice, e prometeu-lhe rep-lo
no trono de         Tebas. Buscou, por conseguinte, aliados para
empreender a luta, mas um poderoso chefe, Anfiaraus, tratou de
dissuadir ambos, por ser adivinho e por lhe haver a         cincia
mostrado que a guerra seria fatal aos que a       comeassem, e que
todos morreriam, com exceo apenas         de Adrasto. Anfiaraus tinha
uma mulher chamada Erifila, e         por um velho juramento que fizera
a Adrasto,         comprometera-se, no caso de divergncias entre eles,
a        submeter-se inteiramente  deciso de Erifila. Quando
Polinice soube disso, empregou um ardil para forar         Anfiaraus a
combater. Tinha em suas mos o famoso colar         que Vnus dera,
noutros tempos,  Harmonia, no dia de        suas npcias com Cadmo.
Deu-o de presente a Erifila,         que, assim, se deixou corromper, e
Anfiaraus, apesar da         certeza que tinha de mau xito do negcio,
foi obrigado         a combater com Adrasto e Polinice.


Um poderoso exrcito         se reuniu em breve para marchar contra
Tebas.    Comandavam-no sete chefes: Adrasto, Polinice, Capaneu,
Partenopeu, Anfiaraus, Hipomedonte e Tideu. Juraram todos         que
iriam combater sob as suas ordens.

Arquemoro


Durante o caminho,         faltou-lhes gua, e o exrcito comeou a
sofrer    devoradora sede. Encontraram, ento, uma criatura que
tinha um filhinho, e perguntaram-lhe se no havia no         pas uma
fonte. Chamava-se o menino Ofeltes e era filho         do rei Nemia. A
mulher era Hipsipila, outrora rainha de      Lemnos, mas que, tendo sido
vendida posteriormente como         escrava, estava ao servio do rei de
Nemia, que lhe         confiara a tutela do filho. Hipsipila pousou a
criana         sobre umas folhas de aipo e conduziu os sete chefes a
uma        fonte das proximidades. Durante a curta ausncia,
porm, uma serpente envolveu nas espiras a criana         abandonada e
sufocou-a. Ao regressarem, os chefes         apressaram-se em matar a
serpente e tomaram aos seus cuidados Hipsipila, para livr-la da ira do
rei de         Nemia. Deram  criana o nome de Arquemoro,
realizaram-lhe um magnfico funeral e instituram em    sua honra os
jogos de Nemia, nos quais os vencedores se         cobriam de luto e se
coroavam de aipo.

Combate         dos Dois Irmos


Anfiaraus viu naquilo         pssimo pressgio. Mas era preciso partir,
e assim        chegaram todos a Tebas. Uma terrvel batalha se feriu
sob os muros da cidade, que Etoclo no pretendia         entregar. Como
o sangue escorresse por toda parte,         Etoclo subiu a uma torre,
mandou que se fizesse  silncio, e disse aos exrcitos: "Generais
da Grcia, chefes dos argivos que a guerra atrai para estes pramos, e
vs, povo de Cadmo, no arrisqueis         mais a vida nem por Polinice,
nem por mim. Quero eu,         sozinho, enfrentar o perigo, e desejo
lutar contra meu         irmo, de homem para homem. Se o matar,
governarei sozinho; se for vencido, entregar-lhe-ei a cidade. Vs,
portanto, abandonai o combate, voltai para Argos, no         venhais
mais aqui perder a vida; o povo tebano no        deseja outras mortes."
(Eurpedes).


Feriu-se, ento,         entre os dois irmos um combate singular no
qual foram        mortos ambos. Os deuses haviam ouvido as derradeiras
imprecaes de dipo. Esse combate figura num         grandssimo nmero
de baixos-relevos antigos.


O exrcito sitiante         foi vencido, e todos os chefes pereceram com
exceo de         Adrasto, que deveu a vida  rapidez do seu cavalo.
Assim, realizou-se a profecia de Anfiaraus.

Funerais         de Etoclo e de Polinice


O senado de Tebas, que         tomara partido pelos sitiados, decidiu
que Etoclo seria         sepultado com honra, mas que seu irmo
Polinice seria,         em virtude da traio, deixado sem sepultura,
para que         o devorassem os ces e os abutres. Antgona quis
enterrar o irmo, apesar das ordens dadas e, decidida a
desobedecer, disse aos chefes do povo: "Pois bem! Eis o que respondo eu
aos chefes dos de Cadmos. Se no h quem queira,         comigo,
enterr-lo, hei de conseguir sozinha, e assumirei toda a
responsabilidade. No vejo vergonha         nenhuma em sepultar meu
irmo, nem que para isso         devesse, rebelada, ir de encontro aos
desejos da cidade.         coisa grave termos cado das mesmas
entranhas, termos         tido a mesma me, uma infeliz, o mesmo pai,
outro         infeliz. Sim, deliberadamente, hei de continuar irm
deste morto. Ah, no se fartaro da sua carne os lobos        de ventre
faminto. Hei de sozinha, apesar de mulher,         incumbir-me de
remover a terra e preparar uma cova.         Trarei o p nas dobras
desta tela, e eu prpria a         recobrirei com ele o cadver. Ningum
objetar! Terei      essa coragem, e, o que  mais, terei ao meu lado
todos         os recursos de uma alma que quer conseguir." (squilo).



Pausnias, na         narrao das suas viagens, diz que viu o tmulo
dos   filhos de dipo. "No assisti aos sacrifcios que         ali se
realizam, mas pessoas dignas de f me asseguraram         que nas
ocasies em que se assam as vtimas imoladas         aos dois irmos
irreconciliveis, a chama e a fumaa       se dividem visivelmente por
eles."


Creonte, rei de Tebas,         sabendo que, no obstante a proibio,
Antgona        sepultara o irmo, pergunta-lhe se conhecia o decreto. A
jovem no nega: "No pensei, responde, que as leis         dos mortais
tivessem bastante fora para superar as leis         no escritas, obra
imutvel dos deuses. Para mim, o        traspasse no tem nada de
doloroso; mas se tivesse         deixado sem sepultura o filho de minha
me, teria sido         infeliz; quanto  morte que me aguarda, em nada
me         assusta." Creonte, conformando-se  lei, ordenou a morte de
Antgona e as suas ordens foram executadas; ao         mesmo tempo,
porm, soube da morte de seu filho nico         Hemon, que amava
Antgona, e que se ferira mortalmente.        Sua mulher morreu tambm
ao saber da morte do filho, e         Creonte ficou sozinho com toda a
amargura. Assim terminou         a famlia de Laio.
zzz

Vnus

Nascimento de Vnus

Tipo de Atributos de         Vnus

Vnus Celeste e         Vnus Vulgar

Pigmaleo e a sua         Esttua

Vnus de Cnido

Vnus Genitrix

Vnus Vitoriosa



Nascimento         de Vnus


Da         espuma do mar, fecundada pelo sangue de Urano (o Cu)
nasceu uma jovem levada em primeiro lugar para a ilha de         Ctera
e em seguida a Chipre. Deusa encantadora, no         tardou percorrer a
costa, e as flores nasciam sob os seus         ps delicados. Chama-se
Afrodite (Vnus), ou Citeria,    do nome da ilha a que aportou, ou
ainda Cipris, do nome         da ilha em que  honrada. Pelo menos, 
essa a         tradio mais difundida, pois algumas lendas diferentes
vieram confundir-se em Vnus que, s vezes, surge como   filha de
Jpiter  e de Dionia.  tambm a que devemos         adotar, pois os
artistas que representaram o nascimento         de Vnus mostram sempre
a deusa no momento em que sai    das vagas.


Nas         pinturas antigas, Vnus  freqentemente representada
deitada sobre uma simples concha; nas moedas, vemo-la num         carro
puxado pelos Trites e pelas Tritnidas.         Finalmente, numerosos
baixos-relevos no-la apresentam        seguida de hipocampos ou
centauros marinhos. No sculo         dezoito, os pintores franceses, e
notadamente Boucher,         viram no nascimento de Vnus um tema
infinitamente         gracioso e til  decorao. Uma multido de
pequenos cupidos paira nos ares ou escolta a deusa.         Alis, os
pintores franceses seguiram, nesse ponto, as         tradies bebidas
da Itlia.


Conformando-se          narrao dos poetas, Albane colocou a deusa num
carro puxado por cavalos marinhos. Assim  que ela vai         ter a
Ctera, onde a aguarda Peitho (a Persuaso), que,         na margem,
estende os braos  jovem viajante. Cupido         est sentado perto do
mar; as Nereidas e os Amores     montados em delfins formam o cortejo da
deusa. Alegres         Amores festejam a chegada de Vnus, e outros
esvoaam         no ar semeando flores na passagem.


Num         quadro dotado de grande frescor e brilho, que faz parte
do museu de Viena, Rubens pintou a festa de Vnus em         Ctera.
Ninfas, stiros e faunos danam em torno da         sua esttua,
enquanto os Amores entrelaam guirlandas        de flores e enchem os
ares de alegres cadncias. Ao         fundo, mostrou o pintor o templo
da deusa.


O         atavio de Vnus  um tema que a arte e a poesia fixaram
bem. Enquanto as Horas estavam incumbidas da educao         da deusa,
as Graas presidiam aos cuidados do seu         atavio. Uma multido de
quadros reproduziu to encantadora cena, e os pintores no deixaram de
acrescentar todos os pormenores que lhes sugeriu a         imaginao.
Quando Boucher faleceu, tinha sobre o  cavalete um quadro representando
o atavio de Vnus.         Prudhon pintou Vnus estendida num leito
antigo e         servida pelos Amores que lhe perfumam os cabelos, lhe
estendem um espelho, queimam perfumes em trno da deusa, trazem-lhe
jias e lhe entrelaam guirlandas de flores.         Rubens tambm faz
intervir Cupido  que         segura um espelho no qual a me se fita;
infelizmente,          uma velha que lhe arranja os cabelos. A velhice
lenta         e enrugada jamais deve aproximar-se de Vnus.


Albane,         que est longe de ser artista de primeira ordem, , no
entanto, o que mais lembra, pela natureza de suas         composies,
as graciosas fices da antigidade         sobre Vnus. O Atavio de
Vnus , quadro que         infelizmente escureceu,  talvez, a sua
obra-prima como      concepo mitolgica. Num terrao,  beira-mar,
Vnus contempla-se num espelho que o Cupido lhe         apresenta,
enquanto as Graas lhe perfumam a linda         cabeleira, e lhe
arranjam os atavios. Diante dela est uma fonte onde o Amor faz que
matem a sede duas pombas.         Um palcio areo, como convm a Vnus,
aparece no         fundo de um tanque, ao passo que, nas nuvens, Amores
alados atrelam cisnes brancos ao carro de ouro que vai conduzir o
passeio a deusa, e enchem os ares dos seus         melodiosos concertos.


Tipo         e Atributos de Vnus


"O         culto srio de Astarte, diz Ottfried Mueller ,
parece, encontrando na Grcia alguns incios         indgenas, ter dado
nascimento ao culto clebre e         difundido por toda parte de Vnus
afrodite. A idia         fundamental da grande deusa Natureza, sobre a
qual ela repousava, nunca se perdeu inteiramente; o elemento
mido que formava no Oriente o imprio reservado a essa
divindade continuou a ser submetido ao poder de Vnus         afrodite
nas costas e nos portos em que era venerada; sobretudo o mar, o mar
tranqilo e calmo, refletindo o         cu no espelho mido das suas
ondas, parecia, aos olhos         dos gregos, uma expresso de sua
divinal natureza.        Quando a arte, no ciclo de Afrodite, deixou
para trs as         pedras grosseiras e os dolos informes do culto
primitivo, a idia de uma deusa cujo poder se estende         por toda
parte e  qual ningum pode resistir, animou  as suas criaes;
gostava-se de a representar sentada         num trono, segurando nas
mos os sinais simblicos de         uma natureza repleta de mocidade e
esplendor, de uma         luxuriante abundncia; a deusa estava
inteiramente envolta nas dobras das suas vestes (a tnica mal lhe
deixava  mostra uma parte do seio esquerdo) que se         distinguiam
pela elegncia, pois precisamente nas        imagens de Vnus, a graa
rebuscada das vestes e dos         movimentos parecia pertencer ao
carter da deusa. Nas         obras sadas da escola de Fdias, ou
produzidas sob a         influncia dessa escola, a arte representa em
Afrodite o         princpio feminino e a unio dos sexos em toda a sua
santidade e grandeza. V-se ali, antes, uma unio         durvel
formada com o fito do bem geral, e no uma         aproximao efmera
que deve terminar com os prazeres        sensuais que ele proporciona. A
nova arte tica foi a         primeira que tratou do tema de Afrodite
com um entusiasmo         puramente sensual, e que divinizou, nas
representaes         figuradas da deusa, j no mais apenas um poder
ao qual        o mundo inteiro obedecia, mas antes a individualidade da
beleza feminina."


Vnus         d leis ao cu,  terra, s ondas e a todas as
criaturas vivas. "Foi ela que deu o germe das         plantas e das
rvores, foi ela que reuniu nos laos da         sociedade os primeiros
homens, espritos ferozes e brbaros, foi ela que ensinou a cada ser a
unir-se a uma         companheira. Foi ela que nos proporcionou as
inmeras         espcies de aves e a multiplicao dos rebanhos. O
carneiro furioso luta, s chifradas, com o carneiro. Mas         teme
ferir a ovelha. O touro cujos longos mugidos faziam         ecoar os
vales e os bosques abandona a ferocidade, quando         v a novilha. O
mesmo poder sustenta tudo quanto vive         sob os amplos mares e
povoa as guas de peixes sem     conta. Vnus foi a primeira em despojar
os homens do         aspecto feroz que lhes era peculiar. Dela foi que
nos         vieram o atavio e o cuidado do prprio corpo."
(Ovdio).

Vnus         Celeste e Vnus Vulgar


Pausnias,         na sua descrio de Tebas, assinala vrias esttuas
de Vnus, da mais alta antigidade, pois haviam sido         feitas com
o lenho dos navios de Cadmo e consagradas pela         prpria Harmonia.
"A primeira, diz ele,  Vnus         celeste, a segunda Vnus vulgar, e
a terceira  chamada preservadora. Foi a prpria Harmonia que lhes imps
tais nomes para distinguir essas trs espcies de         Amores: um
celeste, ou seja, casto, outro vulgar, ou         seja, preso ao corpo,
o terceiro desordenado, que leva os homens s unies incestuosas e
detestveis. Era          Vnus preservadora que se dirigiam as preces
para a         preservao dos desejos culposos." (Pausnias).


Temos         interessante exemplo desse ltimo aspecto de Vnus,
numa deciso do senado romano, o qual, segundo os livros
sibilinos consultados pelos decnviros, ordenara a         dedicao de
uma esttua de Vnus vesticordia      (convertedora), como meio de
reconduzir as moas         devassas ao pudor do sexo. (Valrio Mximo).



A         tartaruga, emblema da castidade das mulheres, era
consagrada a Vnus celeste, e o bode, smbolo         contrrio,
consagrado  Vnus vulgar. As imagens da         deusa, que se
encontravam em todas as casas, eram, alm    de tudo, acompanhadas de
inscries que indicavam o seu         carter. Eis aqui uma que chegou
at ns: "Esta         Vnus no  a Vnus popular,  a Vnus urnia. A
casta Crisgona colocou-a na casa de Amphicles, a quem  deu vrios
filhos, comoventes penhores da sua ternura e         fidelidade. Todos
os anos, o primeiro cuidado desses         felizes esposos  de vos
invocar, poderosa deusa, e em         prmio da sua piedade, todos os
anos lhes aumentais a   ventura. Prosperam sempre os mortais que honram
os         deuses." (Tecrito).


Vnus         celeste est caracterizada pela veste estrelada. Vemo-la
figurada numa pintura de Pompia onde est representada         de p
com um diadema na cabea e um cetro na mo. O         famoso escultor
Scopas fizera para a cidade de lis uma         Vnus vulgar que pusera
sentada sobre um bode; figura anloga se encontra em outra pedra gravada
antiga. No         sculo XIX, o pintor Gleyre comps um belssimo
quadro         sobre o mesmo tema. Essa Vnus era sobretudo honrada em
Corinto, cidade martima que sempre se celebrizou pelas    cortess. Ali
 que vivia a famosa Las, em torno da         qual se l o seguinte
epigrama na Antologia : "Eu, altiva Las,         de quem a Grcia era
joguete, eu que tinha  porta um        enxame de jovens amantes,
consagro a Vnus este espelho,         pois no desejo ver-me tal qual
sou, e j no posso         ver-me tal qual era."


Encontra-se         na mesma coletnea outro trecho ainda mais
interessante:      "Minarete, que h pouco estendia os fios da trama e
sem cessar fazia ressoar a lanadeira de Minerva , acaba de consagrar a
Vnus o seu cesto de         trabalho, as suas ls e os seus fusos,
todos         instrumentos seus de labor, queimando-os no altar:
"Desaparecerei, exclamou, instrumentos que deixais         morrer de
fome as pobres mulheres e murchais a beleza das         jovens!" Depois,
pegou coroas, um alade e ps-se         a levar vida alegre nas festas
e nos banquetes. " Vnus, diz ela  deusa, hei de trazer-te o dzimo
dos         meus benefcios; proporciona-me trabalho no teu
interesse e no meu." (Antologia).

Pigmaleo         e a sua Esttua


A         ilha de Chipre era particularmente renomada pelas
cortess. O escultor Pigmaleo que ali vivia sentiu-se         de tal
modo impressionado com a desfaatez das mulheres         do pas, que
resolver viver no celibato. Mas como a sua         imaginao sonhasse
constantemente com uma formosura de carter diferente, esculpiu uma
esttua de marfim,         representando uma mulher que  castidade de
expresso         unia a pureza das formas. A imagem lhe agradou tanto,
que         por ela se apaixonou; infelizmente faltava a vida quela
pudica beleza, e quando Pigmaleo contemplava as         mulheres vivas
via nelas a beleza mas nunca o pudor. Ao         chegar o dia da festa
de Vnus, dia que com tamanha         magnificncia se celebra na ilha
de Chipre, Pigmaleo       dirigiu-se ao templo da deusa, que encontrou
perfumado         com incenso, e rodeado de novilhas brancas, cujas
pontas         haviam sido douradas e que seriam imoladas. "Grande
deusa, exclamou abraando o altar, faze com que me torne        marido
de mulher perfeita como a esttua que         esculpi!"


Parece         que no estava em poder da deusa descobrir em Chipre
mulher provida da casta beleza sonhada pelo artista, pois         Vnus,
para lhe ser agradvel, preferiu recorrer ao         milagre. Com
efeito, quando o escultor voltou, foi        abraar a esttua, e
viu-lhe as faces corar: o marfim amoleceu-se e a esttua animou-se.
Pigmaleo,         encantado, agradeceu  deusa, que desejou
pessoalmente         assistir ao himeneu.


A         histria de Pigmaleo constitui o tema do ltimo
quadro pintado por Girondet, e que figurou no salo de         1819. No
se imagina a quantidade de brochuras         aparecidas desde ento para
louvar ou criticar o pintor.       O mais interessante foi que os
mdicos houveram por bem mesclar-se  discusso, e examinar, com
ridcula         seriedade, a questo de saber se o artista tivera razo
em animar, primeiramente, a cabea da esttua, cujas        pernas
continuam ainda de marfim, e se teria sido mais conveniente fazer
recomear a vida pelo peito, que         encerra o corao e os pulmes.



A         esttua animada por Pigmaleo deu-lhe um filho que foi
fundador de Pafos, cidade de Chipre, clebre pelo culto         ali
prestado a Vnus.

Vnus         de Cnido


Na         origem, no se tinha o hbito de representar Vnus, no
instante em que sai da espuma do mar, ou seja,         inteiramente nua.
Assim, foi a obra de Praxteles         considerada novidade, e a
prpria deusa testemunha, pela        boca de um antigo autor, o espanto
por se ver assim         desprovida de vestes. "Mostrei-me a Pris,
Anquises e         Adnis  verdade; mas onde foi que Praxteles me
viu?" (Antologia).


Narra         Plnio que Praxteles, a quem os habitantes de Cos
haviam encomendado uma Vnus, lhes deu a escolher entre         duas
esttuas, uma das quais estava vestida, ao passo         que a outra
estava nua. Preferiram eles a primeira, e         Praxteles vendeu a
segunda aos habitantes de Cnido que     se congratularam com a compra,
pois ela granjeou         reputao e fortuna ao pas. A Vnus de Cnido
parece         ter sido o tipo da maioria das esttuas da deusa, quando
se representava no momento do nascimento. O Jpiter  de Fdias e a Vnus
de Cnido por         Praxteles eram considerados, nos diferentes
gneros,         dois produtos dos mais perfeitos da escultura. Dizia
Plnio: "De todas as partes da terra, navega-se em         direo a
Cnido, para contemplar a esttua de         Vnus." O rei Nicomedes
ofereceu aos cnidianos, em troca da esttua, a totalidade das dvidas
deles, que         eram importantes. Recusaram a oferta, e com razo,
acrescenta Plnio, pois a obra-prima constitui o         esplendor da
cidade. Uma multido de escritores da antigidade nos legou sinais da
admirao que lhes         inspirava a obra-prima para a qual se fizera
a seguinte         inscrio: "Ao verem a Vnus de Cnido, Minerva  e
Juno disseram uma  outra: No acusemos         mais Pris."


Entre         as numerosssimas esttuas que podem prender-se 
mesma srie, a mais famosa  a Vnus de Mdicis ,  situada na tribuna da
Galeria de Florena.         Eis a descrio que dela fazia o catlogo
do Louvre,         onde figurou durante quinze anos: "A deusa dos
Amores acaba de sair da espuma do mar, onde nasceu; a         beleza
virginal aparece, na margem encantada de Ctera,         sem outro vu
que a atitude de pudor. Se a cabeleira lhe         no flutua sobre os
divinos ombros,  por que as Horas,        com as suas mos celestiais,
acabam de lha arranjar         (Hino homrico). Um delfim e uma concha
esto aos seus         ps: so os smbolos do mar, elemento natal de
Vnus.         Os dois Amores  que o encimam no so os filhos da deusa.
Um deles  o Amor primitivo (Eros) que desemaranhou o Caos ; o outro  o
Desejo (Himeros) que         aparecera no mundo ao mesmo tempo que o
primeiro ser         sensvel. Ambos a viram nascer e jamais se lhe
afastaram        dos passos (teogonia de Hesodo). A Vnus de Mdicis
tem as orelhas furadas, como j se observou em outras         esttuas
da mesma deusa; sem dvida pendiam delas         esplndidos brincos. O
brao esquerdo conserva no alto      o sinal evidente do bracelete
chamado spinther ,         representado em escultura em vrias das suas
imagens.         Uma inscrio colocada sobre o plinto nos diz que o
autor da Vnus de Mdicis  Clemenes, ateniense,         filho de
Apolodoro."


Vnus         nem sempre est de p quando sai das guas, e uma numerosa
srie de esttuas, ordinariamente designadas         com o nome de Vnus
agachadas, apresenta-nos a deusa         apoiando um dos joelhos ao cho
para tornar a erguer-se.        O nome da Vnus no banho tambm lhe 
atribudo.         Quando a deusa aperta a cabeleira mida, chamam-lhe
de         Vnus anadiomene. Apeles fizera uma Vnus anadiomene da
qual os antigos elogiavam bastante a beleza. Os habitantes de Cos
exigiram outra Vnus semelhante, do         mesmo artista, mas ele
morreu deixando a obra incompleta.


A         Vnus de Apeles foi celebrada vrias vezes na
Antologia: "Esta Vnus, que sai do seio materno das         guas, 
obra do pincel de Apeles. V como, pegando         com a mo a cabeleira
molhada, espreme a gua! Agora as       prprias Juno e Minerva
diro: "No queremos mais disputar-lhe o prmio         da beleza."
(Antologia).

Vnus         Genitrix


Considerada         como geradora do gnero humano, Vnus est sempre
vestida. Nas esttuas, as dobras da sua veste indicam
freqentemente que est molhada, e s vezes traz um         dos seios
descobertos, por ser a nutriz universal. As        medalhas a mostram
vestida e com os dois seios cobertos,         mas ela est
freqentemente acompanhada de um menino: a         deusa, nesse caso,
recebe o nome de  Vnus genitrix . Temos no Louvre uma bela esttua de
Vnus genitrix com um seio descoberto; de resto, o mesmo         tipo se
encontra quase idntico em vrios museus.

Vnus         Vitoriosa


D-se         este nome a Vnus quando ela usa as armas de Marte . Com
efeito, vemos, em vrias pedras         gravadas, uma figura de Vnus
segurando na mo um         capacete. s vezes est ainda acompanhada de
um escudo  ou de trofus de armas. Outras, segura numa das mos o
capacete, e na outra uma palma. Essas figuras nos mostram         sempre
Vnus triunfante contra Marte, como         conseqncia da mesma idia
que deu nascimento          lenda de Hrcules  fiando aos ps de
Onfales.  sempre a         beleza a dominar a fora.


A         associao de Marte e Vnus est igualmente fixada em
duas pinturas de Herculanum, onde se nos deparam Amores  preparando o
trono das duas divindades. Um         capacete est representado no
trono de Marte e uma pomba         no de Vnus. A pomba , com efeito, o
atributo especial         de Vnus, como o capacete  o atributo de
Marte.


Colocam-se,         outrossim, entre as Vnus vitoriosas uma srie de
esttuas que s tm vestes para cobrir os membros         inferiores, e
que tm por carter determinante a         colocao de um dos ps sobre
uma pequena elevao.    Tal postura implica a idia da dominao sobre
Marte,         quando  um capacete que suporta o p, e sobre o mundo,
quando ele se apoia simplesmente num rochedo. Neste         carter, no
tem a deusa a graa que se lhe d como    Vnus nascente; pelo
contrrio, assume as atitudes de         herona. As formas do corpo
esto repletas de vigor e         fora, e as feies possuem uma
expresso de         brutalidade desdenhosa muito distante do sorriso. A
Vnus de Milo  considerada o tipo mais completo dessa         classe de
esttuas. A beleza grave e sem afetao de         tal figura nada tem
do agradvel coquetismo que a         maioria dos artistas dos ltimos
sculos considera         apangio essencial da mulher. Foi no ms de
fevereiro         de 1820 que um pobre campons grego a descobriu,
remexendo as terras do seu jardim. A esttua, feita de   mrmore de
Paros, est constituda por dois blocos         cuja unio se oculta
mediante as dobras da tnica.
zzz

Hrcules



Os Trabalhos de Hrcules


Hrcules         (ou Hracles), o maior de todos os heris gregos, era
filho de Zeus e Alcmena. Alcmena era a virtuosa esposa de
Anfitrio e, para seduzi-la, Zeus assumiu a forma de         Anfitrio
enquanto este estava ausente de casa. Quando         seu marido retornou
e descobriu o que tinha acontecido, ficou to irado que construiu uma
grande pira e teria         queimado Alcmena viva, se Zeus  no
tivesse mandado nuvens para apagar o fogo, forando         assim
Anfitrio a aceitar a situao. Nascido, o jovem         Hrcules
rapidamente revelou seu potencial herico.         Enquanto ainda no
bero, ele estrangulou duas serpentes        que a ciumenta Hera, esposa
de Zeus, tinha mandado para         atac-lo ao seu meio-irmo flico;
enquanto ainda um         menino, ele matou um leo selvagem no Monte
Citron. Na         vida adulta, as aventuras de Hrcules foram maiores
e         mais espetaculares do que as de qualquer outro heri.
Por toda a antigidade ele foi muito popular, o assunto         de
numerosas estrias e incontveis obras de arte.         Apesar das mais
coerentes fontes literrias sobre suas       faanhas datarem apenas do
sculo III a.C., citaes         espalhadas por vrios locais e a
evidncia de fontes         artsticas deixam muito claro o fato que a
maioria, se         no todas, de suas aventuras era bem conhecida em
tempos        mais antigos.


Hrcules         realizou seus famosos doze trabalhos sob o comando de
Euristeu, Rei de Argos de Micenas. Existem vrias         explicaes da
razo pela qual Hrcules se sentiu         obrigado a realizar os
pedidos cansativos e aparentemente     impossveis de Euristeu. Uma
fonte sugere que os         trabalhos eram uma penitncia imposta ao
heri pelo Orculo de Delfos  quando, num acesso de loucura, matou todos
os filhos de seu primeiro casamento. Enquanto os seis         primeiros
trabalhos se passam no Peloponeso, os ltimos        levaram Hrcules a
vrios lugares na orla do mundo         grego e alm. Durante os
trabalhos, Hrcules foi         perseguido pelo dio da deusa Hera, que
tinha cimes         dos filhos de Zeus com outras mulheres. A deusa
Atena , por outro lado, era uma defensora         entusiasta de
Hrcules; ele tambm desfrutou da         companhia e ajuda ocasional de
seu sobrinho, Iolau.


O         primeiro trabalho de Hrcules era matar o leo de
Nemia. Como esta enorme fera era invulnervel a         qualquer arma,
Hrcules lutou com ele e acabou         estrangulando-o apenas com suas
mos. A seguir, ele removeu a pele utilizando uma de suas garras, e
passou a         utiliz-la como uma capa, com as patas amarradas ao
redor de seu pescoo, as presas surgindo sobre sua         cabea, e a
cauda balanando em suas costas. O segundo trabalho exigiu a destruio
da Hidra de Lerna, uma         cobra aqutica com vrias cabeas, que
estava         flagelando os pntanos perto de Lerna. Sempre que
Hrcules decepava uma cabea, duas cresciam em seu         lugar, e,
como se isso no fosse um problema suficiente,         Hera enviou um
caranguejo gigante para morder o p de         Hrcules. Este truque
desleal foi demais para o heri, que decidiu pedir ajuda a Iolau;
enquanto Hrcules         cortava as cabeas, Iolau cauterizava os
locais com uma         tocha flamejante, de modo que novas cabeas no
pudessem crescer, e finalmente dando cabo do monstro. A seguir, Hrcules
embebeu a ponta de suas flechas no         sangue ou veneno da Hidra,
tornando-as venenosas.


No         Monte Erimanto, um feroz javali estava se portando
violentamente e causando prejuzos. Euristeu         rispidamente
ordenou a Hrcules que trouxesse este         animal vivo  sua
presena, mas as antigas         ilustraes deste episdio, as quais
mostram         principalmente Euristeu acovardado refugiando-se num
grande jarro, sugerem que ele veio a se arrepender desta ordem. Hrcules
levou um ano para realizar o trabalho a         seguir, que era capturar
a Cora do Monte Carineu. Este         animal parecia ser mais tmido do
que perigoso. Este         animal era sagrado para a deusa rtemis e,
apesar de ser fmea, possua lindas aspas. De acordo com a lenda,
Hrcules finalmente aprisionou a Cora e a estava         levando para
Euristeu, encontrou-se com rtemis, que        estava muito zangada e
ameaou matar Hrcules pelo         atrevimento em capturar seu animal;
mas quando ficou         sabendo sobre os trabalhos, ela concordou em
deixar         Hrcules levar o animal, com a condio que Euristeu o
libertasse logo que o tivesse visto.


Os         Pssaros Estinfalos eram to numerosos que estavam destruindo
todas as plantaes nas vizinhanas do Lago         Estinfalo em
Arcdia; vrias fontes dizem que eles eram         comedores de homens,
ou pelo menos podiam atirar suas         penas como se fossem flechas.
No est muito claro como Hrcules enfrentou este desafio: uma pintura
de um vaso         mostra Hrcules atacando-os com um tipo de
estilingue,         mas outras fontes sugerem que ele os abateu com arco
e         flecha, ou os espantou para longe utilizando um cmbalo de
bronze feito especialmente para a tarefa pelo deus         Hefesto. O
ltimo dos seis trabalhos do Peloponeso foi a         limpeza dos
currais Augianos. O Rei ugias de lida         possua grandes rebanhos
de gado, cujos currais nunca tinham sido limpos, assim o estrume tinha
vrios metros         de profundidade. Euristeu deve Ter pensado que a
tarefa         de limpar os estbulos num nico dia seria impossvel,
mas Hrcules uma vez mais conseguiu resolver a situao, desviando o
curso de um rio e as guas         fizeram todo o trabalho por ele.



Euristeu         pede agora que Hrcules capture o selvagem e fez touro
de Creta, o primeiro trabalho fora de Peloponeso. Assim         que
Euristeu viu o animal, Hrcules o soltou, este         sobrevivendo at
ser morto por Teseu em Maratona. A         seguir, Euristeu enviou
Hrcules  Trcia para trazer   os cavalos devoradores de homens de
Diomedes. Hrcules         amansou estes animais alimentando-os com seu
brutal         senhor, e os trouxe de maneira segura a Euristeu. A
seguir, ele foi imediatamente mandado, desta vez para as margens do Mar
Negro, para buscar a cinta da rainha das         Amazonas. Hrcules
levou um exrcito junto consigo         nesta ocasio, mas nunca
precisaria dele se Hera no         tivesse criado problemas. Quando
chegou  cidade das Amazonas de Temisquira, a rainha das Amazonas estava
at         feliz que ele levasse sua cinta; Hera, sentindo que
estava sendo fcil demais, espalhou um boato que        Hrcules
pretendia levar a prpria rainha, iniciando-se         uma sangrenta
batalha. Hrcules,  claro, conseguiu         escapar com a cinta, mas
aps apenas duros combates e         muitas mortes.


Para         realizar seus trs ltimos trabalhos, Hrcules foi
completamente fora das fronteiras do mundo grego.         Primeiro foi
mandado alm da borda do Oceano  para a distante Eritia no extremo
ocidente, para buscar o Rebanho de Grio.


Grio         era um formidvel desafio; no apenas tinha um corpo
triplo, mas para ajud-lo a tomar conta de seu         maravilhoso
rebanho vermelho tambm utilizava um feroz         pastor chamado
Eurito e um cachorro de duas cabeas e         rabo de serpente chamado
Orto. Orto era o irmo de         Crbero, o co que guardava a entrada
do Mundo         Inferior, e o encontro de Hrcules com Grio 
algumas vezes interpretado como seu primeiro encontro com    a morte.
Apesar de Hrcules Ter se livrado de Eurito e         Orto sem muito
dificuldade, Grio, com seus trs         corpos pesadamente armados,
provou ser um adversrio         mais formidvel, e apenas aps uma
terrvel luta Hrcules conseguiu mat-lo. Quando retornou  Grcia,
Euristeu enviou para uma jornada ainda mais         desesperadora,
descer ao Mundo Inferior e trazer Crbero, o prprio co do Inferno.
Guiado pelo deus         mensageiro Hermes, Hrcules desceu ao lgubre
reino dos         mortos, e com o consentimento de Hades e Persfone
tomou         emprestado o monstro assustador e de trs cabeas para
mostr-lo ao aterrorizado Euristeu; isto feito, devolveu         o
cachorro a seus donos de direito.


Mesmo         assim, Euristeu solicitou um ltimo trabalho: que Hrcules
lhe trouxesse os Pomos do Ouro de Hesprides.         Estes pomos, a
fonte da eterna juventude dos deuses,         cresciam em um jardim nos
confins da terra; foram um         presente de casamento de Gia , a
Terra, a Zeus  e Hera. A rvore que dava as frutas         douradas era
cuidada pelas ninfas chamadas Hesprides e         guardada por uma
serpente. Os relatos variam sobre como      Hrcules resolveu este
trabalho final. As fontes que         localizam o jardim abaixo das
montanhas Atlas, onde o         poderoso Atlas sustenta os cus em suas
costas, dizem         que Hrcules convenceu Atlas a pegar as maas por
ele;      enquanto fazia esta jornada Hrcules sustentou, ele
mesmo, o cu; quando Atlas retornou, Hrcules teve         algumas
dificuldades em persuadi-lo a reassumir o seu         fardo. Outra
verso da estria sugere que o prprio Hrcules foi ao jardim lutando e
matando a serpente ou         conseguindo convencer as Hesprides a lhe
entregar as         maas. As maas de Hesprides simbolizavam a
imortalidade, e este trabalho final significaria que         Hrcules
deveria ascender ao Olimpo, tomando seu lugar         entre os deuses.



Alm         dos doze trabalhos, muitos outros feitos hericos e
aventuras foram atribudos a Hrcules. Na sua busca do         jardim
das Hesprides, teve que lutar com o deus marinho         Nereu para
compelir o deus a dar-lhe as informaes que         necessitava; em
outra ocasio enfrentou outra deidade marinha, Trito. Tradicionalmente
foi na Lbia que         Hrcules encontrou o gigante Anteu: Anteu era
filho de         Gia, a Terra, e ele era invulnervel enquanto
mantivesse contato fsico com sua me. Hrcules lutou         com ele e
ergueu-o do solo; desprovido da ajuda de sua         me, ficou indefeso
nos braos poderosos do heri. No         Egito Hrcules escapou por
pouco de ser sacrificado  pelas mos do Rei Busris. Um advinho tinha
dito a         Busris que o sacrifcio de estrangeiros era um mtodo
infalvel de se lidar com as secas. Como o advinho era         Cipriota,
tornou-se a primeira vtima de seu prprio  conselho; quando o mtodo se
mostrou efetivo, Busris         ordenou que todo o estrangeiro
temerrio o suficiente a         entrar em seu reino seria sacrificado.
Na vez de         Hrcules, deixou-se ser aprisionado e levado ao local
do    sacrifcio antes de se voltar contra seus agressores e
matar uma grande quantidade deles.


Hrcules         no raramente se envolvia em conflito com os deuses. Em
uma ocasio, quando no recebeu uma resposta que estava
esperando da sacerdotisa do Orculo de Delfos , tentou fugir com o
trpode sagrado,         dizendo que iria criar um orculo melhor por
sua         prpria conta. Quando Apolo tentou det-lo, ocorreu uma
violenta discusso, que foi resolvida apenas quando Zeus arremessou um
relmpago entre eles.


Hrcules         era muito leal aos seus amigos; mais do que uma vez ele
arriscou sua vida para ajud-los, sendo o caso mais         espetacular
o de Alceste. Admeto, Rei de Feres na         Tesslia, tinha feito um
acordo com Apolo que, quando        chegasse a hora de sua morte,
poderia continuar a viver         se encontrasse algum que quisesse
morrer em seu lugar.         Entretanto, quando Admeto estava se
aproximando da hora         da sua morte, mostrou-se ser mais difcil do
que tinha         calculado arranjar um substituto; aps seus parentes
mais velhos terem egoisticamente se recusado ao         sacrifcio, sua
esposa Alceste insistiu para que fosse a         sacrificada. Quando
Hrcules chegou, ela j tinha        descido ao Mundo Inferior, indo ele
imediatamente atrs         dela. Ento lutou com a morte e venceu,
trazendo-a de         volta em triunfo ao mundo dos vivos.


Hrcules         era o super-homem grego, sendo muitas das estrias de
seus feitos interessantes contos de realizaes         sobre-humanas e
monstros fabulosos. Ao mesmo tempo         Hrcules, assim como Ulisses
,         tambm atua como se fosse um homem comum, sendo suas aventuras
como parbolas exageradas da experincia         humana. Irritadio, no
extremamente inteligente,         apreciador do vinho e das mulheres
(suas aventuras amorosas so muito numerosas), era uma figura
eminentemente simptica; e no geral seu exemplo deveria         ser
seguido, pois destrua o mal e defendia o bem,         superando todos
os obstculos que o destino lhe colocou. Alm de tudo, ofereceu alguma
esperana para a derrota         da ameaa ltima e crucial do homem, a
morte.


O         fim de Hrcules foi caracteristicamente dramtico. Uma
vez, quando ele e sua nova noiva Dejanira estavam         atravessando
um rio, o centauro Nesso ofereceu-se para         transportar Dejanira,
e no meio da correnteza tentou       rapt-la. Hrcules matou-o com uma
de suas flechas         envenenadas, e ao morrer, Nesso, simulando
arrependimento, incentivou Dejanira a pegar um pouco de         sangue
do seu ferimento e guard-lo; se Hrcules algum    dia parecesse cansado
dela, deveria embeber um traje no         sangue e d-lo para que ele o
vestisse; aps isso, ele         nunca mais olharia para outra mulher.
Anos mais tarde         Dejanira lembrou-se deste conselho quando
Hrcules,     voltando de uma distante campanha, mandou  frente uma
linda princesa aprisionada pela qual estava evidentemente
apaixonado. Dejanira mandou a seu marido um robe tingido         pelo
sangue; ao vestir a roupa, o veneno da Hidra        penetrou na sua pele
e ele tombou em terrvel agonia.         Seu filho mais velho, Hilo,
levou-o ao Monte Eta e         depositou seu corpo, retorcido porm
ainda respirando,         numa pira funerria, a qual acabou sendo acesa
pelo       heri Filoctetes. Entretanto, os trabalhos de Hrcules
asseguraram-lhe a imortalidade, assim ele subiu ao Olimpo         e
assumiu seu lugar entre os deuses que vivem         eternamente.
zzz

Jaso,         Media e o

Velocino de Ouro




O         Velocino de Ouro pertencia originalmente ao carneiro que tinha
salvo os filhos de Atamante, Frixo e Hele, de serem         sacrificados
a Zeus  sob as         ordens de sua malvada madrasta Ino. De acordo com
a lenda, o carneiro pegou as crianas em sua casa em         Orcomenos e
ento voou para leste, com elas montadas em         suas costas. Ao
cruzarem o estreito canal que separa a         Europa da sia, Hele caiu
das costas do carneiro, dando  seu nome ao mar abaixo, o Helesponto. Mas
Frixo continuou         o vo at o Mar Negro, at que o carneiro desceu
em         Clquida, na corte do rei Eestes. Eestes recebeu Frixo
de maneira gentil, e, quando o menino sacrificou o  carneiro a Zeus,
entregou o maravilhoso velocino ao rei.         Eestes dedicou o
velocino a Ares e o depositou num bosque         sagrado ao deus da
guerra, sendo guardado por uma         temvel serpente.


Por         que Jaso queria o Velocino de Ouro? No era para
apenas possu-lo; assim como outros heris, foi mandado         a tentar
o que se achava ser um feito impossvel, para         satisfazer as
ordens de um feitor de corao empedernido, neste caso, Plias, rei do
Iolco. Jaso         era filho de son, o legtimo rei de Iolco; Plias
era         meio-irmo de son, e em algumas verses da estria
Plias deveria governar apenas at quando Jaso         tivesse idade
suficiente para assumir. Nestas         circunstncias, seria
dificilmente surpreendente que,        quando Jaso crescesse e exigisse
sua herana de         direito, Plias o mandasse procurar e trazer o
Velocino         de Ouro. A busca do Velocino  a estria de viagem do
Argo         e as aventuras de sua tripulao, os Argonautas. A
lenda  provavelmente mais antiga do que a Ilada         e a Odissia ,
mas chega at ns principalmente         atravs do poema pico muito
posterior, o Argonutica         do alexandrino Apolnio de Rodes.



Os         Argonautas eram em nmero aproximado de cinqenta, e,
apesar das fontes diferirem com respeito a seus nomes, os
principais personagens esto claros. Alm do prprio         Jaso,
havia Argo, construtor de Argo; Tfis, o         timoteiro; o msico
Orfeu; Zeto e Clais, filhos do         Vento Norte; os irmos de
Helena, Cstor e Plux;         Peleu, pai de Aquiles; Melagro da
Calednia, famoso         caador de javalis; Laerte e Autlico, pai e
av de Ulisses ; Admeto, que mais tarde deixaria sua esposa
morrer em seu lugar; o profeta Anfiarau e, para a         primeira parte
da jornada, o prprio Hrcules ; ao lado destes nomes famosos, havia uma
hoste de outros heris. O navio, o Argo , cujo         nome significa
"Rpido", era o mais veloz j         construdo. Ele foi construdo no
porto de Pagasse na         Tesslia, sendo feito inteiramente de
madeira do Monte         Plion, com exceo da proa, que era uma parte
de um        carvalho sagrado trazido pela deusa Atena  do santurio de
Zeus em Dodona. Esta pea         de carvalho era proftica, e poderia
falar em         determinadas ocasies.


O Argo         zarpou com augrios favorveis e se dirigiu ao
norte, em direo ao Mar Negro. Na sua jornada para         Clquida, a
sua tripulao encontrou muitas aventuras.        Em Msia perderam
Aquiles, quando outro membro da         tripulao, um belo jovem
chamado Hilas, foi  procura         de gua fresca para uma festa e no
voltou ao navio. As         ninfas da fonte que tinha encontrado,
apaixonou-se por         sua beleza, o tinham seqestrado e afogado; mas
Hrcules se recusou a interromper a procura, assim o Argo         teve
que partir sem ele.


Na         margem grega do Bsforo os Argonautas encontraram Fineu,
um visionrio cego e filho de Posdon, sobre quem os         deuses
tinham lanado uma terrvel maldio. Sempre         que se sentava para
comer, era visitado por uma praga de        Harpias, terrveis
criaturas, parte mulher e parte ave,         que pegavam parte do
alimento com seus bicos e garras e         estragavam o restante com seu
excremento. Os Argonautas         armaram uma armadilha para estes
monstros. Convidaram        Fineu a partilhar de sua mesa, e, quando as
Harpias         surgiram, os filhos alados do Vento Norte sacaram suas
espadas e as perseguiram at que, exaustas, prometeram         desistir.
Fineu revelou-lhes, ento, o tanto que sabia        com relao 
viagem: o perigo principal que         enfrentariam seriam as rochas
movedias; quando         chegassem ali, deveriam enviar primeiramente
uma pomba.         Se a pomba encontrasse a passagem entre as rochas,
ento     o Argo tambm conseguiria, mas se a pomba         falhasse,
deveriam desviar o barco, pois a misso         estaria condenada ao
fracasso.


A         pomba enviada conseguiu passar a salvo pelas rochas,
deixando apenas sua pena mais longa da cauda nas rochas;         o Argo
tambm atravessou plo estreito canal,         sofrendo apenas leves
estragos nos costados da popa, e         sem outras aventuras
significativas os Argonautas       chegaram a salvo em Clquida.



Quando         Jaso explicou a razo de sua vinda, o rei Eestes
estipulou que antes que pudesse remover o Velocino de         Ouro,
deveria atrelar dois touros de cascos de bronze e         que respiravam
fogo, um presente do deus Hefesto, a um         arado; a seguir deveria
semear alguns dentes do drago         que Cadmo  tinha morto em Tebas (
Atena  tinha dado estes dentes a Eestes), e quando         homens
armados surgissem, devia destru-los. Jaso teve         que concordar
com todas estas condies, mas teve a         sorte de receber a ajuda
da filha do rei, Media, que         era feiticeira. Media, que
primeiramente fez Jaso         prometer que a levaria para Iolco como
sua esposa,         deu-lhe uma poo mgica para passar sobre o corpo e
sobre o escudo; isto o tornou invulnervel a qualquer         ataque,
fosse com fogo ou com ferro. Tambm o orientou         sobre o que fazer
com a safra de homens armados: deveria         atirar pedras no meio
deles, de modo que se atacassem        entre si e no a Jaso. Assim
armado e orientado,         Jaso foi bem sucedido em todas as tarefas.



E         estes, de alguma forma surpreso pelas faanhas de seu hspede,
ainda estava relutante em entregar o Velocino,         e tentou mesmo
atear fogo no Argo  e matar a         tripulao. Ento, enquanto Media
dava uma droga a serpente guardi, Jaso rapidamente removeu o Velocino
de Ouro do bosque sagrado, e juntamente com o restante         dos
Argonautas saram silenciosamente para o mar. Quando         Eestes
percebeu a ausncia tanto da sua filha como do   Velocino, efetuou uma
perseguio em outro barco, mas         mesmo isto tinha sido previsto
por Media. Tinha trazido         junto seu jovem irmo Absirto, ento o
matou e o cortou         em pequenos pedaos, os quais jogou no mar.
Como tinha        antecipado, Eestes parou para recolher os pedaos, e o
Argo         conseguiu fugir.


A         rota da jornada de volta do Argo  tem desconcertado
muitos estudiosos. Ao invs de retornar atravs do       Helesponto,
Jaso deixou o Mar Negro atravs do         Danbio, o qual
miraculosamente permitiu-lhe emergir no         Adritico; no
satisfeito com esta realizao, o Argo         continuou a velejar
subindo o rio P e o Reno antes de         alguma maneira encontrar sua
rota mais familiar nas         guas do Mediterrneo. E em qualquer
lugar que fossem,         os Argonautas se defrontavam com fantsticas
aventuras.        Em Creta, por exemplo, encontraram o gigante de bronze
Talo, uma criatura feita por Hefesto para atuar como uma         espcie
de sistema mecnico de defesa costeira para         Minos, rei de Creta.
Talo deveria caminhar ao redor de         Creta trs vezes por dia,
mantendo os navios afastados,         isto sendo feito com a retirada de
pedaos de penhascos         e atirando-os em qualquer navio que
tentasse se         aproximar. Era completamente invulnervel, exceto
por         uma veia em seu p; se fosse danificada, sua fora
vital acabaria se exaurindo. Media conseguiu drog-lo         para que
ficasse insano e se atirasse contra as rochas,         acabando por
danificar a veia causando sua morte.


Quando         Jaso finalmente retornou a Iolco, casou-se com Media
e entregou o Velocino de Ouro a Plias. Existem vrias         verses
sobre o que aconteceu a seguir. Uma verso de         estria diz que
Media enganou as filhas de Plias         para que matassem seu pai.
Primeiro demonstrou seus poderes de rejuvenescimento misturando vrias
substncias num caldeiro com gua fervente e a seguir         matou e
picou um velho carneiro, jogando-o no caldeiro:        imediatamente um
jovem carneiro emergiu. Entusiasmadas e         com a melhor das
intenes, as filhas de Plias         apressaram-se em cort-lo em
pedaos e jog-lo no         caldeiro; infelizmente apenas conseguiram
apressar seu      fim.


Com         o escndalo resultante, Jaso e Media fugiram para Corinto,
onde viveram felizes por pelo menos dez anos e         tiveram dois
filhos. Porm, Jaso acabou se cansando de         sua esposa e tentou
deix-la por Glucia, a jovem filha         do rei de Corinto. Media,
furiosa com os cimes, mandou um vestido de presente a Glucia; quando o
vestiu, este grudou em sua pele e a rasgou; quando seu         pai
tentou ajudar sua torturada filha, ficou tambm        aprisionado e
ambos acabaram morrendo num terrvel         sofrimento. Para punir
Jaso ainda mais, Media matou         seus prprios filhos, antes de
escapar para o cu numa         carruagem flamejante. Jaso acabou
retornando para    governar Iolco.
zzz

Perseu         e Medusa




De         acordo com o estudioso alexandrino Apolodoro, Perseu, o
lendrio fundador de Micenas, nunca teria nascido se seu         av
tivesse conseguido seu intento. Acrsio, rei de         Argos, era pai
de uma linda filha, Dnae, mas estava        desapontado por no ter um
filho. Quando consultou o         orculo sobre a ausncia de um
herdeiro homem, recebeu         a informao que no geraria um filho,
mas com o         passar do tempo teria um neto, cujo destino era matar
o        av. Acrsio tomou medidas extremas para fugir deste
destino. Trancou Dnae no topo de uma torre de bronze, e         l
permaneceu numa total recluso at o dia em que foi         visitada por
Zeus  na forma de uma chuva de ouro; assim deu          luz a Perseu.
Acrsio ficou furioso, mas ainda achava         que seu destino poderia
ser evitado. Fez seu carpinteiro        construir uma grande arca,
dentro da qual Dnae foi         forada a entrar com seu beb, sendo
levados para o         mar. Entretanto, conseguiram sobreviver s ondas,
e         aps uma cansativa jornada a arca foi jogada nas praias     de
Srifo, uma das ilhas das Ciclades. Dnae e Perseu         foram
encontrados e cuidados por um honesto pescador,         Dictis, irmo do
menos escrupuloso rei de Srifo,         Polidectes.


Com         o passar do tempo, Polidectes apaixonou-se por Dnae,
mas enquanto crescia Perseu protegeu ciumentamente sua         me dos
indesejados avanos do rei. Um dia, durante um         banquete,
Polidectes perguntou a seus convidados que         presente cada um
estava preparado a oferecer-lhe. Todos         os outros prometeram
cavalos, mas Perseu ofereceu-se a         trazer a cabea da grgone.
Quando Polidectes o fez         cumprir sua palavra, Perseu foi forado
a honrar sua         oferta. As grgones eram em nmero de trs,
monstruosas criaturas aladas com cabelos de serpentes;         duas eram
imortais mas a terceira, Medusa, era mortal e         assim
potencialmente vulnervel; a dificuldade era que     qualquer um que a
olhasse se transformaria em pedra.         Felizmente, Hermes veio em
sua ajuda, e mostrou a Perseu         o caminho das Grias, trs velhas
irms que         compartilhavam um olho e um dente entre si. Instrudo
por Hermes, Perseu conseguiu se apoderar do olho e do         dente,
recusando-se a devolv-los at que as Grias         mostrassem o
caminho at as Ninfas, que lhe forneceriam         os equipamentos que
necessitava para lidar com Medusa. As        Ninfas prestimosamente
forneceram uma capa de escurido         que permitiria a Perseu pegar a
Medusa de surpresa, botas         aladas para facilitar sua fuga e uma
bolsa especial para         colocar a cabea imediatamente aps a ter
decepado.        Hermes sacou uma faca em forma de foice, e assim Perseu
seguiu completamente equipado para encontrar Medusa. Com         a ajuda
de Atena , que         segurou um espelho de bronze no qual podia ver a
imagem da grgone, ao invs de olhar diretamente para sua
terrvel face, conseguiu finalmente despach-la.         Acomodando a
cabea de modo seguro na sua bolsa,        retornou rapidamente a
Srifo, auxiliado por suas botas         aladas.


Ao         sobrevoar a costa da Etipia, Perseu viu abaixo uma
linda princesa atada numa rocha. Esta era Andrmeda,         cuja ftil
me Cassiopia tinha incorrido na ira de         Posdon ao espalhar que
era mais bonita do que as filhas    do deus do mar Nereu. Para puni-la,
Posdon enviou um         monstro marinho para devastar o reino; apenas
poderia ser         parado se recebesse a oferenda da filha da rainha,
Andrmeda, que foi assim colocada na orla martima para        esperar o
terrvel destino. Perseu apaixonou-se         imediatamente, matou o
monstro marinho e libertou a         princesa. Os pais dela, em jbilo,
ofereceram Andrmeda         como esposa a Perseu, e os dois seguiram na
jornada para    Srifo. Polidectes no acreditava que Perseu pudesse
retornar, e deve ter sido bastante gratificante para         Perseu
observar o tirano ficar lentamente petrificado sob         o olhar da
cabea da grgone. Perseu deu ento a  cabea a Atena, que a fixou como
um emblema no centro de         seu protetor peitoral.


Perseu,         Dnae e Andrmeda seguiram ento juntos para Argos, onde
esperavam se reconciliar com o velho rei Acrsio.         Mas quando
Acrsio soube desta vinda, fugiu da presena         ameaadora de seu
neto, indo para a Tesslia, onde,         no conhecendo um ao outro,
Acrsio e Perseu acabaram         se encontrando nos jogos fnebres do
rei de Larissa.         Aqui a previso do orculo  que         Acrsio
temia se realizou, pois Perseu atirou um disco,         o qual se
desviou do curso e atingiu Acrsio enquanto         estava entre os
espectadores, matando-o instantaneamente.

Perseu com         sensibilidade decidiu que no seria muito popular
voltar     a Argos e reivindicar o trono de Acrsio logo aps
t-lo morto; assim, ao invs, fez uma troca de reinos         com seu
primo Megapentes. Megapentes se dirigiu a Argos         enquanto Perseu
governou Tirinto, onde  considerado      como responsvel pelas
fortificaes de Midia e         Micenas.
zzz

dipo

Cadmo e a Fundao de Tebas

Penteu

A Casa de dipo



dipo e o Ciclo Tebano


O         ciclo de mitos que tratam das sortes da cidade de Tebas e
sua famlia real  certamente to antigo quanto as         estrias que
compem a Ilada e a Odissia ,         mas chega at ns atravs de
fontes muito posteriores. Enquanto a fundao de Tebas  principalmente
conhecida a partir de autores romanos como o poeta         Ovidio, as
estrias de Penteu e dipo so contadas pelos dramaturgos atenienses,
squilo, Sfocles e         Eurpedes.

Cadmo         e a Fundao de Tebas


Cadmo         era um dos trs filhos de Agenor, rei de Tiro, na margem
oriental do Mediterrneo. A irm deles, a linda Europa,         estava
brincando na praia quando foi levada atravs do         mar por Zeus, na
forma de um touro, at Creta. Agenor         disse a seus filhos que
encontrassem a irm e que no voltassem sem ela. No decorrer de suas
perambulaes,         Cadmo chegou em Delfos, onde o orculo o avisou
que uma         vaca o encontraria ao deixar o santurio; foi instrudo
a fundar uma cidade onde a vaca finalmente parasse. O animal o levou ao
local da futura Tebas. Quando a vaca se         deitou para repousar,
Cadmo percebeu que este era o local         para a sua cidade e decidiu
sacrific-la aos deuses.         Precisando de gua, mandou seus
ajudantes busc-la em   uma fonte prxima, a Fonte de Ares. A lagoa da
fonte,         entretanto, estava guardada por uma ameaadora serpente,
que atacou e matou todos os homens de Cadmo. Quando Cadmo         veio a
procura destes, encontrou apenas fragmentos de         membros e o
grande monstro saciado. Mesmo estando s e levemente armado, conseguiu
subjugar a serpente e, a         seguir, aconselhado por Atena , semeou
os dentes do animal no solo. Deles surgiu um grupo de guerreiros,
armados com espadas e lanas. Teriam atacado         Cadmo, se este no
tivesse tido a idia de lanar uma         grande pedra no meio deles;
assim, comearam a atacar         uns aos outros, parando apenas quando
restavam apenas cinco deles; estes cinco se juntaram a Cadmo e se
tornaram os fundadores das cinco grandes famlias de         Tebas.



A         cidade de Cadmo rapidamente tornou-se rica e poderosa, e
seu fundador prosperou com ela. Casou-se com Harmonia, a         filha
de Ares e Afrodite , e         tiveram quatro filhas, Ino, Autnoe,
Agave e Smele, e         um filho, Polidoro. Estes por sua vez tambm
tiveram         seus filhos. Autnoe era a me de Acton, o grande
caador morto pelos seus prprios ces de caa quando        rtemis o
transformou em veado como punio por t-la         visto nua. A linda
Smele foi seduzida por Zeus e ficou         grvida de seu filho, o
deus do vinho Dionisio . A esposa divina de Zeus , Hera, estava com
cimes e astutamente         sugeriu a Smele que pedisse a Zeus que
surgisse para         ela na forma que tinha aparecido para Hera. Como
Smele        tinha feito Zeus prometer cumprir qualquer pedido que
fizesse, foi obrigado a se revelar como um relmpago, o         que a
queimou viva. Zeus retirou a criana do tero de         Smele e a
implantou em sua prpria coxa, da qual a         criana acabou nascendo
no tempo devido.


A         famlia de Smele se recusava a acreditar que Zeus
fosse o responsvel pela condio dela, ou sua morte.          medida
que o culto de Dionisio espalhou-se pela         Grcia, ocorreu com
muito entusiasmo e pouca         resistncia, salvo em Tebas, onde o
primo de Dionisio,         Penteu, filho de Agave, recusava-se a
aceit-lo.

Penteu


A         caracterstica principal do culto de Dionisio nos tempos
clssicos era a formao de grupos de mulheres         conhecidas como
Mnades; vagavam por dias a fio pelas         reas das montanhas, num
transe ou frenesi, bebendo      vinho, alimentando filhotes de animais,
ou         despedaando-os e comendo-os, encantando serpentes e de
uma maneira geral se portando de maneira selvagem. Devido         a
estes aspectos semelhantes a orgias e tambm pelos principais seguidores
serem mulheres, a adorao de         Dionisio era vista com
desconfiana pelas autoridades         masculinas, que gostavam de
manter as mulheres em casa e         sob o seu controle. A tragdia de
Eurpedes, As         Bacantes , mostram um caso extremo de festividade
de         Dionisio e suspeitas masculinas. Nesta pea, o prprio
Dionisio vem a Tebas, determinado a punir a famlia de         sua me
por sua falta de f, tanto nas suas irms como         nele prprio. As
mulheres de Tebas, incluindo as irms         de Smele, seguem
entusiasmadas o deus; no correr da         festa, altos brados erguem-se
do Monte Citron devido as         brincadeiras. Penteu, o senhor de
Tebas, considera seu         primo de longos cabelos e modos afeminados
com razovel         desconfiana, mas, como deus gradualmente o acaba
deixando maluco, confessa seu desejo de ir  montanha e         espionar
as Mnades. Ento, Dionisio o leva l, e         quando se aproximam das
mulheres, os deuses curvam um         alto pinheiro para que Penteu se
alojasse no topo e         pudesse ver tudo que desejasse. Como seria
previsvel,  torna-se um alvo fcil para as Mnades, que derrubaram
as rvores e o despedaaram com as prprias mos.         Entre elas
est, principalmente, Agave, a prpria me         de Penteu, que
retorna triunfalmente a Tebas ostentando a cabea do prprio filho,
acreditando ser esta a cabea         de um jovem leo. Ao final da
pea, acaba por perceber         o que tinha feito, e todas admitem o
poder do deus.

A         Casa de dipo


dipo,         o trineto de Cadmo,  hoje talvez o heri grego mais
famoso depois de Hrcules ; ele          famoso por ter resolvido o
enigma da Esfinge, mas         ainda mais notrio por sua relao
incestuosa com sua         me. Na antiga Grcia era famoso por ambos os
episdios, mas o maior significado era como o modelo do         heri
trgico, cuja estria inclua os sofrimentos universais da ignorncia
humana - a falta da         compreenso da pessoa sobre quem ela  sua
cegueira em         face do destino.


dipo         nasceu em Tebas, filho de Laio, o rei, e sua esposa
Jocasta. Devido ao orculo ter predito que Laio         encontraria a
morte nas mos de seu prprio filho, o         jovem dipo foi entregue
a um pastor do Monte Citron,        com os tornozelos perfurados de
modo que no pudesse se         mover. Esta foi a origem de seu nome que
significa         "p inchado". Entretanto, o bom pastor no
conseguia abandonar a criana, entregando-a ento a         outro pastor
do lado oposto da montanha. Este pastor, por         sua vez, levou a
criana a Plibo, rei de Corinto, o         qual no tendo filhos, ficou
feliz em criar o menino         como sendo seu filho. Enquanto dipo
crescia, era ameaado com comentrios sobre no ser filho legtimo
de Plibo; apesar de Plibo ter lhe assegurado que o         era, dipo
decidiu-se finalmente a viajar para Delfos  e consultar o orculo. O
orculo no         revelou quem eram seus pais verdadeiros, mas
contou-lhe         que estava destinado a matar seu pai e casar com sua
me. Horrorizado, e to chocado que esqueceu         completamente suas
prprias dvidas sobre seus pais,         deixou Delfos resolvido a
nunca mais retornar a Corinto,         onde viviam Plibo e sua esposa.



Desconhecido         para dipo, seu pai verdadeiro Laio estava tambm
viajando nas redondezas de Delfos. Num local onde trs         estradas
se encontravam, dipo se viu ao lado da         carruagem de Laio; um
membro da escolta de Laio ordenou        rudemente que dipo sasse do
caminho, e este, sem         disposio para obedecer, vociferou de
volta. Ao passar         a carruagem, o prprio Laio golpeou dipo com
um         basto e este respondeu derrubando Laio do veculo e o
matando. Esqueceu, ento, o incidente e continuou o seu         caminho.



Voltando         as costas a Corinto, acabou chegando em Tebas, a cidade
de Laio, a qual estava sendo aterrorizada pela Esfinge,         um
monstro parte leo alado, parte mulher, que fazia uma         pergunta
que confundia: "O que  que anda com         quatro pernas, duas pernas
e trs pernas?" Aqueles que tentaram e falharam em         solucionar a
charada eram jogados pela Esfinge num         precipcio, cujo fundo
estava literalmente tomado por   ossos das vtimas. Quando a morte de
Laio se tornou         conhecida em Tebas, o trono e a mo da rainha de
Laio         foram oferecidos ao homem que pudesse solucionar a
charada e livrar a regio da terrvel Esfinge. Para  dipo a charada no
ofereceu problema; rapidamente         identificou seu sujeito como um
"homem, que         como um bebe engatinha de quatro, acaba crescendo e
andando em duas pernas e com a idade necessita do suporte         de uma
terceira perna, uma bengala" . Quando a Esfinge escutou esta resposta,
ficou to enraivecida e mortificada que se jogou no         precipcio
causando sua morte.


Os         cidados de Tebas receberam dipo com deferncia e o
fizeram seu rei; casou-se com Jocasta e por muitos anos         viveram
em perfeita felicidade e harmonia. dipo         mostrou-se um
governante sbio e benevolente, Jocasta        deu-lhe dois filhos,
Etocles e Polnece, e duas         filhas, Antgona e Ismnia.
Eventualmente, entretanto,         outra praga se abateu sobre a regio
de Tebas, e          neste ponto que comea a grande tragdia de
Sfocles, dipo         Rei . A colheita estava morrendo nos campos e
hortas,         os animais estavam improdutivos, as crianas doentes e
os bebs em gestao definhavam, enquanto os deuses        estavam
surdos a todos os apelos. Creonte, irmo de         Jocasta, retornou de
sua consulta ao Orculo de Delfos,         que ordenava que a maldio
seria levantada apenas         quando o assassino de Laio fosse trazido
a justia.      dipo, imediatamente e de maneira enrgica, tomou a
tarefa de encontr-lo, e como primeiro passo consultou o         profeta
cego Tirsias. Tirsias reluta em revelar a         identidade do
assassino, mas  levado gradualmente a se      enfurecer pelas
insinuaes de dipo sobre ter algo a         ver com a morte. Acaba
revelando que o prprio dipo          o pecador que trouxe a maldio
sobre a cidade; tambm         profetiza que dipo, que se considera to
inteligente e        de viso larga, se recusar a aceitar a verdade de
suas palavras, se recusar a reconhecer quem realmente  e o         que
tinha feito.


dipo,         enraivecido, suspeita que seu cunhado Creonte est
mancomunado com Tirsias para assumir o trono; Creonte         tambm
nada pode dizer para acalm-lo. Jocasta tenta         acalmar a
situao:  impossvel que dipo tenha morto Laio, diz ela, pois este
foi morto numa         encruzilhada de trs estradas. Subitamente dipo
lembra         seu encontro casual com um homem velho perto de Delfos;
questionando Jocasta sobre a aparncia de Laio         (estranhamente,
se parecia com o prprio dipo) e o         nmero de elementos na sua
escolta, percebe que Laio foi         provavelmente a sua vtima.
Enquanto espera pela confirmao de um elemento da escolta que retornava
a         Tebas, um mensageiro chega de Corinto com a notcia que
Plibo tinha morrido de morte natural; dipo, ainda         no
suspeitando de toda a extenso de seu crime, fica feliz por
aparentemente ter se livrado de pelo menos uma         parte da profecia
do orculo, mas resolve ter cautela         antes que acabe se casando
com sua me.


O         mensageiro bem intencionado, ansioso em confort-lo,
assegura a dipo que Plibo e sua esposa no eram seus         pais; o
prprio mensageiro tinha recebido dipo, ento         um beb, das mos
de outro pastor do Monte Citron e o         entregou a Plibo. Mesmo
agora dipo no consegue         fazer a correta conexo, e enquanto a
aterrorizada         Jocasta tenta em vo persuadi-lo a parar a
investigao, persiste nos seus esforos para chegar         ao fundo do
mistrio e ordena que o pastor de Laio,         agora um velho, seja
trazido a sua presena. Por uma         casualidade do destino, este
homem  tambm a nica        testemunha ainda viva da morte de Laio.
Quando finalmente aparece, o completo horror da situao finalmente
chega         a dipo; o homem admite que tomou o filho de Laio e com
pena o entregou ao pastor de Plibo, ao invs de o         deixar
morrer. Esta criana era dipo, que agora tinha sucedido seu pai no
trono e no leito.


Jocasta         no esperou pelo desfecho; tinha ido antes de dipo para
o palcio, e quando a seguiu, com o que parecia uma         inteno
assassina, descobriu que tinha se enforcado.         Arrancando os
broches de ouro do vestido dela, golpeia         seguidamente seus olhos
com eles, at que o sangue corra        pela sua face. Como pode olhar
para o mundo, agora que         consegue ver a verdade? O coro da pea
mostra a moral da         estria: por         mais seguro que um homem
possa se sentir, mesmo sendo         rico, poderoso e afortunado,
ningum pode se sentir         seguro de escapar de um desastre; no 
seguro chamar         qualquer pessoa de feliz deste lado do tmulo .



Apesar         de Ter solicitado a Creonte um banimento imediato, no
foi permitido a dipo partir de Tebas por vrios anos,         at que
sua punio tivesse sido confirmada por um         orculo. Na ocasio
em que foi mandado embora, estava        muito menos ansioso para
partir. Agora j um velho,         estava condenado a vagar de lugar em
lugar, pedindo         comida e abrigo, suas passadas cegas guiadas por
suas         filhas Antgona e Ismnia. Apesar de elas trazerem
algum conforto e alegria para ele, seus filhos, Polnice         e
Etocles, estavam cada vez mais afastados dele, de seu         tio
Creonte e um do outro. Tinha sido combinado que se         alternariam
no governo, um ano para cada um, mas, quando         o primeiro ano de
Etocles terminou, este se recusou a    entregar o trono a seu irmo.
Polnice se refugiou em         Argos, onde agrupou a sua volta uma
equipe de seis outros         campees, com os quais se props a sitiar
sua cidade         natal.  esta a situao no incio da obra dipo
em Colona , de Sfocles, quando dipo, chegando ao         fim de sua
vida, chega aos olivais de Colona, um distrito         nos arredores de
Atenas.


Ajudado         por Antgona, dipo se refugia num altar para aguardar a
chegada de Teseu, rei de Atenas, quando Ismnia chega         com
notcias de Tebas. As faces rivais dos irmos         ficam a cada dia
mais nervosas, e um orculo se         pronunciou dizendo que o lado que
conseguisse o apoio de dipo seria o vencedor. dipo, igualmente
irritado com         Creonte e com seus dois filhos, est seguro que no
apoiar qualquer um dos lados; podem lutar entre si,         esperando
que destruam um ao outro no processo. Quando Teseu chega, portanto,
dipo solicita que lhe seja         permitido terminar seus dias em
Atenas. Teseu escuta com         ateno seu pedido e oferece a dipo um
local mais         confortvel, mas dipo deseja permanecer no local
onde est. Surge ento Creonte, determinado a fazer dipo
acompanh-lo de volta a Tebas, mas apenas  fronteira         da cidade,
de modo a ainda evitar a maldio de ter        dipo realmente no solo
Tebano, para manter sua faco         protegida de sua proximidade.
Quando dipo recusa a         pretenso de amizade e rejeita a oferta
imediatamente,         Creonte se torna violento e ameaa levar dipo a
fora; j tinha capturado Ismnia, e agora seus         soldados tinham
levado Antgona para muito longe de seu         indefeso pai.


Teseu,         retornando bem a tempo de evitar que dipo seja retirado
de seu altar, critica asperamente as aes de Creonte e         promete
devolver as filhas a dipo; ordena que Creonte         volte a Tebas.
Chega ento Polnice, juntamente com uma         razo poltica para
desejar a proteo de seu pai, o        qual tinha ajudado a expulsar de
Tebas; tambm          rejeitado, e dipo anuncia sua inteno de
permanecer         em Colona at o fim de seus dias. A pea termina de
maneira dramtica: aps dipo desaparecer no arvoredo  sagrado, um
mensageiro emerge para contar seu fim         miraculoso, testemunhado
apenas por Teseu. dipo,         anuncia-se, tinha transferido as
bnos que poderia        ter dado a Creonte ou Polnice para Atenas, a
qual seria         da em diante protegida por sua presena.


O         ataque a Tebas feito por Polnice e seus aliados  o
assunto da pea Sete contra Tebas , de squilo.         Sete campees
lideraram o ataque nos sete portes de    Tebas, calhando a Polnice
tomar o porto defendido por         seu irmo Etocles. Apesar dos
tebanos finalmente         repelirem o ataque sobre sua cidade, os dois
irmos         morrem pelas espadas um do outro, cumprindo assim a praga
de seu pai e prosseguindo a triste saga da casa de         dipo.



A         ao dramtica de Antgona  de Sfocles         comea neste
ponto da estria. Com os dois herdeiros   masculinos de dipo mortos,
Creonte assume o ttulo de         rei de Tebas. Decreta que, enquanto
Etocles devesse ser         sepultado com toda a cerimnia, o traidor
Polnice         deveria ser deixado no local onde tombou, para ter seu
corpo destrudo pelos ces e pssaros predadores.         Creonte mandou
montar guarda ao lado do corpo para         certificar-se que seu dito
seria cumprido; logo seus         soldados retornariam com Antgona, que
tinha sido apanhada atirando punhados de terra sobre os restos
desfigurados de seu irmo, num esforo de fornecer-lhe         um
sepultamento simblico. Quando desafiada quanto a sua
desobedincia, replicou que as leis dos deuses, que         dizem que os
parentes sejam sepultados, so         irrevogveis e imutveis, devendo
ter precedncia         sobre a lei dos homens. Na sua Antgona ,
Sfocles utiliza o mito para explorar este conflito         entre a lei
humana e a divina: o que uma pessoa comum         deve fazer quando duas
destas leis entram em conflito?         Apesar de, por fim, a resposta
parecer ser que a lei         divina deve ser obedecida a qualquer
custo, esta concluso no  de nenhuma forma evidente no incio.
Enquanto Antgona  mostrada como uma mulher forte e         pouco
feminina que no est feliz me permanecer no         reino feminino
tradicional do lar, mas aventura-se desafiando as leis de seu guardio
masculino, Creonte         aparece inicialmente como um homem que tenta
fazer o         mximo para governar a cidade pela regra do rei.



Quando         Antgona no mostra qualquer remorso por seu crime,
Creonte ordena que seja sepultada viva, um mtodo cruel         de
execuo calculado para absolv-lo de         responsabilidade direta
pela morte. Neste ponto o noivo       de Antgona, Hmon filho de
Creonte, vem a Creonte         pedir pela sua vida, argumentando que a
punio          brbara e politicamente ruim, pois Antgona tem grande
possibilidade de tornar-se herona entre o povo de Tebas. Creonte,
entretanto, permanece inflexvel, como         as rvores que no se
curvaro frente corrente nas         margens de um rio alagado, ou o
marinheiro que no        retirar suas velas antes da borrasca; assim,
d         instrues para que a punio prossiga. Apenas quando
aparece o profeta Tirsias, e revela a zanga dos deuses         e a
terrvel punio que se abater sobre Creonte se        persistir nesta
ao,  que Creonte finalmente aceita         o conselho e liberta
Antgona da priso. Nesciamente,         como resultante, detm-se
enquanto ia ao sepultamento de         Etocles e apenas chega ao tmulo
para encontrar Hmon        segurando o corpo de Antgona - tinha se
enforcado em         sua cinta. Hmon ento volta sua espada contra seu
prprio peito. Creonte retorna a sua casa recebendo a         notcia
que sua esposa Eurdice tinha se suicidado,        amaldioando seu
marido no seu leito de morte. Esmagado         pela tragdia que o tinha
atingido de maneira to         sbita, Creonte  conduzido para longe,
deixando o coro         refletindo sobre o fato da maior parte da
felicidade ser        a sabedoria, em conjunto com a devida reverncia
aos         deuses.
zzz

Divindades         do Mar e das guas

Oceano

Tetis e as Ocenidas

Netuno (Poseidon)

Proteu

As Sereias



O Oceano


Para         os antigos o Oceano primitivamente  um rio imenso que
envolve o mundo terrestre. Na Mitologia  o primeiro         deus das
guas, filho de Urano ou do Cu e de Gaia, a         Terra;  o pai de
todos os seres. Homero diz que os         deuses eram originrios do
Oceano e de Ttis. Conta o         mesmo poeta que os deuses iam muitas
vezes  Etipia         visitar o Oceano e tomar parte nas festas e
sacrifcios         que ali se celebravam. Conta-se enfim que Juno,
desde o         seu nascimento, foi por sua me Ria confiada aos
cuidados de Oceano e de Ttis, para livr-la da cruel         voracidade
de Saturno.


O         Oceano  pois to antigo como o mundo. Por isso representam-no
sob a forma de um velho, sentado sobre as         ondas, com uma lana
na mo e um monstro marinho ao seu         lado. Esse velho segura uma
urna e despeja gua,        smbolo do mar, dos rios e das fontes.



Como         sacrifcio ofereciam-lhe geralmente grandes vtimas, e
antes das expedies difceis, faziam-se-lhe         libaes. Era no
somente venerado pelos homens, mas         tambm pelos deuses. Nas
Gergicas de Virglio,         a ninfa Cirene, ao palcio do Peneu, na
fonte desse rio,       oferece um sacrifcio ao Oceano; trs vezes
seguidas,         ela deita o vinho sobre o fogo do altar, e trs vezes
a         chama ressalta at a abbada do palcio, pressgio
tranqilizador para a ninfa e seu filho Aristeu.

Tetis         e as Ocenidas


Tetis,         filha do Cu e da Terra, casou com o Oceano, seu irmo, e
foi me de trs mil ninfas chamadas Ocenidas.         Do-lhe ainda
como filhos, no somente os rios e as         fontes, mas tambm Proteu,
Etra, me de Atlas, Persa,         me de Circeu, etc. Conta-se que
Jpiter , tendo sido amarrado e preso pelos outros         deuses, Tetis
p-lo em liberdade, com auxlio do         gigante Egeon.


Ela         se chamava Tetis, palavra que em grego significa
"ama, nutriz", sem dvida porque  a deusa da         gua,
matria-prima que, segundo uma crena antiga,         entra na formao
de todos os corpos.


O         carro dessa deusa  uma concha de maravilhosa forma e de
uma brancura de marfim nacarado. Quando percorre o seu         imprio,
esse carro, tirado por cavalos-marinhos mais         brancos do que a
neve, parece voar,  superfcie das        guas. Ao redor dela, os
delfins, brincando, saltam no         mar; Tetis  acompanhada pelos
Trites que tocam         trombeta com as suas conchas recurvas, e pelas
Ocenidas         coroadas de flores, e cuja cabeleira esvoaa pelas
espduas, ao capricho dos ventos.


Tetis,         deusa do mar, esposa de Oceano, no deve ser confundida
com Tetis, filha de Nereu e me de Aquiles.

Netuno         (Poseidon)


Netuno         ou Poseidon, filho de Saturno e de Ria, era irmo de
Jpiter e de Pluto. Logo que nasceu, Ria o escondeu         em um
aprisco da Arcdia, e fez Saturno acreditar ter         ela dado  luz a
um potro que lhe deu para devorar. Na         partilha que os trs
irmos fizeram do Universo ele         teve por quinho o mar, as ilhas,
e todas as ribeiras.


Quando         Jpiter, seu irmo, a quem sempre serviu com toda a
fidelidade, venceu os Tits, seus terrveis         competidores, Netuno
encarcerou-os no Inferno,        impedindo-os de tentar novas empresas.
Ele os mantm por         trs do recinto inexpugnvel formado por suas
ondas e         rochedos.


Netuno         governa o seu imprio com uma calma imperturbvel. Do
fundo do mar em que est sua tranqila morada, sabe         tudo quanto
se passa na superfcie das ondas. Se por         acaso os ventos
impetuosos espalham inconsideradamente as         vagas sobre as praias,
causando injustos naufrgios,         Netuno aparece, e com a sua nobre
serenidade faz reentrar         as guas no seu leito, abre canais
atravs dos baixios,         levanta com o tridente os navios presos nos
rochedos ou         encalhados nos bancos de areia, -  em uma palavra,
restabelece toda a desordem das tempestades.


Teve         como mulher Anfitrite, filha de Doris e de Nereu. Essa
ninfa recusara antes desposar Netuno, e se escondeu para
esquivar-se s suas perseguies. Mas um delfim,         encarregado dos
interesses de Netuno, encontrou-a ao p        do monte Atlas, e
persuadiu-a que devia aceitar o pedido         do deus; como recompensa
foi colocada entre os astros. De         Netuno ela teve um filho
chamado Trito, e muitas ninfas         marinhas; diz-se tambm que foi
a me dos Ciclopes.


O         rudo do mar, a sua profundidade misteriosa, o seu
poder, a severidade de Netuno que abala o mundo, quando         com o
tridente ergue os enormes rochedos, inspiram          humanidade um
sentimento mais de receio do que de simpatia e amor. O deus parecia dar
por isso, todas as         vezes que se apaixonava de uma divindade ou
de um simples         mortal. Recorria ento  metamorfose; mas mesmo
assim,         na maior parte das vezes, conservava o seu carter de
fora e impetuosidade.


Representam-no         mudado em touro, nos seus amores com a filha de
olo;      sob a forma de rio Enipeu, quando fazia Ifiomdia me
de Ifialto e de Oto; sob a de um carneiro, para seduzir
Bisaltis, como cavalo para enganar Ceres, enfim, como um         grande
pssaro nos amores com Medusa , e como um delfim quando se apaixonou por
Melanto.

A
sua famosa discrdia com Minerva , por         causa da posse de
tica,  uma alegoria transparente em que os doze grandes deuses,
tomados como rbitros,         indicam a Atenas  os seus destinos. Esse
deus teve ainda uma         desavena com Juno por causa de Micenas e
com o Sol por         causa de Corinto.


Quer         a fbula de Netuno, expulso do cu com Apolo , por haver
conspirado contra Jpiter , tenha construdo as muralhas de Tria , e
que defraudado no seu salrio, se tenha         vingado da perfdia de
Laomedonte destruindo os muros da         cidade.


Netuno         era um dos deuses mais venerados na Grcia e na Itlia,
onde possua grande nmero de templos, sobretudo nas         vizinhanas
do mar; tinha tambm as suas festas e os         seus espetculos
solenes, sendo que os do istmo de         Corinto e os do Circo de Roma
eram-lhe especialmente consagrados sob o nome de Hpio. Independente das
Saturnais, festas que se celebravam no ms de julho, os         romanos
consagravam a Netuno todo o ms de fevereiro.


Perto         do istmo de Corinto, Netuno e Anfitrite tinham as suas
esttuas no mesmo templo, no longe uma da outra; a de         Netuno
era de bronze e media doze ps e meio de altura.         Na ilha de
Tenos, uma das Ciclades, tinha Anfitrite uma         esttua colossal da
altura de nove cbitos. O deus do         mar tinha sob a sua proteo
os cavalos e os         navegantes. Alm das vtimas ordinrias e das
libaes em sua honra, os arspices ofereciam-lhe particularmente o fel
da vtima porque o amargor         convinha s guas do mar.


Netuno          geralmente representado nu, com uma longa barba, e o
tridente na mo, ora sentado, ora em p sobre as ondas;         muitas
vezes; em um carro tirado por dois ou quatro         cavalos, comuns ou
marinhos, cuja parte inferior do corpo         termina em cauda de
peixe.

Proteu


Proteu,         deus marinho, era filho de Oceano e de Tetis ou, segundo
uma outra tradio, de Netuno e de Fnice. Segundo os         gregos, a
sua ptria  Palene, cidade da Macednia.         Dois dos seus filhos,
Tmolos e Telgono, eram gigantes,         monstros de crueldade. No
tendo podido cham-los ao     sentimento da humanidade, tomou o partido
de retirar-se         para o Egito, com o socorro de Netuno, que lhe
abriu uma         passagem sob o mar. Tambm teve filhas, entre as quais
as ninfas Eidotia, que apareceu a Menelau, quando        voltando de
Tria  esse heri foi levado por ventos         contrrios aobre a costa
do Egito, e lhe ensinou o que         devia fazer para saber de Proteu
os meios de regressar         ptria.


Proteu         guardava os rebanhos de Netuno, isto , grandes peixes e
focas. Para o recompensar dos trabalhos que com isso         tinha.
Netuno deu-lhe o conhecimento do passado, do         presente e do
futuro. Mas no era fcil abord-lo, e         ele se recusava a todos
que vinham consult-lo.


Eidotia         disse a Menelau que, para decidi-lo a falar, era
preciso   surpreend-lo durante o sono, e amarr-lo de maneira
que no pudesse escapar, pois ele tomava todas as formas         para
espantar os que se aproximavam: a de leo, drago,         leopardo,
javali; algumas vezes se metamorfoseava em    rvore, em gua e mesmo em
fogo; mas se se perseverava         em conserv-lo bem ligado, retomava
a primitiva forma e         respondia a todas as perguntas que se lhe
fizessem.


Menelau         seguiu ponto por ponto as instrues da ninfa. Com
trs dos seus companheiros, entrou de manh, nas grutas         em que
Proteu costumava ir ao meio-dia descansar,         juntamente com os
rebanhos. Apenas Proteu fechou os olhos         e tomou uma posio
cmoda para dormir. Menelau e os seus trs companheiros se atiraram
sobre ele e o         apertaram fortemente entre os braos. Era intil
metamorfosear-se: a cada forma que tomava, apertavam-no        com mais
fora. Quando enfim esgotou todas as suas         astcias Proteu voltou
 forma ordinria, e deu a         Menelau os esclarecimentos que este
pedia.


No         quarto livro das Gergicas , Virglio, imitando
Homero, conta que o pastor Aristeu, depois de haver        perdido todas
as suas abelhas, foi a conselho de Cirene,         sua me, consultar
Proteu sobre os meios de reparar os         enxames, e para lhe falar,
recorreu aos mesmos         artifcios.

As         Sereias


Quando,         por uma noite calma de primavera ou de outono, o
marinheiro deixa vogar docemente o barco perto das         margens, nas
paragens semeadas de rochedos ou de         escolhos, ouve ao longe, no
marulho das ondas, o gorjeio        das aves marinhas. Esse gorjeio,
entrecortado, s vezes,         por gritos estridentes e zombeteiros,
sobe aos ares e         passa invisvel com um estranho sbilo de asas,
por         cima da cabea do marinheiro atento, dando-lhe a iluso
de um concerto de vozes humanas. A sua imaginao         ento lhe
representa grupos de mulheres ou de raparigas         que se divertem e
procuram desvi-lo do seu caminho.         Desgraado dele se se
aproxima do lugar em que a voz      parece mais clara, isto , dos
rochedos  flor d'gua         onde, para as aves marinhas, a pesca 
frutuosa;         infalivelmente o seu barco se quebrar e se perder
entre os escolhos.


Tal         , sem dvida, a origem da fbula das Sereias; mas a
imaginao dos poetas criou-lhes uma lenda maravilhosa.


Elas         eram filhas do rio Aquel e da musa Calope. Ordinariamente
contam-se trs: Partnope , Leucsia  e Lgea , nomes gregos que evocam
as idias de candura , de brancura  e         de harmonia . Outros
do-lhes os nomes de Aglaufone,         Telxieme e Pisinoe, denominaes
que exprimem a doura         da sua voz e o encanto das suas palavras.



Conta-se         que no tempo do rapto de Prosrpina, as Sereias foram 
terra de Apolo , isto , a Siclia, e que Ceres, para         puni-las
por no haverem socorrido a sua filha, mudou-as         em aves.



Ovdio,         ao contrrio, diz que as Sereias, desoladas com o rapto
de Prosrpina, pediram aos deuses que lhes dessem asas         para que
fossem procurar a sua jovem companheira por toda         a terra.
Habitavam rochedos escarpados sobre as margens         do mar, entre a
ilha de Capri e a costa de Itlia.


O         orculo predissera s Sereias que elas viveriam tanto
tempo quanto pudessem deter os navegantes  sua         passagem; mas
desde que um s passasse sem para sempre         ficar preso ao encanto
das suas vozes e das suas  palavras, elas morreriam. Por isso essas
feiticeiras,         sempre em viglia, no deixavam de deter pela sua
harmonia todos os que chegavam perto delas e que cometiam         a
imprudncia de escutar os seus cantos. Elas to bem      os encantavam e
os seduziam que eles no pensavam mais         no seu pas, na sua
famlia, em si mesmos; esqueciam de         beber e de comer, e morriam
por falta de alimento. A         costa vizinha estava toda branca dos
ossos daqueles que         assim haviam perecido.


Entretanto,         quando os Argonautas passaram nas suas paragens,
elas   fizeram vos esforos para atra-los. Orfeu, que         estava
embarcado no navio, tomou a sua lira e as encantou         a tal ponto
que elas emudeceram e atiraram os         instrumentos ao mar.


Ulisses,         obrigado a passar com o seu navio adiante das Sereias,
mas advertido por Circe, tapou com cera as orelhas de         todos os
seus companheiros, e se fez amarrar, de ps e         mos, a um mastro.
Alm disso, proibiu que o        desligassem se, por acaso, ouvindo a
voz da Sereias, ele exprimisse o desejo de parar. No foram inteis
essas         precaues. Ulisses, mal ouviu as suas doces palavras e
as suas promessas sedutoras, apesar do aviso que recebera         e da
certeza de morrer, deu ordem aos companheiros que o   soltassem, o que
felizmente eles no fizeram. As         Sereias, no tendo podido deter
Ulisses , precipitaram-se no mar, e as pequenas         ilhas rochosas
que habitavam, defronte do promontrio da         Lucrnia foram
chamadas Sirenusas .


As         Sereias so representadas ora com cabea de mulher e
corpo de pssaro, ora com todo o busto feminino e a         forma de
ave, da cintura at os ps. Nas mos tm         instrumentos: uma
empunha uma lira, outra duas flautas, e         a terceira gaitas
campestres ou um rolo de msica, como         para cantar. Tambm
pintam-nas com um espelho. No h         nem um autor antigo que nos
tenha representado as Sereias         como mulheres-peixe. Como muita
gente atualmente as         representam.


Pausnias         conta ainda uma fbula sobre as Sereias: "As filhas de
Aquel, diz ele, encorajadas por Juno, pretenderam a         glria de
cantar melhor do que as Musas, e ousaram         fazer-lhes um desafio,
mas as Musas, tendo-as vencido,         arrancaram-lhes as penas das
asas, e com elas fizeram coroas." Com efeito, existem antigos monumentos
que         representam as Musas com uma pena na cabea. Apesar de
temveis ou perigosas, as Sereias no deixaram de         participar das
honras divinas; tinham um templo perto de Sorrento.
zzz

Zeus






Jpiter,         dizem os poetas,  o pai, o rei dos deuses e dos
homens;   reina no Olimpo, e, com um movimento de sua cabea,
agita o universo. Ele era o filho de Ria  e de Saturno que devorava a
descendncia          proporo que nascia. J Vesta, sua filha mais
velha, Ceres, Pluto e Netuno tinham sido devorados,     quando Ria,
querendo salvar o seu filho, refugiou-se em         Creta, no antro de
Dite, onde deu  luz, ao mesmo tempo,         a Jpiter e Juno. Esta foi
devorada por Saturno. O jovem         Jpiter, porm, foi alimentado por
Adrastia e Ida,        duas ninfas de Creta, que eram chamadas as
Melissas;         alm disso Ria recomendou-o aos curetes, antigos
habitantes do pas. Entretanto, para enganar seu marido,         Ria
f-lo devorar uma pedra enfaixada. As duas Melissas alimentaram Jpiter
com o leite da cabra         Amaltia e com o mel do monte Ida de Creta.



Adolescente,         ele se associou  deusa Metis, isto , a Prudncia.
Foi por conselho de Metis que ele fez com que Saturno         tomasse
uma beberagem cujo efeito foi faz-lo vomitar,         em primeiro lugar
a pedra e depois os filhos que estavam         no seu seio.


Antes         de tudo, com o auxlio de seus irmos Netuno  e Pluto, -
Jpiter resolveu destronar         seu pai e banir os Tits, ramo rival
que punha         obstculo  sua realeza. Predisse-lhe a Terra uma
vitria completa, se conseguisse libertar alguns dos         Tits
encarcerados por seu pai no Trtaro e os         persuadir a combater
por ele, coisa que empreendeu e        conseguiu depois de haver matado
Campe, a carcereira a         quem estava confiada a guarda dos Tits
nos Infernos.


Foi         ento que os Ciclopes deram a Jpiter o trovo, o
relmpago e o raio, um capacete a Pluto, e a Netuno um
tridente. Com essas armas, os trs irmos venceram         Saturno,
expulsaram-no do trono e da sociedade dos        deuses, depois de o
haverem feito sofrer cruis         torturas. Os Tits que haviam
auxiliado Saturno foram         precipitados nas profundidades do
Trtaro, sob a guarda         dos Gigantes.


Depois         dessa vitria, os trs irmos, vendo-se senhores do
mundo, partilharam-no entre si: Jpiter teve o cu,         Netuno o mar
e Pluto os infernos. Mas  guerra dos         Tits sucedeu a revolta
dos Gigantes, filhos do Cu e        da Terra. De um tamanho monstruoso
e de uma fora         proporcionada, eles tinham as pernas e os ps em
forma         de serpente, e alguns com braos e cinqenta cabeas.
Resolvidos a destronar Jpiter amontoaram o Ossa sobre o         Pelion,
e o Olimpo sobre o Ossa, desde onde tentaram         escalar o cu.
Lanavam contra os deuses rochedos, dos         quais os que caam no
mar formavam ilhas, e montanhas os         que rolavam em terra. Jpiter
estava muito inquieto,        porque um antigo orculo dizia que os
Gigantes seriam invencveis, a no ser que os deuses pedissem o socorro
de um mortal. Tendo proibido  Aurora,  Lua e ao Sol         de
descobrir os seus desgnios, ele antecipou-se          Terra que
procurava proteger seus filhos; e pelo conselho         de Palas , ou
Minerva , fez         vir Hrcules  que, de acordo com os outros deuses,
o         ajudou a exterminar os Gigantes Encelado, Polibetes,
Alcioneu, Forfirion, os dois Aloidas, Efialtes e Oeto,        Eurito,
Clito, Titio, Palas, Hiplito, grio, Taon e o         terrvel Tifon
que, ele s, deu mais trabalho aos         deuses do que todos os
outros.


Depois         de os haver derrotado, Jpiter precipitou-os no fundo do
Trtaro, ou, segundo outros poetas, enterrou-os vivos em         pases
diferentes. Encelado foi enterrado sob o monte         Etna.  ele cujo
hlito abrasado, diz Virglio, exala         os fogos do vulco; quando
tenta voltar-se, faz tremer a        Siclia, e um espesso fumo
obscurece a atmosfera.         Polibetes foi sepultado sob a ilha de
Lango, Oeto na de         Cndia, e Tifon na de Isquia.


Segundo         Hesodo, Jpiter foi casado sete vezes; desposou
sucessivamente Metis, Temis, Eurinome, Ceres, Mnemosine,         Latona
e Juno, sua irm, que foi a ltima das suas         mulheres.


Tomou-se         tambm de amor por um grande nmero de simples mortais,
que umas e outras lhe deram muitos filhos, colocados         entre os
deuses e semideuses.


A         sua autoridade suprema, reconhecida por todos os
habitantes do cu e da terra foi, no entanto, mais de         uma vez
contrariada por Juno, sua esposa. Ela ousou mesmo         urdir contra
ele uma conspirao dos deuses. Graas ao         concurso de Tetis e a
interveno do terrvel gigante Briareu, essa conspirao foi
prontamente sufocada, e         reentrou o Olimpo na eterna obedincia.



Entre         as divindades, Jpiter ocupava sempre o primeiro lugar,
e o seu culto era o mais solene e o mais universalmente
espalhado. Os seus trs mais famosos orculos eram os         de Dodona,
Lbia e de Trofnio. As vtimas que mais         comumente se lhe
imolavam eram a cabra, a ovelha e o touro branco com os cornos dourados.
No se lhe         sacrificavam vtimas humanas; muitas vezes as
populaes se contentavam em lhe oferecer farinha, sal        e incenso.
A guia, que paira no alto dos cus e fende         como o raio sobre a
presa, era a sua ave favorita.


A         Quinta-feira ( jeudi , em francs), dia da semana,
era-lhe consagrada (Jovis dies).


Na         fbula, o nome de Jpiter precede ao de muitos outros deuses,
mesmo reis: Jpiter-Amon na Lbia,         Jpiter-Serapis no Egito,
Jpiter-Bel na Assria,         Jpiter-Apis, rei de Argos,
Jpiter-Astrio, rei de Creta, etc.


Jpiter          geralmente representado sob a figura de um homem
majestoso, com barba, abundante cabeleira, e sentado         sobre um
trono. Com a destra segura o raio que          representado ou por um
tio flamejante de duas pontas     ou por uma mquina pontiaguda dos
dois lados e armada de         duas flechas; com a mo esquerda sustm
uma Vitria; a         seus ps, com as asas desdobradas, descansa a
guia         raptora de Ganimedes. A parte superior do seu corpo est
nua, e a inferior coberta.


Esta         maneira de represent-lo no era contudo uniforme. A
imaginao dos artistas modificava o seu smbolo ou a         sua
esttua, conforme as circunstncias e a regio em         que Jpiter
era venerado. Os cretenses representavam-no       sem orelhas, para
mostrar a sua imparcialidade; em         compensao, os lacedemnios
davam-lhe quatro para         provar que ele ouvia todas as preces. Ao
lado de Jpiter         vem-se muitas vezes a Justia, as Graas e as
Horas .


A         esttua de Jpiter, por Fdias, era de ouro e marfim:
o deus aparecia sentado em um trono, tendo na cabea uma         coroa
de oliveira, segurando com a mo esquerda uma         Vitria tambm de
ouro e marfim, ornada de faixas e        coroada. Com a outra mo
empunhava um cetro, sobre cuja extremidade repousava uma guia
resplandecendo ao fulgor         de toda espcie de metais. O salo do
deus era         incrustrado de ouro e pedrarias: o marfim e o bano
davam-lhe, pelo seu contraste, uma agradvel variedade.         Aos
quatro cantos havia quatro Vitrias que parecia se         darem as mos
para danar, e outras duas estavam aos         ps de Jpiter. No ponto
mais elevado do trono, sobre a         cabea do deus, estavam de um
lado as Graas , do         outro as Horas, uma e outras filhas de
Jpiter.
zzz

O         Nascimento de Baco

Cadmo e o         Orculo

Os         Companheiros de Cadmo

O Drago de         Marte

Npcias de         Cadmo e Harmonia

Jpiter e         Semele

A Coxa de         Jpiter

A Nutriz de         Baco

Ino e Palemon

Baco na Corte         de Cbele



Cadmo e o         Orculo


O         rei de Tiro, Agenor, no encontrando sua filha Europa,
que Jpiter  mandara fosse levada para Creta, ordenou ao         filho
Cadmo que percorresse a terra at descobrir o         paradeiro da irm,
e proibiu-lhe voltar  Fencia sem         ela. Cadmo, aps busc-la em
vo, foi consultar o         orculo de Apolo  para saber o que devia
fazer, e dele         recebeu a seguinte resposta: "Encontrars num
campo         deserto uma novilha que ainda no suportou jugo nem puxou
arado; segue-a, e ergue uma cidade no pasto em que         ela se
detiver. Dars ao lugar o nome de Becia."         Mal Cadmo saiu do
antro de Apolo, viu uma vaca que         ningum vigiava e que caminhava
lentamente; no lhe         notou no cangote sinal nenhum de jugo; por
conseguinte,         seguiu-a, adorando em respeitoso silncio o deus
que lhe         servia de guia. Passara o rio Cefisa e atravessara os
campos de Panope, quando a novilha se deteve e, erguendo         a
cabea, mugiu. Em seguida, olhou para os que a tinham         seguido, e
deitou-se sobre a relva.

Os         Companheiros de Cadmo


Cadmo,         aps beijar a terra estrangeira e dirigir votos s
montanhas e s plancies do pas, resolveu oferecer um
sacrifcio a Jpiter, e ordenou aos companheiros que         fossem
buscar gua. Havia nas proximidades uma antiga        floresta que o
ferro jamais tocara, no meio da qual         existia uma gruta coberta
de espinheiros; a entrada era         baixssima; e dela jorrava gua em
abundncia.         Tratava-se do retiro do drago de Marte : o monstro
era horrvel, tinha a cabea         coberta de escamas amarelas, que
brilhavam como ouro, dos         olhos saia-lhe fogo e o corpo parecia
inchado pelo veneno         que continha. Exibia trs fileiras de
aguadssimos dentes e trs lnguas dotadas de movimentos
incrivelmente rpidos.


Mal         os companheiros de Cadmo entraram no antro do drago,
com a inteno de tirar gua, o rudo que fizeram         despertou o
monstro, o qual comeou a salivar; os         infelizes fencios foram
todos mortos pelo drago que a         uns dilacerava com os dentes, a
outros sufocava, enrodilhando-se-lhes em torno, ou envenenava com o
hlito.

O         Drago de Marte


Entretanto         Cadmo, espantado por notar que os companheiros no
regressavam, tratou de procur-los. Cobrindo-se da pele         de um
leo, empunhou a lana e o dardo, e entrou na         floresta onde
imediatamente percebeu o drago de Marte,         deitado sobre o corpo
dos fiis companheiros, sugando-lhes o sangue. Pegou, ento, uma pedra
de enorme         tamanho, e atirou-a contra o monstro com tal
impetuosidade que at as mais fortes muralhas e torres        houveram
estremecido.


Enquanto         o heri contemplava o enorme tamanho do drago abatido,
ouve a voz de Palas  que lhe         ordenava semeasse os dentes do
animal nos sulcos que trataria de abrir na terra. Cadmo obedece  ordem
da         deusa; imediatamente os torres comearam a mover-se, e
deles saiu uma safra de combatentes. Em primeiro lugar         saram
lanas, depois os capacetes ornados de penas; em seguida perceberam-se
os ombros, o peito e os braos         armados dos novos homens, que
comearam a lutar uns         contra os outros, mal viram a luz. Igual
fria animou o         bando inteiro; os infortunados irmos encharcaram
com o sangue a terra que os formara, e mataram-se a ponto de         s
restarem cinco. Estes passaram a ser companheiros de         Cadmo, que
os empregou na construo da cidade de         Tebas, ordenada pelo
orculo .         (Ovdio).

Npcias         de Cadmo e Harmonia


Harmonia,         filha de Vnus  e de Marte , foi a         esposa que
Jpiter  destinava a Cadmo, e todos os deuses         quiseram assistir
s suas npcias, realizadas na cidade         recm-fundada. Cada um
deles levou um presente a       Harmonia, e Vnus entregou-lhe, entre
outras coisas, um         colar que se tornou famoso nas lendas tebanas.
Segundo         certas tradies, Jpiter teria dado Harmonia a Cadmo,
para recompensar o heri pelos servios recebidos na         luta contra
Tifo, que descobrira o raio do rei dos         deuses e conseguira
apoderar-se dele.

Jpiter         e Semele


Cadmo         teve do seu casamento com Harmonia um filho, Polidoro, e
quatro filhas, Autonoe, Ino, Semele e Agave. Semele foi         amada de
Jpiter e tornou-se me de Baco; mas a nova         paixo do senhor dos
deuses no podia ficar por muito         tempo oculta a Juno, que
resolveu vingar-se antes do nascimento da criana trazida por Semele no
seio.         "A implacvel deusa, resolvida a perder a rival,
revestiu-se do aspecto de Bero, a velha nutriz de    Semele, e indo
visitar a jovem, fez habilmente com que a         conversao recasse
sobre Jpiter. Prouvera ao cu,         disse  filha de Cadmo que seja
o prprio Jpiter quem         te ama! Mas eu temo por ti: quantas moas
no foram        iludidas por simples mortais que se diziam um deus
qualquer! Se aquele de quem me falas for verdadeiramente
Jpiter, ele saber dar-te provas certas, vindo         visitar-te com a
majestade que o acompanha, quando se aproxima de Juno." Enganada por to
artificiosas         palavras, a filha de Cadmo pediu a Jpiter que lhe
concedesse uma graa, sem especificar qual, e o pai dos        deuses e
dos homens jurou pelo Estige que a concederia. Descontente e inquieto
com o que ela lhe pedira, mas no         podendo retirar um juramento
pelo Estige, reuniu os         troves e os raios e foi visitar Semele.
Mas a       habitao de um mortal no poderia resistir quilo, e
mal o deus se aproximou do palcio de Semele o incndio         se
generalizou. A filha de Cadmo ficou reduzida a cinzas,         e Jpiter
mal teve tempo para retirar-lhe do seio o         menino que ela ia dar
 luz e encerr-lo na sua coxa,         onde ficou at o dia designado
para o nascimento".         (Ovdio).


Esse         menino foi Dionsos, chamado pelos latinos Baco, ou
Lber, que assim nasceu duas vezes e foi educado pelas         ninfas de
Nisa.

A         Coxa de Jpiter


O         poeta Nonnos assim narra o nascimento de Baco, ao sair da coxa
de Jpiter: "Entretanto, ao v-lo sair de         Semele j queimada,
Jpiter acolheu Baco semiformado,         fruto de tal nascimento
produzido pelo raio, encerrou-o        na coxa, e aguardou o curso da
lua que traria a         maturidade. Dali a pouco a rotundidade amoleceu
sob as         dores do parto, e o menino, que passara do regao
feminino ao regao masculino, nasceu sem deixar uma me, pois a mo do
filho de Saturno , presidindo pessoalmente o parto, destruiu         os
obstculos e soltou os fios que cosiam a coxa         geradora. Mal se
livrou do divino parto, as Horas, que        lhe haviam estipulado o
tempo, coroaram Baco de grinaldas         de hera como pressgio do
futuro. Cingiram-lhe a cabea         carregada de flores e ornada dos
chifres de touro         (aluso a Baco-Hbon). Depois, tirando-o da
colina da         Dracnia que o vira nascer, Mercrio , filho de Maia,
voou, segurando-o, e foi o         primeiro em cham-lo de Dionisos,
como lembrana de sua         origem paterna. Com efeito, na lngua de
Siracusa, Niso         quer dizer coxo, e Jpiter caminhava coxeando
quando trazia na coxa o peso do filho. Chamaram-no igualmente
Erafriotes, deus cosido, por ter estado cosido na coxa do
prprio pai. (Nonnos).


Cita         Diodoro de Siclia algumas das explicaes dadas no
seu tempo sobre o segundo nascimento ou encarnao de         Baco.
Segundo uns, tendo a vinha desaparecido pelo         dilvio de
Deucalio, reapareceu na terra, quando as        chuvas cessaram. Ora, a
vinha nada mais  do que Baco         que se mostrou aos homens pela
segunda vez, aps ter         sido conservado por algum tempo na coxa de
Jpiter,         segundo a frmula mitolgica. Diziam outros que Baco
nascia realmente duas vezes, contando como primeiro         nascimento a
germinao da planta, e como segundo a         poca em que a vinha d
uvas. Enfim, os que acreditavam         na realidade histrica da
personagem sustentavam que  havia vrios Bacos, reunidos pela
credulidade popular         num nico.


         assim, diz Nonnos, que em conseqncia desses partos
sobrenaturais, Mercrio, seu aliado, leva nos braos o         menino j
semelhante  lua e que no verte uma         lgrima. Incumbiu ele as
ninfas, filhas do rio Lamos, de        cuidar do enjeitado de Jpiter,
de cabeleira ornada de         cachos de uvas. Elas o acolheram nos
braos e cada uma         ofereceu o leite do seu seio. Deitado nos
joelhos delas,         e jamais dormitando, o deus lanava
constantemente o         olhar para o cu, e divertia-se batendo o ar
com os         ps.  vista do plo, novo para ele, observava com
estupefao a rotundidade dos astros da ptria, e         sorria.


A         Nutriz de Baco


"Mas         em breve, diz Nonnos, a esposa de Jpiter notou o filho
divino, e zangou-se. Por efeito da sua terrvel clera,         as
filhas de Lamos enfureceram-se sob a vergasta da         pssima
divindade. Em suas casas, precipitavam-se contra        os que as
seguissem; nas encruzilhadas, degolavam os         viajantes. Lanavam
gritos horrveis, e no meio de         violentas convulses, os seus
esgares lhes desfiguravam         o rosto; corriam de um lado a outro,
entregues ao frenesi, umas vezes girando e saltando, outras fazendo
esvoaar ao vento a cabeleira. Os vus aafroados do         peito
tornavam-se brancos sob a espuma que lhes caa da         boca. Na sua
demncia, teriam despedaado o prprio         Baco, ainda menino, se
Mercrio, deslizando passo a         passo e em silncio, no o tivesse
raptado segunda vez         para dep-lo na casa de Ino, que havia pouco
dera         luz. Acabava ela de dar  luz o filho Melicerte, e
estava a acalent-lo; o seio regurgitava-lhe de leite. O         deus
falou-lhe com voz afetuosa: "Mulher, eis aqui         um menino;
recebe-o.  o filho de tua irm Semele. Os raios do quarto nupcial no o
atingiram, e as fascas         que perderam sua me o pouparam. Deixa-o
ficar ao p de         ti, oculto, e cuida de que nem o olho do Sol,
durante o         dia, nem o da Lua, durante a noite, o vejam fora do
teu palcio. Seno, Juno ser capaz de o descobrir."         Assim
falando, Mercrio ,         agitando nos ares as geis asas talares, voa
e         desaparece nos cus. Ino obedece; e ternamente abraa
Baco, privado de me, e oferece o seio a ele e ao         filho."



"Ino         confiou Baco  particular vigilncia da ninfa Mstis,
a de luxuosa cabeleira, que Cadmo criara, desde a         infncia, para
o servio ntimo de Ino. Ela  que         tirava o menino do seio onde
se alimentava, e o encerrava        em tenebroso esconderijo. Mas a
resplendente luz da testa anunciava, por si, o enjeitado de Jpiter: os
muros mais         sombrios do palcio se iluminavam, e o esplendor do
invisvel Baco dissipava todas as trevas. Ino, durante        toda a
noite, assistia aos folguedos do menino; e muitas         vezes
Melicerte, inseguro, engatinhava em direo a         Baco, que
balbuciava o grito de Evo, e ia sugar com os         lbios rivais o
seio vizinho. Aps o leite da ama,      Mstis dava ao jovem deus os
demais alimentos e         vigiava-o sem nunca adormecer. Hbil no seu
inteligente         zelo, e exercitada na arte mstica cujo nome trazia,
foi         ela que instituiu as festas noturnas de Baco; foi ela
que, para expulsar das iniciaes o sono, inventou o         tamborim, o
guizos ruidosos e o duplo bronze dos         ensurdecedores cmbalos.
Foi a primeira em acender os         archotes para iluminar as danas da
noite, e fez ressoar        Evo em honra de Baco amigo da insnia. Foi
tambm a         primeira, curvando as hastes das flores em grinalda, a
cingir a cabeleira de uma faixa de pmpanos, e teceu a         hera em
torno do tirso; depois, ocultou-lhe a ponta de  ferro sob as folhas,
para que o deus se no ferisse.         Quis que os falos de bronze
fossem presos aos seios nus         das mulheres, e aos seus quadris as
peles de cervos;         inventou o rito do cesto mstico, todo repleto
dos     instrumentos da divina iniciao, brinquedos da         infncia
de Baco, e foi a primeira em prender em volta         do corpo essas
correias entrelaadas, de rpteis."         (Nonnos).


"Foi         ali, sob a guarda e sob os numerosos ferrolhos da
discreta Mstis, num canto do palcio, que os olhares         infalveis
da desconfiadssima Juno descobriram Baco.         Jurou ela, ento,
pela onda infernal e vingadora do         Estige, que inundaria de
desventuras a casa de Ino; e sem dvida teria exterminado o prprio
filho de Jpiter,         se Mercrio, prevenido, o no tivesse
imediatamente         levado s alturas da floresta de Cbele; Juno para
l         correu com toda a velocidade dos seus ps. Mas Mercrio
chegou antes, e levou o deus chifrudo  deusa."         (Nonnos).


Ino         e Palemon


Entretanto         Juno, que no conseguira atingir Baco, perseguiu com
a   sua clera so que estavam ligados ao deus.


A         morte de Semele, me de Baco, no lhe bastava. Quis ela
ainda golpear Ino, irm de Semele, que servira de nutriz         a Baco.
Ino orgulhava-se de ser filha de Cadmo e mulher         de Atamas, rei
de Tebas, a quem dera vrios filhos. Juno         desceu aos infernos em
busca de Tisfona, uma das Frias, e ordenou-lhe que afligisse de
loucura furiosa         Atamas e Ino. A serva de Juno mal entra no
palcio faz         com que, tanto o rei como a rainha, sintam os
terrveis         efeitos da sua presena. Atamas, acometido de sbita
fria, corre pelo palcio, gritando: "Coragem,         companheiros,
estendei as redes nesta floresta; acabo de         perceber uma leoa com
dois leezinhos." Pe-se,         ento, a perseguir a rainha que ele
supe ser um animal feroz, arranca-lhe dos braos o jovem Learco, seu
filho,         o qual, divertindo-se com o arrebatamento do pai, lhe
estendia os braos, e, fazendo-o girar duas ou trs         vezes,
atira-o contra uma parede, esmagando-o. Depois, ateia fogo ao palcio.
Ino, tomada de semelhante furor,         por efeito da dor que lhe
causara a morte do filhinho, ou         pelo fatal veneno espalhado
sobre ela por Tisfona, d         gritos horrveis, trazendo ao colo
Melicerte, e dizendo:        Evo, Baco! Juno sorri quando ouve
pronunciar o         nome desse deus. "Que teu filho, diz-lhe ela, te
auxilie a passar o tempo nesse fria que te         possui."


         margem do mar, encontra-se um rochedo escarpado, cujo
fundo serve de refgio s guas que o cavaram; o alto         est
eriado de pontas e avana bastante para o mar;         Ino, a quem o
furor dava novas foras, monta sobre esse         rochedo e se precipita
com Melicerte: as ondas que a recebem se cobrem de espuma e a sorvem.
(Ovdio).


Vnus , que         era aliada da famlia de Cadmo por sua filha
Harmonia, foi ao encontro de Netuno  e,         mediante os cuidados de
ambos, Ino e Melicerte, perdendo         o que tinham de mortal,
tornaram-se divindades marinhas.         Ino tomou, ento, o nome de
Leucotia e Melicerte o de         Palemon.


Mal         a notcia de tais fatos se espalhou pela cidade, as
damas tebanas correram  margem do mar em busca da         rainha e,
seguindo-lhe as pegadas, chegaram ao rochedo de         onde ela se
havia atirado. Na aflio que lhes causa        to trgico desfecho,
rasgam as vestes, arrancam os         cabelos, e deploram as desventuras
da infeliz casa de         Cadmo, zangam-se com Juno, e censuram-lhe a
injustia e         crueldade.


A         deusa, ofendida com as suas queixas, diz-lhes: "Ides
ser vs outras os mais terrveis exemplos dessa         crueldade que
tanto me censurais." O efeito segue-se          ameaa. A que mais
afeioada fora a Ino, prestes a lanar-se ao mar, imobiliza-se e v-se
presa ao         rochedo. Outra, enquanto fere o prprio seio, sente os
braos tornarem-se duros e inflexveis. Outra, com os      braos
estendidos para o mar, no mais consegue         mov-los. E mais outra,
que estava arrancando os cabelos         com as mos, sente que estas, e
os cabelos se         transformaram em pedra. A maioria sofre mudanas
anloga e fica na mesma atitude em que estavam no         momento da
metamorfose. As demais companheiras da rainha,         transformadas em
aves, desde ento esvoaam no mesmo lugar e roam as ondas com a ponta
das asas. (Ovdio).

Baco         na Corte de Cbele


Vimos         que o jovem deus, aps inmeras peripcias, acabou por ser
conduzido a Cbele.


Segundo         outra tradio, Baco teria ido procurar Cbele sem outro
auxlio, a no ser o dele prprio. Juno, que         no conseguia
perdoar-lhe ser filho de Jpiter, feriu-o         de loucura na
infncia, e o jovem deus quis, para        curar-se, ir consultar o
orculo de Dodona, mas um lago         formado subitamente lhe
obstaculou a passagem. Logrou,         contudo, atravessar, graas ao
burro no qual estava         montado, e em breve soube que Cbele lhe
devolveria a      sade, iniciando-o nos seus mistrios. Aps errar por
algum tempo presa ao delrio, chegou  Frgia, onde         Cbele o
curou realmente, ensinando-lhe o seu culto. O         uso dos cmbalos,
dos archotes, dos animais ferozes para        conduzir o deus, provm
com efeito dos cultos orientais.
zzz

Baco

A Infncia         de Baco

Baco e         Ampelos

A Conquista         da ndia

Baco em Tebas

Baco e         Licurgo

Baco e Perseu

Baco e         Ergone



A Infncia de         Baco


Nonnos,         a quem  preciso sempre recorrer, quando se trata de
Baco, assim narra a maneira pela qual se passaram os anos         da sua
infncia: "A deusa criou-o, e, bem mocinho         ainda, o fez montar
no carro puxado por ferozes lees...         Aos nove anos, j possudo
da paixo da caa, ultrapassa na corrida as lebres; com a sua mozinha,
dominava o vigor dos veados malhados; trazia sobre o         ombro o
tigre intrpido de pele malhada, livre de  qualquer lao, e mostrava a
Ra  nas mos         os filhotes que acabara de arrancar ao leite
abundante da     me; depois, arrastava terrveis lees vivos; e,
fechando-lhes entre os punhos os ps reunidos, dava-os         de
presente  me dos deuses, a fim de que ela os         mandasse atrelar
ao seu carro. Ra observava sorrindo e    admirava tal coragem e tais
feitos do jovem deus, ao         passo que  vista do filho vencedor de
formidveis         lees, os olhos paternais de Jpiter
irradiavam maior alegria ainda. Baco, mal ultrapassou o         limite
da infncia, revestiu-se de suaves peles, e ornou         os ombros com
o envoltrio malhado de um veado, imitando         as variadas manchas
da esfera celeste. Reuniu linces nos         seus estbulos da plancie
da Frgia, e atrelou ao seu   carro panteras, honrando a imagem
cintilante da morada         dos seus maiores. Foi assim que, desde
cedo, desenvolveu         o gosto montanhs ao p de Ra, amiga das
elevadas         colinas; nos picos, os ps  rodeiam         nos seus
giros o jovem deus, tambm hbil danarino; atravessam barrancos com os
seus ps peludos, e,         celebrando Baco nos seus tremendos saltos,
fazem ressoar         o cho debaixo dos seus ps de bode." (Nonnos).


Baco         e Ampelos


Quando         Baco estava na sia Menor, banhando-se com os stiros nas
guas do Pactolo e brincando com eles nas costas da         Frgia,
ligou-se da mais estreita amizade com um jovem         stiro chamado
Ampelos. Em breve, tornaram-se        inseparveis; mas um touro furioso
matou um dia o         infeliz Ampelos, e Baco, no podendo consolar-se,
derramou ambrsia nos ferimentos do amigo que foi         metamorfoseado
em vinha, e  precisamente esse divino suco que deu  uva a qualidade
embriagadora. (Nonnos).


Baco,         realmente, colheu um cacho de uvas e, espremendo o suco,
disse: "Amigo, a partir deste instante sers o         remdio mais
poderoso contra as dores humanas."


Foi         ento que Baco comeou a percorrer o Oriente: no Egito,
vemo-lo em relao a Proteu; na Sria, luta contra         Damasco, que
se ope  introduo da cultura da         vinha. Vencedor, continua a
viagem, atravessa os rios     sobre um tigre, lana uma ponte sobre o
Eufrates, e         empreende a gigantesca expedio contra os indianos.


A         Conquista da ndia


A         lenda herica de Baco parece ser apenas a histria da
plantao da vinha, e a narrao dos efeitos         produzidos pela
embriaguez, desde que o vinho se tornou         conhecido. O temor
desses terrveis efeitos explica       naturalmente a oposio que se
lhe depara por toda         parte, quando ensina aos homens o uso do
vinho por ele         personificado.


O         culto de Baco apresenta grandes relaes com o de Cbele , e o
carter ruidoso das suas orgias         relembra a algazarra que se
fazia em homenagem  deusa.         Mas a histria da conquista da ndia
d s  tradies em torno de Baco um carter especialssimo.
Segundo vrios mitlogos, as narraes que a isso se         prendem s
se teriam popularizado aps a conquista de         Alexandre. Creuzer
considera, pelo contrrio, essa         histria bastante antiga.



Nessa         expedio memorvel, as ninfas, os rios e Sileno,
sempre montado no seu burro, formavam o cortejo         particular do
deus, mas o cortejo era engrossado por         numeroso bando de ps, de
faunos, de stiros, de         Curetes e de seres estranhos, dos quais
nos d Nonnos         uma nomenclatura pormenorizada no seu poema das
Dionisacas .         Toda essa narrao apresenta carter fantstico e
maravilhoso. Quando o rei da ndia, Derades, quis         atirar-se
contra Baco, uns pmpanos que brotavam da         terra lhe enlaaram
subitamente os membros e lhe  paralisaram os esforos: quando o exrcito
do deus se         encontra nas margens de um rio, o rio se transforma
em         vinho, a um sinal do deus, e os indianos sedentos que
pretendem beber so imediatamente tomados por um delrio desconhecido.



"A         voz do indiano, diz Nonnos, os seus negros compatriotas
acorrem em multido s margens do rio de suave perfume.         Um,
firmando ambos os ps no limo, mergulhado at o         umbigo nas vagas
que o banham por toda parte, se mostra         semi-inclinado, peito
recurvado sobre a corrente, e dali    sorve, no oco das mos, a gua que
destila o mel.         Outro, perto da embocadura, possudo de ardente
sede,         mergulha a longa barba nas ondas purpurinas, e,
estendendo-se sobre o cho da margem, aspira         profundamente o
orvalho de Baco. Este, debruado,         aproxima-se da fonte to
vizinha, apoia os braos na         areia mida, e recebe nos lbios
sedentos o fluxo do         licor que mais sede ainda lhe d. Os que s
tem  mo         o fundo do pote quebrado, retiram o vinho com uma
concha.         Grande nmero bebe na torrente vermelha, e enche as
taas rsticas dos pastores dos campos. Aps assim         sorverem o
vinho  vontade, vem as pedras duplicar-se,         e julgam que a gua
se escoa por dois lados; entretanto,         o rio continua a murmurar
no seu curso e a fazer ferver         uma  outra as vagas da deliciosa
bebida. Uma torrente de embriaguez inunda o inimigo. Este extermina a
raa         dos bois, como se estivesse ceifando a gerao dos
stiros. Aquele persegue os bandos de veados de cabeas
alongadas, e julga-os, em virtude da sua pele         simetricamente
manchada, o bando dos bacantes, enganado         pelas nbridas
elegantes com que elas se adornam. Um         guerreiro, dando altos
brados, agarra-se a uma rvore   que ele golpeia de todos os lados, e,
percebendo que os         ramos ondulam movidos pelo vento, abate as
pontas dos         ramos mais tenros, e fende assim a folhagem de copado
carvalho, julgando estar a cortar com o gldio a intacta
cabeleira de Baco. Luta contra a folhagem e no contra         os
stiros; e na sua alegria imbecil, conquista contra a         sombra uma
sombra de vitria. Outros indianos,         irresistivelmente
transportados pelos vapores que    entontecem o esprito, imitam com os
gldios, as         lanas e os capacetes, os jbilos guerreiros dos
Coribantes, e na sua dana das armas batem em torno os         escudos.
Um se deixa levar pelos cantos da musa bquica,   e salta como nos coros
dos stiros; outro se enternece         com o som do tamborim, e no seu
gosto impelido ao         delrio pelo sonoro rudo, atira ao vento a
aljava        intil."

Baco         em Tebas


Aps         percorrer a sia, Baco, que nascera em Tebas, quis
tambm que esta cidade fosse a primeira da Grcia e         conhecer-lhe
o culto: disso  que lhe provm o nome de         Baco tebano.


No         comeo da tragdia das bacantes , de Eurpedes,         Baco
d a conhecer a sua encarnao e a sua chegada a       Tebas. "Eis-me
nesta terra dos tebanos, eu, Baco,         gerado pela filha de Cadmo,
Semele, aps ser visitada         pelo fogo dos raios; deixei a forma
divina por outra         mortal e venho visitar a fonte de Dirce e as
guas de        Ismenos. Vejo perto deste palcio o tmulo de minha
me atingida pelo raio, e as runas fumegantes de sua         morada, e
a chama do fogo celeste ainda viva, eterna         vingana de Juno
contra minha me. Aprovo a piedade de        Cadmo, que, tornando este
lugar inacessvel aos ps dos profanos, o consagrou  filha; e eu o
sombreei por toda         parte de pmpanos verdejantes. Deixei os vales
da         Ldia, onde abunda o ouro, e os campos dos frgios;
atravessei as plancies ardentes da Prsia e as cidades         da
Bactriana, a Mdia coberta de pedras e a feliz         Arbia, e a sia
inteira, cujo mar salgado banha as         margens cobertas de cidades
florescentes, povoadas simultaneamente por uma mistura de gregos e de
brbaros,         e  essa a primeira cidade grega em que entrei aps
ter         conduzido para l as danas sagradas e celebrado os
meus mistrios, para manifestar a minha divindade aos mortais. Tebas  a
primeira cidade da Grcia em que fiz         ouvir os brados das
bacantes cobertas de nbrida e         armadas do tirso envolto em
hera."

Baco         e Licurgo


Baco,         tendo levado o seu culto  Trcia, foi perseguido pelo rei
do pas, chamado Licurgo., o qual muito         provavelmente assustado
pelos efeitos da embriaguez,         mandara fossem arrancadas todas as
vinhas. Baco viu-se       obrigado, para salvar-se, a atirar-se ao mar,
onde foi         acolhido por Ttis, a quem deu, como recompensa pela
hospitalidade, uma taa de ouro feita por Vulcano . Todas as bacantes e
os stiros que o         haviam acompanhado foram lanados  priso. Foi
por         castigo a tal feito que a regio se viu atingida de
esterilidade, e Licurgo, enlouquecido, matou pessoalmente         seu
prprio filho Drias. Tendo o orculo declarado que         o pas s
recobraria a fertilidade, depois de morto o         rei mpio, os
sditos o encadearam ao monte Pangeu, e        ali o pisaram com os
cavalos. As bacantes livres,         ensinaram os mistrios do novo deus
 Trcia. A luta         entre Baco e Licurgo est representada com
diversas         variantes nos monumentos antigos.

Baco         e Perseu


A         lenda de Baco, atirado ao mar e recolhido por Ttis a
quem oferece uma taa de ouro, prende-se, segundo         Ateneu, ao
fabrico do vinho e traduz mitologicamente o         hbito existente em
certas regies de se servir da      gua do mar para acelerar a
fermentao da uva.


Em         Argos, onde Juno era especialmente honrada, o culto de
Baco encontrou graves dificuldades para se estabelecer.         Os
habitantes recusaram-se a honr-lo, e mataram as         bacantes que o
acompanhavam. O deus feriu de loucura   furiosa as mes, que comearam a
dilacerar os prprios         filhos. O heri Perseu ,         protetor
de Argos, decidiu ento combater Baco, e         segundo um vaso grego,
em que a cena est figurada, no         parece ter tido vantagem.
Entretanto, segundo outras         tradies, teria sido vencedor e
teria at lanado   Baco ao lago de Lerna. Pausnias diz simplesmente
que,         quando a disputa terminou, Baco foi honrado em Argos,
onde se lhe ergueu um templo.


Cita         Creuzer uma vaso cujo tema consagra a introduo da
vinha na Etlia. "Vemos ali, diz ele, Altia,         mulher rei de
Calidon, conversando com Dionisos por ela         apaixonado, do alto de
uma janela, onde tambm no-la        mostra uma pintura que completa
esta, e que oferece o         deus adormecido diante da porta, cujo
limiar acaba de ser         cruzado pelo marido que lhe cede o lugar.
Sabe-se que,         como preo de tal complacncia, recebeu o presente
da         vinha, e que Altia teve de Baco a famosa Dejanira,
esposa de Hrcules ,         como teve de Marte  o heri
Meleagro."

Baco         e Ergone


Foi         no reinado de Padio, filho de Erecteu, rei de Atenas,
que Baco, acompanhado de Ceres, visitou pela primeira vez         a
tica. Esse incidente mitolgico tem certa         importncia na
histria, para mostrar que na opinio        dos atenienses o cultivo da
vinha e do trigo foi         precedido no pas pelo da oliveira, que
Minerva  lhes ensinara no mesmo instante da         fundao da cidade.



Baco,         chegado, foi  casa de um ateniense chamado Icrio, que
o recebeu muito bem; como recompensa pela hospitalidade         Baco lhe
ensinou a maneira de fazer vinho. Icrio,         fazendo-o, quis que o
provassem os camponeses da         redondeza, que o acharam delicioso.
Mas embriagaram-se completamente, e, julgando que Icrio os havia
envenenado, atiraram-no a um poo. A visita de Baco a         Icrio
est figurada em vrios baixos-relevos.


Tinha         Icrio uma filha de extrema beleza, chamada Ergone,
por quem Baco se apaixonou. A fim de unir-se a ela,
metamorfoseou-se em cachos de uvas, e quando a jovem o         percebeu
sob tal forma, apressou-se em colh-lo e         com-lo; foi assim que
se tornou esposa do deus, de quem         teve um filho chamado
Estfilos, cujo nome significa         uva. Foi ele que, mais tarde,
ensinou aos homens que,         misturando-se gua ao divino licor, este
no mais        produzia a embriaguez.


Quando         Icrio foi morto, Ergone nada sabia do que se passara,
mas inquieta por no o ver regressar, tratou de         procur-lo e no
tardou em ser atrada pelos uivos da         pequenina cachorra Moera,
que chorava ao p do poo a         que Icrio fora atirado. Quando
Ergone soube o que         sucedera ao infeliz pai, foi tal o seu
desespero que se         enforcou. Baco, encolerizado, enviou aos
atenienses um         delrio furioso que os levou a se enforcarem no
mesmo         lugar em que haviam morrido Icrio e a filha. O
orculo, consultado, consultado, respondeu que o mal         cessaria
quando tivessem sido punidos os culpados e         prestadas homenagens
s vtimas. Jpiter  colocou Icrio entre os astros e dele fez         a
constelao de Bootes. Ergone tornou-se a da         Virgem, e a
cachorra Moera passou a ser a da Cancula.       Todas essas tradies
se prendem  introduo do         cultivo da vinha na tica, e aos
efeitos imprevistos da         embriaguez. O sono de Ergone foi
freqentemente         representado; Girodet fez dele o tema de uma das
suas      composies mais graciosas.
zzz

Psique

Beleza de Psique               [Psique]  Cime de
Vnus
O Orculo de Apolo
Psique Raptada por                 Zfiro
O Palcio de Psique
As Irms de Psique
A Gota de Azeite
Clera de Vnus
As Npcias de Psique
A Alma Humana




Beleza de Psique


Tinha         um rei trs filhas belssimas. Mas, por mais
encantadoras que fossem as duas mais velhas, era         possvel
encontrar na linguagem humana elogios         proporcionados ao seu
mrito, ao passo que a menor era de perfeio to rara, to maravilhosa,
que no         havia termos que a exprimissem. Os habitantes do pas,
os forasteiros, enfim todos acorriam, atrados pela        reputao de
semelhante prodgio; e depois de         contemplarem tal beleza de que
nada se aproximava,         ficavam confusos de admirao, e,
prosternando-se, a         adoravam com religioso respeito, como se se
tratasse da prpria Vnus .


Em         breve, espalhou-se a nova de que era a prpria Vnus
que vinha habitar a terra sob a aparncia de simples         mortal, e o
prestgio da verdadeira deusa ficou abalado.         Ningum mais ia a
Cnido, ningum mais ia a Pafos,        ningum mais navegava para a
risonha ilha de Ctera. Os         antigos templos de Vnus estavam
vazios, as cerimnias         negligenciadas, os sacrifcios suspensos,
e os seus         altares solitrios s apresentavam uma cinza fria no
lugar do fogo onde antes ardiam incensos. Mas quando         Psique
passava, o povo, apinhado, tomando-a por Vnus,         lhe apresentava
grinaldas, atirava-lhe flores,     dirigia-lhe votos e preces. De todas
as partes do mundo         vinham peregrinos oferecer-lhe vtimas.


Cime         de Vnus


Vnus,         que do alto do cu via tudo, no pde refrear a
indignao. "Como? Dizia ela. Eu, Vnus, a         primeira alma da
natureza, origem e germe de todos os         elementos, eu que fecundo o
universo inteiro, devo partilhar com uma simples mortal as honras
devidas          minha posio suprema! Dever o meu nome, que 
consagrado no cu, ser profanado na terra, terei eu de        ver os
meus altares descuidados por uma criatura         destinada a morrer?
Ah, a que assim usurpa os meus         direitos vai arrepender-se da sua
insolente beleza!"


Imediatamente         chama o filho, o menino de asas ,         to
audaz, o qual, na sua perversidade, desafia a moral pblica, arma-se de
archotes e setas, cometendo com         impunidade as maiores desordens
e jamais fazendo o menor         bem. Excita-o com as suas palavras, e
diante dele d         vazo a todo o seu enorme despeito. "Meu filho,
em         nome da ternura que te une a mim, vinga tua me
ultrajada; mas vinga-a plenamente. S te peo uma         coisa: faze
que a jovem se inflame da mais violenta paixo pelo ltimo dos homens,
por um infeliz condenado         pela sorte a no ter nem posio
social, nem         patrimnio, nem segurana de vida; enfim, por um ser
de         tal modo ignbil que no mundo inteiro no se encontre
outro igual!" Assim falando, beijava o filhinho         amado.

O         Orculo de Apolo


Vnus,         por sua vez, extravasava sua clera, cujos efeitos j
se faziam sentir, porque, enquanto as duas irms de         Psique
desposavam reis, a infeliz jovem, culpada de         excesso de beleza,
encontra por toda parte adoradores,        mas no marido, e seu pai,
desconfiado de que uma         divindade qualquer obstaculasse o himeneu
da filha, vai         consultar o orculo de Apolo  que lhe
ordena expor a filha num rochedo para um himeneu de morte. Seu marido
no ser um mortal: traz asas como as         aves de rapina cuja
crueldade ele possui, e escraviza os         homens e os prprios
deuses. Sempre  necessrio        obedecer, quando um deus fala. Aps
vrios dias         consagrados ao pranto e  tristeza, prepara-se a
pompa         do fnebre himeneu. O archote nupcial  representado
por archotes cor de fuligem e cinza. Os cantos jubilosos       de
himeneu se transformam em uivos lgubres, e a jovem         noiva enxuga
as lgrimas com o prprio vu de         casamento.

Psique         Raptada por Zfiro


Uma         vez terminado o cerimonial de morte, conduziram a infeliz
Psique ao rochedo em que deveria aguardar o esposo. Era         uma
montanha alcantilada. Quando ali chegou, apagaram-se         os archotes
nupciais que haviam iluminado a festa         fnebre do triste himeneu,
e cada um voltou para casa. Os pais de Psique, encerrados no palcio,
recusaram-se a         sair, condenando-se s trevas eternas. Tremendo
de         espanto, Psique afogava-se nas lgrimas no pico da
montanha, quando de sbito o delicado sopro do Zfiro, agitando
amorosamente os ares, faz ondular dos dois lados         a veste que a
protegia, cujas dobras se enchem         invisivelmente. Soerguida se,
violncia, Psique        reconhece que um sopro tranqilo a transporta
suavemente.


Mais         leves que as nuvens, os graciosos meninos alados se
elevam docemente no ar e arrebatam Psique sem lhe         perturbarem o
sono tranqilo. Da a pouco Psique         desliza por um declive
insensvel at um profundo vale        situado abaixo dela, e v-se
sentada no meio de uma         relva coalhada de flores.


Deposta         sobre espessa e tenra relva que formava um fresco tapete
de verdura, ela olha em volta de si e percebe uma fonte
transparente como cristal, no meio de rvores altas e         copadas.
Perto das margens, ergue-se uma morada real no         construda por
mos mortais seno mediante arte que        s pode ser divina. Os muros
esto recobertos de         baixos-relevos de prata e os soalhos so de
mosaico de         pedras preciosas cortadas em mil pedacinhos e
combinadas         em variadas pinturas.

O         Palcio de Psique


Comovida         pelo encanto de to lindo lugar, Psique cria nimo a
ponto de ultrapassar o limiar, e, cedendo  atrao de         to
grande nmero de maravilhas, lana c e l         olhares de admirao.
Mas o que ao mesmo tempo a impressiona  a solido absoluta em que se
encontra.         Uma voz sada de um corpo invisvel lhe fere,
subitamente, os ouvidos: "Por que, soberana minha, vos admirais de to
grande opulncia? Tudo quanto vedes          vosso. Entrai nestes
aposentos, aguarda-vos um banho,         para refazerdes as foras, e o
banquete real que vos          destinado no se far esperar. Ns, cuja
voz estais    ouvindo, estamos s vossas ordens, e executaremos
atentamente as vossas ordens."


Psique         viu realmente um repasto magnificamente preparado.
Sentou-se, ento,  mesa, e diante dela se sucediam os         vinhos
mais deliciosos, as iguarias mais incomuns, mas         aparentemente
trazidas por um sopro, pois no distinguia        nenhum ser humano. Um
delicioso concerto a alegrou, mas         os cantores eram invisveis.
Admirada, e ao mesmo tempo,         assustada, pensando no esposo que
aguardava, cedeu, no         entanto,  fadiga e adormeceu sem que
ningum lhe        perturbasse o repouso. Quando desperta, ouve as
mesmas         vozes misteriosas que na vspera, e recebe os mesmos
cuidados de seres que no consegue distinguir. Vrios         dias
transcorrem sem que lhe seja dado ver alma viva. Se o esposo invisvel a
visitou foi com certeza quando         estava adormecida, pois ela nada
enxergou, e o amo do         palcio em que est lhe  to desconhecido
como os         criados que a servem.


A         borboleta, smbolo da alma, esvoaa sobre a cabea da
jovem sentada num cabeo de relva; o seu aspecto         ingnuo e algo
espantado se explica pela presena de Cupido  que, invisvel para ela,
lhe d um beijo         na testa.


No         entanto, o esposo existia, pois embora ela o no visse,
lhe ouvia a doce voz a preveni-la de um perigo que         correria.
"Psique, minha doce amiga, dizia a voz,         minha companheira
adorada, a sorte cruel te ameaa de um       terrvel perigo; tuas
irms, j turbadas com a idia         da tua morte, procuram-te, e no
tardaro em chegar a         este rochedo. No te comovas com os seus
falsos         queixumes, e no cedas aos perniciosos conselhos que
elas te derem para levar-te a me ver. E acrescentou que a
sacrlega curiosidade os separaria para sempre e a         mergulharia
num abismo de males. Psique agradeceu ao         marido os conselhos.
Alis, o tom daquela voz era to        penetrante que se sentia atrada
a ele por uma fora desconhecida. Assim, prometeu-lhe que obedeceria.


As         Irms de Psique


Entretanto,         Psique, lembrando-se do orculo de Apolo , tremia de
espanto, pensando que, apesar da         voz to doce, fosse o esposo
sem dvida um horrvel         monstro, visto que o temiam homens e
deuses. Estando a         devanear, ouviu de sbito, ao longe, vozes de
mulheres,         de mistura com gemidos e soluos, e, pouco depois,
escutando, reconheceu-as pelas de suas irms que a         choravam.
Comoveu-se, apesar de tudo, e, desejando     tranqilizar a famlia,
pediu mentalmente ao invisvel         marido permisso para dispor de
Zfiro.


As         duas irms foram ento arrebatadas como o fora Psique e
transportadas para o palcio. Aps os primeiros         abraos e
beijos, Psique, com insistncia de criana,         mostrou-lhes os
magnficos mveis, os deliciosos jardins, os terraos de onde se
descortinavam horizontes         sem fim. Tantas maravilhas s lograram
aumentar o cime         nutrido pelas duas irms havia tempo, e elas a
cobriram         de perguntas embaraadoras sobre o esposo que tanta
riqueza lhe proporcionava. A pobre Psique, que ainda no         o vira,
no pde satisfazer-lhes a indiscreta         curiosidade. Todos os dias
elas lhe pintavam o marido    como horrvel drago repulsivo. A infeliz
no         resistiu.

A         Gota de Azeite


Chegada         a noite, espera que todos estejam dormindo na casa.
Acende, ento, a sua lmpada, aproxima-se do leito e         reconhece o
filho de Vnus , perto         de quem esto o arco, a aljava e as
setas. Psique pega uma e fere levemente um dos dedos, inoculando, assim,
em         si prpria e em elevada dose de amor ao prprio Cupido . Mas
enquanto contempla com arrebatamento o         deus que lhe  esposo,
cai sobre o ombro de Cupido uma         gota de azeite. A partir de
ento, j Psique no tem         mais esposo, pois Cupido desaparece,
deixando-a no seu palcio solitrio.


Psique,         desesperada, corre  doida pelos campos e se precipita a
um rio de guas revoltas. Mas o rio no a quer, e as         ondas a
devolvem s e salva  margem. O deus P , que l se encontrava, lhe
revela as         impiedosas ordens que Cupido recebera de Vnus.



As         irms de Psique, desejosas de saber se o conselho fora
seguido, vo ao rochedo do qual Zfiro as arrebatara.         Quando o
vento comea a soprar, julgam que  o         mensageiro que vai
conduzi-las ao p da irm e, entregandose-lhe sem desconfiana, tombam
ao p do         rochedo onde foram encontradas no dia seguinte, mortas.
Zfiro, com efeito, no pde receber ordens de Cupido,        pois
Cupido est doente, e, vigiado no leito, ouve as         censuras de sua
me ultrajada: "Que lindo pai de         famlia no sereis! Dizia-lhe
Vnus. E eu, por minha         vez, no tenho idade e dignidade para que
me chamem de        vov?

Clera         de Vnus


Vnus         manda procurar Psique por toda a terra, e, na sua clera
cheia de cime, pergunta a si prpria que suplcio lhe         deve
infligir. No contente de mandar que a vergastem,         quer impor-lhe
trabalhos superiores s suas foras, e         ordena-lhe que v aos
infernos pedir a Prosrpina uma         caixa de beleza de que necessita
para o seu atavio.         Psique parte, certa de que nunca mais
voltar; mas no         caminho encontra uma velha torre que sabe falar
e lhe        ensina como deve proceder, recomendando-lhe bem, quando
estiver de posse da caixa, que no ceda  tentao de         uma
curiosidade que j lhe foi funesta uma vez.


Esclarecida         pela torre, Psique atravessa o rio das mortes na
barca de       Caronte, faz calar Crbero atirando-lhe um bolo com mel
e chega  presena de Prosrpina que lhe entrega a         caixa de
beleza exigida por Vnus. Quando volta          terra, Psique, sozinha,
e de posse da caixa cujo contedo conhece, comea a refletir. Por que
no h         de servir  prpria Psique essa beleza que o seu odioso
tirano a mandou procurar no meio de mil perigos? E se         roubasse
uma partezinha, quem sabe se no conseguiria        reconquistar o
marido desaparecido? Aps muita         hesitao, a caixa cede
finalmente ao esforo por ela         feito, mas em vez de beleza o que
sai  um vapor         sonfero e Psique, desmaiada, tomba com a face
voltada   para o cho. Perto dela, todavia, est um amigo, o
prprio Cupido, que, vigiado de perto no palcio de sua         me,
conseguiu, no obstante, escapar pela janela.         Desperta Psique
com a ponta de uma das suas setas e  pede-lhe que v  casa de sua me,
que ele se         incumbir do resto.

As         Npcias de Psique


Cupido         voa ao p do trono de Jpiter  que,         enternecido
pelas suas lgrimas, d a imortalidade a Psique e convida todos os
deuses para o banquete de         npcias.


Psique,         admitida ao seio dos imortais, torna-se inseparvel do
marido. O sentido da alegoria  fcil de compreender.         Psique  o
smbolo da alma: uma indiscreta curiosidade         a impeliu e ela
sofreu espantosas torturas. Mas,        purificada por uma srie de
provas de que saiu         vitoriosa, encontra a felicidade com a
imortalidade.


"A         fico do Amor e de Psique, rene em maravilhosa
aliana o gnio da forma, que lisonjeia os sentidos, e         o do
fundo que mergulha a alma num devaneio sem fim.         Eros, segurando
uma borboleta suspensa acima de um      archote , encarado
poeticamente, um perfeito emblema         dos tormentos do amor;
encarado no sentido dos         mistrios, esse emblema contm a idia
profunda e         salutar das manchas da matria e dos sofrimentos da
alma     purificada pelo fogo do impuro contato."

A         Alma Humana


Segundo         as crenas admitidas pelos filsofos, e que, de acordo
com alguns escritores, teriam sido objeto de ensino         especial nos
mistrios, as almas existem anteriormente         ao nascimento terreno,
e so atradas para a vida pela         volpia, ou se assim quisermos,
por Vnus . Giram em torno da terra, como as         borboletas em torno
da luz, e, quando chegam bem perto,         no podem mais afastar-se e
so condenadas  vida,      cuja imagem sedutora vem num espelho
mstico, to         freqentemente representado nas urnas fnebres.
Sofrem         a tentao de beber na taa da vida, na taa de Baco , e,
mal tocam com os lbios o licor         sagrado, se encarnam num corpo.
"A unio das almas         com os corpos mortais, diz Creuzer, se deve a
vrias      causas: diversos motivos as impelem para as esferas
inferiores. Algumas ali descem, porque ainda no tinham         descido
e so necessrias  manuteno da economia         do mundo. So as
almas novas ou novias. Outras voltam    aos corpos para expiarem culpas
anteriores. Outras,         enfim, cedem voluntariamente  sua
inclinao pela         terra. Tal inclinao provm de haverem elas
contemplado o espelho, o mesmo espelho em que se vira         Dionsio,
antes de criar as existncias individuais.         Mal vem a prpria
imagem, um desejo violento se         apodera de todas elas, e o que
almejam  descer e viver     individualmente. As almas, na sua sede de
existncia         individual, abandonam a morada celestial e partem em
busca de novos destinos. Uma vez que tenham bebido na         taa de
Liber-Pater, embriagadas, apaixonadas pela matria, perdem pouco a pouco
a recordao da origem.         E  tal esquecimento que as impele a
unir-se aos corpos.         As melhores dentre elas, temendo o
nascimento, evitam a         fatal beberagem cuja seduo as conduzir 
terra.         At entre as que no sabem resistir, h uma
diferena. As mais nobres bebem comedidamente,         prendem-se
fortemente ao Gnio tutelar que lhes   destinado para acompanh-las na
Terra, tm os olhos         fitos nele e obedecem-lhe  voz. Outras,
porm, no         so assim. Bebem a largos sorvos, e este mundo, que
no         passa de tenebrosa caverna, lhes parece belo. Acabam, pois,
de esquecer-se, fascinadas pelos atrativos, pelas         delcias da
gruta de Dionsio, smbolo do mundo         sensvel e das suas
voluptuosidades." (Creuzer).


"O         que chamamos vida, diz Ccero,  uma verdadeira morte.
A nossa alma s comea a viver quando, livres dos         entraves do
corpo, participa da eternidade e, de fato, as         antigas tradies
nos ensinam que a morte foi concedida         pelos deuses imortais,
como recompensa aos que eles amavam." (Ccero).


"Os         que choramos no nos foram tirados para sempre, e no
esto perdidos para ns; esto apenas distantes da         nossa vista e
do nosso contato por determinado tempo.         Assim, quando ns tambm
chegarmos ao termo que a        natureza nos prescreveu, voltaremos a
privar com         eles." (Ccero).
zzz

A         Primeira Gerao Divina

Tits

Oceano

Ciclope



De Urano a Crono


         primeira fase do Cosmo segue-se o que se poderia chamar
estgio intermedirio, em que rano (Cu) se         une a Gia (Terra),
de que procede numerosa descendncia: Tits, Titnidas, Ciclopes,
Hecatonquiros, alm dos que nasceram do sangue de rano         e de
todos os filhos destes e daqueles.


A         unio de rano e Gia  o que se denomina hierogamia ,
um casamento sagrado, cujo objetivo precpuo  a         fertilidade da
mulher, dos animais e da terra.  que, o         casamento sagrado,
"atualiza a comunho entre os         deuses e os homens; comunho, por
certo passageira, mas        com significativas conseqncias. Pois a
energia divina convergia diretamente sobre a cidade - em outras
palavras, sobre a "Terra" - santificava-a e lhe         garantia a
prosperidade e a felicidade para o ano que comeava". Essas hierogamias
se encontram em quase         todas as tradies religiosas. Simbolizam
no apenas         as possibilidades de unio com os deuses, mas tambm
unies de princpios divinos que provocam certas         hipstases. Uma
das mais clebres dessas unies  a         de Zeus  (o poder, a
autoridade) e Tmis (a         justia, a ordem eterna) que deu
nascimento a Eunomia (a         disciplina), Irene (a paz) e Dique (a
justia).


Curioso         que o casamento, instituio que preside 
transmisso da vida, aparece  muitas aureolado de um         culto que
exalta e exige a virgindade, simbolizando,         vezes assim, a divina
da vida, de que as unies do homem        e da mulher so apenas origem
projees,         receptculos, instrumentos e canais transitrios. No
Egito havia as esposas de Amon deus da fecundidade.         Eram
normalmente princesas, consagradas ao deus e , que         dedicavam sua
virgindade a essa teogamia. Em Roma, as Vestais, sacerdotisas de Vesta,
deusa da lareira         domstica, depois deusa da Terra, a Deusa Me,
se         caracterizavam por uma extrema exigncia de pureza.


Retornando          primeira gerao divina, temos, inicialmente, o
seguinte quadro:


rano   Gia


Tits : Oceano,         Ceos, Crio, Hiperon, Jpeto, Crono


Titnidas : Tia,         Ria, Tmis, Mnemsina, Febe, Ttis


Ciclopes : Arges,         Estrope, Brontes


Hecatonquiros :         Coto, Briaru, Gias

Tits


Em         grego (Titn),  aproximado, em etimologia popular, de
(ttaks), rei, e (titne), rainha, termos         possivelmente de
procedncia oriental: nesse caso, Tit         significaria "soberano,
rei". Carnoy prefere         admitir que os Tits tenham sido
primitivamente deuses         solares e seu nome se explicaria pelo
"pelgico" tita , brilho, luz. A         primeira hiptese parece mais
clara e adequada s    funes dos violentos Tits no mito grego. Os
Tits         simbolizam, "as foras brutas da terra e, por
conseguinte, os desejos terrestres em atitude de revolta         contra
o esprito", isto , contra Zeus.         Juntamente com os Ciclopes, os
Gigantes e os         Hecatonquiros representam eles as manifestaes
elementares, as foras selvagens e insubmisso da         natureza
nascente, prefigurando a primeira etapa da         gestao evolutiva.
Ambiciosos, revoltados e         indomveis, adversrios tenazes do
esprito         consciente, patenteado em Zeus, no simbolizam apenas
as         foras brutas da natureza, mas, lutando contra o
esprito, exprimem a oposio  espiritualizao harmonizante. Sua meta
 a dominao, o despotismo.

Oceano


Em         grego (Okeans), sem etimologia ainda bem definida. 
possvel que se trate de palavra oriental com o sentido         de
"circular, envolver". Parece que Oceano era         concebido, a
princpio, como um rio-serpente, que        cercava e envolvia a terra.
Pelo menos esta  a idia         que do mesmo faziam os sumrios,
segundo os quais a         Terra estava sentada sobre o Oceano, o
rio-serpente. No         mito grego, Oceano  a personificao da gua
que      rodeia o mundo:  representado como um rio, o
Rio-Oceano, que corre em torno da esfera achatada da         terra, como
diz squilo em Prometeu Acorrentado: Oceano,         cujo curso,
sem jamais dormir, gira ao redor da Terra imensa .


Quando,         mais tarde, os conhecimentos geogrficos se tornaram
mais precisos, Oceano passou a designar o Oceano         Atlntico, o
limite ocidental do mundo antigo.         Representa o poder masculino,
assim como Ttis, sua      irm e esposa, simboliza o poder e a
fecundidade         feminina do mar. Como deus, Oceano  o pai de todos
os         rios, que, segundo a Teogonia , so mais de trs         mil,
bem como das quarenta e uma Ocenidas, que    personificam os riachos,
as fontes e as nascentes. Unidas         a deuses e, por vezes, a
simples mortais, so         responsveis por numerosa descendncia.



O         em razo mesmo de sua vastido, aparentemente sem
limites,  a imagem Oceano, da indistino e da         indeterminao
primordial.


De         outro lado, o simbolismo do Oceano se une ao da gua,
considerada como origem da vida. Na mitologia egpcia, o
nascimento da Terra e da vida era concebido como uma         emergncia
do Oceano,  imagem e semelhana dos        montculos lodosos que
cobrem o Nilo, quando de sua         baixa. Assim, a criao, inclusive
a dos deuses,         emergiu das guas primordiais. O deus primevo era
chamado  a Terra que emerge . Afinal, as guas,         "simbolizam a
soma de todas as virtualidades: so a        fonte, a origem e o
reservatrio de todas as         possibilidades de existncia. Precedem
a todas as formas         e suportam toda a criao".


Oceano         e suas filhas, as Ocenidas, surgem na literatura grega
como personagens da gigantesca tragdia de squilo, Prometeu
Acorrentado . Oceano, apesar de personagem secundria         na pea,
um mero tritagonista,  finalmente marcado por         squilo: tmido,
medroso e conciliador, est sempre        disposto a ceder diante do
poderio e da arrogncia de         Zeus. Com o carter fraco de seu pai
contrastam as         Ocenidas, que formam o coro da pea: preferem ser
sepultadas com Prometeu  a         sujeitar-se  prepotncia do pai dos
deuses e dos         homens.


Mesmo         quando os Tits, aps a mutilao de rano, se
apossaram do mundo, Oceano resolveu no participar das         lutas que
se seguiram, permanecendo sempre  parte como         observador atento
dos fatos...


Dada         a pouca ou nenhuma importncia dos Tits Ceos, Crio e
Hiperon no mito grego, a no ser por seus casamentos,         filhos e
descendentes, vamos diretamente a Crono.

Ciclope


Em         grego (Kklops), "olho redondo", pois os         Ciclopes
eram concebidos como seres monstruosos com um         olho s no meio da
fronte. Demnios das tempestades, os         trs mais antigos so
chamados, por isso mesmo, Brontes ,         o trovo, Estropes , o
relmpago, e Arges ,         o raio.


Os         mitgrafos distinguem trs espcies de Ciclopes: os Urnios
(filhos de rano e Gia), os Sicilianos ,         companheiros de
Polifemo, como aparece na Odissia         de Homero e os Construtores .
Os primeiros,         Brontes, Estropes e Arges so os urnios.
Encadeados       pelo pai, foram, a pedido de Gia, libertados por
Crono,         mas por pouco tempo. Temendo-os, este os lanou
novamente no Trtaro, at que, advertido por um         orculo de Gia
de que no poderia vencer os Tits         sem o concurso dos Ciclopes,
Zeus os libertou         definitivamente. Estes, agradecidos, deram-lhe
o trovo,         o relmpago e o raio. A Pluto ou Hades ofereceram um
capacete que podia torn-lo invisvel e a Posdon, o         tridente.
Foi assim, que os Olmpicos conseguiram         derrotar os Tits.



A         partir de ento tornaram-se eles os artfices dos raios
de Zeus.


Como         o mdico Asclpio, filho de Apolo , fizesse         tais
progressos em sua arte, que chegou mesmo a ressuscitar vrios mortos,
Zeus, temendo que a ordem do         mundo fosse transtornada,
fulminou-o. Apolo, no podendo         vingar-se de Zeus, matou os
Ciclopes, fabricantes do        raio, que eliminaria o deus da medicina.



O         segundo de Ciclopes, impropriamente denominados
sicilianos, tendem a confundir-se com aqueles de que fala         Homero
na Odissia . Estes eram selvagens,         gigantescos, dotados de uma
fora descomunal e        antropfagos. Viviam perto de Npoles, nos
chamados         campos de Flegra. Moravam em cavernas e os nicos bens
que possuam eram seus rebanhos de carneiros. Dentre         esses
Ciclopes destaca-se Polifemo , imortalizado         pelo cantor de
Ulisses e depois, na poca clssica,    pelo drama satrico de
Eurpedes, o Ciclope , o         nico que chegou completo at ns.



Na         poca alexandrina, os Ciclopes "homricos"
transformaram-se em demnios subalternos, ferreiros e         artfices
de todas as armas dos deuses, mas sempre sob a         direo de
Efesto, o deus por excelncia das forjas.       Habitavam a Siclia,
onde possuam uma oficina         subterrnea. De antropfagos se
transmutaram na erudita         poesia alexandrina em frgeis seres
humanos, mordidos         por Eros .


A         terceira leva de Ciclopes proviria da Lcia. A eles era
atribuda a construo de grandes monumentos da poca
pr-histrica, formados de gigantescos blocos de pedra,         cujo
transporte desafiava as foras humanas. Ciclopes        pacficos, esses
Gigantes se colocaram a servio de         heris lendrios, como Preto,
na fortificao de         Tirinto, e Perseu , na construo da
fortaleza de Micenas.
zzz

A Segunda         Gerao Divina:

Crono e sua descendncia

[Hstia]  Hstia

[Hera]         Hera




Consumada         a mutilao de rano e seu afastamento do governo do
mundo, Crono, tendo lanado no Trtaro os Ciclopes e os
Hecatonquiros, apoderou-se do poder, casando-se com sua         Irm
Ria. Desse enlace nasceram Hstia, Hera,        Demter, Hades, Posdon
e Zeus.


Crono



Ria


Hstia

Hera

Demter

Hades

Posdon

[Zeus]




Hstia


Hstia ,         deusa da lareira . Da mesma famlia etimolgica
que o latim Vesta  (Vesta), cuja fonte  o         indo-europeu wes ,
"queimar",         "passar pelo fogo, consumir". Hstia  a
lareira em sentido estritamente religioso ou, mais         precisamente,
 a personificao da lareira         colocada no centro do altar;
depois, sucessivamente, da lareira         localizada no meio da
habitao, da lareira  da         cidade, da lareira  da Grcia; da
lareira         como fogo central da terra; enfim, da lareira  do
universo. E, embora Homero lhe ignore o nome, Hstia certamente prolonga
um culto pr-helnico do lar.


Se         bem que muito cortejada por Apolo  e Posdon , obteve de Zeus
a         prerrogativa de guardar para sempre a virgindade. Foi
ininterruptamente cumulada de honras excepcionais, no         s por
parte de seu irmo caula, mas de todas as         divindades,
tornando-se a nica deusa a receber um culto      em todas as casas dos
homens e nos templos de todos os         deuses. Enquanto os outros
Imortais viviam num vaivm         constante, Hstia manteve-se
sedentria, imvel no         Olimpo. Assim como o fogo domstico  o
centro religioso do lar dos homens, Hstia  o centro         religioso
do lar dos deuses. Essa imobilidade, todavia,         fez que a deusa da
lareira no desempenhasse papel algum   no mito. Hstia permaneceu
sempre mais como um         princpio abstrato, a Idia da lareira , do
que como uma divindade pessoal, o que         explica no ser a grande
deusa necessariamente         representada por imagem, uma vez que o
fogo  era suficiente para simboliz-la.


Personificao         do fogo sagrado, a deusa preside  concluso de
qualquer ato ou acontecimento. vida de pureza, ela         assegura a
vida nutriente, sem ser ela prpria         fecundante.  preciso
observar, alm do mais, que toda        realizao, toda prosperidade,
toda vitria so         colocadas sob o signo desta pureza absoluta.
Hstia,         como Vesta e suas dez Vestais, talvez simbolizem o
sacrifcio permanente, atravs do qual uma perptua         inocncia
serve de elemento substitutivo ou at mesmo         de respaldo s
faltas perptuas dos homens,         granjeando-lhes xito e proteo.



Quanto         ao fogo  propriamente dito, a maior parte dos
aspectos de seu simbolismo ser sintetizada no         hindusmo, que
lhe confere uma importncia fundamental. Agni ,  Indra  e Srya  so as
"chamas" do nvel         telrico, do intermedirio e celestial, quer
dizer, o         fogo comum, o raio e o sol. Existem ainda dois outros:
o         fogo da penetrao ou absoro ( Vaishvanara ) e         o da
destruio, que  um outro aspecto do prprio Agni .


Consoante         o I Ching, o fogo correspondente ao sul,  cor
vermelha,    ao vero, ao corao, uma vez que ele, sob este
ltimo aspecto, ora simboliza as paixes,         particularmente o amor
e o dio, ora configura o esprito ou o conhecimento intuitivo. A
significao         sobrenatural se estende das almas errantes, o
fogo-ftuo, at o Esprito divino: Brahma          idntico ao fogo
(Gt, 4,25).


O         simbolismo das chamas purificadoras e regeneradoras se
desdobra do Ocidente aos confins do Oriente. A liturgia         catlica
do fogo         novo   celebrada na noite         de Pscoa. O divino
Esprito Santo desceu sobre os        Apstolos sob a forma de lnguas
de fogo . Tanto         no Antigo quanto no Novo Testamento, o fogo 
elemento que purifica e limpa, tornando-se, destarte, o veculo
que separa o puro do impuro, destruindo eventualmente         este
ltimo. Por isso mesmo, o fogo  apresentado como         instrumento de
punio e juzo de Deus (Sl 50,3; Mc         9,49; Tg 5,3; Ap 8,9).
Cristo fala de um fogo que no se         apagar (Mt 5,32; 18,8;
25,41). Deus ser como um fogo         distinguindo o bom do menos bom
(Sl 17,3; 1Cor 3,15). Sua         fora, que tudo penetra, purifica
tambm: nesse sentido         que o batismo de Jesus havia de agir como
fogo (Mt         3,11).


Os         taostas penetram nas chamas para se liberar do
condicionamento humano, uma verdadeira apoteose, como a         de
Hracles , que, para se despir do invlucro mortal,         subiu a uma
fogueira no monte Eta. Mas h os que, como         os mesmos taostas,
entram nas chamas sem se queimar, o         que faz lembrar o fogo que
no queima  do         hermetismo ocidental, abluo , purificao
alqumica , fogo este que  simbolizado pela Salamandra .


O         fogo sacrificial do hindusmo  substitudo por Buda
pelo fogo interior, que  simultaneamente conhecimento
penetrante, iluminao e destruio do invlucro         carnal. O
aspecto destruidor do fogo comporta igualmente       uma relao
negativa e o domnio do fogo  tambm         uma funo diablica.
Observe-se, a propsito, a         forja: seu fogo , ao mesmo tempo,
celeste e        subterrneo, instrumento de demiurgo e de demnio. A
grande queda de nvel  a de Lcifer , "o         que leva a luz
celeste", precipitado nas fornalhas         do inferno: um fogo que
brilha sem consumir, mas exclui         para sempre toda e qualquer
possibilidade de         regenerao.


Em         muitas culturas primitivas, os inumerveis ritos de
purificao, as mais das vezes, ritos de passagem, so
caractersticos de culturas agrrias. Configuram         certamente os
incndios dos campos, que se revestem, em    seguida, de um tapete verde
de natureza viva. Entre os         gauleses, os sacerdotes druidas
faziam grandes fogarus         e por eles faziam passar o rebanho para
preserv-lo de         epidemias. O grande poltico e excepcional
escritor Caio        Jlio Csar (100-44 a.C.) nos fala, no B. Gal., 6,
16,         9, de gigantescos manequins, confeccionados de vime, que
os mesmos druidas enchiam de homens e animais e         transformavam em
fogueira.


O Fogo , nos ritos iniciticos de morte e         renascimento ,
associa-se a seu princpio contrrio,         a gua . Os chamados
Gmeos de Popol-Vuh do mito         maia, aps sua incinerao, renascem
de um rio, onde         suas cinzas foram lanadas.


Mais         tarde, os dois heris tornam-se o novo Sol e a nova Lua,
Maia-Quich, efetuando uma nova diferenciao dos         princpios
antagnicos, fogo e gua, que lhes         presidiram  morte e ao
renascimento. Desse modo, a purificao pelo fogo  complementar da
purificao         pela gua, tanto num plano microcsmico (ritos
iniciticos), quanto num aspecto macrocsmico (mitos alternados de
dilvios, grandes secas ou incndios).         Para os astecas, o fogo
terrestre, ctnio, representa a         fora profunda que permite a
complexio oppositorum ,         a unio dos contrrios, a ascenso, a
sublimao da         gua em nuvens, isto , a transformao da gua
terrestre, gua impura, em gua celestial, gua pura e         divina. O
fogo , pois, o motor, o grande responsvel   pela regenerao
peridica. Para os bambaras o fogo         ctnio configura a sabedoria
humana e o urnico, a         sabedoria divina.


Quanto          significao sexual do fogo,  preciso observar que ela
est intimamente ligada  primeira tcnica de         obteno do mesmo
pela frico, pelo atrito, pelo         vaivm, imagem do ato sexual,
enquanto a espiritualizao do fogo estaria ligada  aquisio
do mesmo pela percusso. Mircea Eliade chega  mesma         concluso e
opina que a obteno do fogo pelo atrito     tida como o resultado, a
"progenitura" de         uma unio sexual, mas acentua, de qualquer
forma, o         carter ambivalente do fogo: pode ser tanto de origem
divina quanto demonaca, porque, segundo certas crenas arcaicas, o fogo
tem origem nos rgos genitais das         feiticeiras e das bruxas.



Em         sntese, o fogo que queima e consome  um smbolo de
purificao e regenerao, mas o  igualmente de         destruio.
Temos a nova inverso do smbolo.         Purificadora e regeneradora a
gua tambm o . Mas o  fogo se distingue da gua na medida em que ele
configura         a purificao pela compreenso, at sua forma mais
espiritual, pela luz da verdade; a gua simboliza a         purificao
do desejo at sua forma mais sublime, a      bondade.


Hera


Hera ,         nome de etimologia controvertida. Talvez seja da mesma
famlia etimolgica que (Hros), heri, como         designativo dos
mortos divinizados e protetores e, nesse         caso, Hera
significaria a protetora, a guardi.         A base seria o indo-europeu
serua , da raiz ser- ,         "guardar", donde o latim seruare ,
"conservar, velar sobre".


Como         todas as suas irms e irmos, exceto Zeus , foi engolida
por Crono, mas salva pelo         embuste de Mtis e os combates
vitoriosos de seu futuro         esposo.


Durante         todo o tempo em que Zeus lutava contra os Tits, Ria
entregou-a aos cuidados de Oceano  e Ttis, que a criaram nas
extremidades do         mundo, o que ir provocar para sempre a gratido
da         filha de Crono . Existem outras tradies que lhe
atribuem a educao s Horas, ao heri Tmeno, filho         de Pelasgo,
ou ainda s filhas de Astrion, rei de  Creta. Aps seu triunfo
definitivo, Zeus a desposou, em         npcias solenssimas. Era, na
expresso de Hesodo, a         terceira esposa (a primeira foi Mtis e
a segunda,         Tmis),  qual o deus se uniu em "justas
npcias". Conta-se, todavia, que Zeus e Hera se         amavam h muito
tempo e que se haviam unido        secretamente, quando o deus Crono
ainda reinava sobre os         Tits. O local, onde se realizaram essas
"justas         npcias" varia muito, consoante as tradies. A
mais antiga e a mais "cannica" dessas variantes coloca-as no Jardim das
Hesprides, que , em         si mesmo, o smbolo mtico da fecundidade,
no seio de         uma eterna primavera. Os mitgrafos sempre
acentuaram,        alis, que os pomos de ouro do Jardim das Hesprides
foram o presente de npcias que Gia ofereceu a Hera e         esta os
achou to belos, que os plantou em "seu         Jardim", nas
extremidades do Oceano. Homero, na Ilada ,         desloca o casamento
divino do Jardim das Hesprides para         os pncaros do monte Ida,
na Frgia. Outras tradies         fazem-no realizar-se na Eubia, por
onde o casal passou,         quando veio de Creta. Em diversas regies
da Grcia,        alm disso, celebravam-se festas para comemorar as
bodas sagradas do par divino do Olimpo. Ornamentava-se a         esttua
da deusa com a indumentria de uma jovem noiva         e conduziam-na em
procisso pela cidade at um   santurio, onde era preparado um leito
nupcial. O         idealizador de tal cerimnia teria sido o heri
becio         Alalcmenes (Alalcmenes  um heri da Becia,
fundador da cidade do mesmo nome. Atribui-se a ele a         inveno
das hierogamias de Zeus e Hera, isto ,         cerimnias religiosas em
que se re-atualizava  o         casamento dos dois. Conta-se que Hera,
constantemente enganada por Zeus e cansada das infidelidades do esposo,
veio at Alalcmenes queixar-se do marido. O heri         aconselhou-a
a que mandasse executar uma esttua dela        mesma, mas confeccionada
de carvalho (rvore consagrada         a Zeus), e fizesse transport-la
solene e ricamente         paramentada, seguida de grande cortejo, como
se fosse uma         verdadeira procisso nupcial. A deusa assim o fez,
instituindo uma festa denominada Festas Dedleas.         Segundo a
crena popular, este rito re-atualizava ,         rejuvenescia  a unio
divina e conferia-lhe         eficcia por magia simptica, pondo um
freio, ao menos         temporrio, s infidelidades do marido...).



Como         legtima esposa do pai dos deuses e dos homens, Hera 
a protetora das esposas, do amor legtimo. A deusa, no         entanto,
sempre foi retratada como ciumenta, vingativa e         violenta.
Continuamente irritada contra o marido, por         suas infidelidades,
moveu perseguio tenaz contra suas amantes e filhos adulterinos.
Hracles  foi uma de suas vtimas prediletas. Foi         ela a
responsvel pela imposio ao heri dos         clebres Doze
Trabalhos . Perseguiu-o,         sem trguas, at a apoteose final do
filho de Alcmena.       Por causa de Hracles, alis, Zeus , certa
vez a puniu exemplarmente. Quando o heri regressava de Tria , aps
tom-la, Hera suscitou contra seu         navio uma violenta tempestade.
Irritado, Zeus suspendeu-a         de uma nuvem, de cabea para baixo,
amarrada com uma         corrente de ouro e uma bigorna em cada p. Foi
por tentar libertar a me de to incmoda posio, que         Hefesto
foi lanado no vazio pelo pai. Perseguiu         implacavelmente Io,
mesmo metamorfoseada em vaca,       lanando contra ela um moscardo, que
a deixava como         louca. Mandou que os Curetes, demnios do cortejo
de         Zeus, fizessem desaparecer pafo, filho de sua rival Io.
Provocou a morte trgica de Smele, que estava grvida        de Zeus.
Tentou quanto pde impedir o nacimento de Apolo  e rtemis, filhos de
seu esposo com Leto.         Enlouqueceu tamas e Ino, por terem criado
a Dionso , filho de Smele. Aconselhou rtemis a         matar a ninfa
Calisto, que Zeus seduzira, disfarando-se         na prpria rtemis ou
em Apolo, segundo outros, porque         a ninfa, por ser do cortejo de
rtemis, tinha que guardar a todo custo sua virgindade. Zeus, depois, a
transformou na constelao da Ursa Maior, porque,         conforme
algumas fontes, rtemis, ao v-la grvida, a         metamorfoseou em
ursa e a liquidou a flechadas. Outros afirmam que tal metamorfose se
deveu  clera de Hera         ou a uma precauo do prprio Zeus, para
subtra-la          vingana da esposa.


Para         escapar da vigilncia atenta de Hera, Zeus no s se
transformava de todas as maneiras, em cisne, em touro, em         chuva
de ouro, no marido da mulher amada, mas ainda         disfarava, a quem
desejava poupar da ira da mulher: Io         o foi em vaca; Dioniso, em
touro ou bode... De resto, o relacionamento entre os esposos celestes
jamais foi muito         normal e a clera e vingana da filha de Crono
se         apoiavam em outros motivos. Certa vez, Hera discutia com
o marido para saber quem conseguia usufruir de maior         prazer no
amor, se o homem ou a mulher. Como no         conseguissem chegar a uma
concluso, porque Zeus dizia         ser a mulher a favorecida, enquanto
Hera achava que era o         homem, resolveram consultar Tirsias, que
tivera sucessivamente a experincia dos dois sexos. Este
respondeu que o prazer da mulher estava na proporo de         dez para
um relativamente ao do homem. Furiosa com a      verdade, Hera
prontamente o cegou.


Tomou         parte, como se sabe, no clebre concurso de beleza e
teve por rivais a Aten  e Afrodite , e cujo juiz era o troiano Pris.
Tentou,         para vencer, subornar o filho de Pramo, oferecendo-lhe
riquezas e a realeza universal.


Como         Pris houvesse outorgado a maa de ouro a Afrodite, que lhe
ofereceu amor, Hera fez pesar sua clera contra         lion, tendo
tomado decisivamente o partido dos gregos.         Seu dio, por sinal,
se manifestou desde o rapto de        Helena por Pris. Quando da fuga
do casal, de Esparta         para Tria , a magoada esposa de Zeus
suscitou contra         os amantes uma grande borrasca, que os lanou em
Sdon,         nas costas da Sria. Tornou-se, alm do mais, a
protetora natural do heri grego Aquiles, cuja me Ttis  fora por ela
criada. Conta-se, alm do         mais, que era grata a Ttis, porque
esta sempre repeliu         as investidas amorosas de Zeus. Mais tarde,
estendeu sua         proteo a Menelau, tornando-o imortal. Participou
da         luta contra os Gigantes, tendo repelido as pretenses
pouco decorosas de Porfrio.


Ixon,         rei dos Lpitas, tentou seduz-la, mas acabou
envolvendo em seus braos uma nuvem, que Zeus         confeccionara 
semelhana da esposa. Dessa         "unio" nasceram os Centauros. Para
castig-lo, Zeus f-lo alimentar-se de ambrosia, o         manjar da
imortalidade, e depois lanou-o no Trtaro.         L est ele girando
para sempre numa roda de fogo. Protegeu o navio Argo, fazendo-o transpor
as perigosas         Rochas Cineas, as Rochas Azuis, e guiou-o no
estreito         fatdico entre Cila e Caribdes.


Sua         ave predileta era o pavo, cuja plumagem passava por ter
os cem olhos com que o vigilante Argos guardava sua         rival, a
"vaca" Io. Eram-lhe tambm         consagrados o lrio e a rom: o
primeiro, alm de smbolo da pureza, o  tambm da fecundidade, como a
rom.


Pelo         fato de ser esposa de Zeus , Hera         possui alguns
atributos soberanos, que a distinguem das outras imortais, suas irms.
Como seu divino esposo,         exerce uma ao poderosa sobre os
fenmenos celestes.         Honrada como ele nas alturas, onde se formam
as borrascas        e se amontoam as nuvens, que derramam as chuvas
benfazejas, ela pode desencadear as tempestades e         comandar os
astros que adornam a abbada celeste. A         unio de Zeus e Hera 
como um smbolo da natureza         inteira.  por intermdio de ambos,
do calor, dos raios         do sol e das chuvas, que penetram o solo,
que a terra          fecundada e se reveste de luxuriante vegetao.
Ainda        como Zeus, Hera personifica certos atributos morais, como
o poder, a justia, a bondade. Protetora inconteste dos         amores
legtimos,  o smbolo da fidelidade conjugal.         Associada 
soberania do pai dos deuses e dos homens,          respeitada pelo
Olimpo inteiro, que a sada como sua         rainha e senhora.  verdade
que, por vezes, uma rainha         irascvel e altiva, mas que jamais
deixou de ser, em         seus rompantes ou em sua majestade serena, a
grande        divindade feminina do Olimpo grego, cujo grande deus
masculino  Zeus.
zzz


Deuses         Gregos e Romanos




A         mitologia grega  bastante rica em termos de contos e
explicaes da origem do mundo, a tudo atribuindo os         poderes dos
deuses gregos, que segundo a crena geral,         moravam no Monte
Olimpo.


Dizem         as lendas gregas que, no princpio, havia somente o grande
Caos, do qual surgiram os Velhos Deuses, ou         Tits, dirigidos
pelo deus Cronos (Tempo). Zeus era um         filho de Cronos e chefiou
a rebelio da nova gerao        dos deuses - chamados Deuses Olmpicos
- que dominaram a         Grcia em toda a sua poca clssica. Os
principais         deuses olmpicos so:





        Zeus


         o deus principal, governante do Monte Olimpo. Rei dos
deuses e dos homens, era o sexto filho de Cronos. Como         seus
irmos, deveria ser comido pelo pai, mas a me deu         uma beberagem
a Cronos e este vomitou novamente o filho;         este e seus irmos,
tambm vomitados na mesma hora, uniram-se contra o pai, roubaram os
raios e venceram a         batalha. Os raios, fabricados pelo deus
Hefaistos, eram o         smbolo de Zeus.

Zeus  para os gregos e  Jpiter  para os romanos.
        Palas Atena ou         Atenia


Deusa         virgem, padroeira das artes domsticas, da sabedoria e
da guerra. Palas nasceu j adulta, na ocasio em que         Zeus teve
uma forte dor de cabea e mandou que         Hefaistos, o deus ferreiro,
lhe desse uma machadada na         fronte; da saiu Palas Atena. Sob a
proteo dessa         deusa floresceu Atenas, em sua poca urea.
Dizia-se         que ganhou a devoo dos atenienses quando presenteou a
humanidade com a oliveira, rvore principal da Grcia.

Palas  para os gregos e Minerva         para os romanos.



Apolo


Deus         do sol e patrono da verdade, da msica, da medicina e
pai da profecia. Filho de Zeus, fundou o orculo de         Delfos, que
dava conselhos aos gregos atravs da         Pitonisa, sacerdotiza de
Apolo que entrava em transe        devido aos vapores vindos das
profundezas da terra.

Apolo         para os gregos
        rtemis


A         Diana dos romanos, era a deusa-virgem da lua, irm
gmea de Apolo, poderosa caadora e protetora das         cidades, dos
animais e das mulheres. Na Ilada de         Homero, desempenhou
importante papel na Guerra de Tria,    ao lado dos troianos.

rtemis         para os gregos e Diana  para os romanos.

        Afrodite


Deusa         do amor e da beleza, era esposa de Hefaistos e amante de
Ares, a quem deu vrios filhos (entre eles Fobos = Medo,         e Demos
= Terror). Afrodite era tambm me de Eros.

Afrodite         para os gregos e Vnus  para os romanos.

        Hera


Esposa         de Zeus, protetora do casamento, das mulheres casadas,
das crianas e dos lares. Era tambm irm de Zeus, uma         das
filhas vomitada por Cronos.

Hera  para os gregos e Juno  para os romanos.
        Dmeter


Era         a deusa das colheitas, dispensadora dos cereais e dos
frutos. Quando Hades, deus do inferno, levou sua filha         Persfone
como sua esposa, negou seus poderes  terra,         e esta parou de
produzir alimentos; a soluo de Zeus         foi que Persfone passaria
um tero do ano no inferno, com seu marido, e o restante do tempo com
sua me, no         Olimpo. Dessa forma, Dmeter abrandou sua ira e
tornou a         florescer nas colheitas.

Dmeter  para os gregos e Ceres para os romanos.
        Hermes


Filho         de Zeus e mensageiro dos mortais, era tambm protetor
dos rebanhos e do gado, dos ladres, era guardio dos         viajantes
e protetor dos oradores e escritores.

Hermes  para os gregos e  Mercrio  para os romanos.
        Poseidon


         o deus do mar e dos terremotos, foi quem deu os cavalos
para os homens. Apesar disso, era considerado um deus
traioeiro, pois os gregos no confiavam nos caprichos         do mar.


Poseidon  para os gregos e Netuno  para os romanos.
        Dionsio


Era         o deus do vinho e da fertilidade. Filho de Zeus e uma
mortal, foi alvo do cime de Hera, que matou sua me e
transtornou o seu juzo. Assim, Dionsio vagueava pela         terra,
rodeado de stiros e mnades. Era o smbolo da         vida dissoluta.


Dionsio         para os gregos e Baco  para os romanos.

        Ares


O         deus guerreiro por excelncia. Seu smbolo era o
abutre. Seus pais, Zeus e Hera, detestavam-no, mas era         protegido
por Hades, pois povoava o inferno com as         numerosas guerras que
provocava. Sua vida estava longe de         ser exemplar - foi
surpreendido em adultrio com         Afrodite, esposa de Hefaistos, que
os prendeu em fina         rede; foi ferido por trs vezes por Hracles
(Hrcules). Era muito respeitado pelos gregos por sua fora e
temperamento agressivo.

Ares  para os gregos e  Marte  para os romanos.


Hefaistos ou Hefesto


Deus         ferreiro, do fogo e dos artfices. Filho de Zeus e Hera,
foi lanado do Olimpo por sua me, desgostosa por ter         um filho
coxo. Refugiou-se nas profundezas da terra,         aprendendo com
perfeio o ofcio de ferreiro. De suas         forjas saram muitas
maravilhas, inclusive a primeira mulher mortal, Pandora, que recebeu
vida dos deuses.         Construiu no Olimpo um magnfico palcio de
bronze para         si prprio, e era estimado em Atenas. Para
compens-lo        de sua feira, seu pai deu-lhe por esposa Afrodite, a
deusa da beleza. Era arteso dos raios de Zeus.

Hefaistos  para os gregos e Vulcano  para os romanos.



Alm         desses deuses, que junto a muitos outros pululavam no
Olimpo, havia heris (filhos de deusas ou deuses com         mortais),
semideuses, faunos, stiros e uma infinidade         de entidades
mitolgicas que explicavam por lendas todos         os fenmenos da
natureza. Entre os heris mais         populares, podemos citar:



Io  []  amada por Zeus, que a transformou         em novilha para
escond-la da ciumenta Hera.


Deucalio e Pirra  []  nicos         sobreviventes do dilvio que Zeus
mandou ao mundo pervertido.


Hracles  []  ou Hrcules,         autor dos famosos Doze Trabalhos; era
filho de Zeus e da       moratal Alcmena.


dipo []  que matou a         esfinge e casou-se com sua prpria me.



Perseu  []  que matou a         Medusa, uma das Grgonas, e libertou a
princesa Andrmeda da serpente marinha.


Cadmo []  que matou um         drago e no local fundou a cidade de
Tebas.


Europa  []  irm de Cadmo,         foi amada por Zeus que lhe apareceu
sob a forma de um      touro e, em suas costas, atravessou o mar.



Jaso  []  chefe dos         Argonautas, equipe de heris - Hracles,
Orfeu, Castor  e Plux, e outros - que navegou no navio         "Argos"
em busca do Velocino de Ouro.


Teseu []  que penetrou o         labirinto de Creta e matou o Minotauro,
acabando por     unificar a tica.


Atalanta  []  mulher aventurosa         que se casou com o ardiloso
Hipomenes.


Belerofonte  []  que matou o         monstro Quimera e domou o cavalo
alado, Pgaso.


Os heris de Tria [] Aquiles, Heitor, jax, Agamnon,         Ulisses -
autor da idia do cavalo de Tria - e outros.
zzz


        A         Grcia e a Chegada dos Indo-Europeus




Por         uma questo de clareza, no se pode falar do mito grego
sem antes traar, embora esquematicamente, um esboo         histrico
do que era a Grcia antes da Grcia, isto         , antes da chegada
dos Indo-Europeus ao territrio de         Hlade.


Vamos         estampar, de incio, como j o fizera Pierre Lveque,
um quadro, um sistema cronolgico, com datas         arredondadas,
sujeitas portanto a uma certa margem de         erros. A finalidade dos
dados cronolgicos, que se    seguem,  apenas de orientar e chamar a
ateno para o         "estado religioso" da Hlade pr-helnica e
ver at onde o antes  influenciou o aps  no         curso da mitologia
grega.









[A Grcia e a Chegada dos Indo-Europeus]


        Neoltico I             ~ 4500-3000
        Neoltico II            ~ 3000-2600
Bronze Antigo ou Heldico Antigo                ~ 2600-1950

Primeiras Invases Gregas (Jnios)         na Grcia
~ 1950
        Bronze Mdio ou Heldico Mdio          ~ 1950-1580
Novas Invases Gregas (Aqueus e         Elios?)
~ 1580
Bronze Recente ou Heldico Recente         ou Perodo Micnico
        ~ 1580-1100
ltimas         Invases Gregas (Drios)                ~ 1200





[A Grcia e a Chegada dos Indo-Europeus]








Se         os restos paleolticos so muito escassos e de pouca
importncia, no Neoltico I o solo grego  coberto por         uma srie
de "construes", obra, ao que         parece, de populaes oriundas do
Oriente Prximo asitico. A transio do Neoltico I para o
Neoltico II  marcada, na Grcia, pela invaso de         povos, cuja
origem no se pode determinar com segurana. O stio neoltico mais bem
conhecido  Dimini , na Tesslia, e que corresponde ao         Neoltico
II. Trata-se de uma acrpole, de uma cidade         fortificada, fato
raro para a poca. O reduto central     contm um mgaron , ou grande
sala, o que revelaria uma         organizao monrquica. Trata-se, e 
isto que         importa, de uma civilizao agrcola. O homem cuida
dos rebanhos e a mulher se encarrega da agricultura, o         que
patenteia a crena de que a fecundidade feminina         exerce uma
grande e benfica influncia sobre a         fertilidade das plantas. A
divindade soberana do Neoltico II, na Grcia,  a Terra-Me , a Grande
Me , cujas estatuetas, muito semelhantes s         cretenses,
representam deusas de formas volumosas e esteatopgicas . A funo
dessas divindades, hipstases  da Terra-Me,  fertilizar o solo e
tornar fecundos os rebanhos e os seres humanos.


Na         virada do Neoltico II para o Bronze Antigo ou Heldico
Antigo, ~2600-1950, chegam  Grcia novos e numerosos         invasores,
provenientes da Anatlia, na sia Menor.         Cortejando a
civilizao anterior com o progresso        trazido pelos anatlios, o
mnimo que se pode dizer          que se trata de uma grande
civilizao, cujo centro         mais importante foi Lerna, na Arglida,
cujos pntanos         se tornariam famosos, sobretudo por causa de um
dos    Trabalhos de Hercles . Uma         das contribuies mais srias
dessa civilizao foi         a lingstica: a partir do Bronze Antigo
ou Heldico         Antigo, montes, rios e cidades gregas recebem nome,
o que         permite acompanhar o desenvolvimento e a extenso da
conquista anatlia, que se prolonga da Macednia,         passando pela
Grcia continental, pelas Cclades, e         atingem a ilha de Creta,
que tambm foi submetida pelos         anatlios. O grande marco dessa
civilizao, no         entanto, foi a introduo do bronze, incio
evidentemente de uma nova era.


De         outro lado, a existncia comprovada de palcios
fortificados denuncia uma slida organizao         monrquica. Em se
tratando de uma civilizao        agrcola, a divindade tutelar
continua a ser a Grande Me , dispensadora da fertilidade e da
fecundidade. As estatuetas, com formas tambm opulentas         e
esteatopgicas, adotam, por vezes, nas Cclades, uma        configurao
estilizada de violino, o que, alis, as         tornou famosas. As
tumbas so escavadas nas rochas ou se         apresentam em forma de
canastra. As numerosas oferendas         nelas depositadas atestam a
crena na sobrevivncia da         alma.


Nos         fins do segundo milnio, entre ~2000-1950, ou seja, no
apagar das luzes da Idade do Bronze Antigo ou Heldico         Antigo, a
civilizao anatlia da Grcia propriamente         desapareceu, com a
irrupo de novos invasores. Dessa        feita, eram os gregos que
pisavam, pela primeira vez, o         solo da futura Grcia.


Os         gregos fazem parte de um vasto conjunto de povos
designados com o nome convencional de Indo-Europeus.         Estes, ao
que parece, se localizavam, desde o quarto         milnio, ao norte do
Mar Negro, entre os Crpatos e o      Cucaso, sem jamais, todavia,
terem formado uma unidade         slida, uma raa, um imprio
organizado e nem mesmo         uma civilizao material comum. Talvez
tenha existido,         isto sim, uma certa unidade lingstica e uma
unidade        religiosa. Pois bem, essa frgil unidade, mal
alicerada num "aglomerado de povos",         rompeu-se, l pelo
terceiro milnio, iniciando-se, ento, uma srie de migraes, que
fragmentou os         Indo-Europeus em vrios grupos lingsticos,
tomando         uns a direo da sia (armnio, indo-iraniano,
tocariano, hitita), permanecendo os demais na Europa         (balto,
eslavo, albans, celta, itlico, grego,         germnico). A partir
dessa disperso, cada grupo         evoluiu independentemente e, como se
tratava de povos nmades, os movimentos migratrios se fizeram no tempo
e no espao, durante sculos e at milnios, no s         em relao
aos diversos "grupos" entre si,   mas tambm dentro de um mesmo "grupo".
Assim,         se as primeiras migraes indo-europias
(indo-iranianos, hititas, itlicos, gregos) esto  sculos distantes das
ltimas (baltos, eslavos,         germnicos...), dentro de um mesmo
grupo as migraes         se fizeram por etapas. Desse modo, o grupo
itlico,         quando atingiu a Itlia, j estavam fragmentado,
"dialetado", em latinos, oscos e umbros,         distantes sculos uns
dos outros, em relao          chegada a seu         habitat comum.
Entre os         helenos o fato ainda  mais flagrante, pois, como se h
de ver, os gregos chegaram  Hlade em pelo menos         quatro levas:
jnios, aqueus, elios e drios e,         exatamente como aconteceu com
o itlico, com sculos de         diferena entre um grupo e outro. Para
se ter uma idia, entre os jnios e os drios medeia uma
distncia de cerca de oitocentos anos!


Se         no  possvel reconstruir, mesmo hipoteticamente, o
imprio indo-europeu e tampouco a lngua primitiva
indo-europia, pode-se, contudo, estabelecer um sistema         de
correspondncia entre as denominadas lnguas        indo-europias,
mormente, e  o que importa no momento,         no que se refere ao
vocabulrio comum e, partindo deste,         chegar a certas estruturas
religiosas dessa         civilizao.


O         vocabulrio comum mostra a estrutura patrilinear da
famlia, o nomadismo, uma forte organizao militar,         sempre
pronta para as conquistas e os saques. Igualmente         se torna claro
que os indo-europeus conheciam bem e         praticavam a agricultura;
criavam rebanhos e conheciam o cavalo.


Os         termos mais comuns, so, resumidamente, os que indicam:










[A Grcia e a Chegada dos Indo-Europeus]


[]         Parentesco           pai, me, filho, filha,
irm;
[]         Grupo Social         rei, tribo, aldeia, chefe
da casa e da aldeia;
[]         Atividades Humanas           lavrar, tecer, fiar, ir
de         carro, trocar, comprar, conduzir (= casar);
[]         Animais              boi, vaca, cordeiro,
ovelha, bode, cabra, abelha, cavalo, gua, co,      serpente, vespa,
mosca e produtos: leite, mel, l,         manteiga;
[]         Vegetais             lamo, faia, salgueiro,
azinheira;
[]         Objetos              machadinha, roda, carro,
jugo, cobre, ouro, prata;
[]         Principais partes do corpo; nomes distintos para os
dez primeiros nmeros; nomes das dezenas, a palavra  cem, mas no  mil.





[A Grcia e a Chegada dos Indo-Europeus]








O         vocabulrio religioso  extremamente pobre. So
pouqussimos os nomes de deuses comuns a vrios         indo-europeus.


Bsico          o radical *         deiwos , cujo sentido
preciso, segundo Frisk,  alte Benennung des Himmels , quer dizer,
"antiga denominao do         cu", para designar "deus", cujo sentido
primeiro          luminoso, claro, brilhante ,         donde o latim
deus , snscrito  devh ,         iraniano div , antigo germnico tvar
. Este mesmo radical encontra-se no grande         deus da luz, o
"deus-pai" por excelncia:         grego Zes , snscrito Dyuh ,
latim  Iou         (de * dyew- ) e com aposio de piter  (pai), tem-se
( Iuppiter ),         "o pai do cu luminoso", Jpiter , bem como o
snscrito Dyauh pit , grego Zes ,  patr , cita Zeus-Papaios , isto ,
Zeus Pai.


Zeus  ,         portanto, o deus do alto, o soberano, "o
criador". Cosmogonia  e paternidade , eis seus dois grandes atributos. 



Alm         de Zeus, para ficar apenas no domnio grego, podem citar-se
ainda "o deus solar" Hlios  ( Hlio ), vdico Snrya ,         eslavo
antigo Solnce , e o "deus-Cu", grego Ourans ( rano ), snscrito
Varuna ,         a abbada celeste.


De         qualquer forma, como acentua Mircea Eliade, "Os Indo-Europeus
tinham elaborado uma teologia e uma         mitologia especficas.
Praticavam sacrifcios e         conheciam o valor mgico-religioso da
palavra e do canto         (* Kan). Possuam concepes e rituais que
lhes         permitiam consagrar o espao e 'cosmizar' os
territrios em que se instalavam (essa encenao mtico-ritual 
atestada na ndia antiga, em Roma, e         entre os celtas), as quais
lhes permitiam, de mais a         mais, renovar periodicamente o mundo
(pelo combate ritual     entre dois grupos de celebrantes, rito de que
subsistem         traos na ndia e no Ir)". Eliade conclui,
mostrando que a grande distncia que separa as primeiras
migraes indo-europias das ltimas, impossibilita a    identificao
dos elementos comuns ao vocabulrio, na         teologia e na mitologia
da poca histrica.


Essas         longas e lentas migraes, por outro lado, face ao contato
com outras culturas e merc dos emprstimos, sincretismos  e aculturao
, trouxeram profundas alteraes ao acervo         religioso
indo-europeu. E se muito pouco nos chegou de         autnctico dessa
religio, esse pouco foi     brilhantemente enriquecido, sobretudo a
partir de 1934,         pelas obras excepcionais de Georges Dumzil.
Partindo da         mitologia comparada, mas sem os exageros e erros de
Max         Mller e sua escola, apoiado em slida documentao,
Dumzil fez que se compreendesse melhor toda a riqueza         acerca do
que se possui do mito e da religio de nossos         longnquos
antepassados. Uma de suas concluses maiores         foi a descoberta da
estrutura trifuncional da sociedade e         da ideologia dos
indo-europeus, estrutura essa fundamentada na trplice funo religiosa
dos deuses.


No         h dvida de que  entre os indo-iranianos,
escandinavos e romanos que a "trifuno"         est mais acentuada,
mas entre os gregos, ao menos da        poca histrica, a mesma
estrutura pode ser observada,         ao menos como hiptese:










[A Grcia e a Chegada dos Indo-Europeus]


Soberania               Fora
Fecundidade
(Sacerdotes)            (Guerreiros)
(Campnios)
Indo-Iranianos          Varuna e Mitra          Indra
Nastya
Escandinavos            Odin e Tyr              Tor
Freyr
Romanos         Iuppiter                Mars            Quirinus

        Gregos          Zes            res            Demter




[A Grcia e a Chegada dos Indo-Europeus]








No         que tange  Hlade, esta diviso h de perdurar,
religiosamente, at o fim.


Eis         a, em linhas gerais, o que foi a Grcia antes da
Grcia e a primeira contribuio religiosa dos         indo-europeus
gregos sua ptria, nova e definitiva.


  Deus em         grego se diz thes, mas este, segundo H. Frisk, thes
significa esprito, alma: a idia de thes como deus          recente e
teria se desenvolvido a partir da         divinizao dos mortos ou
talvez o vocbulo signifique, a princpio, cipo, estela.
zzz

As         Origens

A Noite
rebo
Eros                 e Anteros
O Destino
A                 Terra (Gaia)
Telus
Urano                 ou Coelo (Ouranos)
Titia
Saturno (Cronos)

O Caos


O         estado primordial, primitivo do mundo  o Caos. Era,
segundo os poetas, uma matria que existia desde tempos
imemoriais, sob uma forma vaga, indefinvel,         indescritvel, na
qual se confundiam os princpios de    todos os seres particulares. Caos
era ao mesmo tempo uma         divindade, por assim dizer, rudimentar,
capaz, porm, de         fecundar. Gerou primeiro a Noite, e depois o
rebo.

A         Noite


A         Noite, deusa das Trevas, filha do Caos,  na verdade a
mais antiga das divindades. Certos poetas a consideram         como
filha do Cu e da Terra; Hesodo d-lhe um lugar         entre os Tits
e o nome de Me dos Deuses, porque        sempre se acreditou que a
Noite e as trevas haviam         precedido a todas as coisas. Desposou
rebo, seu irmo,         de quem teve o ter e o Dia. Mas sozinha, sem
unir-se a         nenhuma outra divindade, procriara o inevitvel e
inflexvel Destino, a Parca Negra, a Morte, o Sono, a         legio dos
Sonhos, Momo, a Misria, as Hesprides,         guardadoras dos pomos de
ouro, as desapiedadas Parcas, a         terrvel Nemesias, a Fraude, a
Concupiscncia, a triste   Velhice e a obstinada Discrdia; em resumo,
tudo quanto         havia de doloroso na vida passava por ser obra da
Noite.         Algumas vezes do-lhe os nomes gregos de Eufrone
e Eulalia , isto , - Me do bom conselho. H         quem marque o seu
imprio ao norte do Ponto-Euxino, no         pas dos Cimrios; mas a
situao geralmente aceita       na parte da Espanha, - a Esmria, na
regio do         poente, perto das colunas de Hrcules, limites do
mundo         conhecido dos antigos.


Quase         todos os povos da Itlia viam a Noite, ora com um manto
volante, recamado de estrelas, por cima de sua cabea,         ou com um
outro manto azul e archote derrubado, ora         representada por uma
mulher nua, com longas asas de         morcego e um fanal na mo.
Representam-na tambm         coroada de papoulas e envolta num grande
manto negro,         estrelado. s vezes num carro arrastado por dois
cavalos         pretos ou por dois mochos, e a deusa cobre a cabea com
um vasto vu semeado de estrelas. Muito freqentemente colocam-na no
Trtaro, entre o Sono e a Morte, seus dois         filhos. Algumas vezes
um menino precede-a, empunhando uma         tocha, - smbolo do
crepsculo. Os romanos no a         punham em carro, e representavam-na
ociosa e adormecida.

O         rebo


O         rebo, filho do Caos, irmo e esposo da Noite, pai do
ter e do Dia, foi metamorfoseado em rio e precipitado         nos
Infernos, por ter socorrido os Tits. Faz parte do         Inferno e 
mesmo considerado como o prprio Inferno.        Pela palavra ter, os
gregos compreendiam os Cus,         separados dos corpos luminosos. O
vocbulo dia, sendo         feminino em grego ( Hmra ); dizia-se que o
ter         e o Dia foram o pai e a me do Cu. Essas estranhas
unies significam somente que a Noite existia antes da         criao,
que a Terra estava perdida na obscuridade que         a cobria, mas que
a Luz, penetrando atravs do ter,         havia aclarado o universo.



Em         linguagem de menor valor mitolgico, poderia se
simplificar, e dizer que a Noite e o Caos precederam          criao
dos cus e da luz.

Eros         e Anteros


Foi         pela interveno de um poder divino, eterno como os
elementos do prprio Caos, pela interveno manifesta         de um deus
que, sem ser propriamente o amor, tem         entretanto alguma
conformidade com ele, que o Caos, a   Noite, o rebo puderam unir-se
para a procriao.


Em         grego, esse deus antigo, ou melhor, anterior a toda
antigidade, chama-se Eros .  ele que inspira ou         produz esta
invisvel simpatia entre os seres, para os         unir em outras
procriaes. O poder de Eros  vai alm da natureza viva e animada: ele
aproxima, une, mistura, multiplica, varia as espcies de
animais, de vegetais, de minerais, de lquidos, de        fludos, em
uma palavra, de toda a criao. Eros          pois o deus da unio, da
afinidade universal; nenhum         outro ser pode furtar-se  sua
influncia ou  sua         fora: Eros  invencvel.


Entretanto,         tem como adversrio no mundo divino - Anteros, isto
,    a antipatia, a averso. Esta divindade tem todos os
atributos opostos aos do deus Eros: separa, desune,         desagrega.
To salutar, to forte e poderoso talvez         como Eros, Anteros
impede que se confundam os seres da natureza dissemelhante; se algumas
vezes semeia em torno         de si a discrdia e o dio, se prejudica a
afinidade         dos elementos, ao menos a hostilidade que entre eles
cria         contm cada um nos limites marcados, e destarte a natureza
no pode cair novamente no caos.

O         Destino


O         Destino  uma divindade cega, inexorvel nascida da
Noite e do Caos. Todas as outras divindades estavam         submetidas
ao seu poder. Os cus, a terra, o mar e os         infernos faziam parte
do seu imprio: o que resolvia era         irrevogvel; em resumo, o
Destino era por si mesmo essa fatalidade, segundo a qual tudo acontecia
no mundo.         Jpiter, o mais poderoso dos deuses, no pde aplacar
o Destino, nem a favor dos outros deuses, nem a favor dos        homens.



As         leis do Destino eram escritas desde o princpio da
criao em um lugar onde os deuses podiam         consult-las. Os seus
ministros eram as trs Parcas         encarregadas de executar as
ordens. Representam-no tendo sob os ps o globo terrestre, e agarrando
nas estrelas,         e um cetro, smbolo do seu poder soberano. Para
mostrar         que era inflexvel, os antigos o representavam por uma
roda que prende uma cadeia. No alto da roda uma grande pedra, e embaixo
duas cornucpias com pontas de azagaia.         Conta Homero que o
Destino de Aquiles e de Heitor          pesado na balana de Jpiter, e
como a sorte do ltimo         o arrebata, sua morte  decretada, e
Apolo retira o apoio que lhe dispensara at ento. So as leis cegas
do Destino que tornaram culpados a tantos mortais, apesar         do seu
desejo de permanecer virtuosos: em squilo, por         exemplo,
Agamemnom, Clitemnestre, Jocasta, dipo,   Eteoclo, Polnice, etc., no
podem fugir  sua sorte.


S         os orculos podiam entrever e revelar o que estava
escrito no livro do Destino.

A         Terra (Gaia)


A         Terra, me universal de todos os seres, nasceu
imediatamente depois do Caos. Desposou Urano ou o Cu,         foi a me
dos deuses e dos gigantes, dos bens e dos         males, das virtudes e
dos vcios. Fazem-na unir-se com o     Trtaro e Ponto, ou o mar, de
cujas unies os monstros         que encerram todos os elementos. A
Terra, s vezes         tomada pela Natureza, tinha vrios nomes:
Titia, Ops,         Telus, Vesta e mesmo Cibele .


Dizia-se         que o homem nascera da terra embebida d'gua e aquecida
pelos raios do Sol; assim, a sua natureza participa de         todos os
elementos, e quando morre, sua me venervel o         recolhe e o
guarda no seu seio. Na Mitologia, muitas         vezes  considerado
entre os filhos da Terra; geralmente, quando no se sabia a origem, quer
de um         homem, quer de um povo clebre, dava-se-lhe o nome de
filho da Terra.


Algumas         vezes a Terra  representada pela figura de uma mulher
sentada num rochedo; as alegorias modernas descrevem-na         sob os
traos de uma venervel matrona, sentada sobre         um globo, coroada
de torres, empunhando uma cornucpia        cheia de frutos. Outras
vezes aparece coroada de flores,         tendo a seu lado o boi que
lavra a terra, o carneiro que         se ceva e o mesmo leo que est
aos ps de Cibele. Em         um quadro de Lebrun, a Terra 
personificada por uma         mulher que faz jorrar o leite dos seus
seios, enquanto se   desembaraa do seu manto, e do manto surge uma
nuvem de         pssaros que revoa nos ares.

Telus


Telus,         deusa da terra, muitas vezes tomada pela prpria Terra, 
chamada pelos poetas a Me dos Deuses. Ela representa         o solo
frtil, e tambm o fundamento sobre que repousam         os elementos
que se geram entre si. Diziam-na mulher do         Sol ou do Cu, porque
tanto a um como ao outro deve a sua fertilidade. Era representada como
uma mulher         corpulenta, com uma grande quantidade de peitos.
Freqentemente se confundem Telus e Terra com Cibele.        Antes de
estar Apolo  de posse         do orculo de Delfos, era Telus que o
possua e que o divulgava; mas em tudo estava em meias com Netuno.
Depois, Telus cedeu os seus direitos a Temis, e Temis a         Apolo.


Urano         ou Coelo (Ouranos)


Urano         ou Coelo, o Cu, era filho do ter e do Dia. Segundo
Hesodo, era filho do ter e da Terra. De qualquer         maneira,
desposou Titia, isto , a Terra ou Vesta,         que, neste caso, 
distinta de Vesta, deusa do fogo e da         virgindade. Diz-se que
Urano teve quarenta e cinco filhos de vrias mulheres, sendo que,
destes, dezoito eram de         Titia; os principais foram Tit,
Saturno e Oceano , que se revoltaram contra seu pai e o
impossibilitaram de ter filhos. Cheio de mgoa e em         conseqncia
da mutilao de que fora vtima, Urano   morreu.


O         que caracteriza as divindades das primeiras idades
mitolgicas,  um brutal egosmo junto a uma         desapiedada
crueldade. Urano tomara averso a todos os         seus filhos: desde
que nasciam, encerrava-os em um abismo      e os no deixava ver o dia.
Foi isto que motivou a         revolta. Saturno, sucessor de Urano, foi
to cruel como         o pai.

Titia


Titia,         a antiga Vesta, mulher de Urano, foi a me dos Tits,
nome que significa filhos de Titia  ou da         Terra . Alm de Tit
propriamente dito, de Saturno e         Oceano, ela teve Hiprion,
Japeto, Tia, Ria ou Cibele,         Temis, Mnemosine, Febe, Ttis,
Brontes, Steropes, Argeu,         Coto, Briareu, Giges. Com Trtaro teve
o gigante Tifon, que se destinguiu na guerra contra os Deuses.

Saturno         (Cronos)


Filho         segundo de Urano e da antiga Vesta, ou do Cu e da
Terra, Saturno, depois de haver destronado o pai, obteve         de seu
irmo primognito Tit, o favor de reinar em         seu lugar. Mas Tit
imps uma condio, - a de        Saturno fazer morrer toda a sua
posterioridade masculina,         a fim de que a sucesso ao trono fosse
reservada aos         seus filhos. Saturno desposou Ria, de quem teve
muitos         filhos, que devorou avidamente, conforme combinara com
seu irmo. Alm disso, sabendo que, um dia, ele         prprio seria
derrubado do trono por um dos seus filhos,         exigia que sua esposa
lhe entregasse os recm-nascidos.         Entretanto Ria conseguiu
salvar a Jpiter, que quando        grande, declarou guerra a seu pai,
venceu-o, e depois de         o haver tratado como o fora Urano por seus
filhos, p-lo         fora do cu. Assim a dinastia de Saturno continuou
em         prejuzo da de Tit.


Saturno         teve trs filhos de Ria, que conseguiu salv-los:
Jpiter , Netuno e Pluto, e uma filha, Juno, irm         gmea e
esposa de Jpiter. Alguns autores, ao nmero         das filhas de
Saturno e Ria, acrescentam Vesta, deusa        do fogo, e Ceres, deusa
das searas. De resto, Saturno         teve, com muitas outras mulheres,
um grande nmero de         filhos, como, por exemplo, o centauro
Chiron, filho da         ninfa Filira, etc.


Conta-se         que Saturno, destronado por seu filho Jpiter, reduzido
 condio de simples mortal, foi refugiar-se na         Itlia, no
Lcio, onde reuniu os homens ferozes,         esparsos nas montanhas, e
lhes deu leis. O seu reinado         foi a idade do ouro, sendo os seus
pacficos sditos governados com doura. Foi restabelecida a igualdade
das         condies; nenhum homem servia a outro como criado;
ningum possua coisa alguma exclusivamente para si;        tudo era bem
comum, como se todo mundo tivesse tido a         mesma herana. Para
lembrar esses tempos felizes,         celebravam-se em Roma as
Saturnais. Essas festas, cuja         instituio remontava no passado
muito alm da fundao da cidade, consistiam sobretudo em representar
a igualdade que primitivamente reinava entre os homens.
Comeavam as Saturnais no dia 16 de dezembro de cada         ano; ao
princpio s duravam um dia, mas ordenou o Imperador Augusto que
durariam trs; Calgula         aumentou-lhes vinte e quatro horas.
Durante estas festas         se suspendia o poder dos senhores sobre os
escravos, e         estes tinham inteiramente livres a palavra e as
aes.         Ento, tudo era prazer, tudo era alegria; nos tribunais
e nas escolas havia frias; era proibido empreender uma         guerra,
executar um criminoso ou exercer outra arte alm         da culinria;
trocavam-se presentes e davam-se suntuosos    banquetes. De mais a mais
todos os habitantes da cidade         paravam as suas tarefas; toda a
populao se dirigia ao         monte Aventino, para respirar o ar do
campo. Os escravos         podiam criticar os defeitos dos seus
senhores, fazer-lhes         partidas, e nesses dias eram os senhores
que serviam os    escravos,  mesa.


Em         grego, Saturno  designado pelo nome de Cronos, que quer
dizer o Tempo. A alegoria  transparente nesta fbula         de
Saturno; este deus que devora os filhos , diz         Ccero, o Tempo,
o Tempo que se no sacia dos anos e         que consome todos aqueles
que passam. A fim de o conter, Jpiter o acorrentou, isto , submeteu-o
ao curso dos         astros que so como laos que o prendem.


Os         cartagineses ofereciam a Saturno sacrifcios humanos; as
vtimas eram crianas recm-nascidas. Nesses         sacrifcios, as
flautas, os tmpanos, os tambores         faziam um rudo to grande que
se no ouviam os gritos    da criana imolada.


Em         Roma, o templo elevado a esse deus no pendor do
Capitlio, foi o depsito do tesouro pblico, em         lembrana de
que no tempo de Saturno, na idade do ouro,         no se cometiam
furtos. A sua esttua estava amarrada        com cadeias que s se
tiravam em dezembro, durante as         Saturnais.


Saturno         era geralmente representado como um velho curvado ao
peso   dos anos, erguendo na mo uma foice para mostrar que
preside ao tempo. Em muitos monumentos apresentam-no com         um vu,
sem dvida porque os tempos so obscuros e         cobertos de um
segredo impenetrvel.


Com         um globo na cabea  o planeta Saturno. Numa gravura, talvez
etrusca,  representado com asas e a foice         pousada sobre um
globo;  assim que representamos sempre         o Tempo.


O         dia de Saturno  o sbado ( Saturni dies ), (em
francs, samedi , em ingls, saturday ).
zzz

Monstros         Modernos

A Fnix

O Basilisco

O Unicrnio

A Salamandra



Monstros Modernos


H         um grupo de seres imaginrios sucessores das         "cruis
Grgonas, Hidras e Quimeras" das         velhas supersties e que, como
no tm relao        direta com os falsos deuses do paganismo,
continuaram a         existir na crena popular depois do advento do
cristianismo. Podem ser mencionados pelos escritores         clssicos,
mas sua popularidade  maior nos tempos     modernos. Procuramos basear
nossas descries dos         mesmos no tanto na poesia antiga como nos
velhos livros         de histria natural e nas narrativas de viajantes.


A         Fnix


Ovdio         nos fala da seguinte maneira sobre a Fnix: "A
maior parte dos seres nasce de outros indivduos, mas         h uma
certa espcie que se reproduz sozinha. Os         assrios chamam-na de
fnix. No vive de frutos ou de   flores mas de incenso e razes
odorferas. Depois de         ter vivido quinhentos anos, faz os ninhos
nos ramos de um         carvalho ou no alto de uma palmeira. Nele ajunta
cinamomo, nardo e mirra, e com essas essncias constri     uma pira
sobre a qual se coloca, e morre, exalando o         ltimo suspiro entre
os aromas. Do corpo da ave surge         uma jovem fnix, destinada a
viver tanto quanto a sua         antecessora. Depois de crescer e
adquirir foras     suficientes, ela tira da rvore o ninho (seu prprio
bero e sepulcro de seu pai) e leva-o para a cidade de
Helipolis, no Egito, depositando-o no templo do         "Sol".


Tal          a narrativa de um poeta. Vejamos a de um narrador
filosfico. "No consulado de Paulo Fbio (34 de         nossa era), a
milagrosa ave conhecida no mundo pelo nome         de fnix, que havia
desaparecido h longo tempo, tornou        a visitar o Egito" -  diz
Tcito. "Era esperada em seu vo         por um grupo de diversas aves,
todas atradas pela         novidade e contemplando maravilhadas to
bela apario". Depois de uma descrio da ave, que         no difere
muito da antecedente, embora acrescente         alguns pormenores,
Tcito continua: "O primeiro cuidado da jovem ave, logo que se empluma e
pode confiar         em suas asas,  realizar os funerais do pai. Esse
dever,         porm, no  executado precipitadamente. A ave ajunta
uma certa quantidade de mirra, e, para experimentar suas       foras,
faz freqentes excurses, carregando-a nas         costas. Quando
adquire confiana suficiente em seu         prprio vigor, leva o corpo
do pai e voa com ele at o         altar do Sol, onde o deixa, para ser
consumido pelas        chamas odorferas." Outros escritores acrescentam
alguns pormenores. A mirra  compacta, em forma de um         ovo,
dentro do qual  encerrada a fnix morta. Da carne         da morta
nasce um verme, que quando cresce se transforma        em ave. Herdoto
descreve a ave, embora observe:         "Eu mesmo no a vi, exceto
pintada. Parte de, sua         plumagem  de ouro e parte carmesim;
quanto a seu         formato e tamanho so muito semelhantes aos de uma
guia."


O         primeiro escritor que duvidou da crena na existncia
da fnix foi Sir Thomas Brownw, em seus "Erros         Vulgares",
publicado em... 1646. Suas dvidas foram         repelidas, alguns anos
depois, por Alexander Ross, que      diz, em resposta  alegao de que
a fnix aparecia         to raramente: "Seu instinto lhe ensina a
manter-se         afastada do tirano da criao, o homem, pois se fosse
apanhada por ele, seria sem dvida devorada por algum     ricao gluto,
at que no houvesse nenhuma delas no         mundo." No livro V do
"Paraso Perdido",         Milton compara a uma fnix o Anjo Rafael
descendo          terra:


Assim,         cortando o cu, voa ligeiro,


Entre         mundos e mundos navegando,


Ora         os ventos polares enfrentando,


Ora         cortando, calmo, o rseo espao,


At         que alcana as altaneiras guias,


Crem         ver neles as aves uma fnix


Que         cortasse os espaos, solitria,


Em         procura da Tebas egipciana,


Para         os restos mortais no radioso


Templo         do Sol guardar.

O         Basilisco


Esse         animal era chamado o rei das serpentes, tendo na cabea,
para confirmar essa realeza, uma crista em forma de         coroa.
Supunha-se que nascia do ovo de um galo, chocado         por sapos ou
serpentes. Havia vrias espcies de         basilisco. Uma delas
queimava todo aquele que dela se aproximava. Uma Segunda assemelhava-se
 cabea da         Medusa e sua vista causava tal horror que provocava
a         morte imediata. No "Ricardo III" de Shakespeare, Lady Ana, em
resposta ao galanteio de         Ricardo acerca de seus olhos, retruca:
"Fossem eles         os do basilisco, para te ferir de morte!"


O         basilisco era chamado rei das serpentes porque todas as outras
cobras, comportando-se como bons sditos e muito         sensatamente
no desejando serem queimadas ou         fulminadas, fugiam logo que
ouviam  distncia o silvo        de seu rei, ainda que estivessem se
banqueteando com a         mais deliciosa presa, deixando o manjar para
o monstruoso         monarca.


O         naturalista romano Plnio, assim descreve o basilisco:
"No arrasta o corpo, como as outras serpentes, por         meio de uma
flexo mltipla, mas avana firme e ereto.         Mata os arbustos, no
somente pelo contato, mas       respirando sobre eles e fende as rochas,
tal  o poder         maligno que nele existe." Acreditava-se que se o
basilisco fosse morto pela lana de um cavaleiro, o         poder do seu
veneno, conduzido atravs da arma, matava        no somente o
cavaleiro, mas at o cavalo. Luciano faz         aluso a esse fato nos
versos:


Ele         matou o basilisco em vo,


Deixando-o         inerte no arenoso cho.


Corre         o veneno atravs da lana


E         mata o mouro, quando a mo alcana.


Tal         prodgio no podia deixar de penetrar nas lendas dos santos.
Assim, conta-se que um santo homem, indo a uma         fonte no deserto
e vendo, de repente, um basilisco,         levantou logo os olhos para o
cu e, graas a um         piedoso apelo  Divindade, fez o monstro cair
morto a         seus ps.


Os         poderes maravilhosos dos basiliscos so atestados por
vrios sbios, como Galeno, Aviceno, Scaliger e outros.         Por
vezes, algum deles duvidava de uma parte da lenda,         mas admitia o
resto. Jonston, um mdico letrado, observa         sensatamente: "Seria
difcil de acreditar que ele    mata com o olhar, pois, assim sendo,
quem o teria visto e         continuado vivo para contar o caso?" O
digno sbio         no sabia que aqueles que iam caar o basilisco
dessa         espcie levavam consigo um espelho, que fazia refletir a
horrvel imagem sobre o original, fazendo o basilisco matar-se com sua
prpria arma.


Mas         quem seria capaz de atacar esse terrvel monstro? H um
velho ditado segundo o qual "tudo tem seu         inimigo" e o basilisco
intimidava-se diante da         doninha. Por mais amedrontador que fosse
o aspecto da serpente, a doninha no se preocupava e entrava na luta
ousadamente. Quando mordida, retirava-se por algum tempo         para
ingerir a arruda, que era a nica planta que o         basilisco no
fazia murchar, e voltava a atacar com  redobrado vigor e coragem, no
deixando o inimigo         enquanto no o estendia morto no cho. O
monstro, como         se consciente da estranha maneira pela qual vinha
ao         mundo, votava, tambm extrema antipatia ao galo e estava
sujeito a exalar o ltimo suspiro to logo ouvisse o         canto
daquela ave.


O         basilisco tinha alguma utilidade depois de morto.
Sabemos, assim, que sua carcaa era colocada no templo         de Apolo
, e em casas particulares, por ser um         remdio soberano contra
aranhas, e que tambm era posta         no templo de Diana , motivo pelo
qual nenhuma andorinha se atrevia a penetrar no recinto       sagrado.


O         Unicrnio


Plnio,         o naturalista romano, cuja descrio do unicrnio
serve de base  maior parte das descries feitas         pelos
modernos, pinta-o como "um ferocssimo         animal, semelhante no
resto do corpo a um cavalo, com a        cabea de cervo, patas de
elefante, cauda de javali, voz retumbante e o nico chifre preto, de
dois cvados de         comprimento, (cerca de 1,20 m.) no meio da
testa".         Acrescenta que o unicrnio "no pode ser apanhado
vivo" e, de certo modo, tal desculpa devia ser         apresentada
naqueles dias pelo fato do unicrnio no         aparecer nas arenas dos
anfiteatros.


O         unicrnio constitua um problema para os caadores,
que no sabiam como se apoderar de to valiosa presa.         Alguns
descreviam seu chifre como podendo mover-se          vontade do animal,
uma espcie de espada, em resumo, a         qual nenhum caador que no
fosse habilssimo na         esgrima teria possibilidade de enfrentar
com sucesso.         Outros afirmavam que toda a fora do animal estava
no         chifre e que, quando perseguido de perto, ele se atirava
do alto dos mais elevados rochedos, com o chifre para a         frente,
de maneira a cair sobre ele, e, depois,         tranqilamente,
levantava-se, sem nada haver sofrido com         a queda.


Finalmente,         porm, acabou-se achando um meio de vencer o pobre
unicrnio. Descobriu-se que ele era grande admirador da         pureza e
da inocncia e que cedia terreno quando         encontrava em seu
caminho uma jovem virgem. Vendo-a, o         unicrnio se aproximava
cheio de reverncia,         ajoelhava-se diante dela, e, pondo a cabea
em seu         regao, adormecia. A traioeira virgem fazia, ento,
sinal aos caadores, que se aproximavam e capturavam o simplrio animal.
Os modernos zologos, naturalmente         descrentes de tais lendas,
no levam a srio a         existncia do unicrnio. Existem, contudo,
animais que        tm na cabea uma protuberncia ssea mais ou menos
semelhante a um chifre, que podem Ter dado origem          lenda. O
chifre do rinoceronte, como  chamado,  uma         dessas
protuberncias, embora de tamanho bem pequeno e        no
correspondendo de modo algum  descrio do         chifre do unicrnio.
O que h de mais semelhante a um         chifre no meio da testa  a
protuberncia ssea que         existe na cabea da girafa, mas, tambm
esta  muito curta e rombuda, e no constitui o nico chifre do
animal, e sim um terceiro chifre, em frente dos dois         outros. Em
resumo, embora possa ser excessivo negar-se a         existncia de
outro quadrpede de um s chifre, alm         do rinoceronte, pode-se
afirmar com segurana que a         existncia de um chifre comprido e
resistente na testa         de um animal semelhante ao cavalo e ao veado
constitui perfeita impossibilidade.

A         Salamandra


Na         "Vida de Bevenuto Cellini", artista italiano do
sculo XVI, escrita por ele mesmo, h o seguinte         trecho: "Quando
eu tinha cerca de cinco anos de         idade, meu pai, estando num
pequeno quarto, onde estava         fogo e madeira de carvalho, olhou as
chamas e viu um         animalzinho semelhante a um lagarto, que podia
viver na         parte mais quente do elemento. Percebendo imediatamente
do que se tratava, chamou-me e a minha irm, e, depois      de nos ter
mostrado a criatura, deu-me um tabefe no         ouvido. Ca, chorando,
enquanto ele, consolando-me com         carcias, disse estas palavras:
"Meu querido filho,         no te dei este tabefe por alguma coisa
errada que tiveste feito, mas para que te lembres que a criaturinha
que viste no fogo  uma salamandra, tal qual nenhuma         outra foi
vista por mim at hoje". Assim dizendo,        beijou-me e deu-me algum
dinheiro."


Parece-nos         desarrazoado duvidar de um caso que o Signor Cellini
foi     uma testemunha tanto de vista como de ouvido. Ajunte-se a
esta autoridade de inmeros e sbios filsofos ,  frente dos quais
esto Aristteles  e Plnio, afirmando aquele poder de
salamandra. De acordo com eles, a salamandra no somente
resistia ao fogo, mas o apagava e, quando via a chama,    avanava
contra ela, como um inimigo que sabia vencer.


No         nos devemos maravilhar com o fato de que a pele de um animal
possa resistir  ao do fogo. Assim, chegamos          concluso de
que a pele da salamandra (pois existe         realmente tal animal, 
uma espcie de lagarto) era         incombustvel e de grande utilidade
para servir de invlucro a artigos muito valiosos para serem protegidos
por material; comum. Foram realmente produzidos panos          prova de
fogo, que se diziam feitos da pele de         salamandra, embora os
conhecedores verificassem que a substncia de que eram feitos era o
amianto, um mineral         cujos filamentos muito finos podem ser
aproveitados para         a fabricao de tecidos.


O         fundamento das lendas acima relatadas parece provir do
fato da salamandra realmente secretar pelos poros do         corpo um
lquido leitoso, que, quando ela se irrita,          produzido em
grande quantidade e que pode, sem dvida,        durante alguns
momentos, proteg-la contra o fogo. Alm         disso, a salamandra 
um animal hibernante, que, durante         o inverno, se refugia em
algum tronco oco de rvore ou         em outra cavidade, e ali permanece
em estado de torpor,         at que a primavera o desperte de novo. 
possvel, portanto, que seja levada ao fogo junto com a lenha e s
desperte a tempo de recorrer a suas faculdades         defensivas. Seu
suco viscoso lhe seria, ento, de todo        valor e todos quantos a
tm visto admitem que ela trata         de sair do fogo o mais depressa
possvel, com exceo         de um caso, em que as patas e outras
partes do corpo do         animal ficaram seriamente queimadas.
zzz

Minerva

Nascimento de Minerva

Nascimento de Erecteu

Pandrosa

Disputa de Minerva e         Netuno

Tipo e atributos de         Minerva



Nascimento         de Minerva


Mtis,         a reflexo personificada, fora a primeira esposa de
Jpiter. Foi ela que deu ao velho Saturno uma beberagem         para
obrig-lo a devolver os jovens deuses que ele havia         engolido.
Estando grvida, predisse a Jpiter que teria         em primeiro lugar
uma filha e, em seguida, um filho que   se tornaria senhor do cu. O rei
dos deuses, espantado         com tal profecia, engoliu Mtis. Algum
tempo depois, foi         acometido de violentssima dor de cabea e
rogou a Vulcano  que lhe fendesse a cabea com o machado.


Mal         recebeu o golpe de machado de Vulcano, saiu-lhe do
crebro, armada de todas as suas peas, a filha         Minerva, nova
encarnao da sabedoria divina. Essa         lenda, de carter assaz
brbaro e, por conseguinte,  velhssima, est representada de maneira
ingnua num         baixo-relevo onde, extraordinariamente, Vulcano  um
rapaz imberbe.


Num         espelho etrusco vemos Ilitia, a deusa dos partos
assistindo ao rei dos deuses e tirando-lhe da cabea         Minerva,
que sai armada do capacete e da lana. No outro         lado est Vnus
que tambm parece acorrer em auxlio a Jpiter  e atrs da qual vemos,
empoleirada numa         rvore, a pomba que lhe  consagrada. Tais
divindades         trazem os seus nomes no espelho em lngua etrusca.



O         mesmo tema decorava um dos frontes do Parteno, mas 
provvel que o nascimento estivesse ali concebido de         maneira
inteiramente diversa. Infelizmente, nada resta da         parte central
do fronto em que tal cena estava        representada.


Jpiter          a abbada do cu donde jorra o raio luminoso e sbito;
como  tambm o senhor dos deuses, a sua         sabedoria no vacila
absolutamente em lhe brotar do         crebro divino. Minerva devia,
pois, nascer inteiramente        armada e provida de todos os seus
atributos.  assim que         no-la apresentam as esttuas, muitas
vezes com a lana         e o escudo, mas sempre com o capacete e a
gide.


Luciano         narrou o nascimento de Minerva sob forma de dilogo:



" Vulcano .         - Que devo fazer, Jpiter? Venho, por ordem tua,
armado         de um machado afiadssimo e que, se houvesse
necessidade, seria capaz de partir, de um s golpe, a         mais dura
das pedras.


Jpiter .         - timo, Vulcano! Parte-me, pois, a cabea.


Vulcano .         - Queres submeter-me a uma prova, ou ests louco?
D-me         uma ordem sria, dize o que queres que eu faa!


Jpiter .         - J te disse, parte-me a cabea; bate com toda a
fora e sem demora; no posso viver com as dores que me
dilaceram o crebro.


Vulcano .         - Acautela-te, Jpiter. Quem sabe se no vamos cometer
uma asneira? O meu machado  afiadssimo, far com que         te corra
o sangue e no te libertar  guisa de         Lucina.


Jpiter .         - Bate, vamos, Vulcano! Nada temas. Sei o que quero.



Vulcano .         - Bato, mas contra a vontade. Que me resta, se assim
me ordenas?... Que estou vendo? Uma jovem armada da cabea         aos
ps! Safa, que dor de cabea no devia ser a tua,         Jpiter! No 
de assombrar que te hajas mostrado        irascvel, se trazias viva,
sob a membrana do teu         crebro, uma jovem desta estatura, e,
ainda por cima,         armada. No sabamos que tinhas na cabea um
verdadeiro campo. Olha, ela salta! Ei-la que dana a prrica, agita o
escudo, brande a lana, e est         dominada pelo entusiasmo. O que 
mais estranho  que,         de sbito, se tornou belssima e pronta
para casar.          verdade que tem olhos cinzentos, mas o capacete
compensa         esse defeito. Jpiter, como pagamento pelo servio que
te prestei, cede-ma por esposa.


Jpiter .         - Tu me pedes o impossvel, Vulcano; ela quer
permanecer virgem para sempre. Quanto a mim, no me oponho ao que
desejas.


Vulcano .         -  o que quero. O resto fica por minha conta. Vou
lev-la." (Luciano).

Nascimento         de Erecteu


Vulcano         ps-se imediatamente a procurar Minerva, e, certo de que
ela estivesse na Acrpole, rumou para Atenas. Mal a         percebeu,
colocou-se-lhe na frente e quis dar os passos         necessrios. Mas a
deusa o recebeu de maneira tal que         lhe tirou qualquer desejo de
recomear. O pobre ferreiro  ficou despeitadssimo; para mostrar que
saberia         dispens-la, resolveu contrair npcias no mesmo
instante, e dirigiu-se  Terra, bonssima criatura, que        o aceitou
apesar das mos negras. Dessa unio nasceu         Erecteu, que mais
tarde se tornou rei de Atenas. O que         deu origem a to singular
lenda foi a fato de os         atenienses, j colocados sob a proteo
de Minerva,      quererem, por um lao qualquer, prender-se ao deus do
fogo, que preside  indstrias dos metais.


A         Terra, mal gerou Erecteu, deixou o recm-nascido no
cho, sem mais com ele preocupar-se, como se fosse uma         simples
cobra ou um verme. Minerva, percebendo-o,         compadeceu-se e,
pegando-o, p-lo num cesto e levou-o        para o seu santurio. Mas,
apesar de todo o seu bom         corao, no conseguia livrar-se das
preocupaes         guerreiras, e, estando a galgar a Acrpole levando
o         cesto, notou que a sua cidade no estava bastante fortificada
do lado do Ocidente. Entrou na casa de         Ccrops, que tinha trs
filhas, Pandrosa, Aglaura e         Herse, e, confiando-lhes o cesto,
muito bem fechado, proibiu-lhes que o abrissem para verificar o
contedo, e         imediatamente partiu em busca de uma montanha que
julgava         necessria para a fortificao da cidade. Quando
partiu, Aglaura e Herse, impelidas pela curiosidade,         pretenderam
abrir o cesto, no obstante as censuras de         Pandrosa. Mas uma
gralha, que tudo vira, foi contar o         fato a Minerva, que j
segurava a montanha entre os         braos e que fortemente surpresa, a
deixou cair. Eis a         a origem do monte Licabeto.

Pandrosa


A         deusa concebeu tal afeto por Pandrosa, que no somente
lhe confiou a educao do pequenino protegido, como         tambm
exigiu que Pandrosa, aps a morte, recebesse as         honras divinas.
Quando Erecteu se tornou rei de Atenas,        apressou-se em satisfazer
tal desejo, mas, associando no         seu reconhecimento a filha de
Ccrops e a deusa que o         recolhera, elevou um templo em duas
partes, uma das quais         foi dedicada a Minerva e outra a Pandrosa.
A construo       foi queimada pelos persas, como todos os monumentos
de         Atenas, e o que hoje existe foi erguido aps as guerras
mdicas.

Disputa         de Minerva e Netuno


Atenas         tira o seu nome de Atena (nome grego de Minerva) mas a
honra de dar o nome  cidade que Ccrops acabava de         fundar deu
origem a uma famosa disputa entre Netuno  e a deusa. Constitua ela o
tema de um dos         dois frontes do Parteno, esculpidos por Fdias
e         cujos fragmentos mutilados fazem hoje parte do Britsh
Museum em Londres.


Era         preciso pr a nova cidade sob a proteo de uma
divindade. Decidiu-se que se tomaria por protetor da         cidade o
deus que produzisse a coisa mais til. Netuno,         batendo a terra
com o tridente, criou o cavalo e fez    jorrar uma fonte de gua do mar,
querendo com isso dizer         que o seu povo seria navegador e
guerreiro. Mas Minerva         domou o cavalo para o transformar em
animal domstico,         e, batendo a terra com a ponta da lana, fez
surgir uma         oliveira carregada de frutos, pretendendo com aquilo
mostrar que o seu povo seria grande pela agricultura e         pela
indstria.


Ccrops,         embaraado, consultou o povo, para saber a que deus
preferia entregar-se. Contudo, no se tendo naqueles         tempos to
remotos imaginado que as mulheres no         pudessem to bem quanto os
homens exercer direitos        polticos, todos votaram. Ora, sucedeu
votarem todos os         homens por Netuno e todas as mulheres por
Minerva; mas         como entre os colonos que acompanhavam Ccrops,
houvesse         uma mulher mais, Minerva raptou-a. Netuno protestou
contra essa maneira de julgar a divergncia, e apelou         para o
tribunal dos doze grande deuses. Estes chamaram         Ccrops como
testemunha, e tendo sido a votao         considerada regular, passou a
cidade a ser consagrada a        Minerva. Os atenienses, no entanto,
temendo a clera de         Netuno que j ameaara engoli-los, ergueram
na         Acrpole um altar ao Olvido , monumento de
reconciliao de Netuno e Minerva; em seguida, Netuno      participou
das honras da deusa. Eis como os atenienses se         tornaram um povo
navegador e ao mesmo tempo agrcola e         manufatureiro.


Minerva         era para os atenienses a deusa por excelncia e a
Acrpole a montanha santa. A Acrpole figura numa moeda         de
Atenas, assaz grosseira, alis. No se vem nela         representaes
de edifcios, mas somente dominar a         grande Minerva de bronze,
que os navegantes saudavam de longe, como protetora da cidade. A
confiana inspirada         por Minerva s desapareceu com a influncia
crist, e         um dos derradeiros historiadores pagos, Zzimo, narra
de que maneira se apresentou a deusa pela ltima vez. "Alarico, diz ele,
impaciente por se apoderar de         Atenas, no quis entreter-se com
outro assdio.         Apressou-se, pois, em ir a Atenas na esperana de
tom-la, quer por ser dificlimo defender a grande         extenso das
suas muralhas, quer por estar ele j de         posse do Pireu e por
haver pouqussimas provises na         cidade. Eis a esperana nutrida
por Alarico. Mas a         cidade to antiga seria conservada pela
providncia dos         deuses no meio de to terrvel perigo. A maneira
pela         qual ela foi protegida  demasiadamente milagrosa e
demasiadamente capaz de inspirar sentimentos de piedade,         para
que a silenciemos. Quando Alarico se aproximou das         muralhas 
testa do seu exrcito, viu Minerva, tal qual         surge nas imagens,
dar a volta  cidade, e Aquiles tal         qual o descreve Homero
apareceu no alto das muralhas.     Alarico, estarrecido com o
espetculo, tratou de fazer a         paz e abandonou a luta." (Zzimo).


Tipo         e Atributos de Minerva


"A         partir do dia, diz Ottfried Muller , em que         Fdias
terminou de desenhar o carter ideal de Minerva-atena, uma fisionomia
cheia de calma, uma fora         que tem conscincia de si prpria, um
esprito claro e         lcido, passaram a ser para sempre os
principais traos        do carter de Palas.  A sua         virgindade
a coloca acima de todas as fraquezas humanas; ela  demasiadamente viril
para se entregar a um homem.         A testa muito pura, o nariz longo e
fino, a linha um         pouco dura da boca e das faces, o queixo largo
e quase         quadrado, os olhos pouco abertos e quase constantemente
voltados para a terra, a cabeleira atirada, sem arte,         para cada
lado da testa e ondulada sobre a nuca, traos         nos quais
transparece a rudeza primitiva, correspondem         perfeitamente a to
maravilhosa criao ideal."


Minerva         se identifica completamente com a cidade que ela
protege,   e se por duas vezes usa cavalos no capacete  para
mostrar a sua reconciliao com Netuno a quem era         consagrado o
cavalo, e que, como deus dos mares, no        podia deixar de ter
grande importncia em Atenas.  o         que vemos num medalho antigo
no qual a cidade de Roma         personificada se liga  de Atenas
(Palas-atena). As duas         ilustres cidades se caracterizam pelos
seus atributos: a         loba com os dois filhos  o atributo comum de
Roma, como         a coruja  o habitual atributo de Atenas. A deusa
ateniense traz a gide com a cabea de Grgona, e         quatro cavalos
lhe ornam o capacete.


Os         cavalos aparecem igualmente num soberbo entalhe antigo. A
pena do capacete  suportada por uma esfinge e dois         corcis
alados ou pgasos: a parte da frente est         ornada de quatro
cavalos e o cobre-orelha de um grifo. Os         enfeites da deusa so
luxuosos; alm da gide de         escamas bordadas de serpentes, traz
ela um colar de         bolotas, e brincos em forma de cachos de uvas.



s         vezes, como na medalha de Thurium, no  nem o cavalo,
nem o grito que ornam o capacete de Minerva, mas uma Cila         ou um
monstro fantstico com cauda de serpente.


A         deusa usa sempre um capacete, at quando desempenha um
papel pacfico. O capacete tem, s vezes, asas para         indicar o
carter areo de Palas. Vemo-lo, quanto ao         resto, sob formas
extremamente variadas, em moedas gregas     ou romanas.


A         coruja, a ave que v bem durante a noite, 
naturalmente consagrada a Minerva, deusa que personifica
simultaneamente o raio e a inteligncia. Nas mais         antigas moedas
de Atenas se nos depara a coruja, smbolo   de uma vigilncia
constantemente alerta.


Como         deusa guerreira, Minerva combate com a lana. No
entanto, uma medalha da Macednia, imitao de antiga         figura
arcaica, no-la apresenta com o raio de Jpiter. A         vitria est
freqentemente na mo da deusa.  assim         que ela aparece numa
bela moeda do Lismaco.


A         arte dos tempos primitivos preferia a imagem de Palas s
das outras divindades; os antigos paldios representavam
ordinariamente a deusa com o escudo erguido, e brandindo         a
lana. Entretanto, essa forma varia muito, at nos         prprios
tempos primitivos, e Minerva se reveste de diferentes aspectos, segundo
as localidades.


Uma         medalha da Nova lion representa uma Palas troiana cujo
tipo, imitao de antiga figura arcaica, deve remontar         a remota
antigidade. Est de p e traz na mo         direita a lana apoiada ao
ombro, enquanto a esquerda        empunha um facho. A ave sagrada est
de p diante da         deusa, cujo costume, e particularmente o
capacete, se         afastam completamente do tipo habitual de Minerva.



A         gide  uma pele de cabra de que nos servimos como
escudo, mas significa igualmente a tempestade, e  em         tal
sentido que Homero a entende, quando fala do fogo e         da luz que
partem do escudo divino. Minerva, sendo na         ordem fsica o raio
personificado, devia ter por         atributo a gide, e nos monumentos
arcaicos podemos ver         de que maneira era empregada
primitivamente. Na grande         poca da arte, Minerva tr-la sobre o
peito; a Grgona  figura sempre na gide.


A         cabea da Grgona  um dos atributos essenciais da
deusa a aparece quer sobre a gide, quer sobre o seu         escudo.
Exprime o terror com o qual Palas fere os         inimigos.


A         Minerva arcaica de Herculanum est numa atitude
hiertica: vestida do peplo de dobras tesas e engomadas,         que
recobre a concha, marcha resolutamente para o         combate. A maneira
pela qual a deusa traz aqui a gide          caracterstica: segura-a
sobre o ombro para ter o         brao esquerdo inteiramente coberto. A
gide          grandssima, ao passo que nos monumentos menos antigos,
perde algo da sua importncia.


A         gide usada por Jpiter passava por ser a pele da cabra
Amaltia, que lhe foi nutriz. Mas h tradies         diferentes em
torno da gide de Minerva. A deusa matara         o monstro gis, filho
da Terra , que         vomitava chamas com uma fumaa negra e espessa. O
monstro desolou, a princpio, a Frgia, em seguida o         monte
Cucaso, cujas florestas queimou at a ndia.         Depois foi
incendiar o monte Lbano e devastou     sucessivamente o Egito e a
Lbia. Minerva, aps o         derrubar, o traspassou com a lana e da
sua pele fez uma         couraa, sobre a qual colocou posteriormente a
cabea         de Grgona, e que usava como trofu. Quando a gide est
colocada em volta do brao, como no-la apresenta a         Minerva de
Herculanum,  sempre um sinal de combate.


A         Minerva de Egina segura a lana e o escudo no alto, mas
a gide, em vez de ser usada sobre o brao, serve de         couraa
para garantir o peito e at as costas, sobre as         quais recai.
Essa esttua, que hoje se encontra na         Gliptoteca de Munique,
ocupava o centro do fronto         ocidental do templo de Egina.



A         famosa Minerva de Fdias, no Parteno, era de marfim e
ouro. A deusa estava de p, coberta da gide, e a sua         tnica
descia at os calcanhares. Empunhava uma lana         com uma das mos
e com a outra uma vitria. O capacete        estava encimado por uma
esfinge, emblema da inteligncia celeste; nas partes laterais havia dois
grifos, cuja         significao era a mesma que a da esfinge, e, acima
da         viseira, oito cavalos a galope, imagem da rapidez com a
qual age o pensamento divino. A cabea de Medusa  figurava-lhe no peito.
Os braos e a         cabea da deusa eram de marfim, com exceo dos
olhos         formados por duas pedras preciosas; as vestes eram de
ouro e podiam ser retiradas com facilidade, pois era         mister,
quando a repblica se via em apertos, poder         recorrer ao tesouro
pblico, do qual a deusa era         depositria. Na face exterior do
escudo, posto aos ps    da deusa, estava representado o combate dos
atenienses         contra as amazonas, na face inferior o dos gigantes
contra os deuses: o nascimento de Pandora  estava esculpido no pedestal.
Um trecho da         Antologia grega  compara a Minerva de Fdias, em
Atenas,  Vnus  feita por Praxteles em Cnido: "Vendo         a divina
imagem de Vnus, filha dos mares, tu dirs:         subscrevo o juzo do
frgio Pris. Se vires em seguida        a Minerva de Atenas,
exclamars: quem no lhe adjudicou         o primeiro era um boieiro!"
zzz

Minerva

Minerva e Enclades

Minerva e Tirsias

Minerva e Mrsias

Minerva Higia

Minerva Obreira ou         Ergane

Minerva e Aracne

A Festa das         Panatenias



Minerva e         Enclades


Minerva         participou da guerra dos deuses contra os gigantes e
contribuiu poderosamente para a vitria de Jpiter.         Entre os
inimigos por ela vencidos, o mais importante          Enclades. A
fora desse gigante era tal que, sozinho,        poderia ter lutado
contra todos os deuses juntos. Num         momento em que Minerva se
achava distante dos         companheiros de armas, Enclades, percebendo
que ela         estava sozinha, d um salto e posta-se-lhe na frente. A
deusa o v sem empalidecer, rene todas as foras e         pegando com
ambas as mos a Siclia, atira-a sobre o         gigante que fica
esmagado sob a enorme massa. A queda de         Enclades termina a
guerra dos gigantes: s vezes tenta    ele remexer-se, e  o que produz
os tremores de terra da         regio. A sua cabea est situada sob o
monte Etna,         por onde vomita chamas, o que leva um poeta francs
a         dizer:


"Encelade, malgr son air         rbarbatif, dessous le mont Etna fut
enterr tout vif;         l chaque fois qu'il ternue, un volcan
embrase les         airs, et quand par hasard il remue, il met la Sicile
         l'envers."


O         tanque de Encfales em Versalhes mostra o gigante do
qual somente vemos a cabea e os gigantescos braos no         meio dos
fragmentos de rochedos. Mas a luta de Minerva         contra esse
gigante, tal qual a descreveu a mitologia,        tem sido raramente
representada, por no ser do domnio         da plstica.

Minerva         e Tirsias


Virgem         essencialmente casta, Minerva sempre vestida, e se os
artistas dos ltimos sculos a representam por vezes         despida,
notadamente no julgamento de Pris,  pela         ignorncia em que se
encontram quase sempre dos  caracteres distintivos da deusa. Um nico
homem, o         tebano Tersias, observou um dia Minerva no banho, e
foi         imediatamente ferido de cegueira, ou, segundo outros,
metamorfoseado em mulher.


Pradier         fizera um grupo de Minerva repelindo as setas de Cupido
: a idia era justa mitologicamente. Vnus ofendeu-se um dia pelo fato
de seu filho         nada poder contra a deusa ateniense:


" Vnus .  - Por que, pois, Amor, tu que venceste os         demais
deuses, Jpiter, Netuno, Apolo , Ra, e eu prpria, tua me, po que
poupas apenas Minerva? Contra ela o teu archote no tem         fogo, a
tua aljava no tem setas, tu no tens arco...        No sabes mais
disparar uma seta?


Amor .  -         Tenho medo dela, minha me. Ela  terrvel, os seus
olhos so terrveis, o seu aspecto imponente e viril.         Todas as
vezes em que avano contra ela para lanar-lhe         uma seta, ela me
espanta agitando a sua pena; tremo e as         setas me fogem das mos.



Vnus .  -         Marte , por acaso, no  mais terrvel? E, no
entanto, tu o desarmaste e venceste.


Amor .  -         Sim, mas ele prprio  que se oferece aos meus golpes;
chama-os. Minerva, pelo contrrio, sempre me fita com
desconfiana; um dia quando por acaso voava para ela,         segurando
o archote: "Se te aproximares de mim,        disse-me, juro por meu pai
que te varo com esta lana,         pego-te pelo p e atiro-te ao
Trtaro, onde te         dilacerarei com as minhas prprias mos para
matar-te." So essas as suas ameaas sem fim, e ao         mesmo tempo
lana sobre mim olhares furiosos; traz,         ademais, sobre o peito
uma cabea horrorosa, cuja         cabeleira  feita de vboras e que
sempre me causa o      maior terror. Creio estar vendo um fantasma e
fujo mal a         percebo." (Luciano).

Minerva         e Mrsias


Segundo         uma velhssima lenda, Minerva, tendo encontrado um osso
de cervo, dele se serviu para inventar a flauta. Mas         notando que
tal instrumento a obrigava a umas caretas que         a afeavam, e que,
quando pretendia tocar, as demais         deusas se riam, atirou para
longe a desastrada flauta, e    proferiu a maldio mais terrvel contra
o que a         recolhesse. O frgio Mrsias, que muito provavelmente
pouco se importava com a divindade de Atena, no         atribuiu a
menor importncia a tais imprecaes,         recolheu o instrumento e
conseguiu tec-lo com grande         perfeio. Havia na Acrpole de
Atenas um grupo         representando Minerva a golpear Mrsias, por ter
ousado        recolher a flauta por ela atirada para longe e que ela
desejava fosse esquecida para todo o sempre. Num         baixo-relevo,
que est em Roma, vemos Minerva tocando a         flauta dupla, e
Mrsias, sob a forma de um stiro, a        espreita para se apoderar do
instrumento, no momento         oportuno. Mais habitualmente, a deusa
observa com         ateno o que acaba de inventar. A mesma razo que a
obrigou a renunciar ao uso de tal instrumento, impedia    que os
escultores a representassem com uma figura         deformada e
careteira.

Minerva         Higia


Vimos         a serpente aparecer entre os atributos de Minerva. Essa
serpente  habitualmente o emblema de Erecteu, que foi         criado
pela deusa. Mas Minerva era, por vezes, invocada         como protetora
da sade. Tinha ento o nome de Minerva         higia, e a serpente que
ao seu lado surge com uma taa que a deusa segura com a mo, como se a
serpente         estivesse perto da companheira de Esculpio.

Minerva         Obreira ou Ergane


Minerva         no  apenas guerreira. Dela  que nos vem a
indstria,  por isso tem sido denominada Minerva         obreira.
Laboriosa tanto quanto guerreira, enriquece as         cidades que a
honram ao mesmo tempo em que as protege.     Ama a agricultura, e
ensinou aos homens o uso da         oliveira:  por tal motivo que essa
rvore lhe          consagrada e que vemos figurar uma lmpada entre os
seus         atributos. A arquitetura, a escultura, a mecnica cabem
o domnio da deusa, que preside em geral a todos os         trabalhos do
esprito e da imaginao. Est         representada, com tal aspecto,
mas conservando o seu        costume de guerra, num interessante
baixo-relevo, onde a         vemos dirigir, com os seus conselhos, um
jovem escultor         que cinzela um capitel, e outros obreiros que
lidam com         uma mquina; Jpiter e Diana esto atrs dela e
seguidos de uma sacerdotisa fazendo uma libao, e de         uma grande
serpente de cabea de bode que representa o         gnio do teatro,
como indica a inscrio mutilada que         se l acima. A de baixo
diz: "Lucio Pecularis,        empreiteiro do proscnio, mandou colocar
este         baixo-relevo votivo segundo um sonho tido."


As         principais atribuies de Minerva ergane esto
resumidas num passo de Artemidoro: "Minerva          favorvel aos
artesos, em virtude do seu apelido de         obreira; aos que desejam
contrair npcias, pois pressagia que a esposa ser casta e apegada ao
lar; aos         filsofos, pois  a sabedoria nata do crebro de
Jpiter.  ainda favorvel aos lavradores, porque tem        uma idia
comum com a terra; e aos que vo  guerra,         porque tem uma idia
comum com Marte ."


Foi         Minerva obreira que inventou as velas dos barcos e a ela
se deve a construo do famoso navio Argos. Mas          sobretudo
pelos tecidos e trabalhos das mulheres que         Minerva assume
importncia toda especial, e tem por         atributo a roca.  tambm
especialmente invocada pelas obreiras que preparam os tecidos, como se
pode ver neste         trecho da Antologia :


" Minerva, as filhas de         Xuto e de Melita, Stira, Heraclia,
Eufro, todas trs         de Samos, te consagram uma a sua longa roca,
com o fuso que obedecia aos seus dedos para se incumbir dos fios
mais soltos; outra a sua lanadeira harmoniosa que         fabrica as
telas de tecido cerrado; a terceira o seu         cesto com os lindos
novelos de l, instrumentos de trabalho que, at a velhice, lhes
sustentaram a         laboriosa vida. Eis, augusta deusa,, as ofertas
das tuas         piedosas obreiras."

Minerva         e Aracne


Os         tecidos constituam um dos ramos mais importantes da
indstria dos atenienses; mas as fbricas da sia,         clebres em
todas as pocas, sobrepujavam em delicadeza         as cidades gregas,
cujos tecidos menos delicados eram     provavelmente mais slidos. Foi o
que deu origem          lenda que nos pinta a rivalidade entre Minerva
e Aracne.


Aracne         no era ilustre pelo nascimento, mas o seu talento e a
sua industriosidade a haviam tornado famosa. Seu pai era
tintureiro de l na cidade de Colonon, e ela adquirira         tal
reputao em todas as cidades da Ldia pela beleza         dos seus
trabalhos, que as ninfas do Tmolo e do Pactolo        abandonavam as
guas lmpidas e os deliciosos bosquetes         para lhe admirar os
trabalhos da agulha. Sabia fiar e         fazer a l, e embelezava os
seus tecidos com desenhos         encantadores realados por todas as
cores do arco-ris.        Envaidecia-se, porm, de tal modo com o seu
talento, que         por toda parte apregoava no ter receio de desafiar
a         prpria Minerva.


A         deusa, ferida por tal intento, assumiu o aspecto de uma anci,
cobriu de cabelos brancos a cabea, e, indo         procurar Aracne,
censurou-a em termos amigveis pela         inconvenincia da pretenso
de uma simples mortal de se         comparar a uma deusa, e sobretudo 
deusa da qual         procede toda a indstria humana. Aracne
ofendeu-se,         acolheu muito mal a anci, que assim lhe falava, e,
fitando-a de sobrolho carregado, avanou para ela        disposta a
golpe-la, dizendo que, se Minerva se         apresentasse, saberia
muito bem confundi-la, mas que a         deusa no ousaria, certamente,
empreender uma luta que         lhe seria desvantajosa.


Minerva,         diante daquelas palavras, reassume o seu verdadeiro
aspecto e declara que aceita o desafio. Ei-las a         prepararem os
trabalhos, a disporem os tecidos e a         iniciarem o mister. J
corre a lanadeira com incrvel       rapidez, e o desejo que ambas
experimentam de vencer         redobra a atividade. Para tornarem o
trabalho mais         perfeito, cada uma delas desenha velhas histrias.
Minerva representou no seu a disputa mantida com Netuno  em torno
do nome que deveria ser usado pela         cidade de Atenas. Aracne
houve por bem fixar histrias         que no podiam deixar de ser
desagradveis s       divindades do Olimpo grego. Viam-se as
metamorfoses dos         deuses, e as suas intrigas amorosas figuradas
de tal modo         que nenhum prestgio lhe advinha. Mas o trabalho de
Aracne foi executado com tal delicadeza e to incrvel         perfeio
que Minerva no logrou descobrir sequer o menor defeito.


Esquecida,         ento, de que era deusa, para s se lembrar do
despeito    provado por ser igualada em finura por uma simples
mortal, Minerva rasgou o tecido da rival, que         imediatamente se
enforcou de desespero. Minerva, tomada         de piedade, sustentou-a
no ar, para impedir que se estrangulasse, e disse-lhe: "Vivers, Aracne,
mas ficars         para sempre pendurada desta maneira; ser o castigo
teu         e de toda a tua posteridade." Ao mesmo tempo, Aracne sentiu
que a cabea         e que o corpo lhe diminuam de volume; mingudas
patas         lhe substituram os braos e as pernas, e o resto do
corpo se transformou num enorme ventre. A partir de         ento, as
aranhas         sempre continuaram a fiar,         e a indstria humana
at hoje no conseguiu igualar a         finura dos seus tecidos.
(Ovdio).


         fcil notar que esta lenda, na qual Minerva no revela
absolutamente um bom carter, tem a sua origem nas         cidades
gregas da sia. Aracne, que  ldia, mostra,         aos olhos dos
gregos, uma singular audcia ao se   comparar com a ateniense Minerva,
mas os tecidos do         Oriente eram inimitveis, e procurados
anciosamente em         todos os mercados da Grcia; no  no terreno do
trabalho que Aracne  vencida,  apenas mediante um resultado do poder
divino, de que se acha dotada a         adversria, igual, seno
superior a ela em talento.

A         Festa das Panatenias


A         grande festa das Panatenias celebrava-se em Atenas, em
honra de Minerva (Atena), deusa tutelar da cidade, a quem         ela
devera o nome. A festa compreendia diferentes         exerccios, entre
outros corridas a p e a cavalo,         combates gmnicos, e concursos
de msica e poesia. As lutas gmnicas se desenrolavam nas margens do
Ilisso. A         festa terminava por uma grande procisso figurada no
friso da cela do Parteno.


O         objetivo religioso da festa era cobrir a deusa de um vu
novo em substituio ao que fora gasto pelo tempo. Mas         o
objetivo poltico era muito outro; tratava-se de         mostrar que
Minerva era ateniense pelo corao, e que         ningum podia
invocar-lhe a proteo, se no fosse         amigo de Atenas.


No         monumento, vemos a sacerdotisa recebendo duas jovens
virgens que lhe entregam objetos misteriosos. As jovens         so
crianas, pois segundo os ritos no podiam ter         menos de sete
anos nem mais de onze. "Durante a        noite que precede a festa, diz
Pausnias, pem elas         sobre a cabea o que a sacerdotisa lhes
ordena que         carreguem. Ignoram o que se lhes d; aquela que lhes
d         os objetos misteriosos tambm nada sabe. H na cidade,
perto da Vnus  dos jardins, um recanto em que se acha um
caminho subterrneo cavado pela prpria natureza. As         jovens
descem por a, depem o fardo, e em troca       recebem outro,
cuidadosamente coberto. O precioso fardo         contm a velha
vestimenta, e o que elas trazem de volta         encerra a nova. Como a
cena se desenrola de noite, uma         delas empunha um archote."



Enquanto         a sacerdotiza recebe a nova vestimenta da deusa, o
gro-sacerdote, assistido por um jovem rapaz, se ocupa         em dobrar
o antigo peplo. O pblico no assiste          misteriosa cena do
santurio, mas os deuses, espectadores invisveis, esto sentados e
dispostos em         grupos simtricos. Entre eles, depara-se-nos
Pandrosa,         recoberta do vu simblico que caracteriza o
sacerdcio; mostra ela ao jovem Erecteu, ajoelhado, a         cabea da
procisso que avana em direo ao         santurio.


Vem         antes um grupo de ancios de andar grave, todos envoltos nos
seus mantos e quase todos a se apoiarem nos seus         bordes. So os
guardas das leis e dos ritos sagrados,         pois alguns parecem dar
instrues s jovens virgens         atenienses que os seguem. Trazem
estas com gravidade o candelabro, o cesto, os vasos, as pteras e os
demais         objetos destinados ao culto. Depois das atenienses,
surgem as filhas dos forasteiros fixados em Atenas. No        tm o
direito de carregar objetos to santos, mas         seguram nas mos os
assentos dobradios que serviro         os canforos. Vm, depois, os
arautos e os ordenadores         da festa, que precedem os bois
destinados ao sacrifcio,        seguidos dos meninos que conduzem um
carneiro. Desfilam         alguns homens que seguram bacias e odres
cheios de         azeite. Finalmente os msicos que tocam flauta ou
lira,         e um grupo de ancios, todos empunhando um ramo de
oliveira.


Comea,         ento, o desfile dos carros puxados por quatro cavalos e
o longo cortejo dos cavaleiros. Sabia-se que Minerva         ensinara
aos homens a arte de domar os cavalos e de os         atrelar ao carro,
e a festa era sempre acompanhada de         jogos eqestres. Todos
conheciam, pelos moldes, a famosa        cavalgata do Parteno. Um
cortejo de jovens, cuja         clmide flutua ao vento, doma os cavalos
tessalienses         que se empinam e lhes resistem.


Os         prmios concedidos aos vencedores nos jogos realizados
em honra de Minerva consistiam ordinariamente em nforas         cheias
de azeite. Era um modo de lembrar que a deusa         plantara a
oliveira que constitua a grande riqueza da         tica. O museu do
Louvre possui vrios desses vasos, chamados panatenaicos. Tm eles
interessantes         decoraes, nas quais vemos Minerva de p,
brandindo a         lana e segurando o escudo. A figura est concebida
no         estilo tradicional das antigas figuras de estilo arcaico.
Est situada entre duas colunas que suportam, cada uma,         um galo.



O         galo era, com efeito, consagrado a Minerva obreira;
Creuzer nos explica a razo: "O nome de ergane, diz         ele,
exprimiu a princpio o prprio trabalho, a tarefa         diria, e
parece ter-se aplicado primitivamente, com        epteto de Minerva, 
proteo especial que a deusa         dispensava s ocupaes das
mulheres. Sob tal ponto de         vista, era-lhe consagrado o galo;
quando o canto dessa         ave anuncia o retorno da Aurora,
relembra-nos ao mesmo        tempo o culto de Minerva ergane e de
Mercrio agoreu, ou         seja, os trabalhos da indstria e do
comrcio."
zzz

Cupido

Educao de Cupido

Tipo e Atributos de         Cupido

Esaco

Pico e Circe

O Cabelo de Niso

Nascimento de Cupido


Cupido         nos tempos primitivos  considerado um dos grandes
princpios do universo e at o mais antigo dos deuses.
Representa a fora poderosa que faz com que todos os         seres sejam
atrados uns pelos outros, e pela qual        nascem e se perpetuam
todas as raas. Mitologicamente,         no sabemos quem  seu pai, mas
os poetas e escultores         concordam em lhe dar Vnus por me, e 
realmente         naturalssimo que Cupido seja filho da beleza.



O         nascimento de Cupido proporcionou a Lesueur o tens de uma
encantadora composio. Vnus sentada nas nuvens est         rodeada
das trs Graas, uma das quais apresenta o         gracioso menino. Uma
das Horas, que paira no cu,     esparze flores sobre o grupo.

Educao         de Cupido


Notando         Vnus  que Eros (Cupido) no crescia e permanecia
sempre menino, perguntou o motivo a Tmis. A resposta         foi que o
menino cresceria quando tivesse um companheiro        que o amasse.
Vnus deu-lhe, ento, por amigo Anteros         (o amor partilhado).
Quando esto juntos, Cupido cresce,         mas volta a ser menino
quando Anteros o deixa.  uma         alegoria cujo sentido  que o
afeto necessita de ser     correspondido para desenvolver-se.


A         educao de Cupido por Vnus proporcionou assunto para
uma multido de maravilhosas composies em pedras         gravadas.
Vnus brinca com ele de mil modos diversos,         pegando-lhe o arco
ou as setas e seguindo-lhe com o olhar         os graciosos movimentos.
Mas o malicioso menino vinga-se, e vrias vezes a me experimenta o
efeito das suas         flechadas.


Cupido         era freqentemente considerado um civilizador que soube
mitigar a rudeza dos costumes primitivos. A arte         apoderou-se
dessa idia, apresentando-nos os animais         ferozes submetidos ao
irresistvel poder do filho de Vnus. Nas pedras gravadas antigas vemos
Cupido montado         num leo a quem enfeitia com os seus acordes;
outras         vezes atrela animais ferozes ao seu carro, aps
domestic-los, ou ento quebra os atributos dos deuses,     porque o
universo lhe est submetido. No obstante o         seu poder, jamais
ousou atacar Minerva e sempre respeitou as Musas.


Cupido          o espanto dos homens e dos deuses. Jpiter , prevendo
os males que ele causaria, quis         obrigar Vnus a desfazer-se
dele. Para o furtar          clera do senhor dos deuses, viu-se Vnus
obrigada a      ocult-lo nos bosques, onde ele sugou o leite de animais
ferozes. Tambm os poetas falam sem cessar da crueldade         de
Cupido: "Formosa Vnus, filha do mar e do rei do         Olimpo, que
ressentimento tens contra ns? Por que deste        a vida a tal
flagelo, Cupido, o deus feroz, impiedoso,         cujo esprito
corresponde to pouco ao encantos que o         embelezam? Por que
recebeu asas e o poder de lanar         setas, a fim de que no
pudssemos safar-nos dos seus        terrveis golpes?" (Bon).


Um         epigrama de Mosco mostra a que ponto conhecia Cupido o
seu poder, at contra Jpiter. "Tendo deposto o         arco e o
archote, Cupido, de cabelos encaracolados, pegou         um aguilho de
boieiro e suspendeu ao pescoo o alforje        de semeador; depois,
atrelou ao jugo uma parelha de bois vigorosos e nos sulcos atirou o
trigo de Ceres. Olhando,         ento para o cu, disse ao prprio
Jpiter:         "Fecunda estes campos, ou ento, touro da Europa,    eu
te atrelarei a este arado." (Antologia).


Luciano,         nos seus dilogos dos deuses, assim formula as queixas
de Jpiter a Cupido:


" Cupido .  - Sim, se cometi um erro, perdoa-me,         Jpiter. Sou
ainda menino e no atingi a idade da         razo.


Jpiter .  -         Tu, Cupido, um menino?! Mas se s mais velho que
Japeto.         Por no teres barba nem cabelos brancos, julga-tes ainda
menino? No. s velho e velho maldoso.


Cupido .  - E         que mal te fez, pois, este velho, como dizes, para
que penses em encade-lo?


Jpiter . -         V, pequenino malandro, se no  grande mal
insultar-me a ponto de fazeres com que eu me revestisse         da forma
de stiro, touro, cisne e gua. No fizeste         com que mulher
alguma se apaixonasse de mim prprio, e    no sei absolutamente que,
pelo teu sortilgio, eu         tenha conseguido agradar a uma que
fosse. Pelo         contrrio, devo recorrer a metamorfoses e
ocultar-me.          verdade que amam o touro ou o cisne, mas se me
vissem morreriam de medo." (Luciano).


Cupido         inspirou encantadores trechos a Anacreonte: "No meio
da noite, na hora em que todos os mortais dormem, Cupido         chega
e, batendo  minha porta, faz estremecer o         ferrolho: "Quem bate
assim? exclamei. Quem vem        interromper-me os sonhos cheios de
encanto? - Abre,         responde-me Cupido, no temas, sou pequenino.
Estou         molhado pela chuva, a lua desapareceu e eu me perdi
dentro da noite." Ouvindo tais palavras apiedei-me; acendo a lmpada,
abro e vejo um menino alado, armado de         arco e aljava; levo-o ao
p da lareira, aqueo-lhe os         dedinhos entre as minhas mos, e
enxugo-lhe os cabelos         encharcados de gua. Mal se reanima:
"Vamos,    diz-se, experimentemos o arco. Vejamos se a umidade o
no estragou. "Estica-o, ento, e vara-me o         corao, como faria
uma abelha; depois, salta, rindo        com malcia: "Meu hspede, diz,
rejubila-te. O meu         arco est funcionando perfeitamente bem, mas
o teu         corao est agora enfermo." (Anacreonte).


"Um         dia, Cupido, no percebendo uma abelha adormecida nas rosas,
foi por ela picado. Ferido no dedinho da mo,         solua, corre, voa
para o lado de sua me: "Estou         perdido, morro! Uma serpentezinha
alada me picou. Os         lavradores dizem que  uma abelha." Vnus
responde-lhe: "Se o aguilho de uma simples abelha         te faz
chorar, meu filho, reflete como devem sofrer         aqueles a quem tu
atinges com as setas!"         (Anacreonte).

Tipo         e Atributos de Cupido


Na         arte Cupido apresenta dois tipos distintos, pois uma das
vezes o vemos como adolescente, outras sob o aspecto de         gracioso
menino. Mas o primeiro de tais tipos  o mais         antigo. Uma pedra
gravada nos mostra Cupido de estilo         antigo, representado por um
efebo alado e disparando uma    seta. O arco, as setas e as asas so
sempre os atributos         de Cupido.


O         tipo de Cupido adolescente est fixado perfeitamente num
tronco do museu Pio-Clementino. Os membros, infelizmente,
faltam. Os ombros apresentam vestgios de orifcios         abertos para
acolherem o p das asas. A cabea, de        delicada beleza, est
coberta de cabelos encaracolados.


Foi         Praxteles, contemporneo de Alexandre, que fixou na
arte o tipo de Cupido. Sabe-se que o grande escultor era
freqentador assduo da famosa cortes Frinia. Esta,         ao lhe
pedir um dia que ele lhe cedesse a mais bela das         suas esttuas,
teve o prazer de ser ouvida. Mas Praxteles no lhe explicou qual delas
seria. Frinia,         ento, mandou que um escravo fosse  casa do
escultor,         e dali a pouco o escravo voltou dizendo que um
incndio         destrura a casa de Praxteles e com ela a maior parte
dos seus trabalhos; no entanto, acrescentou, que nem tudo
desaparecera. Praxteles precipitou-se imediatamente         para a
porta, gritando que estaria perdido todo o fruto         dos seus longos
esforos, se o incndio lhe no      tivesse poupado o Cupido e o
Stiro. Frinia         tranqilizou-o assegurando-lhe que nada estava
queimado         e que, graas ao ardil, ficara sabendo dele prprio o
que de melhor havia em escultura. Escolheu, assim, o         Cupido. Mas
no era para guard-la que a cortes         pedira a obra-prima ao
grande escultor, pois, na Grcia,         os costumes licenciosos no
impediam sentimentos   elevados. Frinia doou a esttua  cidade de
Tspies,         sua ptria, que Alexandre acabara de devastar. A
escultura foi consagrada num antigo templo de Cupido, e         foi
graas a esse Destino religioso que se tornou espcie de compensao
para uma cidade destruda pela         guerra. "Tspies j no  mais
nada, diz         Ccero, mas conserva o Cupido de Praxteles, e no h
viajante que no v visit-la para conhecer to         esplndida
obra-prima." Esse Cupido era de         mrmore, as asas eram douradas,
e ele empunhava o arco.        Calgula mandou que o transportassem para
Roma; Cludio devolveu-o aos habitantes de Tspies, Nero roubou-o de
novo. A clebre esttua foi, ento, colocada em Roma         sob os
prticos de Otvio, onde pouco depois a destruiu        um incndio.



O         escultor Lisipo tambm fizera uma esttua de Cupido
para os habitantes de Tspies, colocada ao lado da         obra-prima de
Praxteles. A famosa esttua conhecida         pelo nome de Cupido
empunhando o arco passa por ser cpia de uma dessas duas obras. Via-se
tambm no templo         de Vnus em Atenas um famosssimo quadro de
Zuxis,         representando Cupido coroado de rosas. At a conquista
romana, quase sempre fora Cupido representado como adolescente de formas
esbeltas e elegantes. A partir de         tal poca, surge mais
freqentemente sob o aspecto de         menino.


A         arte dos ltimos sculos representou muitas vezes
Cupido. No quarto de banho do cardeal Bibbiena, no         Vaticano,
Rafael fixou Cupido triunfante, fazendo puxar o         carro por
borboletas, cisnes, etc. Numa multido de     encantadoras composies
mostra-o doidejando ao lado de         sua me ou ento abandonando-a,
aps hav-la picado.


Parmeggianino         fez com Cupido e o seu arco uma graciosa figura
que, por        longo tempo foi atribuda a Correggio. Correggio e
Ticiano, por sua vez, fixaram Cupido em todas as suas         formas,
mas nenhum pintor o representou tantas vezes         quantas Rubens. Os
cupidos frescos e bochechudos do  grande mestre flamengo podem ser
vistos em todas as         galerias, brigando, brincando, voando,
correndo, colhendo         frutos, etc.


Embora         tais composies pequem, uma vez que outra, por um
pouco de afetao, so quase sempre encantadoras. A         maioria foi
popularizada pela gravura ou pela litografia.         Aqui, vemos Cupido
de p, asas abertas, passar os         braos em volta do pescoo da
Inocncia sentada num         cabeo. Mais longe, a Inocncia seduzida
por Cupido,          arrastada pelo Prazer e seguida pelo
Arrependimento.         Outras vezes, o autor representa Cupido preso
por um elo         de ferro ao pedestal de um busto de Minerva  e
pisando com o pequenino p, mas em         troca, outras  Cupido
triunfante que se vinga da mulher         insensata a qual julgou
encade-lo para sempre.


Cupido         fere vrias vezes sem ver, e d origem a sentimentos
que nem o mrito, nem a beleza explicam suficientemente.         Foi o
que Correggio pretendeu exprimir ao representar.         Vnus prendendo
uma venda sobre os olhos do filho.         Ticiano pintou o mesmo tema
que se v reproduzido com freqncia na arte dos ltimos sculos.


Esaco


Cupido         produz naqueles aos quais fere efeitos preendentes, que
na Lenda se traduzem sempre por metamorfoses. Assim, o         mergulho
 uma ave que voa sempre acima das guas e         nela mergulha
freqentemente. Noutros tempos, tratava-se         do filho de um rei,
que tinha averso  corte do pai e   evitava participar das festas que
ali se realizavam,         preferindo ir aos bosques, por ter a
esperana de         encontrar a ninfa Hespria a quem amava ternamente.
Entretanto Esaco, assim se chamava ele, no era correspondido. Um dia,
estando a ninfa a fugir-lhe          perseguio amorosa, foi picada
por uma serpente         venenosa e morreu. Esaco, desesperado por lhe
ter causado        a morte, atirou-se ao mar do alto de um rochedo. Mas
Ttis, comovida, sustentou-o na queda, cobriu-o de         penas, antes
que ele casse na gua e impediu-o, assim,         de morrer, por maior
que fosse o seu desejo de no      sobreviver  querida Hespria.
Indignado contra a mo         favorvel que o protege, queixa-se da
crueldade do         Destino que o fora a viver. Eleva-se no ar, depois
se         precipita com impetuosidade na gua; mas as penas o
sustm e reduzem o esforo que ele faz para morrer.         Furioso,
mergulha a todo instante no mar, e procura a         morte que o evita.
O amor tornou-o magro, tem coxas         longas e descarnadas e um
pescoo muito comprido. Ama as    guas, e  pelo fato de nelas
mergulhar constantemente         que se chama mergulho . (Ovdio).


Pico         e Circe


Pico,         filho de Saturno e rei da Itlia, era um jovem prncipe de
maravilhosa beleza. Todas as ninfas o admiravam quando         o viam,
mas a feiticeira Circe no se contentou com         admir-lo, e quis
que ele a desposasse. No entanto, s         colheu desdm, pois ele
amava perdidamente Canenta,         filha de Jano. Um dia, tendo ido
caar javalis,         encontrou Circe, que lhe confessou abertamente a
sua         paixo. Vendo-se desdenhada, a feiticeira proferiu as
terrveis palavras de que se serve para fazer         empalidecer a lua
ou obscurecer o sol. Pico, aterrorizado         com as frmulas mgicas,
comeou a fugir; mas         imediatamente notou que estava correndo
muito mais velozmente do que de hbito, ou antes que estava voando,
visto que fora metamorfoseado em ave. Na sua clera,         ps-se a
dar fortes bicadas nas rvores; as penas        tinham conservado a cor
das vestes usadas por ele naquele         dia, e o broche de ouro que as
prendia ficou assinalado         no seu pescoo por uma mancha
amarelada, brilhante.         Canenta chorou tanto que o seu formoso
corpo terminou por         se evaporar nos ares, e dela nada mais
restou.

O         Cabelo de Niso


De         todas as metamorfoses operadas por Cupido, no h
nenhuma que seja to surpreendente como a de que foi         vtima
Cila, filha do rei Niso.


O         rei de Creta, Minos, aps devastar as costas de Megara,
iniciara o cerco da cidade, cujo Destino  dependia de um cabelo de ouro
que Niso, rei         do pas trazia entre os cabelos brancos. O sto j
durava havia seis meses sem que a sorte se declarasse nem         por um
partido, nem por outro. Em Megara havia uma torre cujas muralhas
produziam um som harmonioso desde que Apolo  ali deixara a sua lira. A
filha do rei,         Cila, subia freqentemente, em tempo de paz, a
essa         torre, para ter o prazer de produzir nas muralhas alguns
sons atirando-lhes pequeninas pedras. Durante o cerco,         tambm
visitava o mesmo lugar para de l ver os ataques         e os combates
feridos em torno da cidade. Como fizesse         bastante tempo que os
inimigos se achavam acampados em         torno, ela conhecia os
principais oficiais, as suas         armas, os seus cavalos e a sua
maneira de combater. Nota         sobretudo o chefe, Minos, com
particular ateno e mais         do que o necessrio para a sua
tranqilidade, tanto que         a paixo atingiu tal ponto que ela
resolveu sacrificar o    pas  glria do estrangeiro a quem amava.



Uma         noite, enquanto a cidade inteira estava imersa no sono,
penetrou no aposento do pai e cortou-lhe o cabelo fatal.         Munida
do precioso objeto, a infeliz Cila, a quem o crime         dava nova
ousadia, saiu da cidade, atravessou o campo         inimigo, chegou 
tenda de Minos a quem confiou o cabelo  do qual dependia a salvao da
cidade. Minos sentiu         averso por to desnaturada filha, e
recusou-se a         v-la. O cabelo estava cortado, a cidade caiu entre
as         mos dos inimigos, mas Minos partiu imediatamente
depois, proibindo o embarque de Cila nos seus navios. Foi         em vo
que ela alcanou, banhada em lgrimas, a praia,         cabelos
desalinhados, braos estendidos para o homem que         a repelia. Viu
partir o navio, e, no seu desespero, atirou-se ao mar para seguir a nado
o ente amado. Mas         notou seu pai, Niso, que, metamorfoseado em
gavio , a perseguia, e comeava a cair sobre ela         para a
dilacerar a bicadas. Assim, em vez de nadar, Cila         comea tambm
a voar sobre a superfcie da gua, pois        estava, por sua vez
transformada em calhandra . Desde ento a ave de rapina, que ela to
indignamente trara, no cessa de lhe fazer cruel         guerra.
(Ovdio).
zzz

Ulisses

A Estria de Ulisses
O Ciclope
Elia
Circe
O Mundo Inferior
As Sereias, Cila e Caribde
O Rebanho do Sol
Calipso



A Estria de         Ulisses


Ulisses         (tambm chamado de Odisseu) sabia antes de ir a Tria
que decorreriam vinte anos para o seu         retorno  sua ilha rochosa
de taca, seu filho         Telmaco e sua esposa Penlope. Permaneceu
em Tria por dez anos e por outros dez singrou os oceanos,
naufragou, acabando por ficar desprovido de todos os seus
companheiros, freqentemente com a vida por um fio, at         que no
vigsimo ano chegou mais uma vez s praias de  sua ilha natal.

O         Ciclope


Ao         deixar Tria, Ulisses e seus companheiros primeiramente
encontraram os Cicnios, cuja cidade eles saquearam, mas         em
cujas mos sofreram pesadas baixas. Estiveram em         perigo de
perder mais elementos para os Comedores de        Loto, hedonistas que
nada faziam alm de ficarem         sentados e comendo as saborosas
frutas que os faziam         esquecer todos os cuidados e
responsabilidades. Ulisses         teve que arrastar a fora de volta ao
navio aqueles que,  entre os seus homens, provaram o loto. Mal tinham se
recobrado da aventura quando enfrentaram a seguinte, o         encontro
com o Ciclope Polifemo.


Os         ciclopes eram uma raa de fortes gigantes de um s
olho, que ocupavam uma frtil regio onde o solo gerava
abundantes plantaes por conta prpria, fornecendo um         pasto
farto para as gordas ovelhas e bodes. Ansioso para         encontrar os
habitantes de tal terra, Ulisses direcionou       um navio para o porto
e, desembarcando, se dirigiu         juntamente com a tripulao 
caverna do Ciclope         Polifemo, um filho de Posdon. Polifemo
estava fora         cuidando de suas ovelhas, assim Ulisses e a
tripulao    ficaram  vontade, at que ele retornou com o seu
rebanho ao crepsculo. O Ciclope era forte. Monstruoso e
terrvel e aps algumas poucas perguntas sobre a origem         e o que
desejavam seus hspedes inesperados, agarrou     dois deles e fez seus
miolos saltarem ao cho antes de         devor-los. A seguir o Ciclope
sentiu-se sonolento;         Ulisses considerou esfaque-lo at a morte,
mas         desistiu da idia quando percebeu que a fuga seria
impossvel, pois a entrada da caverna tinha sido         bloqueada com
uma grande rocha, a qual o Ciclope podia         erguer com uma s mo,
mas seria impossvel de mover         mesmo com a fora combinada de
Ulisses e seus companheiros. O Ciclope comeu mais dois homens de Ulisses
como refeio matinal e ento saiu, tomando o cuidado         de
recolocar a grande pedra na entrada da caverna. O         inteligente
Ulisses no demorou a montar um plano de         ao. Ele aguou a
ponta de uma grande estaca de         madeira que havia no cho da
caverna e endureceu sua         ponta ao fogo.


Ao         cair da tarde quando Polifemo retornou  caverna,
Ulisses ofereceu-lhe uma tigela de forte vinho para         acompanhar
sua rao de marinheiros gregos. O Ciclope         bebeu o vinho com
entusiasmo e pediu para que a tigela  fosse reenchida trs vezes. Ento,
num estupor de         embriaguez, deitou-se para dormir. Antes de
dormir,         perguntou o nome de seu hspede, e Ulisses respondeu que
era " Outis ", ou seja,         "Ningum" em grego; o Ciclope prometeu
que em retribuio pelo vinho comeria "Ningum" por         ltimo.
Assim que o monstro dormiu, Ulisses aqueceu a         ponta da estaca ao
fogo; quando ela ficou em brasa ele e    quatro de seus melhores homens
enterraram a ponta no olho         nico do Ciclope. O olho emitiu um
chiado, semelhante         "ao alto silvo que sai de um grande machado
ou         enx, quando o ferreiro coloca a pea dentro da gua para
conferir-lhes tmpera e dar fora ao ferro".         O Ciclope,
rudemente acordado pela dor terrvel, urrou e         rugiu, chamando
seus vizinhos, os outros Ciclopes, para         que viessem ajud-lo.
Mas quando estes se agruparam do lado de fora de sua caverna e
perguntaram quem o estava         incomodando, quem o tinha ferido, sua
nica resposta foi         que Ningum o incomodava e Ningum o estava
ferindo;         assim eles acabaram perdendo o interesse e se
retiraram.


Ao         amanhecer, Ulisses e seus homens se preparam para fugir
da caverna; cada homem foi amarrado embaixo de trs         grandes
ovelhas, enquanto Ulisses alojou-se sob o lder         do rebanho, um
grande carneiro com magnfica l. O        Ciclope cego afastou a pedra
e sentou-se  entrada da         caverna, tentando agarrar a tripulao
de Ulisses que         estava saindo juntamente com as ovelhas, mas
estes         passaram a salvo por suas mos, Ulisses por ltimo.
Guiando as ovelhas para o seu navio, eles trataram de         zarpar
rapidamente, apesar que Ulisses no resistiu         zombar do Ciclope,
que respondeu atirando pedaos de         penhascos na direo de sua
voz, alguns chegando a cair muito prximos do barco. Assim, Ulisses
reuniu-se ao         restante da esquadra e, enquanto os marinheiros
pranteavam os companheiros perdidos, consolaram-se com as
prprias ovelhas que tinham auxiliado sua fuga da         caverna.


Elia


Da         ilha do Ciclope, Ulisses velejou at que chegou  ilha
flutuante de Elia, cujo rei, olo, tinha recebido de Zeus  o poder
sobre todos os ventos. olo e sua         grande famlia receberam
Ulisses e sua tripulao de         maneira hospitaleira, e, ao chegar a
hora da partida,        olo deu a Ulisses uma bolsa de couro na qual
tinha         aprisionado todos os ventos tempestuosos; a seguir,
invocou uma boa brisa para o oeste que levaria os navios         a salvo
para casa, em taca. Eles velejaram no curso por        dez dias e
estavam  vista de taca quando o desastre         os atingiu. Ulisses,
que tinha ficado acordado toda a         jornada segurando o leme do
barco, caiu num sono exausto,         e sua tripulao, no sabendo o
que havia na bolsa de         couro, comeou a suspeitar que continha um
valioso         tesouro que olo teria dado a Ulisses. Ficaram
enciumados, sentindo que tinham enfrentado as situaes         difceis
com Ulisses, devendo tambm compartilhar suas     recompensas: acabaram
por abrir a bolsa e acidentalmente         libertaram os ventos. Ulisses
acordou no meio de uma         medonha tempestade, que soprou o navio de
volta a Elia.         Desta vez a recepo dada a Ulisses e a seus
companheiros foi bastante diferente. Eles pediram que         olo lhes
desse uma nova chance, mas, este declarando         que Ulisses devia
ser um homem odiado pelos deuses,         negou-se terminantemente a
ajud-los, mandando embora     Ulisses e seus companheiros.

Circe


Na         sua seguinte chegada  terra, Lestrignia, todos os
navios, com exceo o de Ulisses, foram perdidos num         calamitoso
encontro com os monstruosos habitantes; assim         foi num estado
considervel de pesar e depresso que        Ulisses e seus camaradas
sobreviventes viram-se na ilha         de Aca. Desembarcando,
permaneceram deitados dois dias e         duas noites na praia,
completamente exaustos pelos seus         esforos e desmoralizados
pelos horrores que tinham passado. No terceiro dia, Ulisses levantou-se
para         explorar a ilha, e a partir de um outeiro percebeu
fumaa saindo de uma habitao na floresta. Decidindo
prudentemente a no fazer um reconhecimento imediato,         retornou
ao barco para contar a novidade aos         companheiros.
Previsivelmente ficaram amedrontados,        lembrando dos Lestriges e
do Ciclope, mas, como Ulisses         estava determinado a explorar,
dividiu sua companhia em         dois grupos, um comandado por ele
prprio e o outro por         um homem chamado Eurloco. Os dois grupos
tinham a sorte        e a tarefa da explorao recaiu em Eurloco,
enquanto         Ulisses permaneceu no navio. O grupo de Eurloco acabou
chegando  casa na floresta. Do lado de fora existiam         lobos e
lees, que cabriolavam e faziam festas aos     homens; eram de fato
seres humanos que tinham sido         transformados em animais pela
feiticeira Circe, cujo         lindo canto podia ser escutado no
interior da casa.         Quando os marinheiros gritaram para chamar sua
ateno,  saiu e os convidados a entrar; apenas Eurloco,
suspeitando de algum truque, permaneceu do lado de fora.         Circe
ofereceu comida aos homens, no qual continha uma         droga que os
faria esquecer de sua terra natal; quando terminaram de comer, os tocou
com sua varinha e os         conduziu ao chiqueiro, pois agora possuam
a forma         externa de porcos, apesar de infelizmente lembrarem quem
       realmente eram.


Em         pnico, Eurloco voltou correndo ao navio para relatar
o desaparecimento de seus companheiros. Ulisses ordenou         que o
levasse de volta  casa de Circe, e quando se         recusou, partiu s
para o resgate. No seu caminho atravs da ilha, encontrou Hermes,
disfarado como um         jovem; o deus deu-lhe uma planta mgica, a
qual,         misturada com a comida de Circe, seria um antdoto para
sua droga; tambm o instruiu como lidar com a         feiticeira: quando
Circe o tocasse com sua varinha,         deveria avanar sobre ela como
se para mat-la; ela         ento recuaria com medo e o convidaria a
compartilhar de       sua cama. Deveria concordar com isso, mas deveria
faz-la jurar solenemente a no tentar truques enquanto
estivesse vulnervel.


Os         fatos se passaram como Hermes tinha previsto. Aps terem
ido para a cama, Circe banhou Ulisses e o vestiu com         roupas
finas e lhe preparou um suntuoso banquete, mas         Ulisses sentou-se
numa abstrao silenciosa, recusando        toda a ateno. Circe acabou
lhe perguntando o que         estava errado, e disse-lhe que ela no
poderia esperar         que estivesse de corpo e alma na festa enquanto
metade de         sua tripulao estava chafurdando no chiqueiro. Ento
Circe libertou os novos porcos de seu confinamento e os untou com
ungento mgico. Seus plos rijos caram e         se tornaram novamente
homens, porm mais jovens e mais         bonitos do que tinham sido
antes. Ulisses e seus homens         choraram com alvio e alegria e
pararam apenas quando Circe sugeriu que deveriam chamar o restante de
sua         companhia para que se juntassem  celebrao. Ficaram
com Circe por todo um ano, comendo, bebendo e se        divertindo,
esquecendo os percalos que tinham passado.

O         Mundo Inferior


Eventualmente,         Ulisses foi lembrado por alguns dos companheiros
que     talvez fosse tempo de se pensar em taca. Circe avisou-o
que antes de zarpar para casa deveria primeiro visitar o         Mundo
Inferior (ou reino dos mortos) para consultar o         profeta tebano
Tirsias: apenas Tirsias poderia        dar-lhe instrues para seu
retorno. Assim, Ulisses         velejou com seu navio atravs do Rio de
Oceano e atracou         o barco perto do bosque de choupos de
Persfone. L, na         margem, cavou uma vala na qual colocou
libaes aos        mortos, compostas de mel, gua, leite e vinho; sobre
a         vala cortou a garganta de um carneiro e de uma ovelha
negra. Atrados pelo cheiro de sangue, as almas dos         mortos
surgiram para beber, mas Ulisses sacou sua espada        e os manteve a
distncia, esperando pelo aparecimento da         alma de Tirsias. O
primeiro a aparecer foi um elemento         de sua tripulao, Elpenor,
que tinha cado do teto da         casa da Circe onde estava dormindo na
manh da partida e         o qual, na nsia dos outros em partir, tinha
ficado sem   enterro nem velrio; Ulisses prometeu resolver este caso
assim que possvel. Quando Tirsias apareceu, Ulisses o         deixou
beber o sangue, e o profeta ento disse-lhe que         havia uma boa
possibilidade para seu retorno a salvo para        casa, mas deveria
certificar-se em no pilhar o Rebanho         do Sol na ilha de
Trincia; tambm o alertou sobre a         situao que encontraria em
taca, onde pretendentes         astutos estavam cercando sua fiel
esposa Penlope.


Aps         ter ouvido o que Tirsias poderia contar-lhe, Ulisses
deixou outras almas se aproximarem e beber o sangue, o         que lhes
possibilitou conversar com Ulisses. A primeira         que surgiu era
sua velha me, que relatou-lhe como tinha         morrido e fez um
triste relato do estado lamentvel de seu pai Laerte e os bravos
esforos de Penlope para         repelir seus pretendentes. Ulisses,
tocado pelo pesar e         desejando confortar tanto a si prprio como
a sua me,         tentou trs vezes abraa-la, mas nas trs vezes se
desvaneceu entre seus braos e o deixou segurando o ar.         Outras
heronas aproximaram-se e conversaram, e a seguir         veio Agamenon,
que contou a Ulisses sobre sua morte         sangrenta, confortando-o
com a idia que Penlope nunca agiria como Clitemnestra. Aquiles tambm
se aproximou, e         Ulisses saudou-o como o homem mais afortunado
que j         havia vivido, um poderoso prncipe entre os vivos e os
mortos. Aquiles respondeu que preferiria ser um escravo       vivo do
que um rei morto, mas Ulisses o consolou com         notcias das
faanhas de seu filho Neoptlemo, e         partiu feliz.


Durante         esta visita Ulisses viu alguns dos famosos componentes
do   mundo dos mortos; Ssifo eternamente empurrando sua         grande
pedra montanha acima, com ela escorregando de         volta assim que
chegava ao topo; e Tntalo, enfiado at         o pescoo dentro de uma
pequena lagoa com gua, a qual    desaparecia quando se inclinava para
beb-la, com ramos         de frutas pendentes sobre sua cabea que
sumiam quando         ele tentava alcana-las. Ulisses queria ver mais,
e         encontrou o fantasma do poderoso Hrcules , mas antes de poder
encontrar outros         heris de geraes anteriores, foi assustado
por uma         grande onde de mortos que vieram aos milhares em sua
direo e elevaram a sua volta seus brados lgubres e         dolorosos;
em pnico, retornou ao navio, soltou as         amarras e cruzou de
volta ao mundo dos vivos.

As         Sereias, Cila e Caribde


Ulisses         retornou  ilha de Circe, e assim que Elpenor foi
adequadamente sepultado, Circe deu a Ulisses mais         instrues
para a sua jornada e para prepar-lo para         os males que ainda
estavam por vir. O navio velejou     primeiro para a ilha das Sereias,
terrveis criaturas         com cabeas e vozes de mulheres, mas com
corpos de         pssaros, que existiam com o propsito de atrair
marinheiros para as rochas de sua ilha com doces canes. Quando o barco
se aproximou, uma calmaria         mortal se abateu sobre o mar, e a
tripulao utilizou         os remos. De acordo com as instrues de
Circe, Ulisses         tampou os ouvidos da tripulao com cera,
enquanto ele prprio foi amarrado ao mastro, de modo que pudesse
passar a salvo pelo perigo e ainda ouvir a cano.         "Venha para
perto, Ulisses", cantavam as Sereias: Ulisses gritou para seus homens
para que o         soltassem, mas remaram resolutamente para a frente, e
o         perigo acabou passando.


A         prxima tarefa era navegar os dois locais perigosos de
Cila e Caribde. Caribde era um terrvel redemoinho, que
alternativamente sugava e aatirava para cima a gua; os
marinheiros prudentes que escolheram evit-lo foram         forados a
encontrar, ao invs, a igualmente terrvel Cila. Cila ocultava-se numa
caverna localizada no alto de         um rochedo, disfarada pela nvoa
e vapor de gua dos         vagalhes abaixo; possua doze ps que
balanavam no         ar e seis pescoos, cada um equipado com uma
monstruosa cabea com trs fileiras de dentes. Da sua caverna
exigia uma taxa de vtimas humanas dos barcos que         passavam
abaixo. Ulisses, alertado por Circe, decidiu      no contar a seus
marinheiros sobre Cila; passando mais         ao largo possvel de
Caridbe, eles passaram diretamente         abaixo do rochedo de Cila, e,
apesar de Ulisses estar         armado e preparado para lutar com ela
pela vida da     tripulao, conseguiu escapar de sua vigilncia e teve
sucesso em arrebatar seis vtimas aos berros.

O         Rebanho do Sol


A         seguir, o navio aproximou-se da ilha de Trincia, um
local de pasto farto onde Apolo  mantinha         seu rebanho do gado
gordo. Ulisses tinha sido alertado  tanto por Circe como por Tirsias
que, se esperava         alcanar taca vivo, deveria evitar este local
e, a         qualquer custo, no tocar neste gado. Explicou isto a
seus homens, mas, cansados e deprimidos pela perda de mais seis
camaradas, insistiram em lanar ncora e         passar a noite na
praia. Deparando-se com um motim,         Ulisses tinha poucas opes
alm de concordar, mas os     fez jurar que deixariam o gado em paz.
Naquela noite         formou-se uma tempestade, e por todo um ms o
vento         soprou do sul, sendo impossvel continuarem sua viagem.



Enquanto         possuam as provises que Circe tinha lhes dado, os
homens mantiveram sua promessa e no tocaram no gado.         Mas sua
comida acabou por terminar e, movidos pela fome,         aproveitaram a
oportunidade de uma ausncia temporria         de Ulisses para abater
alguns dos mais belos exemplares    do rebanho; consideravam que se os
sacrificassem em honra         dos deuses, os deuses dificilmente
ficariam irados.         Ulisses retornou sentindo o odor da carne
assada;         repreenso era intil, pois o mal estava feito, e os
deuses estavam determinados a vingar o crime. Quando a         carne
terminou, o vento amainou, assim o navio pode         zarpar; mas nem
bem estava no mar quando uma terrvel         borrasca surgiu e o barco
foi primeiramente esmagado pela        fora das ondas, e a seguir feito
em pedaos por um         raio. Toda a tripulao se perdeu, salvo o
prprio         Ulisses, que conseguiu agarrar-se aos destroos do
mastro e quilha, no qual permaneceu por dez dias at que        foi
jogado nas areias da ilha de Pgigia, morada da linda         ninfa
Calipso.

Calipso


Calipso         tornou Ulisses seu amante e ficou com ela por sete anos,
pois no tinha meios de escapar. A deusa Atena  acabou enviando Hermes,
mensageiro dos         deuses, para explicar  ninfa que era chegada a
hora de         deixar seu visitante seguir seu caminho. Calipso, apesar
de relutante em perd-lo, sabia que devia obedecer, assim forneceu a
Ulisses material para a confeco de         uma jangada, deu-lhe comida
e bebida e invocou um vento         suave para lev-lo de volta a taca.
Sem incidentes,        aproximou-se da terra dos Fecios, grandes
marinheiros         que estavam destinados a lev-lo na ltima etapa de
sua         viagem. Mas ento Posdon interviu: detestava Ulisses
pelo que tinha causado a seu filho, o Ciclope Polifemo, e         agora
estava irado por v-lo to prximo do fim de sua jornada. Ento, enviou
outra tempestade, que partiu o         mastro da jangada e a deixou ser
levada pelo vento.


Como         o vento norte na poca da colheita arremessa pelos
campos uma bola de cardo, o mesmo ocorreu com a sua         jangada,
indo para cima e para baixo sobre as ondas.         Agora o Vento Sul o
jogaria para o Norte como um jogo, e         agora o Leste o deixaria
para ser perseguido pelo Oeste .


Ulisses         foi salvo da morte certa pela interveno da ninfa
marinha Ino. Ela deu-lhe seu vu, instruindo-o a at-la         ao redor
da cintura e ento a abandonar o barco e se         dirigir para a
praia. Como uma grande onda despedaou        sua jangada, Ulisses fez o
que tinha lhe sido dito. Por         dois dias e duas noites nadou em
frente, mas no terceiro         dia alcanou as praias de Fecia e
acabou conseguindo         chegar  costa rochosa na foz de um rio.
Atirou o vu         de Ino de volta ao mar e deitou-se numa moita
espessa para dormir.
zzz

Ulisses

Ulisses em taca



Ulisses em Fecia


Inspirada         por Atena , a princesa Feaciana Nauscaa tinha
escolhido aquele mesmo dia para uma ida  foz do rio         para lavar
roupas nas fundas lagoas que l existiam.       Quando ela e suas
criadas terminaram a lavagem e         espalharam as roupas sobre os
seixos, tomaram banho,         comeram e se divertiram cantando e
brincando com uma bola         enquanto esperavam que as roupas
secassem. Quando Nauscaa atirou a bola para uma das criadas, esta no
conseguiu segurar e acabou caindo no rio; todas as moas
gritaram alto e Ulisses         acordou de seu sono, imaginando em que
terra selvagem         tinha chegado agora. Quebrando um galho, o qual
utilizou         para esconder sua nudez, emergiu de sua moita e
encontrando Nauscaa bravamente mantendo o seu lugar,      enquanto as
outras moas fugiram em pnico. Dirigiu-se         a Nauscaa numa
splica, pedindo-lhe para mostrar o         caminho para a cidade e para
que desse algo para vestir.         Nauscaa respondeu-lhe com dignidade
e gentileza, e,        aps ter tomado banho, Ulisses passou leo no
prprio         corpo e vestiu-se com uma das finas roupas delas;
deu-lhe         comida e bebida, e ele a acompanhou juntamente com as
outras moas de volta aos arredores da cidade. Para       evitar
fofocas, Nauscaa deixou Ulisses neste ponto,         para que fosse s
ao centro da cidade. Sugeriu que fosse         direto  casa de seu pai
Alcnoo e casse aos ps de         sua me Arete com uma splica.



Guiado         pela prpria Atena na forma de outra moa local,
Ulisses chegou ao esplndido palcio de Alcnoo. Havia         paredes
de bronze e portes de ouro, guardados por ces         de guarda de
ouro e prata. Dentro do palcio, a luz era         fornecida por
esttuas de ouro macio mostrando jovens  portando tochas. Dentro do
ptio havia um lindo jardim e         horta, com rvores frutferas,
vinhas e uma bem aguada         cobertura vegetal. Aps ter admirado
tudo isso, Ulisses,         envolto numa nvoa criada por Atena, entrou
e caminhou        diretamente em direo  rainha Arete, colocando seus
braos em volta de seus joelhos numa splica. Assim que         a nvoa
disfarante se dissipou, os Fecios escutaram         com espanto sua
petio: pediu abrigo e para ser       transportado para sua terra
natal.


Quando         se recobrou de sua surpresa inicial, Alcnoo foi generoso
na sua reao. Polidamente, evitou questionar         seu hspede
imediatamente, arranjou-lhe um descanso         imediato, prometendo que
pela manh medidas seriam        tomadas para retorn-lo a sua terra.
Quando os outros         Fecios se retiraram e Ulisses ficou a ss com
Alcnoo, Arete perguntou-lhe quem era e como tinha         conseguido
suas roupas, as quais no tinha tardado a   reconhecer. Ulisses, ento,
contou a estria de suas         aventuras desde que tinha deixado a
ilha de Ogigia,         explicando como tinha encontrado Nauscaa na foz
do rio.         Enquanto isso, Arete arranjou que um leito fosse
arrumado        e Ulisses ficou grato em se retirar.


No         dia seguinte um barco foi emparelhado para transportar
Ulisses de volta  sua casa, mas antes de partir, o         hospitaleiro
Alcnoo insistiu em festejar seu hspede e         regal-lo com
esportes e outros entretenimentos.        Primeiro o bardo Demdoco
atuou para o grupo reunido,         cantando um episdio da guerra de
Tria, uma discusso         que tinha ocorrido entre o ilustre Aquiles
e o         inteligente Ulisses. Enquanto escutava, Ulisses chorou e
moveu seu manto sobre a cabea para esconder sua         tristeza.
Apenas Alcnoo percebeu, e para alegrar seu         convidado props
algumas competies atlticas. No         incio Ulisses ficou alegre ao
observar os jovens         nobres, mas, quando desafiado, atirou o disco
a uma         distncia recorde. A seguir, ocorreram danas e ento
Demdoco cantou novamente a estria das aventuras  amorosas de Afrodite
e Ares . Os         nobres Feacianos competiram entre si para presentear
Ulisses. Na refeio da noite, Demdoco cantou         novamente, e com
sugesto de Ulisses o tema foi o Cavalo         de Madeira de Tria .
Ulisses chorou novamente enquanto ouvia, e novamente         apenas
Alcnoo o observou. Ao fim da estria, Alcnoo         pediu a Ulisses
que lhes contasse quem era, de onde vinha         e para onde desejava
ser transportado; e porque chorava         com as canes do bardo.
Assim convidado, Ulisses contou quem era e descreveu todas as aventuras
pelas         quais tinha passado: falou dos Cicnios e dos Comedores
de Loto, do Ciclope, olo, os Lestriges, Circe, sua         visita ao
mundo dos mortos, as Sereias, Cila e Caridbe e         o Rebanho do Sol,
finalizando com sua estada com Calipso,         de onde acabou por sair
e ser trazido  terra dos         Fecios.


Na         manh seguinte Ulisses despediu-se finalmente de seus
anfitries e um rpido barco Feaciano o conduziu sem         incidentes
a taca. Ulisses dormiu quando o barco         percorria sua rota, e
estava ainda adormecido quando a       estrela d'alva surgiu e a
tripulao o colocou,         juntamente com os presentes recebidos dos
Fecios, na         praia de taca, ao lado de uma maravilhosa caverna,
morada das ninfas. Quando Ulisses acordou no conseguiu  reconhecer o
local, em grande parte porque Atena tinha         lanado uma nvoa
sobre a ilha, para lhe dar tempo de         encontrar Ulisses e lhe
arranjar um disfarce adequado.         Como estava nervosamente se
perguntando onde os    traioeiros Fecios o tinham desembarcado, Atena
apareceu na forma de um pastor e, em         resposta s suas perguntas,
contou-lhe que estava         realmente em taca. O cansado Ulisses
contou a deusa uma     estria sobre ser um exilado cretense; ela sorriu
diante         de sua inteligncia e em resposta revelou sua verdadeira
identidade, reafirmando-lhe que estava realmente em         taca, e o
aconselhou como deveria proceder para reconquistar sua esposa e reino.


[top1.gif] Ulisses         em taca


Nos         vinte anos que Ulisses esteve fora de casa, a maioria do
povo de taca, fora sua esposa Penlope, seu filho         Telmaco e
uns poucos amigos fiis, acreditava que         estava morto, que tinha
morrido em Tria ou na sua        viagem de volta. Como Penlope no era
apenas bonita e         completa, mas tambm rica e poderosa, sendo que
o homem         que casasse com ela herdaria a riqueza e a posio de
Ulisses, estava sendo acossada por pretendentes, jovens         nobres
que permaneciam no palcio de seu marido, comendo e bebendo suas
provises e forando suas atenes         indesejadas sobre ela. Pelo
perodo que pode, Penlope         ganhou tempo, convencendo cada um que
havia base para         esperana, mas no dizendo nada definitivo a
qualquer um deles. Por trs anos os enganou, dizendo que estava
tecendo um manto para o velho pai de Ulisses, Laerte;         seria
inadmissvel que ele morresse sem que tivesse uma         mortalha
pronta; portanto deveriam aguardar sua deciso        at que tivesse
terminado sua tarefa. Todos os dias         trabalhava no tear, mas 
noite desfazia seu trabalho         sob luz de tochas. No incio do
quarto ano, entretanto,         foi trada por uma de suas criadas, que
ajudou seus        pretendentes a peg-la no seu artifcio. E
relutantemente foi forada a terminar seu tecido.


Pouco         antes da chegada de Ulisses em taca, Atena inspirou
Telmaco, agora com idade para desempenhar um papel         ativo no
retorno de seu pai, a fazer uma jornada com o         objetivo de
descobrir o que lhe tinha acontecido.        Telmaco se dirigiu
primeiramente a Pilos, onde         consultou o velho Nestor; Nestor no
tinha novidades,         mas o enviou ao magnificente palcio de Menelau
em         Esparta. Menelau e Helena o trataram com grande bondade,
e Menelau explicou como tinha ficado sabendo de um Velho         Homem
do Mar que Ulisses estava retido na ilha da linda         ninfa Calipso.
Quando Ulisses chegou a taca, Telmaco         estava voltando para
casa; os pretendentes, irritados e         um pouco alarmados pelo
comportamento de Telmaco,         planejaram emboscar seu barco durante
o seu retorno, mas,         com a ajuda de Atena, Telmaco escapou desta
armadilha e         chegou a salvo em casa.


Atena         aconselhou Ulisses a no ir diretamente  cidade mas,
ao contrrio, procurar abrigo com o porqueiro Eumeu, que         vivia
com seus porcos numa fazenda um pouco distante.         Disfarado como
um mendigo, Ulisses fez como sua     patronesse sugeriu, e foi muito bem
recebido por Eumeu,         cuja explanao sobre a situao na cidade
era         entremeada com elogios a seu senhor ausente e preces para
seu retorno a salvo. Em resposta s perguntas de Eumeu,       Ulisses
contou-lhe uma longa estria sobre suas origens,         dizendo ser um
filho ilegtimo de um rico cretense;         aps muitas aventuras tinha
acabado em Tesprtia, onde         tinha ouvido falar de Ulisses, o qual
tinha passado a        pouco tempo por este local. O rei de Tesprtia o
colocou         num navio com destino a Duliquio, mas a maldosa
tripulao o tinha preso, com a inteno de vend-lo         como
escravo. Quando eles desembarcaram em taca, conseguiu soltar-se de suas
cordas e nadar para a praia,         chegando ento  morada de Eumeu.



Eumeu         engoliu toda a estria, exceto referncias a Ulisses,
que se recusava a aceitar, mesmo quando seu hspede         jurou que
estaria de volta naquele mesmo ms e         ofereceu-se para ser jogado
num abismo pelos homens de         Eumeu se estivesse errado. Eumeu
serviu a Ulisses uma refeio composta de carne de porco assada, e
arrumou         uma confortvel cama perto do fogo; ele prprio passou
a noite do lado de fora, cuidando da propriedade de seu         senhor
ausente.


Na         noite seguinte, durante o jantar na cabana do porqueiro,
Ulisses anunciou sua inteno de rumar para a cidade         para
esmolar no palcio; mas Eumeu, ansioso pela         segurana de seu
hspede, insistiu que esperasse o        retorno de Telmaco. Naquela
noite, foi a vez de Eumeu         contar a estria de sua prpria vida,
e contou como         tinha nascido de pais nobres mas sendo raptado por
mercadores fencios quando era criana, para ser vendido como escravo em
taca. Na manh seguinte,         Telmaco chegou a ilha e, guiado por
Atena , seguiu diretamente para a cabana do         porqueiro. Enquanto
Eumeu seguiu para a cidade para         contar a Penlope que Telmaco
estava de volta, Atena     dissolveu o disfarce de Ulisses e solicitou
que revelasse         a identidade do filho. Telmaco a princpio
relutou em         acreditar que o mendigo na cabana do porqueiro era
realmente seu pai, mas acabou convencendo-se e os dois        choraram
juntos, de alegria e alvio. Ao se recobrarem         fizeram planos:
Ulisses seguiria Telmaco de volta          cidade e iria esmolar em
seu prprio palcio. L,         avaliaria a situao e esperaria a
oportunidade ideal    para atacar; quando esta ocasio chegasse,
sinalizaria         para Telmaco e, ento, os dois, com a ajuda de Zeus
e Atena, dariam cabo dos miserveis         pretendentes.


Ulisses         foi para a cidade em companhia do porqueiro. No caminho
encontraram o pastor de cabras Melanteu, em velhaco
completamente a soldo dos pretendentes, que dirigiu         vrios
insultos e golpes ao velho mendigo. Do lado de         fora, sobre um
monte de esterco, estava um velho galgo,    doente e debilitado. Quando
escutou a voz de Ulisses,         ergueu as orelhas e moveu alegremente
sua cauda. Ulisses         o reconheceu imediatamente e, tocado por sua
aparncia,         disfaradamente verteu uma lgrima. Ao comentar a
aparncia dilapidada do co com Eumeu, este ltimo         respondeu que
h vinte anos nenhum co podia vencer         Argos, ou farejar melhor,
mas na ausncia de seu senhor         envelheceu e ficou malcuidado.
Quando os dois entraram no        prdio, Argos morreu em silncio,
feliz de ver seu         senhor novamente aps vinte longos anos.



Como         seria previsvel, Ulisses foi agredido e insultado pelos
pretendentes quando tentou esmolar no seu prprio         salo. Eles
zombaram de seus andrajos, o ameaaram, e         um chegou mesmo a
jogar um banquinho nele. Mas, ao vencer        o mendigo resistente num
pugilato, subiu no conceito         deles. Neste ponto, Penlope foi
subitamente inspirada a         se mostrar aos pretendentes. Assim,
desceu ao salo,         onde sua beleza encheu a todos com desejo;
repreendeu        Telmaco por permitir que insultassem o mendigo em sua
casa, voltando-se ento aos pretendentes e sugerindo         que, ao
invs deles consumirem sua casa, seria mais         adequado que lhe
trouxessem presentes. Concordaram e,  para prazer de Ulisses, trouxeram
finos presentes de         tecidos e jias. Ao cair da noite, era hora
de novo         banquete e Ulisses fez-se til cuidando das luzes e
fogos. Os pretendentes novamente desafiaram o mendigo   entre eles, e
outro banco foi atirado, para ser         imediatamente evitado pelo seu
alvo. Quando os         pretendentes finalmente se retiraram para suas
prprias         casas para passar a noite, Telmaco e Ulisses removeram
todas as armas da sala e as guardaram num depsito.         Penlope
desceu ento novamente para conversar com o         mendigo, cuja
presena tinha despertado seu interesse.         Perguntou-lhe de onde
tinha vindo e explicou sua prpria     difcil situao: os pretendentes
estavam pressionando         para que fizesse sua escolha entre eles,
enquanto apenas         desejava a volta de Ulisses. Ulisses
respondeu-lhe que         era um cretense de descendncia real, e que
tinha     encontrado Ulisses em Creta. Para testar a veracidade de
sua estria, perguntou-lhe que roupas Ulisses estava         usando, o
qual descreveu uma capa prpura com um broche         de ouro com um
detalhe de um galgo mordendo um fauno.        Penlope chorou quando
reconheceu estes detalhes. Para         anim-la, Ulisses prometeu-lhe
que seu marido estava         vivo, bem e muito perto; de fato estaria
de volta a         taca naquele mesmo ms.


Penlope         sugeriu ento que o mendigo poderia apreciar um banho e
uma cama confortvel. Mas o cauteloso Ulisses,         entretanto,
apenas permitiu que seus ps fossem lavados         por uma antiga
criada, assim a velha ama Eumia foi         chamada para a tarefa.
Eumia comentou imediatamente         como o mendigo s fazia lembrar de
Ulisses; Ulisses         respondeu que todos diziam o mesmo. Quando
comeou a         lavar seus ps, Ulisses subitamente lembrou-se da
cicatriz na sua perna, conseguida quando era apenas um         menino e
tinha se juntado a uma expedio de caa de         javalis no monte
Parnasso com seu av Autlico e seus         tios. Ficou nas sombras,
mas evidentemente Eumia sentiu        e reconheceu a cicatriz; na
excitao, derrubou a bacia         com gua e teria gritado alto para
avisar Penlope se         Ulisses no tivesse agarrado firmemente pela
garganta e         a instrudo a no contar a ningum quem era at que
se livrasse dos pretendentes. Durante todo este tempo, Penlope estava
sentada absorta em seus pensamentos. Mas         quando Eumia buscou
mais gua e terminou a tarefa e         Ulisses estava novamente sentado
ao lado do fogo,        dirigiu-se novamente a ele e explicou seu
dilema: deveria         se casar para livrar Telmaco do fardo de sua
presena         e das dos pretendentes, ou continuar a aguardar a volta
de Ulisses? Perguntou-lhe se o mendigo poderia explicar o
significado de um sonho recente no qual uma grande guia     desceu das
montanhas e abateu-se sobre seus vinte gansos         de estimao,
matando-os todos; a seguir, pousando num         apoio do telhado, a ave
disse-lhe que os gansos eram os         pretendentes e ela prpria era
Ulisses. O mendigo        Ulisses assegurou-lhe que o sonho se tornaria
verdade e         que os pretendentes seriam todos destrudos, mas a
cautelosa Penlope respondeu que os sonhos so         confusos; aqueles
que viessem atravs do porto de         chifre se tornariam verdade,
mas aqueles do porto de         marfim vinham apenas para enganar.
Antes de ela se         retirar para seus aposentos para passar a noite,
e chorar        por Ulisses at que conseguiu dormir, disse ao mendigo
que pretendia anunciar uma competio entre os         pretendentes.
Colocaria doze cabeas de machado em linha         e convidaria os
pretendentes a curvar o grande arco de        Ulisses e mandar uma
flecha diretamente atravs de todas         as doze. Casaria com aquele
que provasse ser capaz de         realizar este feito, o qual Ulisses
freqentemente era         capaz de realizar.


No         dia seguinte, Penlope trouxe o grande arco de Ulisses e
anunciou a competio aos pretendentes, cada um         esperando ser o
nico a curvar o arco e atirar atravs         das cabeas de machados.
Telmaco preparou o salo        para a competio e tentou curvar o
grande arco,         dobrando-o atravs de seu joelho. Isso necessitou
toda a         sua fora, e poderia Ter conseguido se no fosse um
sinal de cabea de Ulisses para que parasse. Assim,     abandonou a
tentativa e os pretendentes tiveram, um por         um, a sua vez, mas
nenhum conseguiu curvar o arco, ainda         mais mandar uma flecha
atravs dos machados. Enquanto         estavam experimentando suas
foras, Ulisses esgueirou-se        para fora do salo e revelou sua
verdadeira identidade         ao porqueiro Eumeu e ao igualmente
confivel vaqueiro         Filtio, orientando-os a virem em seu auxlio
quando         desse o sinal. Quando um dos dois lderes dos
pretendentes, Eurmaco, tentou e falhou no teste, o         outro lder,
Antnoo, sugeriu que adiassem isto por um         dia, pois tratava-se
de um dia festivo e deveriam estar         se banqueteando e fazendo
sacrifcios ao deus-arqueiro Apolo ; sua sugesto foi completamente
aprovada.         Aps todos terem bebido seu primeiro brinde, Ulisses
perguntou se ele poderia tentar o arco. Antnoo no     concordou, mas
Penlope, que estava observando a cena,         insistiu que tivesse
direito a uma chance; Telmaco         ento interviu, mandando sua me
de volta a seu quarto.         No meio do burburinho o porqueiro Eumeu
sorrateiramente        retirou o arco e o levou a Ulisses, colocando-o
nas suas         mos. Vistoriou a arma familiar, para assegurar-se que
no estava danificada pelo longo desuso; ento,         "to facilmente
como um msico que conhece as cordas de sua lira, foi colocado novo
encordoamento aps         a tripa de ovelha ter sido enrolada nas duas
extremidades", encordoou o arco e o curvou, o qual        cantou nas
suas mos como uma chamada de uma andorinha.         Em silncio, sem
alarde, ajustou uma flecha no arco e         atirou atravs de toda a
linha de machados.


Os         pretendentes, pegos de surpresa, ficaram ainda mais
chocados com a seqncia. Ao correr Telmaco para         tomar o seu
lugar ao lado do pai, Ulisses apontou uma         segunda flecha, desta
vez  garganta de Antnoo. No        percebendo o que estava
acontecendo e pensando se tratar         de um acidente, os pretendentes
cercaram Ulisses         furiosos, mas quando contou-lhes quem realmente
era e que         sua inteno era matar a todos, perceberam sua
situao e tentaram atac-lo. Ajudado pelos fiis         servos, o
vaqueiro e o porqueiro, Ulisses e Telmaco         poderiam ainda estar
em desvantagem pelo grande nmero        de pretendentes, se Atena no
tivesse intervido em seu         favor. Pretendente aps pretendente
caiu ao cho, sendo         poupados apenas o menestrel e o mensageiro,
que foram         pressionados a servirem contra a vontade aos
pretendentes. Os pretendentes "jaziam aos montes,         sobre o sangue
e a poeira, como os peixes que o pescador        tinha retirado das
profundezas entre as malhas de sua         rede, numa curva de praia,
para jazer em grupos sobre a         areia, arquejando pela gua salgada
at que o sol         brilhante desse um fim a suas vidas" . Ulisses
ento "manchado com sangue e         sujeira, como um leo que acabasse
de se alimentar de um         novilho", chamou a velha ama Eumia. Ela
apontou as        criadas que se desgraaram ao servir os pretendentes
limpando e arrumando o salo; isto feito, foram         enforcadas de
uma vez no ptio.


Penlope,         sob a influncia de Atena, tinha dormido profundamente
durante o barulho da grande batalha no salo e as         operaes
subseqentes de limpeza. Agora foi acordada         por Eumia que
contou as novas sobre o retorno de seu         marido. Atordoada pelo
choque, no conseguia Ter completa certeza que o estranho era realmente
Ulisses, ou         o que deveria dizer-lhe. Cautelosa como o seu
marido, ela         colocou-lhe um teste final instruindo Eumia a
retirar         de seu quarto o grande leito que Ulisses tinha
construdo. Ulisses sabia que o leito era impossvel de         ser
movido, pois tinha sido construdo ao redor de uma         oliveira
viva. Apenas quando, exasperado pela sua         obstinao, descreveu a
construo da cama  que         Penlope ficou convencida que ele era
realmente seu         marido longamente desaparecido; atirou-se em seus
braos         e chorou. Ento foram juntos para seu leito nupcial e
finalmente puderam ficar um nos braos do outro; Ulisses         contou
a Penlope todas as suas aventuras e a noite         continuou se
estendendo, pois a deusa Atena retardou a         aurora s praias de
Oceano .
zzz

A         Guerra de Tria

A Expedio Parte

A Ira de Aquiles




A         Guerra de Tria realmente aconteceu? A extenso do
apelo que a estria tem exercido sobre sucessivas         geraes 
demonstrada pelos esforos de incontveis         historiadores,
arquelogos e romnticos entusiastas    para estabelecer a base
histrica para a guerra de         Tria. Atualmente,  geralmente
aceito que o local foi         corretamente identificado no final do
sculo XIX por         Heinrich Schliemann no monte Hissarlik, na
plancie dos        Dardanelos, na costa noroeste da Turquia.
Entretanto, a afirmao de Schliemann de ter descoberto a Tria da
guerra de Tria  nos dias de hoje largamente         desacreditada. O
monte Hissarlik contm numerosos   nveis sucessivos de habitao, e foi
num dos mais         recentes que Schliemann afirmava ter descoberto o
maravilhoso tesouro: esta posio  agora considerada        como sendo
nova demais da ordem de mil anos, para ter         sido destruda pelos
gregos dos palcios de Micenas do         continente grego. Estes podem
ter sido o instrumento de         destruio de um dos mais antigos
nveis de Hissarlik,        o qual parece ter sido queimado at o cho,
possivelmente aps um cerco, ao redor do perodo         correto (por
volta de 1200 a.C.). Esta Tria mais antiga         apresentava
caractersticas bastante humildes, mas na   sua destruio deve estar a
semente da realidade         histrica ao redor da qual a lenda surgiu.
Entretanto, o         desenvolvimento da lenda permanece um mistrio com
poucas possibilidades de ser solucionado pelos arquelogos, assim ento
no havendo perigo que o         romntico enigma de Tria seja
destrudo.


Seja         qual for a base histrica, a guerra de Tria  o
episdio isolado mais importante, ou complexo de         episdios, que
sobreviveram na mitologia e nas lendas         gregas. Os eventos que
causaram a guerra e aqueles que se        seguiram esto combinados num
grupo de estrias         conhecidas como o Ciclo Troiano: algumas so
conhecidas         a partir dos dois grandes poemas Homricos, a Ilada
e a Odissia , mas outras partes da estria devem         ser reunidas
de numerosas outras fontes, indo desde os         dramaturgos gregos do
sculo V a.C., at autores romanos mais recentes. A estria como um todo
pode ser         comparada a uma pera wagneriana na sua riqueza e
complexidade ao entrelaar personagens e temas;     bastante romntica
e de grande apelo humano, pois, como         todos os mitos gregos,
trata-se da estria fundamental         do homem e sua luta para existir
em face do destino e dos         deuses.


Um         dos primeiros elos da cadeia de eventos que formaram o
preldio da guerra de Tria foi forjado por Prometeu , o grande
benfeitor da humanidade.         Prometeu, um primo de Zeus , tinha
dado o fogo aos homens, um elemento cujos benefcios tinham to-somente
sido desfrutados pelos deuses. Tinha         tambm ensinado os homens
para oferecer aos deuses         apenas a gordura e os ossos em
sacrifcios de animais,        mantendo as melhores partes para eles
prprios. Para         punir Prometeu, Zeus o acorrentou num alto
penhasco nas         montanhas e diariamente enviava uma guia para
comer seu         fgado, o qual voltava a crescer  noite.


De         acordo com algumas fontes, Prometeu acabou sendo
libertado por Hrcules , mas         outras dizem que foi libertado por
Zeus, quando finalmente concordou em contar-lhe um importante segredo.
Este segredo relacionava-se  ninfa do mar Ttis, que         era to
bela que contava com vrios deuses entre seus         admiradores,
incluindo Posdon  e o         prprio Zeus; entretanto uma profecia
conhecida apenas         por Prometeu predisse que o filho de Ttis
estava         destinado a ser mais importante que seu pai. Ao saber
disso, Zeus rapidamente abandonou a idia de ser o pai         de um
filho de Ttis, decidindo, ao invs, que deveria         se casar com o
mortal Peleu; o filho nascido deles seria         Aquiles, o maior dos
heris gregos em Tria.


Ttis         inicialmente resistiu aos avanos de Peleu, assumindo a
forma de fogo, serpentes, monstros e outras formas, mas         ele a
segurava fortemente apesar de todas as suas         transformaes,
acabando por se submeter. Todos os         deuses e deusas do Olimpo,
menos uma, foram convidados         para o magnfico casamento de Peleu
e Ttis; no meio da         festa, ris, a nica deusa que no tinha
sido         convidada, entrou abruptamente no local e atirou entre os
convidados o Pomo da Discrdia, com a inscrio         "a mais
formosa". Esta maa foi requisitada         por trs deusas, Hera, Atena
e Afrodite . Como elas no conseguiram chegar a um         acordo, e
Zeus estava compreensivelmente relutante em         resolver a disputa,
enviou as deusas para terem suas   belezas julgadas pelo pastor Pris,
no Monte Ida, fora         da cidade de Tria, na orla oriental do
Mediterrneo.


Pris         era filho de Pramo, rei de Tria, mas quando a esposa
de Pramo, Hcuba, estava grvida de Pris, sonhou         que estava
dando  luz a uma tocha donde surgiam         serpentes sibilantes,
assim, quando o beb nasceu, foi         entregue a uma criada com
ordens de lev-lo ao Monte Ida         e mat-lo. A criada, entretanto,
ao invs de mat-lo,         simplesmente o deixou na montanha para
morrer; ele foi         salvo por pastores, sendo criado para tambm se
transformar em um deles. Enquanto Pris estava vigiando         seu
rebanho, Hermes  levou         as trs deusas para que as julgasse. Cada
uma ofereceu uma recompensa se fosse a escolhida; Hera ofereceu
riqueza e poder, Atena ofereceu habilidade militar e         sabedoria e
Afrodite ofereceu o amor da mais bela mulher        do mundo. Conferindo
a vitria a Afrodite, acabou         incorrendo na ira das outras duas,
as quais se tornaram         da para a frente inimigas implacveis de
Tria. Logo         depois, Pris retornou por acaso a Tria, onde sua
habilidade nas competies atlticas e sua         surpreendente bela
aparncia causaram interesse nos seus         pais, que rapidamente
estabeleceram sua identidade e o         receberam de volta com
entusiasmo.


A         mais bela mulher do mundo era Helena, a filha de Zeus e
Leda. Muitos reis e nobres desejaram despos-la, e antes         que seu
pai mortal, Tndaro, anunciasse o nome do feliz         escolhido, fez
todos jurarem respeitar a escolha de         Helena e virem em ajuda de
seu marido se fosse raptada. Helena casou com Menelau, rei de Esparta, e
na poca que         Pris veio visit-los tinham uma filha, Hermone.
Menelau recebeu Pris muito bem em sua casa, mas Pris         pagou
esta hospitalidade raptando Helena e fugindo com  ela de volta a Tria.
A participao de Helena nesta         situao  explicada de
diferentes maneiras nas         vrias fontes: foi raptada contra a sua
vontade, ou         Afrodite deixou-a louca de desejo por Pris ou, a
mais elaborada de todas, nunca foi para Tria, e foi por         causa
de um fantasma que os gregos gastaram dez longos         anos em guerra.


A         Expedio Parte


Menelau         convocou todos os outros pretendentes anteriores de
Helena, e todos os outros reis e nobres da Grcia, para         ajud-lo
a montar uma expedio contra Tria, de modo         a recobrar sua
esposa. O lder da fora grega era        Agamenon, rei de Micenas e
irmo mais velho de Menelau.         Os heris gregos afluram de todos
os cantos do         continente e das ilhas para o porto de ulis, o
ponto de         reunio a partir do qual planejavam velejar atravs do
Egeu at Tria. Suas origens e os nomes de seus         lderes esto
listados no grande Catlogo de Navios         prximo ao incio da
Ilada .


"As tribos (de guerreiros)         vieram como as incontveis revoadas
de pssaros -         garas azuis ou cisnes de longos pescoos - que se
renem nas campinas da sia nas correntes de Cayster, e
movimentando-se com gritos agudos ao chegarem ao cho,         numa
frente avanada. Assim, tribo aps tribo surgiram         de barcos e
cabanas... inumerveis como as folhas e flores em suas estaes".



Alguns         dos heris viera a ulis mais facilmente do que outros.
Ulisses , rei de taca, conhecia a profecia que se         fosse a Tria
no retornaria por vinte anos, e ento         fingiu loucura quando o
mensageiro Palamedes chegou para         convoc-lo, atrelando duas
mulas a um arado e movendo-as para cima e para baixo na praia; mas a
farsa de Ulisses         foi revelada quando Palamedes colocou o filho
pequeno de         Ulisses, Telmaco, na frente das mulas, e Ulisses
imediatamente voltou ao normal. Os pais de Aquiles, Peleu         e
Ttis, estavam relutantes em deixar seu jovem filho se         juntar 
expedio, pois eles sabiam estar         predestinado que se fosse
morreria em Tria. Numa     tentativa de evitar o destino, o enviaram
para Ciros,         onde, disfarado como uma moa, se juntou s filhas
do         rei, Licomedes. Durante esta estada se casou com uma das
filhas, Deidamia, que lhe deu um filho, Neoptlemo.


Ulisses,         entretanto, descobriu que os gregos nunca conseguiriam
capturar Tria sem a ajuda de Aquiles; assim foi at         Ciros para
busc-lo. De acordo com uma das verses da         estria, Ulisses
disfarou-se de mascate, conseguiu         entrar no palcio e espalhou
suas mercadorias  frente  das mulheres; entre as jias e os tecidos
havia armas         s quais o jovem Aquiles demonstrou um interesse
revelador. Outra fonte descreve como Ulisses arranjou         para que
soasse uma trombeta nos aposentos das mulheres:   enquanto as filhas
genunas se espalhavam em confuso,         Aquiles ficou no seu lugar e
empunhou suas armas. Tendo         abandonado seu disfarce, Aquiles foi
facilmente         persuadido a acompanhar Ulisses de volta a ulis,
onde a        frota estava se preparando para zarpar.


A         grande fora grega, cujos maiores heris eram Agamenon,
Menelau, Ulisses, jax, Diomedes e Aquiles, estava         pronta para
partir, mas o vento teimosamente ficou contra         eles.
Eventualmente, o profeta Calcas revelou que a deusa         rtemis
exigia o sacrifcio da filha de Agamenon, Ifignia, antes que o vento
mudasse. Agamenon ficou         horrorizado pela profecia, mas a opinio
pblica o         obrigou a obedecer: Ifignia, chamada sob o pretexto
de         casar com Aquiles, foi, ao contrrio, morta sobre o
altar. Algumas fontes dizem que rtemis ficou com pena         dela no
ltimo momento e a substituiu por um cervo; de         qualquer maneira,
o vento mudou de direo e os barcos        zarparam.

A         Ira de Aquiles


Algumas         vezes se considera que a Ilada   a estria da
guerra de Tria. De fato, apesar de ela se estender     largamente sobre
toda a estria, seu objetivo ostensivo,         como anunciado nas
primeiras linhas,  mais restrito:


"Canto de ira, deusa, a         destruidora ira de Aquiles, filho de
Peleu, que trouxe         incontveis dores aos Aqueus, e mandou muitas
almas valiosas de heris a Hades, enquanto seus corpos serviam
de alimento para os ces e pssaros, e a vontade de         Zeus foi
feita... "


A         estria da Ilada  , ento, a estria de         Aquiles, e
sua disputa com Agamenon. Ao incio da Ilada         os gregos j
estavam em Tria por nove anos. Eles         tinham saqueado uma grande
parte dos campos ao redor e         tinham escaramuas espordicas com
quaisquer troianos         que sassem de trs de suas macias
fortificaes.       Os gregos estavam ficando cansados da campanha e
irritados por sua falta de habilidade em conseguir uma         vitria
decisiva sobre a prpria Tria, quando Aquiles         se desentendeu
com Agamenon sobre um assunto de honra.


Agamenon,         como parte do saque de um ataque o qual Aquiles
desempenhou a parte principal, recebeu uma moa chamada
Criseida, filha de Crisos, sacerdote de Apolo . Crisos ofereceu a
Agamenon um bom resgate         para a libertao da moa, porm
Agamenon se recusou         a libert-la. Assim Crisos orou a Apolo, que
mandou uma         praga sobre o acampamento grego, e o profeta Calcas
revelou que esta seria retirada apenas se Agamenon         devolvesse
Criseida. Aquiles estava completamente a favor         de fazer isso,
mas Agamenon estava relutante. Eles         discutiram, e Agamenon
acabou por concordar a fazer o que estava sendo ordenado, mas para
reafirmar sua autoridade         sobre Aquiles da maneira mais
insultuosa que podia, e         simultaneamente compensar-se pela perda
de Criseida (a         qual ele declarou preferir  sua prpria esposa
Clitemnestra), tomou Aquiles sua  escrava,         Briseida. Aquiles
ficou justificadamente enraivecido. No apenas foi um insulto  sua
honra, mas tambm foi         grandemente injusto, pois ele, Aquiles,
tinha conduzido a         maior parte da luta necessria a produzir os
tesouros e         o saque que Agamenon considerava no direito de
usufruir.        Assim, Aquiles se retirou para sua tenda, e no tomou
mais parte nos combates ou nas reunies do conselho. A         luta se
tornou mais dura, com ataques mais diretos feitos         a Tria e aos
troianos. Mas os gregos estavam numa         situao difcil sem seu
maior guerreiro, e mesmo         Agamenon tentou fazer contatos com
Aquiles,         oferecendo-lhe riquezas de todos os tipos, justamente
com         a devoluo de Briseida. Aquiles, entretanto, rejeitou
todos os apelos, declarando mesmo que se as ofertas de         Agamenon
fossem "tantas como os gros de areia ou         as partculas de p"
nunca se curvaria.


Nesta         ocasio, Ulisses e Diomedes empreenderam uma expedio
noturna para espionar os troianos. No sabendo disso, um         troiano
de nome Dolon estava tentando fazer a mesma         coisa: os gregos o
surpreenderam e o foraram a contar        as disposies do acampamento
troiano. Seguindo sua         orientao, terminaram sua expedio
noturna com um         ataque ao acampamento de Reso, rei da Trcia, em
cujos         belos cavalos escaparam de volta para o acampamento grego.



Apesar         do sucesso desta temerria ao, o geral da luta os
gregos estavam sendo empurrados de volta a seus navios         pelos
troianos e estavam ficando desesperados, quando o         amigo de
Aquiles, Ptroclo, veio at ele e rogou a         permisso de liderar
as tropas de Aquiles, os Mirmides, em batalha. Pediu tambm se poderia
emprestar a armadura de Aquiles, de modo a espalhar o         terror nas
linhas troianas, que poderiam tom-lo por        Aquiles. Aquiles
concordou, e Ptroclo foi e lutou longa         e gloriosamente, antes
de, previsivelmente, ser morto por         Heitor, filho de Pramo e o
melhor guerreiro do lado         troiano.


Aquiles         foi tomado pela dor. Sua me, a ninfa do mar Ttis, veio
at ele e prometeu-lhe uma nova armadura para         substituir a que
tinha sido perdida com Ptroclo. A nova         armadura, feita pelo
deus-ferreiro Hefesto, inclua um         bonito escudo coberto com
cenas figuradas, cidades em  guerra e em paz, cenas da vida rural com
rebanhos,         pastores e danas rsticas, e ao redor da borda do
escudo corria o Rio de Oceano .         Aquiles e Agamenon se
reconciliaram e Aquiles retornou ao campo de batalha, onde matou um
troiano aps outro com         sua lana "como um vento impetuoso que
revolve as         chamas, quando um incndio grassa nas ravinas das
bases         secas pelo sol das montanhas, e a grande floresta 
consumida". Aps ter matado muitos troianos e         sobreviventes
mesmo ao ataque do Rio Escamandro, o qual         tentou afog-lo nas
suas grandes ondas, Aquiles estava finalmente pronto a enfrentar seu
principal adversrio,         Heitor.


O         restante dos troianos tinha fugido da matana de Aquiles
e buscado refgio atrs de suas muralhas, mas Heitor         permaneceu
fora dos portes, deliberadamente esperando         pelo duelo que sabia
ter que enfrentar. Mas quando        Aquiles finalmente surgiu, Heitor
foi tomado de         compreensvel terror e virou-se para fugir.
Percorreram         trs voltas ao redor das muralhas de Tria antes que
Heitor parasse e destemidamente enfrentasse seu bravo       oponente. A
lana de Aquiles alojou-se na garganta de         Heitor, caindo este ao
cho. Mal podendo falar, Heitor         pediu a Aquiles que permitisse
que seu corpo fosse         resgatado aps sua morte, mas Aquiles,
furioso com o      homem que tinha morto Ptroclo, negou seu apelo e
comeou a sujeitar seu corpo a grandes indignidades.         Primeiro o
arrastou pelos calcanhares atrs de sua         carruagem, ao redor das
muralhas da cidade, para que toda        Tria pudesse ver. A seguir
levou o corpo de volta ao acampamento grego, onde este ficou jogado sem
cuidados em         suas choupanas.


Aquiles         preparou ento um elaborado funeral para Ptroclo. Uma
grande pira foi construda; sobre ela vrias ovelhas e         bois
foram sacrificados e suas carcaas empilhadas ao         lado do corpo
do heri morto. Jarros de mel e leo         foram adicionados  pira, a
seguir quatro cavalos e dois dos cachorros de Ptroclo. Doze
prisioneiros troianos         mortos sobre a pira, a qual ento foi
deixada acesa.         Ardeu toda a noite, e durante toda a noite
Aquiles         colocou libaes com vinho e pranteou Ptroclo bem alto.
Nos dia seguinte os ossos de Ptroclo foram         coletados e
colocados numa urna dourada, e um grande         monte foi erguido no
local da pira. Jogos funerrios com         prmios magnficos foram
feitos, com competies         entre carruagens, luta de boxe,
pugilato, corridas, lutas         armadas, arremesso do disco e tiros
com arco e flecha. E         todo o dia ao amanhecer, por doze dias.
Aquiles arrastou        o corpo de Heitor trs vezes ao redor do monte,
at que         mesmo os deuses, que tinham previsto e arranjado tudo
isso, ficaram chocados; Zeus  enviou         ris, mensageiro dos
deuses, para Tria em visita a Pramo e o instruiu a ir secretamente ao
acampamento         troiano com um bom resgate, que Aquiles aceitaria em
troca da libertao do corpo do filho de Pramo.


Assim         Pramo, escoltado por um simples mensageiro, se dirigiu ao
acampamento grego, sendo encontrado ao escurecer,         quando se
aproximava dos navios gregos, por Hermes  disfarado como um seguidor de
Aquiles.         Hermes guiou Pramo pelo acampamento grego, de modo que
chegou sem ser percebido  tenda de Aquiles. Pramo        entrou
diretamente e jogou-se aos ps de Aquiles: ele         pediu que o heri
pensasse no seu prprio pai Peleu e         tivesse merc com um pai que
tinha perdido tantos de         seus bons filhos nas mos dos gregos;
pediu que fosse        permitido levar o corpo de seu maior filho de
volta a         Tria com ele, de modo que pudesse ser adequadamente
pranteado e enterrado pelos seus parentes. Aquiles ficou         tocado
pelo apelo; choraram juntos, e o pedido de Pramo        foi aceito.
Assim, o corpo de Heitor foi devolvido a         Tria, onde foi velado
e sepultado com os ritos         adequados.


Aqui         acaba a Ilada  mas no  de forma nenhuma o fim         da
estria de Tria. O restante da estria          recontada parcialmente
na Odissia  e         em parte pelos dramaturgos, mas tambm por
autores         romanos posteriores, principalmente Cirlico na Emelia
e por uma miscelnea de poetas como Quintus de Smirna.         Aps a
morte de Heitor, uma grande nmero de aliados         vieram auxiliar os
troianos, incluindo as Amazonas com         sua rainha, Pentesilia, e
os Etopes liderados por     Mmnon, um filho de os, deusa da aurora.
Tanto         Pentesilia como Mmnon foram mortos por Aquiles. Mas
Aquiles sempre soube que estava destinado a morrer em         Tria,
longe de sua terra natal, onde acabou sendo morto      por uma flecha,
lanada pelo arco de Pris. A me de         Aquiles, Ttis , quis
tornar seu filho imortal, e, quando este era ainda um beb, levou-o ao
Mundo Inferior e o imergiu nas guas         do rio Estige; isto tornou
seu corpo imune aos         ferimentos, exceto pelo calcanhar, o qual
ela utilizou        para segur-lo, sendo l que a flecha o acertou.
zzz

A         Guerra de Tria

O Retorno de         Agamenon



O Saque de Tria


Aps         a morte de seu maior campeo, os gregos recorreram 
astcia nos seus esforos de capturar Tria, que tinha         agentado
seu cerco por dez longos anos. O Cavalo de         Madeira  considerado
como sendo idia de Ulisses,        enquanto o arteso responsvel por
sua confeco foi         Epeios. Ao ficar pronto, um grupo composto dos
gregos         mais corajosos entrou dentro dele, incluindo o prprio
Ulisses e Neoptlemo, filho de Aquiles. O restante das        foras
gregas queimou suas cabanas e partiram nos         barcos, indo somente,
entretanto, at a ilha de Tnedo,         onde aportaram e esperaram. Os
troianos, mal podendo         acreditar que os gregos tinham se
retirado, espalharam-se       pela plancie, ficaram maravilhados com o
cavalo de         madeira e lembravam uns aos outros onde ficava o
acampamento grego. Logo, alguns pastores encontraram um         nico
grego que tinha sido deixado para trs, Sinon,         que lhes contou
que os seus compatriotas quiseram         sacrific-lo para conseguir um
vento favorvel para a         travessia; tinha conseguido escapar com
dificuldade das         correntes com as quais estava preso. Esta
estria         despertou a compaixo dos troianos, de modo que ficaram
dispostos a acreditar no restante de seu relato. Disse         que os
gregos, acreditando que Atena tinha se voltado        contra eles, tinha
decidido velejar de volta e tentar         conseguir novamente as graas
divinas que a expedio         possua originalmente. Tinham construdo
o cavalo para         agradar Atena , e o fizeram deliberadamente
grande, de         modo que os troianos no pudessem lev-lo para dentro
de suas muralhas. Se o Cavalo entrasse em Tria, a        cidade nunca
seria tomada; se ficasse de fora, os gregos acabariam voltando e
arrasariam a cidade at os         alicerces.


Uns         poucos troianos desconfiaram do Cavalo e relutaram em
traz-lo para dentro das muralhas. A profetisa         Cassandra, filha
de Pramo, cujo destino era que suas         profecias nunca tivessem
crdito, alertou sobre a morte      e a destruio que a entrada do
Cavalo traria a Tria.         E Laocoonte, o sacerdote de Posdon ,
fincou sua lana contra os flancos do         Cavalo, que ressoou com os
tinidos dos homens armados, e         declarou que temia os gregos,
mesmo quando eles davam        presentes. Mas, enquanto preparava um
sacrifcio ao deus         que servia, duas grandes serpentes surgiram
do mar e         estrangularam primeiro seus dois jovens filhos e a
seguir         o prprio Laocoonte, antes de se refugiarem sob a altar
de Atena. Com este augrio, os troianos no hesitaram mais e comearam a
mover o grande Cavalo para dentro de         suas muralhas, derrubando
suas fortificaes de modo a         poder faz-lo. Mesmo, ento, o
esconderijo dos heris         gregos poderia ter sido descoberto, pois
Helena decidiu    aproximar-se do Cavalo e, andando a sua volta, chamou
os         nomes dos heris gregos, imitando a voz da esposa de
cada homem. Alguns ficaram tentados a responder, e apenas
Ulisses  teve a presena de esprito de conter         suas vozes.



Ao         cair da noite, o traioeiro Sinon sinalizou para a frota
em Tnedo, que retornou silenciosamente a seu antigo         local de
ancoragem; Sino tambm liberou os heris de         seu confinamento
dentro do Cavalo, estando pronta a cena         para o saque de Tria.
Quando os deuses do Cavalo receberam o apoio de seus camaradas dos
navios, os         troianos acordaram para ver sua idade em chamas. Os
homens lutaram desesperadamente, resolvidos a pelo menos        vender
caro suas vidas, horrorizados pela viso de suas         mulheres e
filhos sendo arrancados de seus refgios para         serem mortos ou
aprisionados. Mais deplorvel foi a         morte de Pramo, assassinado
no altar de seu parque por         Neoptlemo, filho do homem que tinha
morto seu filho Heitor. Dentre os poucos que escaparam de Tria estava
Enias, filho de Anquises e da deusa Afrodite . Alertado por sua me,
ele abandonou a         cidade com seu filho pequeno Ascnio e seu velho
pai,         levando com eles os deuses de Tria; sua esposa o
seguiu, mas se perdeu na confuso, trevas e destroos         da cidade
que estava morrendo. Enias estava destinado         a, aps muito
vagar, alcanar a Itlia, onde fundou         uma nova e maior Tria, a
precursora de Roma.


As         aventuras dos dois heris gregos no seu caminho de volta para
casa e as numerosas homenagens que receberam foram         reunidas num
grupo de poemas picos conhecidos como Nostoi         (Retornos). Dentre
estes poemas, a Odissia , que         relata a volta de Ulisses   sua
terra natal em taca,  a nica que sobrevive; a volta de outros heris
deve ser coletada de uma variedade de         fontes.

O         Retorno de Agamenon


Agamenon         e Menelau eram filhos de Atreu, o qual cometeu um
terrvel crime quando, numa briga familiar, serviu a seu         prprio
irmo Tiestes um prato preparado com membros         dos prprios filhos
deste. Este ato trouxe uma        maldio sobre a casa de Atreu, e o
destino que         Agamenon encontrou no seu retorno de Tria foi em
parte         uma retribuio pelo crime original de seu pai. Na
ausncia de Agamenon por dez anos de Micena, o governo       ficou nas
mos de sua esposa Clitemnestra, auxiliada         pelo seu amante
Egisto, o nico filho sobrevivente de         Tiestes. Uma cadeia de
luzes iluminou os cus         transmitindo a notcia da grande vitria
em Tria para a Grcia; na ocasio que Agamenon chegou a seu
palcio, os planos de Clitemnestra estavam bem         adiantados.



Encontrou         seu marido  entrada do palcio, insistiu que ele
deveria caminhar sobre os tecidos de cor prpura que         tinha
estendido para ele, numa entrada triunfal. Agamenon         estava
relutante em cometer tal ato de insolncia e         impiedade, mas
acabou cedendo e selou assim sua sina. Seguindo-o para dentro do
palcio, Clitemnestra o atacou         enquanto estava indefeso tomando
banho, primeiro         envolvendo-o com uma rede, matando-o a seguir
violentamente com um machado. Os motivos dela para to         brutal
assassinato eram complexos, mas parece que no         era tanto devido
a sua reprovvel paixo por Egisto e o         desejo de vingar o
malfeito a seu pai e irmos, mas o         seu prprio dio por Agamenon
a levou a faz-lo.         Agamenon tinha assassinado brutalmente o
primeiro marido         e os filhos de Clitemnestra ante os olhos dela;
tambm        tinha sacrificado a filha deles Ifignia em ulis. Ela
desejava vingana.

A maldio de         Atreu no morreu com Agamenon, pois ele e
Clitemnestra      tinham outros dois filhos, Orestes e Electra,
dispostos a         vingar a morte do pai. Orestes, quando ainda beb,
tinha         sido enviado por sua irm para fora de Micenas para a
segurana de Fcida, para proteg-lo de sua        traioeira me.
Electra permaneceu em casa e foi         maltratada por Clitemnestra e
Egisto; de acordo com         algumas verses da estria, a casaram com
um campons        de modo que a descendncia real terminasse em
ignomnia. Quando se tornou adulto, Orestes retornou
secretamente  casa, acompanhado de seu amigo Plades.         Chegando
 tumba de seu pai, depositou mechas de seu     cabelo sobre o tmulo,
que foram reconhecidos por         Electra, que se aproximou para
oferecer um sacrifcio         apaziguador em benefcio de sua me;
Clitemnestra tinha         tido um sonho de mau augrio, onde tinha dado
 luz a         uma serpente que tinha mamado em seu seio e sugado todo
o         seu sangue. Orestes evidentemente viu isso como um
auspcio para si prprio, e aps uma acirrada        discusso sobre os
horrores do matricdio, Electra         convenceu Orestes a matar sua
me e Egisto. Devido a         este feito, ele foi tornado insano pelas
Frias, que o         perseguiram at que, num julgamento especial do
Arepago Ateniense, foi absolvido com base em que         assassinar a
me  um crime menos grave do que um         assassinato de um marido.
Desta forma, a maldio da      casa de Atreu terminou.
zzz

P,         deus da Arcdia

Nascimento de         P

P e Syrinx

Ptis         Metamorfoseada em Pinheiro

P e a Ninfa         Eco

P, Filho de         Mercrio

P,         Divindade Pastoril

P, deus         Universal

Um Pouco mais         de P



Nascimento de P


P,         antiqussima divindade pelgica especial  Arcdia,
 o guarda dos rebanhos que ele tem por misso fazer
multiplicar. Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos
pastores, veio ao mundo com chifres e pernas de bode. P          filho
de Mercrio . Era         assaz natural que o mensageiro dos deuses,
sempre considerado intermedirio, estabelecesse a transio
entre os deuses de forma humana e os de forma animal.         Parece,
contudo, que o nascimento de P provocou certa        emoo em sua me,
assustadssima com to esquisita         conformao; e as ms lnguas
pretendem at que,         quando Mercrio apresentou o filho aos demais
deuses,         todo o Olimpo desatou a rir. Mas como  provvel que
haja nisso um pouco de exagero, convm restabelecer os         fatos na
sua verdade, e eis o que diz o hino homrico         sobre a estranha
aventura. "Mercrio chegou          Arcdia fecunda em rebanhos; ali se
estende o campo sagrado de Cilene; nesses pramos, ele, deus poderoso,
guardou as alvas orelhas de um simples mortal, pois         concebera o
mais vivo desejo de se unir a uma bela ninfa,         filha de Drops.
Realizou-se enfim o doce o doce himeneu. A jovem ninfa deu  luz o filho
de Mercrio,         menino esquisito, de ps de bode, e testa armada de
dois         chifres. Ao v-lo, a nutriz abandona-o e foge.
Espantam-na aquele olhar terrvel e aquela barba to         espessa.
Mas o benvolo Mercrio, recebendo-o         imediatamente, p-lo ao
colo, rejubilante. Chega assim          morada dos imortais ocultando
cuidadosamente o filho    na pele aveludada de uma lebre. Depois,
apresenta-lhes o         menino. Todos os imortais se alegram, sobretudo
Baco , e do-lhe o nome de P, visto que para         todos constituiu
objeto de diverso."


As         ninfas zombavam incessantemente do pobre P em virtude
do seu rosto repulsivo, e o infeliz deus, ao que se diz,         tomou a
resoluo de nunca amar. Mas Cupido   cruel e afirma uma tradio que
P,         desejando um dia lutar corpo a corpo com ele, foi vencido
e abatido, diante das ninfas que se riam.

P e Syrinx


Um         dia percorria P o monte Liceu, segundo o seu hbito, e
encontrou a ninfa Syrinx que jamais quisera receber as
homenagens das divindades e que s tinha uma paixo: a         caa.
Aproximou-se dela, e como nos costumes campestres         se vai
imediatamente ao objetivo, sem nenhum artifcio,    sem nenhum desvio,
disse-lhe: "Cedei, formosa ninfa,         aos desejos de um deus que
pretende tornar-se vosso         esposo." (Ovdio).


Queria         falar mais; mas Syntrix, pouco sensvel quelas palavras,
deitou a correr, e j chegara perto do rio         Ladon, seu pai,
quando, vendo-a detida, rogou s ninfas,         suas irms, que a
acudissem. P, que lhe sara no         encalo, quis abra-la, mas em
vez de uma ninfa, s         abraou canios. Suspirou e os canios
agitados         emitiram um som doce e queixoso. O deus, comovido com o
que acabava de ouvir, pegou alguns canios de tamanho        desigual e,
unindo-os com cera, formou a espcie de         instrumentos que se
chama syrinx e que constitui a flauta         de sete tubos,
transformada em atributo de P.

Ptis         Metamorfoseada em Pinheiro


Com         efeito, em breve, os melodiosos acordes fazem acorrer de
toda parte as ninfas que vm danar em volta do deus         chifrudo. A
ninfa Ptis parece to enternecida que P         renasce com a
esperana e cr que o seu talento faz com         que seja esquecido o
rosto. Sempre tocando a flauta de sete tubos, comea a procurar lugares
solitrios e         percebe, finalmente, um rochedo escarpado no alto
do qual         resolve sentar-se. Ptis segue-o. Para melhor ouvi-lo,
aproxima-se cada vez mais, tanto que P, vendo-a bem perto, julga o
momento oportuno para lhe falar. No         sabia o infeliz que Ptis
era amada por Breas, o         terrvel vento do norte, que naquele
instante soprava        com grande violncia. Vendo a amante perto de um
deus         estranho, Breas foi acometido de um acesso de cime
furioso, e, no se contendo, soprou com tal         impetuosidade que a
ninfa caiu no precipcio, e despedaou contra as pedras o formoso corpo,
imediatamente transformado pelos deuses em pinheiro. Foi         depois
disso que essa rvore, que traz o nome da ninfa        (Ptis significa,
em grego, pinheiro) foi consagrada a         P, e  por esse motivo que
nas representaes         figuradas, a cabea de P est muitas vezes
coroada de         ramos de pinheiro.

P e a Ninfa         Eco


O         destino de P era amar sempre sem que nunca lograsse
unir-se  criatura amada. Continuando a fazer msica na
montanha, ouviu, sada do fundo do vale, uma terna voz         que
parecia repetir-lhe os acordes. Era a voz da ninfa         Eco, filha do
Ar e da Terra. Desceu, ento, para procurar a que lhe havia respondido,
sem nunca poder         atingi-la, embora ela lhe respondesse
constantemente; a         cruel ninfa parecia rir-se dele. Mas,
francamente,      ningum a pode censurar por isso. Quando se ama o belo
Narciso, como  possvel encarar o velho P? P          sempre velho,
apesar de ter tido por pai Mercrio, que          eternamente jovem.


P, Filho de         Mercrio


Um         dia o pai e o filho encontraram-se:


P.  -  Bom dia,         Mercrio, meu pai!


Mercrio.  -  Bom dia. Como         dizes que sou teu pai?


P.  -  No s Mercrio, o deus de Cilene?


Mercrio.  -  Sim. Como s         meu filho?... Ah, por Jpiter!
Lembro-me agora da aventura! Quer dizer que eu, que tanto me orgulho
desta         minha beleza, e que no tenho barba, devo ser chamado
teu pai! Todos se riram de mim, por ser meu filho um         sujeito to
bonito assim!


P.  -  Mas eu no vos         desonro, meu pai. Sou msico e toco muito
bem flauta.       Baco no d um passo sem mim. Escolheu-me por amigo e
companheiro das danas, e sou eu quem lhe conduz os         coros.



Mercrio.  -  Pois bem, P         (creio que  esse o teu nome), sabes
como podes ser-me      agradvel? E queres, alm disso, conceder-me um
favor?


P.  -  Ordenai, meu         pai, e ns veremos.


Mercrio.  -  Vem c, d-me         um abrao. Mas cuida de no me
chamares de pai na  presena de estranhos. (Luciano).

P, Divindade         Pastoril


Como         smbolo da obscuridade, P causa nos homens os terrores
pnicos , isto , sem motivo. Na batalha de         Maratona, inspirou
aos persas um desses terrores         sbitos, o que contribuiu bastante
para assegurar a vitria aos gregos. Foi por causa desse auxlio que os
atenienses lhe consagraram uma gruta na Acrpole.


Todavia,         a princpio, P nada mais era do que a divindade
pastoril dos arcdios que o invocavam para que lhes
multiplicasse os rebanhos. "Glauco e Coridon, que         conduzem
juntos os seus rebanhos de bois pelas montanhas,        ambos arcdios,
imolaram a P, guarda do monte Cilene,         a novilha de lindas
pontas; e as pontas, de doze palmas,         prenderam-nas em sua honra,
mediante um longo cravo, ao         tronco deste pltano copado, bela
oferta ao deus dos         pastores." (Antologia).


As         imagens primitivas de P eram providas de um smbolo
cuja crueza significativa nada possua naquele tempo de
licencioso. O seu culto, que posteriormente se sumiu         diante do
das divindades do Olimpo,  extremamente        antigo na Arcdia e
muito certamente anterior a qualquer civilizao. "Quando a educao do
gado no         prosperava, diz Creuzer, os pastores arcdios golpeavam
os dolos do deus P, costume que prova a sua profunda  barbaridade em
matria de religio."

P, deus         Universal


Sob         a influncia da poesia rfica, o deus P tornou-se o smbolo
pantesta fundado na interpretao do seu         nome: a flauta de sete
tubos representa, ento, as sete         notas da harmonia universal, e
a fuso das formas  animais com as formas humanas corresponde ao carter
mltiplo da vida no universo.  sob tal aspecto que P         nos surge
numa linda composio de Gillot. Essa imagem         corresponde  idia
que da antigidade tinha o sculo   dezoito. Toda natureza est em festa
diante do deus que         simboliza a universalidade dos seres; mas tal
festa, to         repleta de vida e de movimento, nos lembra as
quermesses         flamengas muito mais que os baixos-relevos antigos.



Sob         o reinado de Tibrio, estando um navio ancorado,
ouviu-se uma voz misteriosa que gritava: "O grande         deus P
morreu!" Desde ento, nunca mais se ouviu         falar dele.

Um Pouco mais de         P


O         deus P, assim chamado, diz-se da palavra grega p ,
que quer dizer tudo, era filho, segundo uns, de Jpiter  e da ninfa
Timbris, segundo outros de Mercrio  e da ninfa Penlope. Dizem outras
tradies que era filho de Jpiter e da ninfa Calisto,         ou talvez
do Ar e de uma Nereida, ou finalmente do Cu e         da Terra . Todas
essas diversas origens tm uma         explicao, no s no grande
nmero de deuses com         esse nome, mas ainda nas mltiplas
atribuies que a    crena popular emprestava a essa divindade. O seu
nome         parecia indicar a extenso do poder, e a seita dos
filsofos         esticos  identificava P         com o Universo, ou
ao menos com a natureza inteligente,        fecunda e criadora.


Mas         a opinio comum no se elevava a uma concepo to
geral e filosfica. Para os povos, o deus P tinha um         carter e
uma misso sobretudo agrestes. Se nos mais         remotos tempos ele
havia acompanhado os deuses do Egito,      na sua expedio das ndias,
se tinham inventado a         ordem de batalha e a diviso das tropas em
ala direita e         em ala esquerda, o que os gregos e os latinos
chamavam os         cornos de um exrcito, se era mesmo por essa razo
que         o representavam com chifres, smbolo da sua fora e da
sua inveno, a imaginao popular, desde logo tendo         restringido
e limitado as suas funes, havia-o         colocado nos campos, entre
os pastores e os rebanhos.


Era         principalmente venerado na Arcdia, regio das
montanhas, onde proferia orculos. Em sacrifcio         ofereciam-lhe
mel e leite de cabra. Celebravam-se em         honra sua as Lupercais,
festas que depois se espalharam         na Itlia, onde o rcade Evandro
levou o culto de P.         Representam-no ordinariamente muito feio,
com os cabelos         e a barba descuidados, com chifres, e corpo de
bode da         cintura para baixo, enfim, pouco diferente de um fauno
ou   de um stiro. Muitas vezes empunha um cajado e uma         flauta
de sete tubos que se chama a flauta do P, porque         se diz que foi
ele o inventor, graas  metamorfose da         ninfa Sirinx em juncos
do Ladon.


Viam-no         tambm como o deus dos caadores; quando ia  caa, mais
do que dos animais ferozes era o terror das ninfas,         a quem
perseguia com os seus ardores amorosos. Est         sempre atrs de
emboscadas atrs dos rochedos e das         moitas; para ele o campo no
tem mistrios. Foi por         isso que descobriu e revelou, a Jpiter,
o esconderijo         de Ceres, depois do rapto de Prosrpina.


P         foi muitas vezes confundido na literatura latina com
Fauno e Silvano. Muitos autores os consideravam como um         s
divindade com diferentes nomes. As Lupercais eram         mesmo
celebradas em trplice honra desses gnios.        Entretanto P  o
nico de quem se fez alegoria e que         foi considerado como um
smbolo da Natureza, conforme a         significao do seu nome. Dizem
os mitlogos que os         seus chifres representam os raios do Sol; a
vivacidade de         sua tez exprime o fulgor do cu; a pele de cabra
estrelada que usa sobre o estmago representa as         estrelas do
firmamento; enfim os seus ps e as suas         pernas eriados de plos
designam a parte inferior do     mundo, -  a terra, as rvores e as
plantas.


Os         seus amores suscitaram-lhe rivais, s vezes perigosos.
Um deles, Breas, quis arrebatar violentamente a ninfa         Pitis,
que era a Terra, condoda, metamorfoseou em         pinheiro. Eis a
razo porque essa rvore, conservando        ainda, os sentimentos da
ninfa, coroa P com a sua         folhagem, enquanto o sopro do Breas
excita os seus         gemidos.


P         tambm foi amado por Silene, isto , a Lua ou Diana,
que para ir visit-lo nos vales e nas grutas das         montanhas,
esquece o belo e terno dormilo Endmion.


Sob         o reinado de Tibrio a fbula do grande P motivou um
acontecimento que interessou vivamente a cidade de Roma e         que
merece ser contado. "No mar Egeu, diz Plutarco , estando uma tarde o
navio do piloto Tamo         nas imediaes de certas ilhas, o vento
cessou de         repente. Todas as pessoas a bordo estavam bem
acordadas,        muitas mesmo passavam o tempo bebendo umas com as
outras,         quando ouviram de sbito uma voz que vinha das ilhas e
que chamava Tamo. Tamo deixou que o chamassem duas vezes         sem
responder, mas  terceira respondeu. A voz ento         ordenou-lhe
que, ao chegar a um certo lugar, gritasse que o grande P tinha morrido.
No houve ningum a bordo         que no ficasse tomado de terror e de
espanto.         Deliberou-se se Tamo devia obedecer  voz e Tamo
concluiu que, se quando chegassem  paragem indicada,         houvesse
bastante vento para passar adiante, no era         preciso dizer nada;
mas que se a uma calmaria os         detivesse, era necessrio
desempenhar-se da ordem recebida. Ficou surpreendido da calma que
reinava nesse         lugar, e imediatamente comeou gritar a plenos
pulmes:         'O grande P morreu!' Apenas cessou de gritar, que
todos         ouviram de todos os lados queixas e gemidos, como os de
muitas pessoas surpresas e aflitas por essa notcia.


Os         que estavam no navio foram testemunhas dessa estranha
aventura; e o rudo em pouco tempo se espalhou em Roma.         O
imperador Tibrio quis ver a Tamo; viu-o, interrogou,         reuniu os
sbios para deles saber quem era esse grande         P, e se chegou 
concluso de que era filho de Mercrio  e de Penlope."


Outros         mitlogos, interpretando este fato, preferiram ver nele o
fim do antigo mundo romano e o advento de uma sociedade         nova.
zzz

Prometeu         e P andora

A Criao do Mundo

A Caixa de Pandora

As Idades do Mundo

Prometeu Forma o Homem

As Duas Partes de Prometeu

O Fogo Arrebatado aos Homens

Suplcio e Libertao de         Prometeu



A Criao do         Mundo


A         criao do mundo  um problema que, muito
naturalmente, desperta a curiosidade do homem, seu         habitante. Os
antigos pagos, que no dispunham, sobre         o assunto, das
informaes que dispomos, procedentes         das Escrituras, tinham sua
prpria verso sobre o         acontecimento, que era o seguinte:



Antes         de serem criados a terra, o mar e o cu, todas as coisas
apresentavam um aspecto a que se dava o nome de Caos  -  uma informe e
confusa massa, mero peso         morto, no qual, contudo, jaziam
latentes as sementes das         coisas. A terra, o mar e o ar estavam
todos misturados;        assim, a terra no era slida, o mar no era
lquido         e o ar no era transparente. Deus e a Natureza
intervieram finalmente e puseram fim a essa discrdia,         separando
a terra do mar e o cu de ambos. Sendo a parte     gnea a mais leve,
espalhou-se e formou o firmamento; o         ar colocou-se em seguida,
no que diz respeito ao peso e         ao lugar. A terra, sendo a mais
pesada, ficou para baixo,         e a gua ocupou o ponto inferior,
fazendo flutuar a         terra.


Nesse         ponto, um deus -  no se sabe qual -  tratou de
empregar seus bons ofcios para arranjar e dispor as coisas na terra.
Determinou aos rios e lagos seus         lugares, levantou montanhas,
escavou vales, distribuiu os         bosques, as fontes, os campos
frteis e as ridas         plancies, os peixes tomaram posse do mar,
as aves do ar e os quadrpedes da terra.


Tornara-se         necessrio, porm, um animal mais nobre, e foi feito
o   Homem. No se sabe se o criador o fez de materiais         divinos,
ou se na terra, h to pouco tempo separada do         cu, ainda havia
algumas sementes celestiais ocultas.         Prometeu tomou um pouco
dessa terra e, misturando-se com   gua, fez o homem  semelhana dos
deuses. Deu-lhe o         porte erecto, de maneira que, enquanto os
outros animais         tm o rosto voltado para baixo, olhando a terra,
o homem         levanta a cabea para o cu e olha as estrelas.


Prometeu         era um dos tits, uma raa gigantesca, que habitou a
terra antes do homem. Ele e seu irmo Epimeteu foram         incumbidos
de fazer o homem e assegurar-lhe, e aos outros         animais, todas as
faculdades necessrias  sua         preservao. Epimeteu encarregou-se
da obra e Prometeu         de examin-la, depois de pronta. Assim,
Epimeteu tratou         de atribuir a cada animal seus dons variados, de
coragem,         fora, rapidez, sagacidade; asas a um, garras a outro,
uma carapaa protegendo um terceiro, etc. Quando, porm, chegou a vez do
homem, que tinha de ser superior         a todos os outros animais,
Epimeteu gastara seus recursos         com tanta prodigalidade, que nada
mais restava. Perplexo,         recorreu a seu irmo Prometeu, que, com
a ajuda de Minerva , subiu ao cu e acendeu sua tocha no carro
do sol, trazendo o fogo para o homem. Com esse Dom, o         homem
assegurou sua superioridade sobre todos os outros         animais. O
fogo lhe forneceu o meio de construir as armas  com que subjugou os
animais e as ferramentas com que         cultivou a terra; aquecer sua
morada, de maneira a         tornar-se relativamente independente do
clima, e,         finalmente, criar a arte da cunhagem das moedas, que
ampliou e facilitou o comrcio.

A         Caixa de Pandora


A         mulher no fora ainda criada. A verso (bem absurda) 
que Jpiter  a fez e enviou-a a Prometeu e seu irmo,         para
puni-los pela ousadia de furtar o fogo do cu, e ao         homem, por
t-lo aceito. A primeira mulher chamava-se        Pandora. Foi feita no
cu, e cada um dos deuses         contribuiu com alguma coisa para
aperfeio-la. Vnus  deu-lhe a beleza, Mercrio  a persuaso, Apolo  a
msica, etc. Assim dotada, a mulher foi mandada  terra         e
oferecida a Epimeteu, que de boa vontade a aceitou,         embora
advertido pelo irmo para ter cuidado com         Jpiter e seus
presentes. Epimeteu tinha em sua casa uma        caixa, na qual guardava
certos artigos malignos, de que         no se utilizara, ao preparar o
homem para sua nova         morada. Pandora foi tomada por intensa
curiosidade de         saber o que continha aquela caixa, e, certo dia,
destampou-a para olhar. Assim, escapou e se espalhou por         toda a
parte uma multido de pragas que atingiram o         desgraado homem,
tais como a gota, o reumatismo e a         clica para o corpo, e a
inveja, o despeito e a vingana para o esprito. Pandora apressou-se em
colocar a tampa na caixa, mas, infelizmente, escapara         todo o
contedo da mesma, com exceo de uma nica coisa, que ficara no fundo,
e que era a esperana.         Assim, sejam quais forem os males que nos
ameacem, a         esperana no nos deixa inteiramente; e, enquanto a
tivermos nenhum mal nos torna inteiramente desgraados.


Uma         outra verso  de que Pandora foi mandada por Jpiter
com boa inteno, a fim de agradar ao homem. O rei dos         deuses
entregou-lhe, como presente de casamento, uma         caixa, em que cada
deus colocara um bem. Pandora abriu a         caixa, inadvertidamente,
todos os bens escaparam, exceto  a esperana. Essa verso , sem dvida,
mais         aceitvel que a primeira. Realmente, como poderia a
esperana, jia to preciosa, ter sido misturada a         toda a sorte
de males, como na primeira verso?

As         Idades do Mundo


Estando,         assim, povoado o mundo, seus primeiros tempos
constituram uma era de inocncia e ventura, chamada a  Idade de
Ouro .         Reinavam a verdade e a justia, embora no impostas
pela lei, e no havia juizes para ameaar ou punir. As         florestas
ainda no tinham sido despojadas de suas         rvores para fornecer
madeira aos navios, nem os homens         haviam construdos
fortificaes em torno de suas cidades. Espadas, lanas ou elmos eram
objetos         desconhecidos. A terra produzia tudo necessrio para o
homem, sem que esse se desse o trabalho de lavrar ou        colher.
Vicejava uma primavera perptua, as flores         cresciam sem
sementes, as torrentes dos rios eram de         leite e de vinho, o mel
dourado escorria dos carvalhos.


Seguiu-se         a Idade         de Prata , inferior          de Ouro,
porm melhor do que a de Cobre. Jpiter reduziu a primavera e dividiu o
ano em estaes. Pela         primeira vez o homem teve que sofrer os
rigores do calor         e do frio, e tornaram-se necessria as casas.
As         primeiras moradas foram as cavernas, os abrigos das
rvores frondosas e cabanas feitas de hastes. Tornou-se
necessrio plantar para colher. O agricultor teve de         semear e de
arar a terra, com ajuda do boi.


Veio,         em seguida, a Idade         de Bronze , j         mais
agitada e sob ameaa das armas, mas ainda no inteiramente m. A pior
foi a  Idade do Ferro . O crime irrompeu, como uma inundao; a
modstia, a verdade e a honra fugiram, deixando em seus         lugares
a fraude e a astcia, a violncia e a        insacivel cobia. Os
marinheiros estenderam as velas         ao vento e as rvores foram
derrubadas nas montanhas         para servir de quilhas dos navios e
ultrajar a face do         oceano. A terra, que at ento fora cultivada
em comum,        comeou a ser dividida entre os possuidores. Os homens
no se contentaram com o que produzia a superfcie:         escavou-se a
terra e tirou-se do seu seio os minrios e         metais. Produziu-se o
danoso ferro e o ainda mais danoso        ouro. Surgiu a guerra,
utilizando-se de um e de outro         como armas; o hspede no se
sentia em segurana em         casa de seu amigo; os genros e sogros, os
irmos e         irms, os maridos e mulheres no podiam confiar uns nos
outros. Os filhos desejavam a morte dos pais, a fim de         lhe
herdarem a riqueza; o amor familiar caiu prostrado. A         terra
ficou mida de sangue, e os deuses a abandonaram,         um a um, at
que ficou somente Astria (Deusa da inocncia e da         pureza.
Depois de sair da terra, foi colocada entre as         estrelas, onde se
transformou na constelao Virgo. Era filha de Tmis (Justia),
representada com uma balana         em que pesa as alegaes das partes
adversrias.) , que, finalmente, acabou tambm partindo.


Vendo         aquele estado de coisas, Jpiter indignou-se e convocou os
deuses para um conselho. Todos obedeceram          convocao e tomaram
o caminho do palcio do cu.         Esse caminho pode ser visto por
qualquer um nas noites        claras, atravessando o cu, e  chamado a
Via         Lctea . Ao longo dele ficam os palcios dos deuses
ilustres; a plebe celestial vive  parte, de um lado ou         de
outro.


Dirigindo-se          assemblia, Jpiter exps as terrveis condies
que reinavam na terra e encerrou as suas palavras         anunciando a
inteno de destruir todos os seus         habitantes e fazer surgir uma
nova raa, diferente da         primeira, que seria mais digna de viver
e saberia melhor cultuar os deuses. Assim dizendo, apoderou-se de um
raio         e j estava prestes a atir-lo contra o mundo,
destruindo-o pelo fogo, quando atentou para o perigo que        o
incndio poderia acarretar para o prprio cu.         Mudou, ento, de
idia, e resolveu inundar a terra. O         vento norte, que espalha as
nuvens, foi encadeado; o         vento sul foi solto e em breve cobriu
todo o cu com       escurido profunda. As nuvens, empurradas em bloco,
romperam-se com fragor; torrentes de chuva caram; as         plantaes
inundaram-se; o trabalho de um ano do         lavrador pereceu em uma
hora. No satisfeito com suas    prprias guas, Jpiter pediu a ajuda
de seu irmo Netuno . Este soltou os rios e lanou-os sobre a
terra. Ao mesmo tempo, sacudiu-a com um terremoto e         lanou o
refluxo do oceano sobre as praias. Rebanhos,        animais, homens e
casas foram engolidos e os templos, com         seus recintos sacros,
profanados. Todo edifcio que         permanecer de p foi submergido e
suas torres ficaram         abaixo das guas. Tudo se transformou em
mar, num mar        sem praias. Aqui e ali, um indivduo refugia-se num
cume         e alguns poucos, em barcos, apoiam o remo no mesmo solo
que ainda h pouco o arado sulcara. Os peixes nadam         sobre os
galhos de rvores; a ncora se prende num         jardim. Onde
recentemente os cordeirinhos brincavam, as focas cabriolam
desajeitadamente. O lobo nada entre as         ovelhas, os fulvos lees
e os tigres lutam nas guas. A         fora do javali de nada lhe
serve, nem a ligeireza do         cervo. As aves tombam, cansadas, na
gua, no tendo  encontrado terra onde pousar. Os seres vivos que a gua
poupara caem como presas da fome.


De         todas as montanhas, apenas o Parnaso ultrapassa as
guas. Ali, Deucalio e sua esposa Pirra, da raa de         Prometeu,
encontram refgio -  ele  um homem justo, ela uma devota fiel
dos deuses. Vendo que no havia outro vivente alm         desse casal e
lembrando-se de sua vida inofensiva e de        sua conduta piedosa,
Jpiter ordenou aos ventos do norte         que afastassem as nuvens e
mostrassem o cu  terra e a         terra ao cu. Tambm Netuno ordenou
a Trito que         soasse sua concha determinando a retirada das
guas. As      guas obedeceram; o mar voltou s suas costas e os rios
aos seus leitos. Deucalio assim se dirigiu, ento, a         Pirra: "
esposa, nica mulher sobrevivente,         unida a mim primeiramente
pelos laos do parentesco e do         casamento, e agora por um perigo
comum, pudssemos ns        possuir o poder de nosso antepassado
Prometeu e renovar a         raa, como ele fez, pela primeira vez! Como
no         podemos, porm, dirijamo-nos quele templo e indaguemos
dos deuses o que nos resta a fazer."  Entraram         num templo
coberto de lama e aproximaram-se do altar, onde nenhum fogo crepitava.
Prostraram-se na terra e         rogaram  deusa que os esclarecesse
sobre a maneira de         se comportar naquela situao miservel. "Sa
do templo com a cabea coberta e as vestes desatadas e atirai para trs
os ossos de vossa me" -  respondeu         o orculo. Estas palavras
foram ouvidas com assombro. Pirra foi a primeira a romper o silncio:
"No         podemos obedecer; no vamos nos atrever a profanar os
restos de nossos pais." Seguiram pela fraca sombra         do bosque,
refletindo sobre o orculo. Afinal,         Deucalio falou: "Se minha
sagacidade no me ilude, poderemos obedecer a ordem sem cometermos
qualquer         impiedade. A Terra  a me comum de ns todos; as
pedras so seus ossos; poderemos lan-las para trs         de ns; e
creio ser isto que o orculo quis dizer. Pelo   menos, no far mal
tentar." Os dois velaram o         rosto, afrouxaram as vestes,
apanharam as pedras e      atiraram-nas para trs. As pedras (maravilha
das         maravilhas!) amoleceram e comearam a tomar forma. Pouco
a pouco, foram assumindo uma grosseira semelhana com a         forma
humana, como um bloco ainda mal acabado nas mos        de um escultor.
A umidade e o lodo que havia sobre elas transformaram-se em carne; a
parte ptrea transformou-se         nos ossos; as veias ou veios da
pedra continuaram veias,         conservando seu nome e apenas mudando
sua utilidade. As         pedras lanadas pelas mos do homem
tornaram-se homens,         as lanadas pela mulher tornaram-se
mulheres. Era uma         raa forte e bem disposta para o trabalho como
at hoje         somos, mostrando bem a nossa origem.

Prometeu         Forma o Homem


Japeto         representa o antepassado da humanidade. Talvez seja
preciso reconhecer, nessa personagem a que Gnesis d         por filho
a No, Jaf, cujo nome personifica uma das         grandes raas
primitivas. Era considerado pelos gregos o         tipo do que h de
mais antigo e associa-se habitualmente   a Saturno . Desposara sia,
filha do Oceano , e teve vrios filhos, entre outros         Prometeu,
Epimeteu e Atlas. O Tit Japeto no         desempenha papel na
mitologia; a sua importncia vem da    antigidade que se lhe atribua e
que lhe dava o mesmo         tempo que os mais antigos deuses.


Embora         seja o Tit Japeto tido como antepassado da humanidade,
parece que  a seu filho Prometeu que devemos a forma         particular
que nos distingue dos animais. "Prometeu,         diz Ovdio, aps
destemperar um pouco de terra com        gua, formou o homem 
semelhana dos deuses ; e         enquanto os outros animais tm a
cabea voltada para o cho, somente o homem a ergue para o cu, e olha
para o         cu." A fabricao do homem por Prometeu est
representada em monumentos assaz numerosos, mas que         pertencem na
sua maioria a uma baixa poca.


Em         todas as representaes antigas, Prometeu aparece como
arteso que faz o homem materialmente, mas no como o         deus que o
anima. Esse papel cabe a Minerva  (a Sabedoria divina): vrios
monumentos         nos apresentam nitidamente a parte que cabe a cada um
na         criao da espcie humana.

As         Duas Partes de Prometeu


Prometeu         orgulhava-se do seu trabalho; e tendo surgido
divergncias entre os deuses e os homens primitivos,         tomou ele o
partido destes. As divergncias, das quais         Hesodo no nos diz a
causa, eram acertadas em Sicona: Prometeu, desejando saber se Jpiter
era verdadeiramente digno das honras         divinas, excogitou um ardil
para provar a sua         clarividncia. "Exps aos olhos de todos, diz
Hesodo, um enorme boi. De um lado, encerrou na pele as         carnes e
os melhores pedaos, envolvendo-os com o ventre         da vtima; do
outro, disps com prfida habilidade os         ossos brancos que
recobriu de gordura lustrosa. O pai dos deuses e dos homens disse-lhe,
ento: "Filho de         Japeto,  mais ilustre de todos os reis, amigo,
com que         desigualdade dividiste as partes!" Prometeu,
sorrindo interiormente do ardil, rogou-lhe que         escolhesse, e
Jpiter, apoderando-se da parte mais         pesada, s ali encontrou
ossos."

O         Fogo Arrebatado aos Homens


Jpiter,         furioso por ter sido enganado, quis vingar-se dos
homens,    dos quais Prometeu  protetor, e roubou-lhes o fogo, sem
o qual todo e qualquer trabalho  impossvel. Mas         Prometeu no
se deu por vencido, e conseguiu roubar uma         fasca do fogo do
cu, que se apressou em levar aos        homens. Dessa vez, Jpiter,
vendo-se decididamente         iludido pelo Tit, no conteve o
ressentimento e         resolveu punir simultaneamente os homens e o
protetor. A         grosseria dessa lenda  uma prova de sua grande
antigidade; no entanto, no deu origem a nenhuma         representao
plstica no perodo arcaico. Nas         narraes dos poetas, o fogo
estava contido numa folha         e invisvel a todos os olhos; pelo
contrrio, o oleiro         mostra a chama a sair de um vasinho que o
Tit segura         com a mo.


Jpiter         diz a Prometeu: "Filho de Japeto, rejubilas-te por
haveres roubado o fogo divino e iludido a minha         sabedoria; mas
esse ato ser fatal a ti e aos homens que         ho de vir. Para
vingar-me, enviar-lhes-ei um funesto        presente que os enfeitiar
e far com que amem o seu         prprio flagelo." (Hesodo).

Suplcio         e Libertao de Prometeu


Jpiter         revelou-se cruel para com Prometeu e, a fim de puni-lo
por ter dado o fogo aos homens, agrilhoou-o ao Cucaso.         Uma
guia lhe dilacerava constantemente o fgado e a         sua carne
renascia imediatamente para que o suplcio se         renovasse todos os
dias. A luta de Jpiter contra Prometeu foi interpretada de maneira
assaz diferentes,         mas segundo os trgicos seria possvel ver
nela uma         vaga recordao de uma mudana de crenas. Na
antigidade, Prometeu ficou como tipo de justia         esmagada pela
fora, da conscincia humana protestando         contra um poder
inexorvel.


O         suplcio de Prometeu teria, no entanto, fim. Hrcules , o
matador dos monstros e grande reparador         de erros, livrou o Tit
matando a guia que o roa.         Prometeu, que conhecia o futuro,
predissera que quem        desposasse a Nereida Ttis, teria um filho
mais poderoso         que o pai, e o rei dos deuses, sabendo de tal
profecia,         renunciou ao projeto de unir-se a Ttis. Como
recordao desse servio, Jpiter  no         obstaculou a libertao
de Prometeu; mas j que         afirmara que o suplcio duraria milhares
de anos e que         um deus no deve mentir, excogitou-se um
subterfgio.         De um dos elos da cadeia que agrilhoava o Tit se
fez um        anel, no qual se introduziu um pedacinho do rochedo;
desse modo, Prometeu continuava sempre preso ao Cucaso.


Um         interessante sarcfago no museu Capitolino fixa em
vrias cenas toda a lenda de Prometeu.


H         algumas variantes na histria de Prometeu: alguns lhe
atribuem a fabricao da mulher, bem como a do homem, o         que
tiraria toda a razo de ser da linda Fbula de         Pandora.
Entretanto, existem sobre essa verso        monumentos que no podemos
desprezar. Um baixo-relevo         antigo nos mostra Prometeu segurando
um desbastador e         modelando a primeira mulher; um homenzinho
ainda no         animado est deitado aos ps do escultor e quem
Mercrio  conduz uma alma, caracterizada pelas asas         de
borboleta, e que ir habitar o corpo terminado por         Prometeu.
Atrs de Mercrio, vemos as trs Parcas que         fiaro o destino da
nova criatura. O touro, o burro e a lebre, colocados perto do escultor,
relembram uma         tradio segundo a qual Prometeu, ao formar a
espcie         humana, misturou ao limo de que se servia as qualidades
dos diversos animais.
zzz

Mercrio

Tipo e Atributos de Mercrio

Mercrio, Inventor da Lira

Mercrio, deus dos Ladres



Mercrio (Hermes)


Mercrio         era filho de Jpiter  e de Maia, filha de Atlas. Os
gregos         chamavam-no Hermes , isto , intrprete ou
mensageiro. Seu nome latino vinha da palavra Merces ,
mercadoria. Mensageiro dos deuses e particularmente de Jpiter, ele os
servia com um zelo infatigvel e sem         escrpulo, mesmo nos
empregos pouco honestos.         Participava de todos os negcios, como
ministro ou    servidor. Ocupava-se da paz e da guerra, das querelas e
dos amores dos deuses, do interior do Olimpo, dos         interesses
gerais do mundo, no cu, assim como na terra         e nos Infernos.
Encarregava-se de fornecer e servir   ambrosia  mesa dos Imortais,
presidia aos jogos, s         assemblias, escutava os discursos e
respondia, ou por         si ou de acordo com as ordens recebidas.
Conduzia ao         Inferno as almas dos mortos com a sua vareta divina
ou o      seu caduceu; algumas vezes reconduzia-as  terra.
Ningum morria antes que ele tivesse inteiramente         rompido os
laos que unem a alma ao corpo.


Deus         da eloquncia e da arte de bem falar, ele o era tambm
dos viajantes, dos negociantes e mesmo dos ladres.         Embaixador
plenipotencirio dos deuses, assistia aos         tratados de aliana,
sancionava-os, retificava-os, no         era estranho s declaraes de
guerra entre as cidades         e os povos. Dia e noite no cessava de
vigiar atento e         alerta. Em uma palavra, era o mais ocupado dos
deuses e         dos homens. Acompanhava e guardava Juno com toda
perseverana, impedindo-a de urdir qualquer intriga. Era   mandado por
Jpiter para facilitar-lhe agradabilssimas         entradas entre os
mortais, para transportar Castor e         Plux a Palem, para
acompanhar o carro de Pluto         raptando Prosrpina; atirava-se do
alto do Olimpo e atravessava o espao com a rapidez do raio. Foi a ele
que os deuses confiaram a delicada misso de conduzir         diante do
pastor Pris as trs deusas que se disputavam        o prmio da beleza.



Tantos         empregos, tantas atribuies diversas concedidas a
Mercrio davam-lhe uma importncia considervel no         conselho dos
deuses. Por outro lado os homens         acrescentavam ainda as suas
qualidades divinas, atribuindo-lhes mil talentos industriosos. No
somente         contribua para o desenvolvimento do comrcio e das
artes, como tambm se dizia que fora ele quem em    primeiro lugar
formara uma lngua exata e regular, quem         inventara os primeiros
caracteres da escritura, quem         regulara a harmonia das frases,
quem pusera nome a uma         infinidade de coisas, quem institura
prticas       religiosas, quem multiplicara e fortalecera as relaes
sociais, quem ensinara o dever aos esposos e aos membros         da
mesma famlia. Ensinara tambm aos homens a luta e a         dana, e em
geral todos os exerccios ao ar livre que         necessitavam fora e
graa. Finalmente foi ele o         inventor da lira,  qual deu trs
cordas, e que ficou         sendo o instrumento de Apolo. As suas
qualidades so         contrabalanadas por defeitos. O seu gnio
inquieto, a         sua conduta dolosa suscitaram-lhe mais de uma
questo         com os outros deuses. Jpiter mesmo, esquecendo um dia
todos os servios desse dedicado servidor, expulsou-o do         cu,
reduziu-o a guarda de rebanhos na terra; foi no         mesmo tempo em
que Apolo foi ferido pela mesma desgraa.


Acusou-se         Mercrio de um grande nmero de ladroeiras. Ainda
criana, esse deus dos negociantes e dos ladres furtou         o
tridente de Netuno , as         flechas de Apolo , a espada de Marte  e
o         cinto de Vnus . Roubou tambm os bois de Apolo; mas em
virtude de uma conveno pacfica, trocou-os pela sua         lira.
Esses furtos, alegorias bastante transparentes,        indicam que
Mercrio, sem dvida personificao de um         mortal ilustre, era ao
mesmo tempo hbil navegador,         provecto atirador de arco, valente
na guerra, elegante e         gracioso em todas as artes, negociante
consumado,      permutando o agradvel pelo til.


Tornou-se         culpado de um assassinato para proteger os amores de
Jpiter .


Argos,         filho de Arestor, tinha cem olhos, dos quais cinqenta
ficavam abertos enquanto o sono adormecia os outros         cinqenta.
Juno confiou-lhe a guarda de Io, mudada em         vaca; Mercrio,
porm, adormeceu ao som de sua flauta         esse guarda vigilante, e
cortou-lhe a cabea. Juno, desolada e iludida, tomou os olhos de Argos e
os espalhou         sobre a cauda do pavo. Outros contam que Argos foi
por         essa deusa metamorfoseado em pavo.


O         culto de Mercrio nada tinha de particular, seno que
se lhe ofereciam as lnguas das vtimas, emblema de sua
eloquncia. Pelo mesmo motivo ofereciam-lhe leite e mel.
Imolavam-lhe vitelas e galos. Era especialmente venerado       em Creta,
pas comercial, e em Cilene, na lida, porque         pensavam que tinha
nascido no monte do mesmo nome,         situado perto dessa cidade. Ele
tinha tambm um orculo         em Acaie; depois de muitas cerimnias,
falava-se na       orelha do deus, para pedir o que se desejava. Em
seguida         saa-se do templo, com as orelhas tapadas com as mos,
e as primeiras palavras que se ouvissem eram a resposta         de
Mercrio.


Em         Roma os negociantes celebravam uma festa em honra sua, a
1.          de maio, dia em que lhe dedicaram um templo no circo.
Sacrificavam uma porca prenha, e se aspergiam com a gua         de
certa fonte  qual se atribua uma virtude divina,         rogando ao
deus de proteger o seu comrcio e de     perdoar-lhes as pequenas
velhacarias.


O         "ex-voto" que os viajantes lhe ofertavam          volta de
uma longa e penosa viagem, eram ps alados.


Como         divindade tutelar, Mercrio  geralmente representado
com uma bolsa na mo. Em alguns monumentos          representado com
uma bolsa na mo esquerda, e na direita         uma ramo de oliveira e
uma clava, smbolos, um de paz,     til ao comrcio, o outro de fora e
de virtude,         necessrios ao trfico. Como negociador dos deuses,
traz na mo o caduceu, vareta mgica ou divina, emblema         da paz.
O caduceu  entrelaado de duas serpentes, de sorte que a parte superior
forma um arco; alm disso          superado por duas extremidades de
asas. O deus tem asas         no seu gorro, e algumas vezes nos ps,
para mostrar a         ligeireza de seu andar e a rapidez com que
executa as         ordens.


Geralmente          descrito como um jovem, belo de rosto, de um talhe
desenvolto, ora nu, ora com um manto nos ombros, que         apenas o
cobre.


Usa         muito freqentemente um chapu chamado petaso, que tem asas.
 raro represent-lo sentado. As suas diferentes         ocupaes no
cu, na terra e nos Infernos,         obrigavam-no a uma constante
atividade. Em algumas    pinturas v-se o deus com metade do rosto clara
e a         outra metade negra e sombria: isso indica que ora est
no cu ou na terra, ora nos Infernos, para onde conduz a         alma
dos mortos.


Quando         o representavam com uma longa barba e cara de velho,
davam-lhe um manto que lhe descia at os ps.


Dizem         que Mercrio  o pai do deus P , fruto dos         seus
amores com Penlope. Penlope no foi a nica mortal, nem a nica deusa,
honrada pelos seus favores;         teve ainda como amantes, Acacalis,
filha de Minos, Herse,         filha de Ccrops, Eupolmia, filha de
Mirmidon, que lhe         deu muitos filhos, Antianira, me de Equion,
Prosrpina e a ninfa Lara, de quem nasceram os deuses Lares.


Hermes ,         sendo nome prprio de Mercrio em grego, era dado a
certas esttuas de mrmore, e algumas vezes de bronze,         sem
braos e sem ps. Os atenienses, e seguindo o seu         exemplo,
outros povos da Grcia, mesmo depois os   romanos, colocavam Hermes nas
encruzilhadas das cidades e         grandes estradas, porque Mercrio
presidia s viagens e         aos caminhos. Geralmente, Hermes  uma
coluna com uma         cabea; tendo duas cabeas, uma  de Mercrio
reunida         de outra divindade.


A         quarta-feira ( mercredi , em francs) dia da         semana,
-lhe consagrada (Mercurii dies) .

Tipo         e Atributos de Mercrio


A         mudana, a transio, a passagem de um estado a outro
foram personificados em Mercrio. (Hermes). Mensageiro         celeste,
leva aos deuses as preces dos homens e aos         homens os benefcios
dos deuses; condutor das sombras,      a transio entre a vida e a
morte; deus da         eloqncia e dos tratados, faz passar ao esprito
dos         outros o pensamento de um orador ou de um legado.  o
deus dos ginsios, porque na luta h troca de foras;          o deus
do comrcio e dos ladres, porque um objeto         vendido ou roubado
passa de uma mo a outra.


Na         grande poca da arte, esse deus se revestiu de carter
muitssimo diferente. Mercrio torna-se, ento, um         efebo, macio
e gil, sempre imberbe, de cabelos curtos e         apresentando o tipo
perfeito dos jovens que freqentam        os ginsios. O seu rosto nunca
tem a majestosidade de Jpiter , nem a altivez de Apolo , mas
freqentemente o cunho de uma grande         finura, de acordo com o seu
papel na Lenda, em que         personifica a astcia e a habilidade.



D-se         ainda a Mercrio outra srie de atributos em relao
com as suas diferentes funes. Como divindade         pastoral,
acompanhado uma ou outra vez de um carneiro ou         uma cabra; como
inventor da lira, coloca-se-lhe ao lado         uma tartaruga.  um galo
que o caracteriza como deus do ginsio, e a bolsa que segura com a mo
revela o deus         da mudana.


Mercrio         nasceu da unio de Jpiter e de Maia, filha do Tit
Atlas. Divindade arcdia,  numa gruta do monte Cilene         que v o
dia pela primeira vez, e  por isso que alguns         lhe do o nome de
deus de Cilene. Poucas divindades        aparecem to freqentemente
como Mercrio na         mitologia; o seu papel  importantssimo, e em
numerosos casos , como os nossos criados de comdia, o
personagem que tudo faz, embora sempre dependente.


Alm         das cenas da Lenda, das quais participa diretamente,
Mercrio surge em alguns monumentos ao lado de outras
divindades, s quais se liga simbolicamente. Uma moeda         de Marco
Aurlio apresenta-o ao lado de Minerva , em virtude da relao existente
entre o         deus do comrcio e a deusa da indstria. As relaes
com Vnus  so ainda mais diretas, pois da unio de         ambos  que
nasce Hermafrodita (Hermes-Aphrodite). Plutarco  explica tal unio
dizendo que a         eloqncia e o encanto da linguagem devem
associar-se         ao atrativo da beleza.

Mercrio,         Inventor da Lira


Mercrio         inventou a lira no mesmo dia em que nasceu. "Mal
saiu do seio materno, no ficou envolto nos sagrados         cueiros;
pelo contrrio, imediatamente ultrapassou o         limiar do antro
sombrio. Encontrou uma tartaruga e dela       se apoderou. Estava ela na
estrada da gruta,         arrastando-se devagar e comendo as flores do
campo. Ao         v-la o filho de Jpiter alegra-se; pega-a com ambas
as         mos, e volta para a sua morada, com o interessante  amigo.
Esvazia a escama com o cinzel de brilhante ao e         arranca a vida
 tartaruga. Em seguida, corta alguns         canios, na medida certa,
e com eles fura o costado da         tartaruga de escama de pedra; em
volta estende com      habilidade uma pele de boi, adapta um cabo, no
qual, nos         dois lados, mergulha cavilhas; em seguida, acrescenta
sete cordas harmoniosas de tripa de ovelha.


"Terminando         o trabalho, ergue o delicioso instrumento, bate-o
com   cadncia empregando o arco, e a sua mo produz         retumbante
som. Ento o deus canta improvisando         harmoniosos versos, e assim
como os jovens nos festins se         entregam  alegria, ele tambm
conta as entrevistas com Jpiter e a formosa Maia, sua me, celebra o
seu         nascimento ilustre, canta as companheiras da ninfa, as
suas ricas moradas, os trips e os suntuosos tanques que       se
encontram na gruta." (Hino homrico).

Mercrio,         Rei dos Ladres


Desde         a mais tenra infncia mostrou Mercrio as qualidades
que dele iriam fazer o deus dos ladres. No mesmo dia em         que
nasceu, roubou o tridente de Netuno , as setas de Cupido , a
espada de Marte , a cintura de Vnus , etc.         Foi para fechar to
belo dia que foi roubar os bois guardados por Apolo , e para         que
ningum lhe seguisse as pegadas, resolveu faz-los caminhar de costas.
Levou-os assim at Pilos, onde         imolou dois aos deuses do Olimpo,
e ocultou os demais         numa caverna.


Mercrio         desconfiou que o pastor Bato, o qual guarda em tal
lugar   os rebanhos do rico Neleu, divulgaria o seu roubo, se
fosse interrogado, e sobretudo se disso lhe adviesse         alguma
vantagem; assim, aproximando-se-lhe, ps-se a         acarici-lo, e
disse-lhe pegando-o pela mo: "Meu amigo, se por acaso algum vier
pedir-te novas deste         rebanho, dize que o no viste; como
recompensa, dou-te         esta bela novilha. -  Podes estar certo,
retrucou Bato,         recebendo-a; esta pedra que vs ser mais capaz
de         trair-te o segredo do que eu." Mercrio fingiu, ento,
afastar-se, e voltando um instante depois sob         outro aspecto:
"Bom homem, disse-lhe, se viste         passar por aqui um rebanho,
peo-te que me ajudes a        procur-lo; no favoreas com o teu
silncio o roubo         que sofri; dar-te-ei uma vaca e um touro." O
ancio, vendo que lhe ofereciam o dobro do que recebera:        "Penso,
respondeu, que o teu rebanho deve estar nas         cercanias desta
montanha; sim, deve estar, se no me         engano!" Mercrio, rindo-se
de tais palavras,         disse-lhe: "Ah, tu me trais, no  verdade?
Prfido, enganas-me!" Assim dizendo,         metamorfoseou-o na pedra
que se chama de toque, a qual       serve para reconhecer-se se o ouro 
de boa liga ou se          falso. (Ovdio).


Quando         sobreveio o dia, Mercrio voltou s alturas de Cilene.
Ali, curva-se e esgueira-se para dentro da morada,         entrando pela
fechadura. Caminha com passo furtivo no         reduto sagrado da gruta,
penetra sem rudo como faz        habitualmente na Terra, e assim chega
at o seu leito,         onde se cobre com fraldas, como qualquer
criancinha e         fica deitado, com uma das mos brincando com a
faixa, e         com a outra empunhando a melodioso lira. Mas o deus no
pudera ocultar a fuga a sua me, que lhe dirigiu a         palavra
nestes termos: "Pequenino astuto, menino         cheio de audcia, de
onde vens durante a treva da noite?         Temo que o poderoso filho de
Latona te cubra os membros        de pesados laos, te arranque a esta
morada, ou te         surpreenda nos vales, ocupado em temerrios
roubos."


Mercrio         respondeu-lhe com as palavras cheias de astcia:
"Mame, por que pretendes assustar-me como se eu         fora uma
criana dbil que mal conhece uma fraude e         treme ouvindo a voz
de sua me? Quero continuar a        exercer esta arte que me parece a
melhor par a tua         glria e a minha." (Hino homrico).


Apolo         no conseguia informaes sobre os bois; mas notando
um pssaro que cruza o cu, com as asas abertas,         reconhece
imediatamente, na sua qualidade de profeta e         ugure, que o
ladro  o filho de Jpiter. Atira-se  com rapidez aos picos de Cilene,
e penetra na gruta, onde         Maia deu  luz Mercrio. O menino,
vendo Apolo irritado         pelo roubo das reses, amontoa-se numa bola
e envolve-se         nas fraldas.


O         filho de Latona, aps procurar por toda parte, dirige
estas palavras a Mercrio: "Menino, que repousas         neste bero,
dize-me imediatamente onde esto as minhas         reses; se o no
fizeres, erguer-se-o entre ns funestos debates; agarrar-te-ei e
precipitar-te-ei no         sombrio Trtaro, no seio das sombras
funestas e         horrveis. Nem teu pai, nem tua me venervel podero
devolver-te  luz, e tu vivers eternamente sob a Terra." Mercrio
respondeu-lhe com astcia: Filho         de Latona, por que falas de
maneira to impressionante         comigo? Por que vens procurar aqui as
tuas reses? Eu        nunca as vi, e delas nunca ouvi falar; no me 
possvel indicar-lhe o ladro; por conseguinte, no         receberia a
recompensa prometida a quem fizer com que o         descubras. No tenho
a fora do homem capaz de roubar rebanhos. No  esse o meu trabalho,
porquanto outros         cuidados me reclamam: preciso do suave sono, do
leite de         minha me, destas fraldas que me cobrem, e dos banhos
mornos. Trata de evitar, pelo contrrio, que se saiba    desta
divergncia: seria um escndalo para todos os         imortais saberem
que um menino recm-nascido transps o         limiar de tua morada com
reses no domesticadas. O que         dizes so palavras de insensato.
Nasci ontem, as pedras        houveram dilacerado a pele delicada dos
meus ps; mas se         exiges pronunciarei um juramento terrvel:
jurarei pela         cabea de meu pai que no conheo o ladro das tuas
reses." (Hino homrico).


Entretanto,         Apolo no se deu por vencido, e pegando o garoto ao
colo, o levou a Jpiter, a quem pediu os bois que o         filho lhe
roubara. Mercrio comeou por negar         descaradamente o roubo; mas
Jpiter, que tudo sabe,       ordenou-lhe que devolvesse o que pegara
indevidamente, e         o menino conduziu Apolo para a gruta em que
ocultara os         animais. Enquanto Apolo os contava, Mercrio comeou
a         tocar lira, instrumento que ele acabara de inventar, e
Apolo ficou de tal modo encantado que quis comprar-lho. Mercrio, na sua
qualidade de deus do comrcio,         valeu-se da ocasio para um bom
negcio, e pediu em         troca os bois. Apolo, imediatamente, tentou
tocar lira,    mas enquanto lidava para arrancar os acordes, Mercrio
descobriu o meio de inventar o clamo. Apolo desejou         tambm o
novo instrumento, que Mercrio lhe vendeu em         troca do caduceu,
vareta mgica, entrelaada de serpentes e que lhe serviu mais tarde para
adormecer         Argos. O descaramento com o qual Mercrio soube mentir
no mesmo dia em que nascera, e a inteligncia com a qual
defendeu uma pssima causa, lhe garantiram o patronato dos advogados.



Um         epigrama da Antologia  zomba do deus dos ladres: "Posso
tocar numa         couve, deus de Cilene? -  No, transeunte. -  Que
vergonha h nisso? -  No h vergonha, mas         existe uma lei que
probe apoderar-se do bem alheio. -  Que coisa estranha!
Mercrio estabeleceu uma lei contra o roubo!"
zzz

Mercrio

Mercrio, deus do Comrcio

Mercrio Pedagogo

Mercrio Criforo

Mercrio, Guarda das Estradas

Mercrio, deus da Eloqncia

Mercrio, Mensageiro dos deuses

Mercrio, Condutor das Almas

Queixas de Mercrio



Mercrio, deus         do Comrcio


Desde         o nascimento possura Mercrio o gnio da permuta, e
 por isso que  o deus do comrcio. A arte o         caracteriza,
ento, pela bolsa segura pela mo. O         emblema  o mesmo que o que
se atribui ao deus dos ladres; mas em vez de aparecer sob as feies de
um         menino que acaba de fazer uma peraltice, apresenta a
grave fisionomia de homem que refletiu e pesa o valor dos         atos.



Considerado         como deus do comrcio e da permuta, Mercrio segura
habitualmente uma bolsa: traz o mesmo atributo quando          deus dos
ladres, mas neste caso est representado com         as feies de
menino que sorri maliciosamente, por         aluso s aventuras que lhe
assinalaram a mais tenra infncia.


Mercrio         preside aos exerccios. Mas sob tal aspecto, a arte lhe
modifica o carter; no traz mais o capacete e as asas,         e se
apresenta inteiramente nu sob o aspecto de vigoroso         efebo, que
ocupa o lugar mdio entre o carter delgado         de um Apolo  e o
carter robusto de um Hrcules .


Os         atributos de Mercrio como deus dos ginsios so a
palmeira e o galo. O galo , por excelncia, a ave de         luta, e os
combates de galos eram um grande divertimento         para os gregos.
No  de surpreender, portanto, que         tenha sido escolhido para
simbolizar a luta e os         exerccios que a ela se ligam.


As         imagens de Mercrio figuravam sempre nos ginsios. "Aqui se
colocou,         para proteger este belo ginsio, o deus que reina no
monte Cilene e nas suas elevadas florestas, Mercrio, a         quem os
jovens gostam de oferecer amarantos, jacintos e         violetas
perfumadas." (Antologia).


Essas         imagens do deus eram s vezes uma simples cabea
pousada numa msula. O deus ri-se, ele tambm, de tal         uso, num
epigrama da Antologia : "Chamam-me         Hermes, o veloz. Ah, no me
coloqueis nos ginsios,  privado de ps e de mos! Sobre uma base, sem
mos e         sem ps, como poderei ser veloz na corrida ou hbil na
luta?"

Mercrio         Pedagogo


As         letras servem para a transmisso das idias. Como deus
da permuta e da tradio, Mercrio , pois, inventor         das letras:
ensinando aos homens a transformao das         suas idias em
caracteres que a exprimem, esse deus        tornou-se naturalmente
protetor dos ginsios. Invocam-no         os mestres que ensinam aos
meninos os elementos da         cincia; invocam-no tambm os escrives
pblicos e         todos os que se dedicam a escrever. Os instrumentos
de   que nos servimos para a escrita, para a geometria, fazem
parte das suas atribuies, e os que ganham a vida,         deles se
valendo, os dedicam ao deus quando so         demasiado velhos.  o que
se v num pequenino trecho da    Antologia grega , onde um velho mestre
de escola se         coloca sob a proteo do deus a quem serviu. "Um
disco de chumbo negro para traar linhas, uma rgua que     assegura a
constncia de direo, vasos de lquido         negro para escrever,
penas bem aparadas, a dura pedra que         agua o canio e lhe
devolve a finura, o ferro que o         modela com a sua ponta e a sua
lmina, todos esses  instrumentos do seu ofcio, Menedemo tos consagra,
         Mercrio, pois que a idade lhe toldou os olhos. E tu,
deus prestativo, no deixes morrer de fome o teu         obreiro."


Mercrio         Criforo


A         Arcdia, um dos principais centros da velha raa
pelsgica, sonharia em Mercrio, ou antes em Hermes,         uma
personificao da potncia protetora da natureza e         especialmente
da terra. Era figurado na origem por um     pedao de madeira encimado
por uma cabea, e ali se         fixava um smbolo grosseiro, que entre
os povos pastores         exprime simplesmente a fora geratriz. Esse
carter         pastoral desaparece, de resto, rapidamente, para passar
ao deus P , que em vrias tradies  filho de         Mercrio. Mas o
carneiro, que lhe  consagrado, e que         vemos s vezes entre os
seus atributos, relembra o      antigo carter de divindade campestre, e
 sob tal         aspecto que se chama Mercrio criforo, ou
porta-carneiro.

Mercrio,         Guarda das Estradas


Mercrio,         como deus do comrcio,  naturalmente protetor das
estradas e da navegao. Nos tempos primitivos, montes         de pedras
colocados nas encruzilhadas dos caminhos         serviam de altares
destinados ao deus: mais tarde, foram       feitos de outra maneira, mas
sempre com o mesmo Destino.

Mercrio,         deus da Eloqncia


Os         monumentos de arte do a Mercrio, quando 
considerado como deus da eloqncia, uma atitude         particular: ele
levanta levemente o brao direito como         se pretendesse demonstrar
alguma coisa.


A         arte de comunicar as idias pela linguagem participava
naturalmente dos atributos de Mercrio, porque ele  o         deus da
permuta sob todas as formas. Era ele tambm que         todos invocavam
para adquirir os dons da memria e da        palavra, como se pode ver
num hino rfico a Mercrio         que contm as litanias do deus:
"Filho bem amado de         Maia e de Jpiter , deus viajante,
mensageiro dos imortais,         dotado de grande corao, censor severo
dos homens,         deus prudente de mil formas, assassino de Argos,
deus de         ps alados, amigo dos homens, protetor da eloqncia,
tu que gostas da astcia e dos combates, intrprete de         todas as
lnguas, amigo da paz, que trazes um caduceu         sangrento, deus
venturoso, deus utilssimo, que presides         aos trabalhos e s
necessidades dos homens, generoso   auxiliar para a lngua dos mortais,
ouve as minhas         preces, concede um feliz fim  minha existncia,
concede-me felizes obras, um esprito dotado de memria         e de
palavras escolhidas."(hino rfico).

Mercrio,         Mensageiro dos deuses


Mercrio         transmite aos deuses as preces dos homens e faz subir a
eles a fumaa dos sacrifcios. Mas  sobretudo o         mensageiro dos
deuses e o fiel intrprete das ordens que         est incumbindo de
levar.  ele que por ordem de         Jpiter conduz as trs deusas 
presena do pastor Pris encarregado de lhes adjudicar o prmio da
beleza.         Possui asas no ptaso e tem asas talares para indicar a
rapidez do seu vo. Devotado mais especialmente a         Jpiter,
torna-se, se preciso, ministro complacente dos         seus prazeres.



O         caduceu usado por Mercrio parece ter significados
diversos: primitivamente era apenas a vareta usada pelos         arautos
que iam e vinham por diversos pases em prol das         relaes
internacionais. Em outras circunstncias a vareta reveste-se de uma
espcie de carter mgico:          com ela que Mercrio adormece Argos
e  dela que se         serve para evocar as sombras. Em torno dos
emblemas que         caracterizam Mercrio, Gabriel de Saint-Aubin
colocou    mariposas para indicar a leveza e a rapidez do vo.


"O         apelido de mensageiro, de servidor, diz Creuzer, to
freqentemente dado a Hermes, est quase sempre         acompanhado do
de assassino de Argos, em que se revelam         to bem nas lendas
pelsgicas as suas relaes com a     lua e o cu estrelado. A vaca Io,
efetivamente, e o         vigilante Argos, que traz os seus inmeros
olhos fitos         nela, no parece ser outra coisa. Quanto a Hermes,
enviado pelo senhor dos deuses a libertar a sua amante de         to
incmoda vigilncia, nada mais faz, ao matar         Argos, do que
cumprir a misso que lhe  confiada, de         presidir  alternativa
do dia e da noite, da vida e da         morte." (Creuzer).

Mercrio,         Condutor de Almas


Alm         de seu papel de mensageiro dos deuses, Mercrio est
especialmente incumbido de transportar as almas dos         mortos ao
reino de Pluto. Vrios monumentos no-lo         apresentam sob tal
aspecto, que, alis, se conforma s        narraes dos poetas.



Vemos         tambm, por vezes, Mercrio caminhando rapidamente e
segurando com a mo uma almazinha caracterizada pelas         asas de
borboleta:  por isso que Horcio, invocando         Mercrio, lhe
dirige estas palavras: "s tu que,        amado igualmente pelos deuses
do Olimpo e pelos deuses do Inferno, renes com a tua varinha de ouro as
sombras         leves e conduzes as almas piedosas  venturosa morada
que lhes est reservada."

Queixas         de Mercrio


Dentre         todos os deuses da antigidade, no h nenhum que
tenha exercido tantas ocupaes como Mercrio.         Intrprete e
ministro fiel dos demais deuses, e em         particular de Jpiter, seu
pai, serve-os nos seus problemas ou nos seus prazeres com infatigvel
zelo.


A         multiplicidade das funes de Mercrio 
verdadeiramente extraordinria, e o mais ativo dos         deuses chega
s vezes a lamentar-se. "H, por  acaso, um deus mais infeliz do que eu?
Ter, sozinho, que         fazer tanta coisa, sempre curvado ao peso de
tantos         trabalhos! Desde o romper do dia, devo levantar-me para
varrer a sala do banquete; depois, quando j estendi       tapetes para
a assemblia e pus tudo em ordem, preciso         ir ao p de Jpiter, a
fim de levar ordens  Terra,         como verdadeiro correio. Mal
regresso, ainda coberto de         p, devo servir-lhe a ambrsia, e
antes da chegada do        escano, era eu quem lhe dava o nctar. O
mais         desagradvel, porm,  que, nico entre os deuses,
no fecho olho durante a noite, pois tenho de conduzir         as almas
a Pluto, levar-lhe os mortos e sentar-me ao   tribunal. Os trabalhos do
dia no tm fim; alm de         assistir aos jogos, de fazer o papel de
arauto nas         assemblias, de dar aulas aos oradores, encarrego-me,
simultaneamente, de tudo quanto diz respeito s pompas fnebres."
(Luciano).
zzz

Vulcano         (Hefstos)

Nascimento de Vulcano

Tipo e Atributos de Vulcano

Vingana de Vulcano

Os Fios de Vulcano

Os Ciclopes



Nascimento         de Vulcano


Vulcano         era filho de Jpiter  e de Juno, ou segundo alguns
mitlogos, de         Juno s, com o auxlio do Vento. Envergonhada de
ter         dado  luz a um filho to disforme, a deusa o   precipitou
no mar, a fim de que eternamente ficasse         escondido nos abismos.
Foi, porm, recolhido pela bela         Tetis e Eurnome, filhas do
Oceano . Durante nove anos, cercado dos seus         cuidados, viveu
numa gruta profunda, ocupado em         fabricar-lhes brincos, broches,
colares, anis e braceletes. Entretanto o mar escondia-o sob as suas
ondas, to bem que nem os deuses nem os homens conheciam         o seu
esconderijo, a no ser as duas divindades que o         protegiam.



Vulcano,         conservando no fundo do corao um ressentimento contra
sua me, por causa dessa injria, fez uma cadeira de         ouro com
mola misteriosa, e a enviou ao cu. Juno admira         uma cadeira to
preciosa; no tendo nenhuma        desconfiana, quer sentar-se nela;
imediatamente fica         presa como em uma armadilha; e a ficaria
muito tempo,         se no fosse a interveno de Baco , que embebedou
Vulcano para obrig-lo a         soltar Juno. Pretende Homero que essa
aventura da me         dos deuses excitou a hilaridade de todos os
habitantes do         Olimpo.


Em         outra passagem Homero conta que foi o prprio Jpiter
quem precipitou Vulcano do alto do cu. No dia em que,         para
punir Juno por ter excitado uma tempestade que devia         fazer
perecer a Hrcules ,         Jpiter suspendeu-a no meio dos ares,
Vulcano, por um sentimento de compaixo ou de piedade filial, socorreu a
sua me. Pagou caro esse movimento de bondade: Jpiter         segurou-o
pelos ps e atirou-o no espao. Depois de        haver rolado todo o dia
nos ares, o desgraado Vulcano         caiu na ilha de Lemos, onde foi
recolhido e tratado pelos         habitantes. Nessa terrvel queda
quebrou as duas pernas,         e ficou coxo para sempre. Entretanto,
pela interveno         de Baco, Vulcano foi de novo chamado ao cu e
recaiu nas      graas de Jpiter, que o fez desposar a mais bela e a
mais infiel de todas as deusas, Vnus , me do Amor . Esse         deus,
to feio, to disforme,  de todos os habitantes do Olimpo o mais
laborioso e ao mesmo tempo o mais         industrioso. Era ele que, por
divertimento, fabricava         mimos para as deusas que, com os seus
Ciclopes, na ilha         de Lemos ou no monte Etna, forjavam raios de
Jpiter.


Teve         a idia engenhosa de fazer cadeiras que se dirigiam
sozinhas  assemblia dos deuses. Ele no  somente o         deus do
fogo, mas tambm o do ferro, do bronze, da         prata, do ouro, de
todas as matrias fusveis.        Atriburam-lhe todas as obras
forjadas que passavam por maravilhas: o palcio do Sol, as armas de
Aquiles, as de         Enias, o cetro de Agamemnom, o colar de
Hermione, a         coroa de Ariana, a rede invisvel em que prendeu
Marte  e Vnus, etc.


Esse         deus tinha muitos templos em Roma, mas fora dos muros:
diz-se que o mais antigo era obra de Rmulo. Nos         sacrifcios que
se lhe ofereciam, era costume fazer         consumir pelo fogo toda
vtima, sem nada reservar para o         festim sagrado; eram, pois,
realmente holocaustos. A         guarda dos seus templos era confiada a
ces; o leo lhe         era consagrado. As suas festas se celebravam no
ms de         agosto, isto , durante os calores ardentes do estio.



Em         honra ao deus do fogo, ou antes, considerado o fogo como
o prprio deus, o povo atirava vtimas em um braseiro,         a fim de
tornar propcia a divindade. Por ocasio         dessas festas, que
duravam oito dias consecutivos, havia         corridas populares em que
os concorrentes corriam com uma tocha na mo: aquele que fosse vencido
dava o seu facho         ao vencedor.


Eram         considerados filhos de Vulcano todos aqueles que se
distinguiam na arte de forjar metais. Os sobrenomes mais         comuns
que se do a Vulcano, ou Hefstos, so:         Lnio (o Leniano),
Mulciber (o que maneja o ferro),       Etnus (do Etna), Trdipes (o que
anda devagar),         Junongena (filho de Juno), Crisor (brilhante),
Colapdion (que tem os ps tortos, zambros, coxos),         Anfigies
(que coxeia dos dois ps), etc.


Nos         antigos monumentos representam esse deus barbado, com a
cabeleira um pouco descuidada, meio coberto por uma veste         que s
lhe chega um pouco acima do joelho, trazendo um         gorro redondo e
pontudo. Com a mo direita segura um         martelo e com a esquerda as
tenazes. Se bem que, segundo    a fbula, ele fosse coxo, os artistas
suprimiam esse         defeito ou o faziam apenas sensvel. Assim
Vulcano se         apresentava de p, mas sem nenhuma deformidade
aparente.         Os poetas colocavam a morada habitual de Vulcano em
uma   das ilhas Elias, coberta de rochedos, cujo cimo vomita
turbilhes de fumo e chama. Do nome dessa ilha,         antigamente
chamada Vulcnea, hoje Vulcano, veio o nome         de Vulco.

Tipo         e Atributos de Vulcano


Os         poetas representam Vulcano com as feies de um hbil
ferreiro, mas ao mesmo tempo burlesco no aspecto, assaz         ridculo
aos olhos dos Olmpicos, corcunda e de         conformao viciosa. Nos
tempos primitivos, era representado sob a forma de ano, mas nos belos
tempos         da arte passou a ser homem vigoroso e barbudo, com um
capacete cnico tendo como atributos as ferramentas de        ferreiro.



"Os         que vo a Atenas, diz Valrio Mximo, ali admiram a
esttua de Vulcano feita por Alcamene. Entre as demais
perfeies que imediatamente nos dispem em favor do         artista,
notamos em primeiro lugar a arte com a qual ele         d a entrever a
atitude torta do deus sob as prprias vestes que servem para lhe ocultar
a imperfeio: no         parece ser defeito que ele haja pretendido
censurar em         Vulcano, mas apenas um sinal distintivo, prprio a
d-lo a reconhecer como deus do fogo ."


Vulcano         fabricara a primeira mulher, Pandora , como Prometeu
fizera o primeiro homem.  o divino obreiro do Olimpo, e         os
deuses lhe deviam quase tudo o de que se utilizavam. A         gide e o
cetro de Jpiter , o         trono do Sono, a coroa de Ariadne, o colar
da Harmonia,         os touros de bronze que guardavam o velocino de
ouro , as armas de Aquiles, eram trabalhos de         Vulcano. Era ele,
ademais, autor do carro do Sol, e         fizera para Apolo  uma
admirvel flecha que, aps atingir o         alvo, voltava por si  mo
que a havia lanado.

Vingana         de Vulcano


Para         vingar-se dos pais que to duramente o tinham tratado,
Vulcano imaginou o fabrico de uma cadeira de ouro, da         qual, quem
nela se sentasse, s se levantaria com a sua         permisso. Juno,
que no conhecia o segredo, sentou-se         e Vulcano no quis
livr-la. Uma curiosa pintura de vaso nos apresenta Juno sentada e Marte
atacando Vulcano para libertar sua me.         Vulcano no tinha foras
para lutar contra o deus da         guerra, e foi obrigado a ceder, mas
a sua irritao foi        tal que no mais quis voltar ao Olimpo. Os
deuses         afligiram-se com aquela resoluo que os privava de
todas as belas obras que lhes fazia Vulcano. Baco  resolveu lev-lo de
novo ao cu e         embriagou-o.

Os         Fios de Vulcano


Na Odissia , Vulcano  marido de Vnus . Outras tradies fazem, pelo
contrrio,         de Vnus, mulher de Marte. Como os deuses tinham nas
diversas localidades lendas diferentes e por vezes
contraditrias, a poesia, vendo Vnus unida a Marte, ou         unida a
Vulcano, pretendeu conciliar as vrias         tradies por meio de um
adultrio, e da saiu a         histria dos fios de Vulcano. Hesodo d
por esposa a Vulcano Agl, a mais jovem das Graas. Mas a histria
dos fios de Vulcano prevaleceu e faz que as outras sejam
esquecidas. O que  notvel nessa histria  que        Vulcano parece
unicamente preocupado com os presentes que         trouxe como dote 
mulher e que ele pretende reaver.


O         Sol que v tudo advertiu Vulcano das ligaes
existentes entre sua mulher e o deus da guerra. Vulcano,         ento,
coloca sobre um cepo uma enorme bigorna e forma         grilhes
indestrutveis. Essas cadeias eram finas como         teias de aranha, e
ningum conseguia perceb-las, tal a habilidade com que haviam sido
feitas. Mal Vulcano viu os         dois culpados enredados nos fios,
ps-se a chamar todos         os deuses.


"Poderoso         Jpiter , e vs, imortais afortunados, acorrei
para testemunhardes uma interessante cena que ningum         poderia,
no entanto, tolerar! Visto que eu sou disforme,        a filha de
Jpiter me ultraja sem cessar; agora, une-se         ao pernicioso deus
da guerra, por ser ele belo e esbelto,         ao passo que eu sou feio
e corcunda! Meus pais so os         nicos culpados desta desgraa;
jamais deveriam ter-me        posto no mundo!... Os laos que forjei
para eles ho de         ret-los at o dia em que o pai de Vnus me
devolver         todos os presentes que lhe dei para conquistar-lhe a
impudente filha. Vnus  bela, sem dvida, mas no        consegue
dominar as suas paixes."  (Homero).


Embora         tal narrao seja apresentada sob forma cmica,
convm notar que  a confuso dos amantes que leva os         deuses a
rir, e no a desventura do esposo, como         facilmente se supe
hoje.

Os         Ciclopes


Os         ciclopes, obreiros de Vulcano, so habitualmente
caracterizados pela enormidade do vulto e pelo nico         olho, posto
no meio da testa. Entretanto, Albane         afastou-se muito desse
tipo. Incumbido de pintar os quatro elementos para o cardeal de Sabia,
escolheu         Vulcano e a sua forja para representar o fogo. Mas o
seu         quadro nada possui de terrvel.


Eis         um fragmento da carta que ele escreveu ao cardeal para
lhe anunciar o envio do quadro pedido. "Pintei, como         Vossa
Alteza ver, no somente o fogo celeste e         propriamente
elementar, representado pelo poderoso   Jpiter, seno tambm o fogo
material e o do Amor , de que Vulcano e a deusa de Chipre so os
emblemas: no quis colocar as forjas de Vulcano nem         Brontes, nem
os demais ciclopes; preferi fixar trs        jovens Amores, visto que a
carne de meninos dessa idade constituem interessante oposio s
amorenadas de         Vulcano. Tive, tambm, de me conformar nessa
escolha ao         desejo de Vossa Alteza serenssima, pois o embaixador
me        dissera que conviria representasse eu grande nmero de
Amores ferindo com as suas setas irresistveis o         mrmore mais
duro, o ao, o diamante e o prprio         corao dos deuses."



Noutro         quadro Albane coloca Vulcano al lado de Vnus . A sua
oficina j no  uma forja, mas         um prado coberto de flores. Os
seus obreiros no so         mais os robustos ciclopes, e o rudo dos
seus martelos         temperado pelo das cascatas. Enquanto na entrada
de         uma gruta recoberta de usgo, um deles aciona o fole,
outros apresentam a Vnus as armas que acabam de         fabricar para
ele e para o filho: essas armas so naturalmente setas. A deusa, deitada
descuidadamente          sombra dos bosquetes, sorri para tudo quanto a
rodeia e         seu esposo, o rude Vulcano, que repousa ao seu lado,
busca tornar-se amvel para no prejudicar o quadro.


Os         ciclopes sempre foram considerados como personagens
formidveis. Quando Diana quis ter uma aljava e setas         dignas da
sua habilidade, foi visitar Vulcano que ela         encontrou na forja
rodeado pelos ciclopes seus obreiros.


"As         ninfas empalideceram  vista de tais gigantes
semelhantes a montanhas e cujo olho nico, sob espessa
sobrancelha, brilhava ameaadoramente. Uns faziam gemer         imensos
foles; outros, levantando os pesados martelos,        batiam
furiosamente o bronze que tiravam da fornalha. A         bigorna
estremece, o Etna e a Siclia tremem, a Itlia         ecoa o estrondo e
a prpria Crsega se sacode. quele         terrvel espetculo, quele
medonho fragor, as filhas        do Oceano         ficam estarrecidas...
e trata-se, alis, de um         estarrecimento perdovel; as prprias
filhas dos         deuses, na sua infncia, s encaram tais gigantes com
temor, e quando se recusam a obedecer, suas mes fingem chamar Arges ou
Steropes: Mercrio  acorre com as feies de um desses         ciclopes,
de rosto coberto de cinza e fumaa;         imediatamente, a criana,
terrorizada, cobre os olhos com as mos e se atira tremendo ao seio
materno." (Calmaco).
